Roma: roteiro prático de 3 dias

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Roteiro Roma 3 dias

O básico do básico de Roma pode ser coberto sem correria com três pernoites na cidade. Se você tiver um quarto dia, pode fazer um bate-volta a Nápoles e Pompéia.

Na minha última passagem por Roma, em julho de 2018, dei uma repassada nos pontos principais desse roteiro basicão. (Ainda vou ficar em Nápoles no fim desta viagem, então deixo a atualização de Pompéia para mais tarde.)

3 dias em Roma | Chegada | Chip | Fura-fila | Dia 1 | Dia 2 | Dia 3 | Onde ficar

Roma: chegando pelo aeroporto Fiumicino

As cias. aéreas convencionais (as que não são low-cost) costumam operar no aeroporto principal de Roma, o Fiumicino, que está a 30 km do centro da cidade.

Roma roteiro 3 dias - aeroporto Fiumicino

Na saída do saguão das esteiras de bagagem há um grande painel com todas as alternativas para sair do aeroporto. (Sugestão: por que não ter algo assim em TODOS os aeroportos do Brasil?).

Mas antes de destrinchar as opções de transporte, vamos às providências para serem tomadas ainda no aeroporto: pegar o Roma Pass (se você tiver comprado online) e comprar um chip local.

Onde pegar (ou comprar) o Roma Pass

Roma roteiro 3 dias: Roma Pass

Caso você tenha decidido comprar o Roma Pass, que é um passe de atrações e transporte (leia aqui), pode pegar o seu passe já no aeroporto.

O posto do Infopoint fica no Terminal 3, piso de desembarque, e funciona das 8h às 20h45 diariamente. Se você comprar o seu Roma Pass online, pode designar o Infopoint de Fiumicino como local de retirada do passe. Se quiser comprar na hora, também pode, e já se livra dessa tarefa para quando chegar à cidade.

Onde comprar seu chip local no aeroporto Fiumicino

Roma roteiro 3 dias: onde comprar chip no aeroporto

É possível comprar seu chip local -- ou carta sim prepagata -- na extrema direita (de quem olha para a rua) do Terminal 3, piso de desembarque.

Mas attenzione: o primeiro quiosque de operadora de celular, a Vodafone, é roubada! Ali é vendido um chip estupidamente caro, de 75 euros (50 euros pelo chip + 25 euros de... taxa de serviço!) por 8 GB de dados.

Siga mais um pouco, e alguns stands adiante você vai achar a TIM, que vende um chip com 10 GB de dados por 25 euros. Desses 10 GB, 4 GB podem ser usados em roaming em outros países europeus. O funcionário instala o chip e ativa para você; demora meia hora para conectar.

(Estou testando várias opções de chip nesta viagem pela Europa. Este da TIM, até o momento -- sempre dentro da Itália - está nota 10. No final, farei um balanço comparando todos.)

Do aeroporto Fiumicino a Roma de táxi

Roma roteiro 3 dias: táxi do aeroporto

A não ser que o seu hotel fique colado à estação Termini, esta é a melhor maneira de ir do aeroporto Fiumicino a Roma. A tarifa é fixa para toda a área dentro das muralhas romanas (isso inclui Trastevere): 48 euros por táxi, incluindo bagagem. Investindo no táxi desde o aeroporto você tem o conforto de ser deixado na porta do seu hotel, sem precisar se entender com GPS na chegada a uma cidade estranha, nem correr o risco de ser ludibriado por um taxista espertinho na estação de trem do Termini.

Se você se decidir pelo táxi, a único cuidado a tomar é NÃO DAR BOLA para quem venha oferecer táxi para você no saguão. Esses são taxistas piratas. Siga a sinalização do aeroporto e pegue no ponto de táxi oficial. São 48 euros que você paga para não ter preocupação nenhuma na chegada.

Sua viagem do aeroporto Fiumicino à área central de Roma deve levar uns 45 minutos caso o trânsito não esteja particularmente caótico.

