Priscilla, a Rainha do Deserto: carnaval na Broadway

Priscilla, a Rainha do Deserto

Ainda bem que não li as críticas a Priscilla, a Rainha do Deserto, produção originalmente australiana que está em cartaz simultaneamente em Londres e Nova York. O New York Times achou chocho; a Time Out New York disse que o show é puro brilho, mas não tem alma.

Eu não tenho toda essa experiência em  musicais, mas olha só — não sairia de casa esperando reencontrar o carisma de um filme independente australiano num palco da Broadway, não.


Adorei a peça exatamente pelas lasvesguização do filme: tudo aquilo que era pobrinho e enjambrado na tela virou uma superprodução digna da Marquês do Sapucaí — só que com atuação e timing de Broadway.

Dane-se se, do trio de atores principais, o único que convence é o que faz a transexual aposentada (Tony Sheldon, que atua desde a primeira temporada australiana). Pouco importa se a música é o clichê do clichê. O que me impressionou em Priscilla — e me deixa abobalhado até agora — é a direção de arte, exuberante, carnavalesca.

Algumas cenas têm ritmo de videoclip, com o ônibus e os mecanismos do palco servindo para cortes e edições ao vivo. (Ei, eu juro que só bebi aquele copo da foto lá do alto.)

E o que é essa cena do MacArthur Park? Essas cupcakes de sombrinha (“someone left the cake out in the rain”, ha!), meio ala das baianas, meio dervixes em slow motion? Só isso já vale o ingresso.

Se você procura um musical na Broadway divertido, fácil de entender e com 100% de garantia de encher os olhos, Priscilla me parece uma escolha sem erro. Desculpa aí, New York Times…

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11 comentários

Poxa… tô indo pra lá na sexta, fui certa pra comprar os ingressos depois de ler aqui e olha só o meu azar: o musical saiu de cartaz no último dia 24 de junho =(

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