O primeiro e o último dia da viagem: não conte com eles 1

O primeiro e o último dia da viagem: não conte com eles

Au revoir

Eu já toquei nesse assunto algumas vezes. Sobretudo quando falo de viagens picadinhas — porque a gente tem a mania de se iludir com distâncias e horas de vôo, achando que um lugar está a “só duas horas” de outro. Quando a gente acha que um lugar está “a duas horas” de outro é porque são duas horas só de vôo, ou duas horas só de estrada — sem contar  todos os trâmites entre a saída de um hotel, a saída da cidade, a chegada em outra cidade e a chegada ao outro hotel. E nessas, perde-se pelo menos meio dia — e muito mais energia do que se imagina.

Ainda mais delicada é a situação do dia de chegada e, sobretudo, do dia da saída de uma viagem internacional. É mais feliz quem não arranja motivo pra se estressar nesses dois dias.


Coisas para não fazer no primeiro dia da viagem
I-95, Flórida

  • Depois de uma viagem noturna internacional, não emende uma viagem longa de carro. É dar sopa pro azar.
  • Não marque jantar ou show caros. Pode bater um cansaço e dar vontade de desistir.
  • Ticar lerês. Se você tiver uma lista de obrigações para cumprir imediatamente após desembarcar, é porque você programou dias de menos nesta escala.
  • Marcar conexões no mesmo dia com vôos ou trens que não estejam vinculados à passagem transatlântica. Mesmo que tudo dê certo, o stress não compensa.



Coisas para não fazer no último dia de viagem
Fila na Galleria Uffizzi

  • Viajar de carro até a cidade onde você vai pegar o vôo de volta. Há tantas coisas fora do nosso controle — engarrafamentos, problemas mecânicos, desatualização de GPS, errinhos bobos — que quaisquer 200 km podem trazer uma enorme dor de cabeça. De novo: mesmo que tudo dê certo, ninguém merece se estressar tanto no último dia de viagem. Melhor vir na véspera e pernoitar na cidade de onde parte o seu vôo.
  • Ticar lerês. É melhor fazer as últimas compras do que fazer os últimos museus.
  • Marcar conexões com no mesmo dia com vôos ou trens que não estejam vinculados à passagem transatlântica. Na volta, combinar low-cost ou trem com o seu vôo de volta ao Brasil é ainda mais perigoso do que na ida — porque perder o vôo de volta sai muitíssimo mais caro e há muito menos opções de jeitinhos e gambiarras. Só faça isso se os vôos tiverem vínculo — aí, em caso de atraso, você pelo menos tem direito a assistência/remarcação pela cia. aérea.

O que fazer no primeiro e no último dia da viagem internacional

Pense no dia da chegada e no dia da partida como câmaras de descompressão. Simplifique. Desencane. Deixe acontecer.

Na chegada, comemore o fato de ter chegado bem. Ou vingue-se dos perrengues do vôo de ida (essa hipótese é mais provável). Estique as pernas. Saia sem câmera, fotografe só com o celular (esse é o dia em que você está mais suscetível a mãos-leves). Tenha na manga lugares para comer que não exijam reserva (assim você só vai se der vontade). Nesse dia, mais importante que o melhor jantar é o melhor sorvete. Deixe o destino surpreender você. No dia da chegada, tudo o que vier é lucro.

Na partida, desacelere. Arranje tempo para parar e lembrar das melhores coisas da viagem enquanto você ainda está viajando. Não vai bater tristeza, não — é mais provável que sorva os últimos momentos com mais intensidade, que tudo pareça mais colorido. Faça só o que você mais gosta. Sem perrengues. Sem stress. (O melhor mesmo é começar isso umas 48 horas antes, mas daí, eu sei, já é sugerir demais.)

Leve um  livro de casa. O livro que você mais esteja a fim de ler no momento. Chegue cedo ao aeroporto. Faça o check-in e comece do primeiro capítulo. Boa viagem.

Leia mais:


Dólar & euro

88 comentários

Meu marido sempre tem um livro para a viagem. Ele leu o livro inteiro.
Antes eu lia, em os voôs, novelas de misterio. Eu comecei a ler, en os viagens em avião o alfabeto de Sue Grafton, da letra A cheguei até a letra M, despois eu me cansei.
Agora eu gosto de olhar para as pessoas que viajam comigo.
Para o vôo de retorno eu sempre tento dormir o suficiente, agora cada vez tenho mais dificuldade para dormir.
Meu marido ainda a ler tudo o que cai em suas mãos tanto a jornada de ida e volta no avião. É tedioso, não pode falar…

Nas 2 vezes em que fui a Nova York, fiquei em um hotel na 76 West, a duas quadras do Central Park e fiz exatamente o mesmo roteiro no primeiro dia: deixei as malas no hotel, saí para comprar uma camera nova (obrigatório), almoçei e voltei para o hotel para o check-in. Tomei um banho, dormi um pouco e lá pelas 5 da tarde saí para caminhar e fotografar no parque totalmente descansado – era verão nas 2 ocasiões.

