Prós x contras: dólar, euro, peso, real, travelers, cartão de crédito, saque internacional ou Visa Travel Money?

meiosdepagamento

Vai viajar para o exterior? Está na dúvida sobre que meio de pagamento usar lá fora? Pois pode sair daqui com uma certeza: não há modalidade perfeita. Todas têm seus furos. Fazer câmbio significa necessariamente perder um pouquinho. A idéia é perder o menos possível. (E não é só dinheiro, não. Também se pode perder muito tempo com câmbio. E tempo, em viagem ao exterior, não é só dinheiro — é moeda forte.)

Vamos aos prós e contras de cada meio de pagamento. No final, eu dou minha receitinha.

DÓLAR, EURO, LIBRA (e, vá lá, PESO)

Vantagens:

* Com a grana na mão, você não corre o risco de perder dinheiro com uma eventual desvalorização do real até o fim da sua viagem. (E o assunto morre ali: logo depois de efetuada a compra, você pára de pensar se fez um bom negócio ou não. Moeda forte é moeda forte, #prontocomprei.)

* Se você viajar para lugares onde a moeda é corrente, não vai precisar se preocupar em fazer câmbio. Hurra!

* Se sobrar, você pode guardar para a próxima. (E na próxima você vai se dar conta de que não existe dinheiro mais barato e bem-vindo do que dólar de gaveta!)

* Na Europa, recomenda-se (sobretudo para integrantes dos grupos mais visados – rapazes, mulheres jovens, estudantes, participantes de simpósios e congressos) passar pela imigração com 60 euros em espécie por pessoa por dia de estada. (Caso o agente implique com você, não ter esse dinheiro vivo em mãos pode dar o argumento objetivo de que ele precisa para barrar sua entrada.)

Desvantagens:

* A compra é feita na cotação “turismo” (dólar-turismo, euro-turismo), que é significativamente mais cara do que a cotação comercial (sexta passada, enquanto o dólar comercial estava 2,02, o turismo estava 2,15 — 6,4% mais alta); ou ainda no “paralelo”, que pode ser mais caro ainda.

* Se você viajar para lugares em que o dinheiro não seja moeda corrente (dólar no Peru, euro na Hungria), vai ter que procurar casa de câmbio e passar toda vez pelas mesmas dúvidas. Será que não consigo uma cotação melhor? Será que não estão me engambelando na comissão? (Quando você se dá conta, perdeu uma manhã por causa de tostões, e ainda ficou num mau humor do cão.)

* Andar com dinheiro vivo/guardar dinheiro vivo no hotel são fontes de preocupação constante. (Na Europa sobretudo o que não falta são mãos-leves.)

Precauções

* Antes de comprar peso argentino no Brasil, veja se a cotação vale a pena. Consulte o site Dólar Hoy.

Oportunidades

* Comprar dólar ou euro de amigo/conhecido é uma ótima: dá para estabelecer uma cotação intermediária entre os valores de compra (sempre baixos para o seu amigo) e venda (sempre altos para você), e todo mundo sai ganhando.

REAL

* Só vale mesmo na Argentina (e no Uruguai) — mas é preciso saber onde fazer câmbio, senão você vai perder dinheiro. O Banco Nación do aeroporto (funciona 24 horas, 365 dias) costumava ter uma ótima cotação, mas parece que não é mais tão garantido assim. Veja antes no Dólar Hoy, que é o oráculo da Sylvia e mostra em que bancos conseguir o melhor preço. Muitos dos bancos e corretoras com as cotações boas ficam na calle Sarmiento, no centro, e funcionam, claro, em horário bancário. As casas de câmbio comuns costumam ter cotações melhores enquanto os bancos estão abertos; fora do horário bancário e nos fins de semana, elas aproveitam a falta de concorrência para jogar o câmbio no chão.

* Em outros países você pode até achar quem compre real, mas a cotação sempre vai ser muito ruim.

TRAVELERS CHEQUES

Vantagens

* Se você perder ou for roubado, pode recuperar o valor não-usado.

* Você se garante contra desvalorizações e pode usar os cheques que sobrarem em viagens futuras.

* Nos Estados Unidos é aceito normalmente pelo comércio, hotéis e restaurantes.

Desvantagens

* A cotação é a do dólar-turismo.

* Na Europa e em outros lugares, perde-se MUITO TEMPO procurando um lugar para trocar os travelers com boa cotação e sem comissão.

Precaução

* Se você optar por esse meio e for para um destino que não os Estados Unidos, saia de casa com os endereços (devidamente google-mapeados) dos postos de troca; informe-se dos horários em que estão abertos; e programe as suas incursões cambiais como quem planeja visitas a museus. Caso contrário, prepare-se para sofrer. “Ih, tá acabando o dinheiro, precisamos trocar travelers” é o prenúncio de um dia conturbado, com programas cancelados.

