Com o novo IOF de 1,1% sobre moeda em espécie, devo parar de comprar dólar?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Novo IOF de 1,1%

O governo acaba de triplicar o IOF que incide sobre a compra de moeda estrangeira em espécie. Era 0,38%, e a partir de amanhã, dia 3 de maio de 2016, passa a vigorar o novo IOF de 1,1%.

E agora? É preciso mudar a estratégia de uso de moeda no exterior?

A resposta é: não. Só ficou um pouquinho mais caro comprar moeda estrangeira -- uma variação de 0,7%, cujo efeito inicial é parecido ao de qualquer variação cambial habitual. A diferença é que esses 0,7% vão ser incorporados ao preço do dólar, sem a possibilidade de baixar na semana que vem. Nesse momento é até um aumento fácil de absorver, já que o real vem se valorizando nos últimos dois meses.

Novo IOF de 1,1%: devo viajar com reais para todos os lugares?

Não, não e não. E não de novo.

Para mim, esse é o efeito mais perverso desse aumento: estimular uma prática que dá grande prejuízo ao viajante brasileiro, que é viajar com reais no bolso para fugir do dólar e dos cartões.

O real só tem cotação justa em países onde há mercado para a compra de reais -- normalmente, grandes emissores de turistas para o Brasil. Esses lugares são: a cidade de Buenos Aires, a cidade de Santiago e o Uruguai inteiro. Fora desses lugares (incluindo outros pontos do Chile e da Argentina) o real é comprado com um deságio de pelo menos 10% ou 15% (há países em que chega a 30% ou 40%). Você foge de pagar 1,1% de IOF pelo dólar aqui e é penalizado por uma cotação 10% ou 15% inferior ao que deveria ser. Qual é a vantagem?

Será que esse imposto vai aumentar ainda mais?

Não sou economista, não tenho bola de cristal, mas não creio que isso vá acontecer. Se esse imposto aumentar mais do que isso, pode dar força ao mercado paralelo, que nunca deixou de existir, mas hoje funciona mais para operações clandestinas. Se o governo equiparasse o IOF do dólar vivo ao IOF dos cartões, certamente criaria a volta do dólar paralelo para o público geral, como ocorreu na Argentina.

O importante é comprar bem o seu dólar

Mais importante do que o IOF (em todas as modalidades: dinheiro vivo e cartões) é a cotação que você encontra. Tanto na hora de comprar aqui, quanto na hora de vender lá fora. Nâo compre dólar no automático, com o seu banco ou com a corretora que entrega na sua casa. Pesquise a melhor cotação da sua cidade; há sites que fazem isso. Se for o caso, negocie a cotação com o seu banco/corretora; eles têm uma margem de negociação. Há diferença de 4%, 5%, às vezes até 10% entre diferentes fornecedores -- e isso pesa bem mais no bolso do que esse aumento do IOF.

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36 comentários

Ludilene
LudilenePermalinkResponder

De qualquer forma é um balde de água fria para quem está planejando uma viagem. Pagar mais nunca é legal sad

Fernanda Gomes

Oi, vc falou q existem sites q buscam as melhores cotações. Vc pode dar um exemplo desses sites? Obrigada

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Fernanda! O melhorcambio.com faz isso.

David
DavidPermalinkResponder

Boa noite. Além do site melhorcambio.com existem outros sites?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, David! Tem também o Exchangemoney.com.br .

Vanesaa
VanesaaPermalinkResponder

Olá,
A pergunta não foi pra mim, mas achei que poderia de ajudar. Eu pesquiso sempre pelo Melhor Câmbio, ele mostra as melhores cotações em diversas cidades.

Paula*
Paula*PermalinkResponder

VNV apaziguando os nervos, como sempre. wink

RABUGENTO
RABUGENTOPermalinkResponder

Nos anos 80 tínhamos que pagar um depósito compulsório bem alto não só para viagem ao exterior como para compra de veículos novos. No último caso eram 30% de depósito que depois tínhamos que brigar na justiça para ter de volta...

