Casa nova (crônica de hoje no Guia do Estadão)

Nos bastidoresNem te conto. Perto do fim do ano fiquei quatro dias inteiros fora do ar. Quer dizer: eu, não. O meu site. No fim das contas, dá no mesmo, quando você tem sua vida mantida por instrumentos.

Fiquei fora do ar porque estava trocando a cara do site (o jargão é ‘template’). A analogia mais óbvia que pode ser feita é com a reforma da sua casa. Mas não é bem assim. Está mais para a demolição e a reconstrução da sua casa. Para ser mais exato: imagine a sua casa sendo demolida e reconstruída enquanto você está internado na UTI. Assim foi o meu finzinho de ano.

Quem põe uma filial de si mesmo na internet vira uma pessoa 2.0 – uma espécie de zumbi eternamente vagando em busca de conexão. Sabe aquele tal de Second Life, um dos maiores fracassos da internet de todos os tempos? Foi um fracasso porque não é preciso criar um mundo à parte para você ter uma segunda vida. Basta abrir sua própria portinha na rede, e pimba: você vive mais lá do que cá.

Não, não estou reclamando. Sempre que a vida aqui fora está chata a internet oferece alguma coisa interessante. E se você encontrar a sua turma – ou, melhor ainda, for encontrado por ela – a internet pode melhorar sensivelmente a sua vida aqui fora.

Há, porém, um preço a pagar, pelo menos nesses primórdios de vida online. Tudo na internet é instável. Na vida real ninguém corre o risco de destruir o seu apartamento só porque apertou um botão errado. Ou de perder tudo o que está dentro de casa porque não sabe onde pôs a chave. Eu sei, quem mora perto de um rio sempre pode sofrer com uma inundação – esse começo de ano esteve cheio delas. A diferença é que quem tem casa na internet parece estar sempre perto de um rio prestes a transbordar.

Deu certo. Enquanto a minha porção carne e osso estava ilhada num paraíso com internet discada, forças superiores tratavam das mudanças. Magicamente no dia 30 à noite o meu barracão virtual tornou-se uma mansão, com alas e mais alas (muitas delas, ainda desocupadas).

Felizmente consegui mudar de casa sem trocar de endereço. Se você me jogar no Google, vai ver que eu já mantive o mesmo site em cinco lugares diferentes. Chega. (E antes que você pergunte: o arquiteto de motéis é um homônimo.)

Uma amiga acaba de me tuitar para dizer que está faltando água em Boipeba. O que tem de mais? Falta água, mas tem banda larga! Pronto, é pra lá que eu vou.

19 comentários

Mestre Riq, tocou na alma. Também tocou num tema que me fez mudar de vida.

Depois de morar 10 anos num dos bairros centrais de Tokyo, resolvi mudar para o “mato” porque não aguentava ficar o dia inteiro na frente de um computador. Sentia a necessidade de compensar as horas virtuais com atividades analógicas no meio da natureza.

Engraçado o computador, ao mesmo tempo que escraviza, também liberta. Graças à tecnologia digital – e à revolucionária internet – foi possível conciliar o meu trabalho profissional com a vida na roça. Já estou no quinto ano plantando arroz, verduras, frutas e criando abelha entre uma dedilhada no teclado e outra.

O caminho do meio. Senão, a humanidade descamba.

Nós que tomamos a liberdade de visitar sua casa desde que ela abriu suas portas, ficamos muito felizes com o progresso. E, acredite, sempre que a vida fica chata é no seu endereço que voltamos correndo para sonhar, sonhar muito e sonhar alto.

Concordo com a Flavia….. E vc tem toda razão II a missão: a vida lá fora sempre melhora quando somos felizes de ter amigos aqui dentro

#meldels citada assim? adorei, chéri!!!

E vc tem toda razão: sem conéquissaum eu estaria enlouquecida!!!

E vc tem toda razão II a missão: a vida lá fora sempre melhora quando somos felizes de ter amigos aqui dentro 🙂

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