SAQUES NO EXTERIOR

* Pergunte ao seu gerente se o seu cartão de banco dá direito a saques no exterior na função conta-corrente. Este é um benefício cada vez mais comum.

Vantagens:

* A conversão é feita por uma cotação muito próxima à taxa interbancária — ou seja, praticamente o dólar comercial.

* Vale para qualquer país do mundo que tenha caixas automáticos; você não precisa pensar se é melhor levar dólar ou euro para o Nepal ou a Indonésia. Basta selecionar a função “conta corrente” (checking account).

* Caixas automáticos são muito mais numerosos do que casas de câmbio e não fecham nunca.

Desvantagens:

* E se der pau no meu cartão? Ou no sistema? É inevitável: cada operação dá um friozinho na barriga, por mais que as 35 anteriores tenham sido bem-sucedidas.

* Há taxas (por operação) e limites de saque (por operação e por período) que variam enormemente de banco para banco, de conta para conta e de rede para rede. Normalmente, quanto mais “especial” for a sua conta, mais você saca, e menos você paga. (Ainda assim, saiba que se a brincadeira toda custar até 5% do montante, você não perde dinheiro, por conta da diferença de cotações entre o dólar comercial e o dólar-turismo.)

Pegadinhas:

* Se o seu cartão não funcionar no caixa automático do banco X, tente no banco Y. Às vezes acontece de o seu cartão só ser válido numa rede específica.

* Se você fizer o seu saque com um cartão múltiplo de bandeira Visa, a conta vem na próxima fatura do seu cartão de crédito, pelo câmbio do dia do vencimento (se o dólar subir, você paga mais caro).

* Se você fizer o seu saque com um cartão múltiplo de bandeira MasterCard, o valor é debitado automaticamente da sua conta, pelo câmbio do dia (sem sustos na volta).

* Retire o máximo que der por operação, para diluir a taxa fixa de saque.

Precauções:

* Descubra o limite de saques do(s) seu(s) cartão(ões) no exterior — por operação e por período — antes de viajar, para saber o quanto vai dar para depender dele(s).

* Avise o seu gerente e o seu cartão sobre a sua viagem, para que o sistema não negue nenhuma operação por desconfiança.

CARTÃO DE CRÉDITO

Vantagens:

* Nas bandeiras Visa e MasterCard/Diners, os valores são convertidos por uma taxa muito próxima à do dólar-comercial; a diferença compensa o IOF de 2,38%.

* A aceitação está cada vez maior.

* Segurança: se perder, pode conseguir reposição ainda durante a viagem.

Desvantagens:

* Na bandeira American Express, os valores são convertidos pelo dólar-turismo.

* Se o real se desvalorizar entre o momento da compra e o vencimento da fatura, você perde dinheiro.

* Há limites de gastos; e o sistema pode bloquear o uso se suspeitar fraude.

Precauções:

* Informe-se antes de sair sobre o seu limite, e avise a operadora da sua viagem.

Oportunidade:

* Se o seu cartão rende milhas, é uma ótima oportunidade de transformar os seus gastos em futuras passagens grátis.

VISA TRAVEL MONEY

* É um cartão de débito internacional, que você carrega antes de viajar e pode recarregar durante a viagem, à distância. Serve para saques e compras — e, de uns tempos para cá, para pagamentos na internet também. É uma espécie de sucedâneo eletrônico dos travelers cheques.

* Pode ser carregado em dólar ou em euro. Em países cuja moeda seja diferente da carregada no cartão, o débito é feito pelo câmbio do dia.

* Não é vendido pelos bancos, mas por corretoras de câmbio.

Vantagens:

* Você faz saques no exterior mesmo se a sua conta de banco não permitir; e pode fazer gastos “por cartão” mais elevados do que o limite do seu cartão de crédito (você determina o seu limite; basta depositar dinheiro na sua conta VTM).

* Ao esgotar o seu limite, você pode recarregar o seu cartão (depositar mais dinheiro na conta); basta ligar para o emissor e combinar o depósito, que é feito por DOC ou TED. 24 horas depois o dinheiro já está disponível para sacar ou fazer compras.

* Se você perder o cartão, ele é substituído rapidamente.

Desvantagens:

* A cotação usada é a do dólar-turismo.

* Há uma taxa de saque de US$ 2,50 por operação e, muitas vezes, uma outra taxa, da rede onde você está fazendo o saque. Há também um limite de saque por operação e por dia.

Oportunidade:

* Se você, como eu, é fã do mix saques internacionais + cartão de crédito, o VTM é o melhor e mais seguro Plano B de que podemos dispor.