GUILHERME LEITE

Ricardo, bom dia. Não é um comentário, mas uma dica. Vou para Buenos Aires no dia 27 e queria levar real e trocar lá. Já consegui valores melhores que aqui para o peso argentino. Mantenho a intenção de levar real e trocar lá? Pode me dizer como compro ingressos para as finais do futebol por lá? Desde sempre, obrigado. Eu viajo na viagem...

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Guilherme! Quem responde é A Bóia.

Leia:
https://www.viajenaviagem.com/2015/06/buenos-aires-cambio-transfer-atualizado

Thiago Castro
Thiago CastroPermalinkResponder

Eu acho que comprar peso argentino no Brasil é a pior opção que pode existir.

Giselle
GisellePermalinkResponder

Olá, continua valendo a pena a retirada de moeda local nos caixas automáticos para o Mercosul? Peru, melhor dizendo...

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Giselle! Nos últimos anos as tarifas de uso do equipamento subiram muito. Como nesses países o limite máximo de saque é baixo, está valendo mais a pena o cartão de crédito.

Joachim Cruz
Joachim CruzPermalinkResponder

A Equipe VnV devia fazer um post sobre as cotações dos cartões de crédito. Seria de utilidade pública. Valor da cotação (comercial, turismo ou outra), dia em que a cotação se aplica (dia da compra ou dia do pagamento), se há diferença na cotação para saque em moeda estrangeira... Se Ricardo Freire já sugere não demonizar o cartão, com esse aumento para o papel moeda mais ainda.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

É incrivel como um aumento de apenas 0,7% no dolar faz muitos turistas partirem para estrategias furadas.
O melhor modo de economizar nas viagens, em função do valor do dolar ou do imposto agregado, é simplesmente fazer um "downgrade" no seu nivel de exigencia de conforto em viagens de turismo:
- Baixe 1 ou 2 estrelas no padrão de hospedagem a que está acostumado;
- idem nos restaurantes escolhidos;
- aposente a ide a de trazer "lembrancinhas" pros amigos e parentes;
- Tente fazer algumas refeições no proprio hotel, com comida comprada em supermercados, ao inves de comer fora em restaurantes;
- troque taxi ou carro alugado por transporte publico;
Pela minha experiencia , essas atitudes economizam muito mais do que aquelas relacionadas à aliquota de IOF.

Marcia
MarciaPermalinkResponder

Perfeito, Guilherme ! Há muitos anos já viajo desta forma. Prefiro fazer 3 viagens internacionais ao ano de modo "low cost", do que 1 viagem doméstica por ano num resort caro, por exemplo. Mas vai de cada um.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

É bem por aí, Marcia...
E, tambem, dá pra modular os gastos, escolhendo qual país a se visitar:
Nos ultimos anos fui pra Argentina, aproveitando o cambio favoravel a nós, alem da vantagem de poder fazer as gambiarras com o Dolar Blue deles.
Deu pra divertir bastante, conhecendo Ushuaia, El Calafate, San Martin de Los Andes, Villa La Angostura...

leticia
leticiaPermalinkResponder

Convenhamos que é muito chato fazer tudo isso. Viajar e ficar o tempo todo tentando economizar acaba até estragando a viagem.

Thiago Castro
Thiago CastroPermalinkResponder

Também acho. Se a pessoa abre mão numa boa, blz. Mas se for pra passar perrengue, melhor nem ir.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

Leticia,
Eu acho chato justamente o contrario:
Levar dinheiro em especie na viagem , correndo risco de ser assaltado ;
Perder tempo procurando casa de cambio com cotação mais vantajosa ;
Essas gambiarras sim estressam uma viagem e a economia resultante acaba sendo uma merreca!
Minha dica foi, para quem tem a preocupação e a necessidade de economizar, que é melhor partir para aquelas opções mais basicas e, justamente a partir dai, poder curtir a viagem numa boa, sem se preocupar com o 1% a mais ou a menos de IOF ou cotação de cambio...