Do aeroporto Fiumicino a Roma de trânsfer compartilhado

Uma opção intermediária entre o táxi de 48 euros e o transporte público é contratar um trânsfer de van. Você vai ser deixado na porta do seu hotel. O tempo de viagem é variável, porque o seu hotel pode ser o primeiro... ou o último do itinerário da van. Nosso parceiro Viator oferece trânsfer compartilhado em van a partir de 17 euros por passageiro.

Do aeroporto Fiumicino a Roma de trem

Roma roteiro 3 dias: de trem do aeroporto à cidade

A opção mais confortável para ir do aeroporto Fiumicino a Roma em transporte público é com o trem Leonardo Express, que leva do aeroporto à estação ferroviária central do Termini em 32 minutos. Custa 14 euros por passageiro. Tem saídas entre as 6h23 e 23h23 (no sentido contrário, sai do Termini entre 5h35 e 22h35).

No Termini ao seu hotel você pode ir:

  • A pé, se estiver hospedado no entorno do Termini (veja o tempo no Google Maps)
  • De táxi (calcule uns 10 euros por táxi até o centro histórico ou Trastevere). Acompanhe ostensivamente o percurso no Google Maps ou Waze para não ser enganado pelo taxista
  • De metrô, apropriado para quem se hospedar no bairro de Monti (próximo às estações Cavour ou Colosseo) ou mesmo ao longo da av. Nazionale (estações Repubblica e Barberini). Custa 1,50 euro por pessoa (incluído no Roma Pass)
  • De ônibus, apropriado para quem se hospedar ao longo da av. Nazionale, no centro histórico ou no Trastevere. Descubra seu ônibus no Google Maps ou no Moovit. Custa 1,50 euro por pessoa (grátis com Roma Pass). A passagem deve ser comprada antes de subir no ônibus (compre em qualquer tabacchi na estação) e validada no totem dentro do ônibus

Tenha em mente que os ônibus em Roma costumam andar lotados e não têm espaço para malas. Além disso, tanto ônibus como metrô são territórios de ação de batedores de carteira de mãos levíssimas. Leve passaporte, dinheiro e cartões na doleira, e aprisione o celular num bolso da frente que seja bem apertado.

Onde pegar o trem no aeroporto Fiumicino

A estação de trem Fiumicino Aeroporto fica em frente ao Terminal 3. Existe uma passarela suspensa (e coberta) que circunda o aeroporto e conecta todos os terminais à estação de trem. Basta seguir a sinalização.

Outros trens do aeroporto Fiumicino a Roma

Além do Leonardo Express, que custa 14 euros e vai ao Termini sem paradas intermediárias, existe também uma linha de trem regional que liga o aeroporto à cidade. Os trens regionali custam 8 euros e param nas estações Trastevere, Ostiense e Tiburtina. (Ou seja: NÃO vão ao Termini.)

A única dessas estações integrada à rede de metrô é a Tiburtina, que fica ligeiramente fora da cidade (mais longe do centro que o Termini). É bom saber também que a estação Trastevere não fica no coração do bairro; você provavelmente vai ter que pegar ônibus (1,50 euro por passageiro) ou táxi (6 a 7 euros por táxi) para chegar ao seu hotel na região.

Do aeroporto Fiumicino a Roma de ônibus

Esta é a opção mais econômica para chegar à cidade. Os ônibus da Terravision levam do aeroporto Fiumicino à estação ferroviária central do Termini por 5,80 euros por passageiro. A viagem leva 45 minutos.

Os ônibus partem na calçada externa do Terminal 3: procure a Parada 14. As saídas do aeroporto acontecem entre 5h35 e 23h; a viagem leva 50 minutos. Para ir do Termini ao aeroporto, os ônibus saem da parada da Via Giolitti (uma das laterais da estação) entre 4h40 e 21h50. É possível comprar a passagem online; caso o seu vôo chegue atrasado, a passagem continua valendo em horários subseqüentes (você embarca no primeiro ônibus que tiver lugar vago).

Para ver como chegar ao seu hotel a partir da estação Termini, veja na seção do trem.

Chegando em Roma pelo aeroporto Ciampino

Caso você venha com uma cia. low-cost de outro país da Europa, o seu aeroporto provavelmente será o de Ciampino, que fica um pouco mais perto, a 16 km do centro.