MINHA RECEITA:

A exemplo do que os analistas indicam aos investidores, o melhor é diversificar.

Eu acredito que os meios que fazem o meu dinheiro e o meu tempo renderem mais são os saques em caixa automático + gastos em cartão de crédito sempre que possível. Mas levo também um pouco de dinheiro vivo para as primeiras despesas, e desde a última viagem tenho um VTM para ser recarregado em emergências.

Esse é o mix que eu recomendo. Mas veja bem: como eu disse lá no começo do texto, não há meio (nem mix) perfeito. Dentro do seu estilo, da sua personalidade, dos seus limites no cartão e no banco você vai descobrir qual é o meio (ou o mix) que melhor se afina com a sua viagem. Aproveite as vantagens, fique ciente das desvantagens, e você vai se dar bem.


355 comentários para “Prós x contras: dólar, euro, peso, real, travelers, cartão de crédito, saque internacional ou Visa Travel Money?”

  1. Ricardo, o cartão múltiplo Itaú, vc disse que serve para saques em Buenos Aires, porem e se eu quiser por exemplo pagar um restaurante com ele e pagar na função débito e não crédito, tambem tem jeito?

    1. Nunca usei, Kerles. Teoricamente funcionaria se tiverem máquina que aceite senha. Mas é melhor você se informar direito com o seu gerente.

  2. Riq,
    Achei engraçado. Arthur Frommers em seu blog comenta as dificuldades dos americanos em usar seus cartões de crédito sem Chip na Europa

    http://www.frommers.com/blog/?plckController=Blog&plckBlogPage=BlogViewPost&UID=3ec3ac40-db8a-4d10-a884-acf9ccad0879&plckPostId=Blog%3a3ec3ac40-db8a-4d10-a884-acf9ccad0879Post%3a54c47127-5189-4ca4-92d3-b7a6012dc68c&plckScript=blogScript&plckElementId=blogDest

    Morar em pais com banco ruim dá nisso. Um ano quebra, noutro não tem chip…
    Abçs

    1. :mrgreen:

  3. Olá, adorei esse blog!!!
    Vou viajar pela primeira vez para a Europa. Tenho muitas dúvidas, mas vamos lá!!!
    Alguém sabe de um bom lugar para comprar Euro em São Paulo?

    1. http://www.cotacao.com.br ou o seu banco mesmo.

  4. Também usei o meu cartão Bradesco para saque nos EUA e achei o valor final do dolar mais taxas descontadas melhor do que o preço que eu paguei nos Travelers.
    Mas que dá um certo stress de que não funcione é verdade…!
    Alguém já tentou reservar hotel no booking.com, por exemplo, com VTM? Será que é possível?

    1. Teoricamente não.

  5. Estou a morar em Portugal e vou passear no brasil este mes, gostaria de saber se fica mais em conta eu levar euro para trocar no banco do brasil por real em Palmas,ou se fica mas em conta ja levar daqui.Obg…

    1. Deve ser melhor trocar por aqui, Nil. O real não vale nada na Europa.

      Veja a cotação no banco de Palmas mas, antes de vender, veja se não há amigos brasileiros interessados em comprar de você por um preço intermediário entre as cotações de compra e venda do banco. É bom negócio para você e para quem compra.

  6. Olá Ricardo!!
    Adorei suas dicas…
    Estou começando a me programar para fazer a minha primeira viagem para Europa.Mas tem uma duvida:
    Vc acha melhor começar a comprar Euro a partir de agora, aproveitando o valor o do euro de R$ 2,31 ?
    Eu pretendo viajar em junho/2011, e estou querendo me organizar a grana.

    O que vc acha??
    Obrigada,
    Bjs
    Cláudia

    1. Isso é da alçada dos economistas, Claudia. Eu particularmente perdi todas as apostas que fiz contra moedas (seja na baixa ou na alta).

      Caso a sua poupança seja especificametne para viajar, então juntar moeda forte é interessante — desde que você desencane do valor que pagou. Uma vez no bolso, moeda forte é moeda forte e não se fala mais nisso.

      Para não acumular papel-moeda (inseguro tanto para guardar como para levar), você pode poupar em euro diretamente num VTM. (Mas atente para o fato que, se quiser vender os euros do VTM de volta, vai sofrer deságio).

      1. Riq, o deságio de venda de moeda de VTM é bem alto, maior que o papel-moeda. Mas tem uma solução simples e bisonha que deixa a cotação bem mais interessante até que a da venda de papel-moeda: usar o VTM no Brasil como se fosse seu cartão do banco.