Ana
AnaPermalinkResponder

Oi Guilherme. Eu viajo como a sua dica, super economica, porque quero viajar toda hora. E apesar dos pequenos perrengues nada estraga nossos passeios. E tem mais: so viajo com passagem sem reserva porque meu irmao trabalha em cia aerea. Logo, pagamos muito pouco. E e assim que realizamos os sonhos de conhecer tantos lugares com pouca grana! Valeu a dica

Adelaide Veiga

Parabéns RF pela forma que você deu a notícia, você sempre de bom astral, é disso que precisamos, análise correta e otimismo para realizamos as nossas viagens e que elas sejam agradáveis desde o primeiro instante. Sem sofrimento!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Adelaide! Quem responde é A Bóia. Não se trata de otimismo: como todos os outros viajantes, não gostamos desse tipo de imposto. Mas o aspecto que interessa a um blog de viagem não é político: temos que analisar as conseqüências práticas. O mais importante nesse momento é evitar que o viajante perca dinheiro por uma decisão tomada pela emoção.

Alexandre Giesbrecht

Segundo o Estadão de hoje, o governo planeja elevar a alíquota gradualmente até 3%. Isso, claro, se o governo for mantido, o que parece pouco provável neste instante.

Thiago Castro
Thiago CastroPermalinkResponder

É capaz do Temer entrar e manter essa idéia. Ele já falou que pretende implantar algum imposto. Tem a parte do corte de gasto, mas tem tb a do aumento da arrecadação. Não tem segredo e quem paga somos nozes!! :/

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

Já tem notícia circulando que o governo quer elevar o IOF até chegar a 3%.

Fernando
FernandoPermalinkResponder

Conforme matéria em um jornal, o plano do governo é aumentar gradativamente, até chega aos 3%.

Marilda Teixeira

Ok, Guilherrme. Suas dicas são muito boas para quem tinha essas atitudes. Mas eu (e muita gente, acredito) sempre fiz isso tudo q vc está sugerindo. Então, não temos mais onde economizar durante a viagem. O jeito é tentar guardar um dinheirinho, esperar mais um pouco e quando viajar aproveitar o que puder. Ficar sem viajar é q não pode acontecer! Rsrsrs

sergiio marcondes cardoso

é um impacto de maior valor aqueles distraídos ou sem muita prática nesses assuntos. vejamos então: até 02/05 ao comprar 2.000 euros,por exemplo, você pagava R$30,00 (arredondando) de imposto. à partir de 03/05 vc comprando os mesmos 2.000 euros, você pagará R$85,00 (arredondando) de imposto. Portanto, a diferença, nesse caso, é referente ao valor pago numa refeição em varias cidades na Europa ou num executivo (prato) no Brasil. Nada demais. Para quem movimenta grandes quantidades de moedas estrangeiras, ai sim, esse valor(diferença de 0,38 para 1,10) às vezes incomoda.

Eduardo Barros Leal

Irei a Israel, Emirados Arabes e Turquia em novembro/16, que moeda levar ?
Dolares ou Euros ? Comprei pacote quase completo, passagem ida e volta, translados, passeios e meia pensão, mas vou levar um dinheiro para despesas, o equivalente a 100 dolares por dia, ficarei 14 dias fora, qual a melhor maneira de levar dinheiro e em que moeda ?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Eduardo! Tanto faz levar dólares ou euros. Levando uma ou outra moeda, você vai ter que procurar casas de câmbio que não explorem você com taxas de conversão desvantajosas ou comissões não explicitadas. Você vai precisar evitar casas de câmbio de aeroportos, câmbio em balcão de hotel e câmbio fora do expediente bancário, se não quiser trocar seu dinheiro com 10 ou 15% de ágio (muito mais do que você perde com o IOF nos cartões). Se não houver nenhuma desvalorização gigante do real, o cartão de crédito é uma boa alternativa, porque garante a melhor conversão para cada uma dessas moedas, sem depender de cidade, local ou horário de troca.