No fim da viagem devo dar uma chegadinha por lá para colher mais detalhes, mas saiba que o Ciampino não é servido nem por trem, nem por metrô. Suas opções por lá são:

  • Táxi com tarifa fixa de 30 euros para toda Roma dentro das muralhas (isso inclui o Trastevere)
  • Trânsfer compartilhado -- nosso parceiro Viator oferece trânsfer compartilhado em van até o seu hotel a partir de 17 euros por pessoa
  • Ônibus da Terravision até a estação ferroviária central Termini por 5 euros por pessageiro. É possível comprar a passagem online; caso o seu vôo chegue atrasado, a passagem continua valendo em horários subseqüentes (você embarca no primeiro ônibus que tiver lugar vago). Para ver como chegar ao seu hotel a partir da estação Termini, veja na seção do trem.

3 dias em Roma | Chegada | Chip | Fura-fila | Dia 1 | Dia 2 | Dia 3 | Onde ficar

Roma: fura-filas

Roma roteiro 3 dias - fila Vaticano

Se você vai viajar para a Europa, sempre compre com antecedência os ingressos para as atrações mais procuradas (leia mais aqui). Caso contrário, você pode mofar (ou torrar) em filas, ou deixar de visitar atrações importantes.

Em Roma você pode optar entre:

Qual é a melhor escolha? Dá certo das três maneiras. Escolha o que for melhor para a sua estratégia de viagem.

Roma Pass: como funciona

Roma roteiro 3 dias: Roma Pass

O Roma Pass é um passe que combina atrações com transporte. Mas o funcionamento é peculiar. O Roma Pass dá direito a transporte público ilimitado, uma ou duas atrações grátis (dependendo da versão) e 20% de desconto mas atrações seguintes. A duração do passe é contada em horas a partir do primeiro uso -- tanto faz se você usar primeiro no transporte público ou numa atração. Se você retirar o seu passe e imediatamente pegar um ônibus, o tempo começa a contar ali.

O passe tem duas versões:

  • Roma Pass 72 horas: custa 38,50 euros e dá direito a 72 horas de transporte público ilimitado, duas atrações gratuitas e 20% de desconto a partir da terceira atração visitada
  • Roma Pass 48 horas: custa 28 euros e dá direito a 48 horas de transporte público ilimitado, uma atração gratuita e 20% de desconto a partir da segunda atração visitada

Você pode comprar o Roma Pass online e escolher um local para retirar. É preciso marcar uma data para a retirada -- sempre pelo menos 24 horas depois do momento da compra. Também dá para comprar presencialmente nos mesmos lugares da retirada, mas você fica sujeito a faltar cartão. Entre os lugares para retirar/comprar estão os Infopoints do aeroporto Fiumicino (terminal 3, das 8h às 20h45), aeroporto Ciampino (chegadas internacionais, das 8h30 às 18h), estação Termini (plataforma 24, das 8h às 18h45) e Piazza delle Cinque Lune (perto da piazza Navona, das 9h30 às 19h).

Vantagens do Roma Pass

A maior vantagem do Roma Pass é a praticidade. No Coliseu, você não precisa marcar hora: basta procurar a entrada de Grupos. E para andar de ônibus, bonde e metrô, não precisa comprar passagem avulsa nem passe de transporte.

Pegadinhas do Roma Pass

Se você não usar muito transporte público nem visitar outras atrações além do Coliseu e Fórum Romano, o Roma Pass acaba não se pagando (neste caso, vai valer pela tal da praticidade). O passe é um bom negócio 'na ponta do lápis' para quem fica hospedado numa região onde seja necessário usar bastante o transporte público (o Termini ou o bairro de Monti, por exemplo), planeje visitar muitas atrações e compre a versão de 72 horas.

Existe um incoveniente específico para os portadores do Roma Pass: é preciso reservar a visita à Galleria Borghese (que é a minha recomendação para a segunda visita gratuita do passe de 72 horas). A reserva é gratuita, mas precisa ser feita por... telefone. Não se avexe: dá para se entender em inglês macarrônico ou em portuliano.