No dia da volta: arrumei tudo pela manhã, fiz o checkout, deixei as malas no hotel e quebrei uma das regras: Metropolitan na 1ª vez e esse ano ao Museu de História Natural.

Como os vôos de volta eram noturnos, eu já sabia o que queria ver nos museus e a localização ajudava, deu para ticar esses lerês tranquilamente… 🙂

Sobre desacelerar, um dos momentos inequecíveis da viagem desse ano foi justamente na véspera da volta: sentado numa mesinha na Times Square com as últimas lembrancinhas compradas, curtindo o movimento em volta, relembrando mentalmente os dias anteriores. O tempo parecia passar devagar, se pudesse eu estaria ali naquela mesinha até agora…

Nossa, não sou nenhuma expert em viagem, mas na minha primeira viagem internacional no ano passado, fizemos exatamente isso.chegamos em Roma ,deixamos as malas no hotel e fomos caminhar…caminhar…jantamos e descansamos para maratona do dia seguinte.Na volta de Paris, fizemos td o que tinhamos direito no dia anterior( o voo era diurno), compramos vinhos e queijos e cansadissimos, nos despedimos da cidade luz no quarto do hotel com um jantarzinho bem romantico.Foi otimo…

Eu também uso a técnica do reconhecimento de área no primeiro dia. Você pode descobrir um lugar gostosinho e baratinho perto do hotel pra comer e que seja uma boa alternativa num outro dia que vc tá cansado e não muito afim de sair pra ir jantar num lugar longe. Agora essa história de deixar compras para o último dia pra não funcionaria porque a essa altura minhas malas já estão explodindo, hahaha! 🙂

Meu marido tem rodinhas nos pés, então a maratona começa nos primeiros minutos e só termina quando chegamos em casa. A máxima dele é que a gente vai ter todo o tempo do mundo para descansar, quando morrer, naturalmente. Então, enquanto estamos vivos, vamos aproveitar o tempo. Eu tento me enquadrar, as vezes o cansaço vence e eu entrego os pontos. No fim, sempre dá tudo certo!

    Meu marido deve ser da mesma “escola”que o seu. E olha que no dia a dia ele é até devagar (aquele que dorme depois do almoço de domingo). Mas fora de casa somos “maraturistas”. E adoramos. Acho que cada um tem um perfil. O que é bom pra uns pode não funcionar pra outras pessoas,né?

    Na chegada não planejo muito. As cias aereas não permitem.

    Mas na volta eu procuro sempre fazer algo bacana, já que trocar de hotel não é do meu perfil: ou tomar um super café da manhã, ou ir a um café diferente. Já fizemos comprinhas pequenas ou passeios por volta do hotel absorvendo a almo da cidade!!!

    O livro eu desisti, mas sempre compro uma revista de viagem pra ir namorando a proxima viagem. Chegamos sempre MUITTOOO cedo no aeroporto.

Post de utilidade pública, deviam imprimir e distribuir nos aeroportos! 😀

Eu faço que nem cachorro, quando começa a sair na rua. Ele nunca vai muito longe, apesar de curioso. 🙂 No primeiro dia eu só pratico o reconhecimento da vizinhança, tento achar onde comer, tento ver onde ficam os ônibus/metrô, etc. Descanso, dou uma voltinha, tento me entender com os mapas… E, só no dia seguinte, parto para desbravar!

Em 1º lugar ótimo texto, já colocava isto em prática, antes do VnV, mas quando a adrenalina quer pegar, e sempre quer, pé no freio e muta calma!Respeitar os horários e os nossos limites …
Conforme a Tania falou também levo os meus papéis com as orientações sábias dos trips e do VnV e CP, que leio e releio, e a viagem vai rolando mentalmente …, a ansiedade não permite leituras muito profundas, mas um livro bem ligth ajuda.Adoro observar as pessoas também…E o reconhecimento da área na chegada ao hotel é inevitavel.
Riq, não querendo ser chata, dê uma olhada no texto: “Bote bater um cansaço e dar vontade de desistir”.
Bom dia a todos!

Sou do time da Nádia e do Moacir aí de cima. Chego na pilha, no matter what. Não programo/reservo nada nem assumo nenhuma obrigação, mas depois do check in e de um banho rápido, a viagem já começou e está valendo desde um simples reconhecimento de área até a primeira atração. Na volta é a mesma coisa. Não assumo compromissos para a última hora mas feitas as contas – sempre com folga e margem de segurança – do tempo necessário para acordar, terminar de arrumar as malas, fazer o check out, chegar no aeroporto e fazer o check in, o que sobrar antes disso ainda é viagem e está valendo. Não acho que seja maraturismo (= querer ver tudo em uma só viagem, sem curtir) mas apenas aproveitamento de tempo (= curtir mais).

Ótimas dicas! Eu não programo nada para o primeiro dia de viagens “a passeio”. Se alugo carro, e não estou muito cansado, uso o mesmo para rodar sem muito rumo por alguma área verde próxima da cidade do desembarque, ou então para fazer comprar para a própria viagem.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados se aprovados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.