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Oi Eduardo. Acabei de voltar de Istambul (espetacular!) e lá tem casas de câmbio em todas partes, todos os dias, até as 10 da noite. Todas tem um câmbio bem parecidos e não cobram comissão (só no aeroporto, de 4%), e não tem mínimo para trocar. As melhores cotações encontrei perto do Grand Bazar, mas a diferença não é muita. Levei Dólares e Euros. Os preços (comida, hotéis) excelentes. Paguei o hotel em dinheiro (Euros) e ganhando um 10% de desconto. Hotel 3 estrelas a 35 Euros (casal), com ótimo café da manhã e com translado ao aeroporto incluído, e localização perfeita (Sirkeci, ao lado do Palácio Topkapi e Santa Sofia).
Não deixe de aproveitar os excelentes ferrys, que por menos de um dólar cruzam o Bósforo e te deixam na Ásia. Recomendo ver o por do sol tomando um chá em Uskudar, e comer un Lahmacun no Halil, em Kadikoy, ambos na parte asiática da cidade. Outro passeio bem legal de ferry é subir o Bósforo até Bebek, reduto mauricinho de Istambul, caminhando e jantando um manti (ravioli turco) na vizinha Arnavutkoy (voltei de ônibus, moleza!).
Apesar de ser uma cidade gigante, as atrações estão concentradas e dá pra fazer a maioria a pé. O sistema de transporte público (bonde, metrô, ônibus, planos inclinados, ferrys) é excelente.
Com medo de terrorismo, haviam poucos turistas ocidentais, e nenhum barco de cruzeiro. Atrações sem filas. Infelizmente, o setor turístico turco está sofrendo bastante. Uma pena!
Mas como eu acho que a possibilidade de receber uma bala perdida no Brasil é maior do que sofrer um atentado em Istambul, fui sem medo e quero voltar. Em absolutamente nenhum lugar me senti inseguro. Abraço!

Aileen
AileenPermalinkResponder

Olá, bóia,
Mesmo com a alta do IOF para compra de moeda estrangeira, o vantajoso neste momento seria comprar moeda em espécie para levar nas viagens. Entretanto, sempre rola o medo de perder, ser assaltado,... O cartão visa travel money ja foi uma solução, traveller checks não estão mais em uso, acredito que não tenhamos mais saída a não ser pagar a taxa do cartão de crédito. teriam alguma sugestão?
Abraço!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Aileen! O Ricardo Freire viaja com 300 a 400 dólares ou euros no bolso. Leva cartão do banco para fazer pequenos saques em moeda local e paga o grosso das despesas com cartão de crédito. Viajar com dinheiro vivo é uma temeridade e uma involução a que o viajante brasileiro foi levado por péssimas medidas governamentais.

Ariel Stein
Ariel SteinPermalinkResponder

Olá, bóia! Infelizmente mais uma notícia triste para quem viaja, agora com a mudança de governo, espero que não aconteça o aumento para 3%. Acompanhei as cotações pelos sites indicados acima, mas na internet achei esse Bidollar.com, o legal que você consegue acompanhar o preço real direto das casas de cambio e também dá pra comprar pela ferramenta sem precisar ficar ligando pra cada uma. Eu levo pelo menos 1000 dólares em papel e o restante gasto no cartão de crédito, que tem IOF elevado, mas pelo menos ganho milhas. Um abraço a todos.

Alvaro Sá de Castro Menezes

"O real só tem cotação justa em países onde há mercado para a compra de reais -- normalmente, grandes emissores de turistas para o Brasil. Esses lugares são: a cidade de Buenos Aires, a cidade de Santiago e o Uruguai inteiro". Sobre essa informação tirada aí de cima eu tenho um comentário. Pelo menos uma casa de cambio no Rio de Janeiro(TX) apresenta cotações melhores para compra do que em Buenos Aires ou Santiago. Podem conferir.

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