No transporte público, é preciso aproximar o cartão do leitor magnético dos totens dos ônibus e do metrô.

E atenção: o Vaticano não está incluído no Roma Pass.

Roma Pass com crianças

Não vale a pena comprar o Roma para menores de 18 anos. Visitantes até 17 anos, de qualquer nacionalidade, entram de graça no Coliseu (e Fórum) e nos museus e monumentos federais. Além disso, crianças até 10 anos andam de graça nos ônibus e metrô.

Se você for portador de um Roma Pass e estiver acompanhado de menores de idade, pode ir com eles para a entrada de Grupos para entrar sem fila no Coliseu. Depois de passar pelo detector de metais, é preciso dar uma chegadinha na bilheteria e emitir as entradas grátis dos menores.

Ingressos avulsos com hora marcada

Roma roteiro 3 dias: ingresso Vaticano

Se você:

  • Gosta de caminhar e for se hospedar num bairro onde não seja tão necessário pegar transporte público (centro histórico, Trastevere)
  • Não tem tempo ou interesse de visitar atrações como o Castel Sant'Angelo, as termas de Caracala, os museus Ara Pacis, MaXXI e MACRO

... então comprar ingressos avulsos via ser o melhor negócio para você. Veja aqui os três fura-filas com hora marcada mais úteis: para o Coliseu, para o Vaticano e para a Galleria Borghes.

Você vai precisar comprar passagens avulsas ou passes de transporte para usar o ônibus, o bonde e o metrô. Compre nos tabacchi, jornaleiros ou nas máquinas das estações do metrô.

  • Bihete avulso: 1,50 euro
  • Passe de 24 horas: 7 euros
  • Passe de 48 horas: 12,50 euros
  • Passe de 72 horas: 18 euros
  • Passe de 7 dias: 24 euros

Coliseu: Coopculture

A CoopCulture vende ingressos para o Coliseu com hora marcada pelo preço da bilheteria (12 euros), mais 2 euros de taxa de conveniência -- total, 14 euros. É preciso comprar online com antecedência, porque os ingressos são limitados por horário. Você pode imprimir o ingresso ou levar o comprovante no celular.

A entrada no Coliseu é supertranqüila é mega-organizada: basta procurar a fila 'Prenotazioni con orario' e se apresentar cinco minutos antes. A entrada é superfluida. Depois de passar pelo detector de metais, passe pela catraca com a placa Roma Pass. (Eu sei, não faz sentido, mas é assim mesmo.)

O ingresso também vale para o Fórum Romano, que pode ser visitado no mesmo dia ou no dia seguinte. A visita ao Fórum, porém, não tem horário marcado. Para pegar menos fila, evite usar a entrada que fica perto do Coliseu, que estará apinhada. Caminhe por 5 minutos na direção do centro pela Via dei Fori Imperiali e use a entrada que fica ali. Ou, melhor ainda, inicie sua visita pelo Fórum, usando a entrada do Monte Palatino -- neste caso, reserve sua entrada para o Coliseu entre duas e três horas depois do horário programado para entrar o Fórum.

Visitantes até 17 anos, de qualquer nacionalidade, não pagam para visitar o Coliseu, o Fórum (e todos os museus federais italianos). Seus acompanhantes menores de idade entram com você pelo acesso fura-fila, mas depois de passar pelo detector de metais você precisa comprar os ingresos 'grátis' pagando a taxa de conveniência de 2 euros por acompanhante.

A CoopCulture também vende ingressos para o tour guiado aos subterrâneos e arena do Coliseu, e também para o belvedere (3º, 4º e 5º anéis). Os tours custam 23,50 euros (11 euros entre 12 e 17 anos, 2 euros até 11 anos). Um tour combinando subterrâneos, arena e belvedere sai 29 euros (17 euros entre 12 e 17 anos, 2 euros até 11 anos). Há tours guiados em inglês, espanhol, italiano e francês. Os ingressos para os tours guiados do Coliseu dão direito também a visitar o Fórum -- no próprio dia ou no dia seguinte.