        Se a poupança para viagem for grande, coisa de R$ 15 mil ou mais, dá pra procurar seu banco e investir em um “fundo cambial”, basicamente um fundo que é atrelado a moeda estrangeira (dólar é bem mais comum, Euro infelizmente não), e o efeito prático é que seu ganho/perda segue a da cotação da moeda estrangeira, e qdo vc sacar o valor em reais, tenderá a obter valor bem parecido com o que se tivesse comprado moeda física ou no VTM.

        MAs para valores intermediários, VTM é a melhor opção.

        1. Vejo o VTM como poupança específica para viagem. Se o sujeito não gastar tudo numa, guarda pra próxima. Como investimento ele é ruim já de saída, por ser comprado pela cotação turismo específica da corretora titular (além de perder contra o dólar interbancário, a gente não pode nem fazer um shoppingzinho básico de cotações…)

          1. O VTM tem uma pegadinha, se ficar menos que US$ 100 (tem que confirmar o valor) e ficar inativo eles começam a cobrar uma taxa de “manutenção”.

            Então se quiser deixar dinheiro no TVM que seja mais que o limite (a ser confirmado) ou que gaste normalmente aqui no Brasil como Cartão de Crédito normal.

            Eu perdi cerca de US$ 35,00 dólares assim. Foi minguando e sumiu :(

            1. O VTM para mim funciona como um seguro-imprevisto. Deu galho com o cartão do banco? Estourou o limite do cartão de crédito? Carrega o VTM, e em menos de 24 horas você volta a ter dinheiro.

              Eventuais perdas, para mim, fazem parte deste “seguro”.

              Na ponta do lápis, saque direto da conta corrente e gastos em cartão de crédito sempre são mais negócio (a não ser em eventos de desvalorização abrupta do real entre o momento da compra no cartão e o pagamento da fatura).

  7. Ricardo, li em algum lugar, que na Argentina alguns bancos e casas de câmbio exigem apresentação do passaporte, é verdade? Não posso fazer o câmbio só com a apresentação do RG? Tô preocupada, pois estou indo em setembro a BsAs e só tenho RG. Obrigada pela atenção.

    1. Só o RG serve.

  8. Acho que pra quem vai só com o RG, tem que apresentar no banco um papel que você preenche quando chega lá. O Riq pode explicar melhor…

    1. Zé, nem sei dos detalhes. Mas se fosse difícil isso aqui estaria cheeeeeio de reclamação, porque a maioria das pessoas viaja é com o RG só.

  9. Acho que o visto de permanência que te dão quando você pisa em Ezeiza só com o RG, precisa estar juntado, pra poder fazer câmbio. Eu ouvi essa prosa lá, de um carinha que tava só com o RG.

    1. Deve ser a ficha de entrada/saída. Com passaporte também dão uma.

  10. Essa mesmo; quando for fazer câmbio com RG, essa ficha tem que estar junto, o que não acontece com quem faz câmbio com passaporte.

  11. Gente, super obrigada pelas informações. Agora tô mais tranquila!

  12. Olá Ricardo, boa tarde!
    Tudo bem?

    Vou para Montevideo no próximo mês e estou na dúvida se compro moeda local ou se levo dólar. Você aconselha levar em espécie ou VTM?

    Obrigada

  13. Olá Ricardo,

    Acompanho sempre sua coluna na band news fm e gostaria de tirar uma dúvida:

    Vou para o Uruguai de férias e gostaria de saber se vc aconselha fazer um mix: cartao de crédito, VTM e dolar (ou peso uruguaio comprado aqui?)

    Obrigado!
    abs.

    1. Um pouco de dinheiro vivo para emergências, saques da conta corrente diretamente em moeda local de caixas eletrônicos, cartão de crédito para gastos e VTM com saldo baixo para ser carregado em caso de dar crepe com o cartão de banco ou de crédito.

      Esta é a minha fórmula para qualquer país do mundo.

      No caso do Uruguai, o “um pouco de dinheiro vivo” pode ser dólar, se você já tiver em casa, ou reais.

  14. Ricardo,

    Estou indo para a Rússia em Outubro. Não apenas Moscou e São Petersburgo, mas também Sibéria. Na Europa sempre utilizei travelers cheques e foi excelente, pois além da cotação melhor na hora da compra aqui no Brasil e a segurança, não encontrava grandes dificuldades em trocá-los.
    Mas não são a melhor opção para a Rússia, especialmente Sibéria. Você tem idéia das cotações de casa de câmbio na Rússia para euro em espécie em comparação à cotação EuroxRublos do VTM na hora do saque lá (pretendo levar parte do dinheiro em Euros no VTM).
    Muito Obrigado.

    1. Esta página traz tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Há bankomats (caixas eletrônicos) em todas as grandes cidades, até na Sibéria. Nas cidades pequenas recomendam levar espécie.

      http://www.waytorussia.net/Practicalities/Money.html

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