Tremblor (minha crônica de hoje no Guia do Estadão)

Epicentral no meu iPod

A gente estava abrigado da chuva repentina num ponto de ônibus em Frutillar, uma cidadezinha cenográfica alemã à beira do lago Llanquihue, no sul do Chile, quando um casal de jipão parou para perguntar se íamos a Puerto Varas – uma outra mini-Gramado à beira d’água, a meia hora dali. Oba: nosso hotel era lá.

Subimos. O papo furado ia se desenrolando nos conformes – apresentações, elogios mútuos ao país de cada um, banalidades meteorológicas. Na primeira ameaça de michar a conversa, porém, eis que o chileno tira um iPhone do bolso e me alcança no banco de trás. “¿Conoces el programita que informa los tremblores?”

O aplicativo se chama Epicentral e registra todos os tremores que ocorreram no mundo nos últimos dias, atualizados em tempo real. Claro que eu baixei no meu também (é grátis). Parece coisa de neurótico, mas basta mexer um pouquinho para descobrir que não há coisa mais corriqueira mundo afora do que um terremotozinho. O Pacífico é rodeado de países que não param de tremer. Indonésia, Japão, Alaska, Califórnia, Chile – existe todo um universo de lugares que sofrem de Parkinson e convivem muito bem com isso.

Meu Epicentral informa que houve pelo menos um tremor por dia na última semana no Chile. Dois deles aconteceram em lugares onde eu estava – um no fim de semana, outro no começo. Quem disse que eu senti? Fiquei sabendo como você, pelas manchetes dos portais de internet.

O problema é que a pessoa lê “terremoto no Chile” e pensa em prédios ruindo, pontes desabando e tsunamis devastando a costa – igualzinho ao megaterremoto que aconteceu há um mês e que não deve se repetir por muitos anos. O fato é que nenhum treme-treme abaixo de 6 pontos na escala Richter chega a fazer cosquinha no Chile. Rodei o país de cima a baixo nas últimas semanas (estava fazendo um zig-zag entre o Chile e a Argentina) e posso atestar que, com exceção de algumas vinícolas com sedes muito antigas, tudo está funcionando normalmente, sem seqüelas. Pode confirmar as suas férias na neve ou sua ida ao Atacama.

Se o pessoal encher muito a sua paciência, mande baixar o Epicentral para ver todos os terremotos que não saem no jornal.

7 comentários

oi Ric! Guri, tu sabias que eu estava em Santiago no dia 27 de fevereiro, o dia do terremoto? Tenho recebido muitos comentários no meu blog perguntando sobre como vai o Chile e se as pessoas devem ir para lá. Desde o começo meu palpite tem sido o mesmo: com exceção de Bio Bio e Maulle o terremoto não causou grandes problemas. Fico feliz de escutar de ti que realmente anda tudo bem por aí. Boa viagem e saudades. beijos, Cris.

    Oiê! Pode dizer que tá tudo tranqüilito por lá. As únicas visitas que precisam de confirmação são as das vinícolas.

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