Vaticano

Nunca é demais repetir que o Vaticano não está incluído no Roma Pass. Logo, as únicas maneiras de não torrar na fila é comprando um ingresso com hora marcada ou, caso já tenham esgotado, um tour guiado.

Providenciando com alguma antecedência, é fácil comprar ingresso com hora marcada diretamente na bilheteria do Vaticano, pelo preço oficial, 17 euros, mais uma taxa de conveniência de 4 euros. Crianças até 6 anos não pagam, bastam estar acompanhando adultos com ingresso comprado.

O ingresso do Vaticano, porém, não dá direito ao atalho para sair da Capela Sistina direto para a Basilica de São Pedro. Para usar esse atalho, você precisa comprar um tour em grupo com uma agência credenciada (veja aqui).

O Vaticano também vende um ingresso com entrada às 7h15, antes do público geral, com direito a café da manhã. Custa 68 euros.

Galleria Borghese

Quem compra seu ingresso direto com a Galleria Borghese tem uma vantagem com relação aos usuários do Roma Pass: marca o horário online, no momento da compra do ingresso. (Quem usa Roma Pass na Galleria só pode reservar o horário por telefone.) O ticket online custa 15 euros -- que é o preço do ingresso na bilheteria (13 euros) mais a taxa de reserva de horário (2 euros). Visitantes até 17 anos de qualquer nacionalidade pagam apenas a taxa de reserva de horário (2 euros). Não é possível visitar a Galleria Borghese sem reservar horário.

No dia da visita, chegue meia hora antes do horário marcado. É preciso passar na bilheteria (que fica no subsolo) para mostrar o voucher (impresso ou no celular) e pegar o ingresso físico.

Tours guiados fura-fila

Roma roteiro 3 dias: Vaticano

Se você curte tours guiados em grupo, saiba que em Roma eles têm uma vantagem a mais: agências credenciadas têm direito a furar fila em todos os museus e monumentos, incluindo Coliseu e Vaticano.

Tours guiados são também a última chance de furar fila para quem não conseguiu comprar os ingressos com hora marcada enquanto estavam disponíveis. (Tem até alguns ingressos disponíveis sem tour -- mais caros que o preço da bilheteria, porém bem mais baratos do que o preço do tour.)

E no Vaticano, os tours guiados em grupo são a única maneira de pegar o atalho da Capela Sistina para a Basílica de São Pedro -- evitando ficar até duas horas na fila na Praça São Pedro.

Alguns dos tours guiados fura-fila oferecidos pelos nossos parceiros:

Vaticano

Coliseu

Galleria Borghese

3 dias em Roma | Chegada | Chip | Fura-fila | Dia 1 | Dia 2 | Dia 3 | Onde ficar

Roma: roteiro de 3 dias

Roma: dia 1

Os lugares do dia 1 estão assinalados em azul no mapa

Roma roteiro 3 dias: hotel em Trastevere

Nosso vôo teve conexão, então eram quase 6 da tarde quando descemos do táxi em frente ao nosso hotel no Trastevere. O Tree Charme Trastevere é exemplo de um tipo de hospedagem que está se multiplicando Itália afora. Antigas pensioni, daquelas bem simplesinhas, que ocupavam andares de prédios, têm sido convertidas em bed & breakfasts cheios de charme, com tarifas compatíveis às de hotéis básicos e envelhecidos.

Hospedar-se nesse tipo de acomodação tem suas peculiaridades. A recepção, por exemplo, normalmente não funciona 24 horas (mas sempre há telefones para ligar se houver problemas). Chegamos depois do horário, mas com todas as instruções para entrar no quarto: onde apertar para abrir a porta da rua, qual código teclar para abrir a porta do bed & breakfast no terceiro andar. A chave estava na porta do nosso apartamento.

O Tree Charme tem decoração retrô, banheiro reformadíssimo e wifi potente. O café da manhã, servido num lindo patiozinho no térreo, era ótimo, compatível com a diária (130 euros na alta temporada). No buffet, frios de primeira linha, ovos fritos, omelete, pães, croissants, geléias, frutas frescas (banana, laranja, kiwi), iogurte, granola, bolo, pão doce. Café de máquina feito na hora pelo atendente.

O maior trunfo do Tree Charme é também o seu ponto vulnerável: a localização. Situado na praça mais movimentada do Trastevere, à beira-rio ('Lungotevere'), e em frente a uma ponte de pedestres que leva ao centro histórico, o hotel é permeável ao barulho da rua até tarde (os músicos de rua param de tocar à meia-noite, mas depois continua um certo burburinho). Normalmente eu sofro com esse tipo de situação, mas cheguei sempre tão cansado que dormi muito bem as três noites.

Se você quer se hospedar perto de restaurantes e vida noturna mas sem tanta muvuca, considere hospedar-se em Monti (leia mais sobre hospedagem em Roma aqui).

Boquinha rápida: Trapizzino

Roma roteiro 3 dias: Trapizzino

Com um jantar marcado para mais tarde, fizemos uma boquinha rápida na filial do Trastevere do Trapizzino, que ficava na nossa praça (Piazza Trilussa, 46, Trastevere). Essa rede inventou um sanduíche com massa de pizza montado em forma de cone, com recheios bacanas (alcachofra, polvo ao sugo, bacalhau com grão de bico). Esta é a única filial com lugar para sentar; as outras são só uma portinha ou um quiosque em mercado. Pedimos um sabor bem normalzinho (parmiggiana di melanzane, berinjela à parmigiana) e tomamos nosso primeiro vinhozito na Itália.

Roma by night

Roma roteiro 3 dias: centro histórico

Na nossa primeira noite, segui o meu próprio conselho para o dia de chegada em Roma: zanzar pelo centro histórico sem muito plano. Sem GPS, chegamos à Piazza Navona e ao Pantheon. Lá pelas tantas, senti falta de não ter visto a Fontana de Trevi, então pus no Google Maps. Pronto. Ticada. Roma é sempre mais mais bonita à noite. Apesar de eu ter achado que os monumentos já foram mais iluminados, o passeio continuou um deslumbre (é preciso, porém, abstrair a turba de colegas visitantes). Às dez e pouco da noite, informei ao Google Maps o nome do restaurante em que tínhamos reserva, e para lá fomos.

Jantar no Pantheon

Roma roteiro 3 dias: Armando al Pantheon

O Armando al Pantheon é meio que uma unanimidade no quesito restaurante-no-coração-do-centro-histórico-que-se-mantém-autêntico. Algumas matérias chegam a dizer que o restaurante continua freqüentado por romanos de verdade -- algo que não consegui comprovar na minha visita (mas o horário da minha reserva, 22h30, prejudicava bastante esse tipo de investigação). O horário tardio era o único disponível quando fui reservar, com três dias de antecedência. Mas pra gente, era perfeito: no nosso relógio biológico brazuca, ainda eram 17h30.

Aceitamos o coperto (um pão ótimo) e pedimos um primo, rigatone all'amatriciana, para o Nick, um secondo, tripa à romana, para mim, e um contorno, chicória refogada com alho, para dividir. Tudo muito simples mas inexplicavelmente mais saboroso do que estamos acostumados. E olhe que a gente nem estava com essa fome toda. Já estou há 10 dias na Itália, e esta permanece a melhor refeição de todas. (Salita dei Crescenzi, 31, tel 39 06-6880-3034, reservas online)

Na volta para o hotel (menos de 15 minutinhos a pé, agora guiados pelo GPS), topamos com o Templo de Adriano iluminado e compramos um gelato antes de atravessar para o Trastevere.

Roma: dia 2

Os lugares do dia 2 estão assinalados em vermelho no mapa

De volta ao futuro: no MaXXI

Roma roteiro 3 dias: MaXXI

Vai por mim: nos primeiros dias de viagem pela Europa, não marque nada para antes das 11h. A diferença de fuso horário (que durante o horário de verão europeu é de 5 horas, ou 4 horas em Portugal e no Reino Unido) é brutal.

Programei como primeira visita da viagem uma atração inédita para mim: o museu de arte contemporânea MaXXI, aberto em 2010. O projeto é da (precocemente falecida) arquiteta anglo-iraquiana Zaha Hadid, que transformou instalações militares desativadas num prédio futurista, com um interior cheio de passarelas curvilíneas niemeyerianas. (Ah, sim: e que só abre às 11h.) Visitar o MaXXI é uma ótima desculpa para sair um pouco do centro histórico -- o museu fica no Flaminio, o primeiro bairro ao norte das muralhas. Além de bisbilhotar como os romanos da vida real vivem, dá para aproveitar para ver outros dois marcos arquitetônicos modernosos -- a Ponte della Musica, a 600 metros do museu, sobre o rio Tibre, e o Auditorium do Parco della Musica, de Renzo Piano, 600 metros na direção oposta.

O que eu achei do museu? Sinceramente, não me emocionou. Acho que eu precisava ser muito mais aficcionado por arte contemporânea ou entendido em arquitetura para realmente curtir.

Roma roteiro 3 dias: Cinecittà

Cinecittà si mostra

Caso você também não seja um rato de museu contemporâneo, sugiro um programa mais divertido: uma visita aos estúdios da Cinecittà (vá de metrô, linha A -- é longe pacas). Eu fui em 2011 (veja o post aqui. A visita guiada leva a vários cenários de filmes e séries clássicas. O mais bacana deles é a Roma imperial construída para a série Roma, da HBO. Passear por aqueles prédios monumentais de mentirinha pode ser útil para quando, mais tarde nesse dia, você visitar o Fórum Romano e precisar imaginar como aquelas ruínas eram quando estavam de pé.

Attenzione: não confunda com um parque aquático chamado Cinecittà World -- é outra coisa!

MaXXI

  • Via Guido Reni, 4A, Flaminio | Visitas de 3ª a domingo das 11h às 19h (5ª até 22h) | Ingressos: 14 euros -- se quiser, compre online (mas não é necessário) | Participa do Roma Pass

Cinecittà si mostra

  • Via Tuscolana, 1055, metrô Cinecittà | Tel. 39 06-7229-3269 | Visitas guiadas em italiano de 4ª a 2ª às 10h, 11h30, 13h, 14h, 15h15 e 16h; em inglês, às 11h30 e 15h15; fecha 3ª | Ingresso: 15 euros; crianças entre 6 e 12 anos, 7 euros; grátis para crianças até 5 anos | Não participa do Roma Pass

Jante este almoço

Roma roteiro 3 dias: Retrobottega

O vaivém por Roma pede refeições leves durante o dia -- sobretudo no calor do verão, para não dar aquela vontade de tirar uma sesta durante o horário de expediente turístico. Melhor ainda quando a gente não precisa fazer um desvio só para almoçar. Caso você vá ao MaXXI, pode aproveitar a ótima cafeteria fashion que tem por lá. Se escolher a Cinecittà, na volta de metrô pare na estação Termini e aproveite a fatura de opções do Mercato Centrale, uma praça de alimentação gourmet bem bacaninha.

O meu almoço acabou sendo, digamos, fora do roteiro. Fiquei com vontade de conferir a cozinha italiana renovada da Retrobottega, no centro histórico, e esse era o único horário em que daria para encaixar nos meus rolês. O ambiente é todo moderninho -- as mesas são coletivas, os pratos são finalizados numa cozinha aberta, e você tira talheres e guardanapo de uma gaveta à sua frente. Nosso pedido misturou pratos do dia com pratos do cardápio da temporada. De entrada, salada de cannolicchi (razor clams em inglês, lingueirão em português, narvaja em espanhol) com lâminas de nabo, e uma berinjela à parmigiana desconstruída. Como pratos principais, dois primi: fettucine com ragu de cordeiro e spaghetti com bottarga e guanciale. Caso você queira sair do repertório tradicional italiano, guarde este endereço para um jantar. (Via della Stelletta, 4, tel. 39 06-6813-6310, reservas online)

Coliseu com hora marcada

Roma roteiro 3 dias: Coliseu sem fila

Desta vez, não comprei o Roma Pass. A intenção era ver como funciona o ingresso com hora marcada da CoopCulture. Pois funciona muito bem. Comprei a entrada no Coliseu para 15h40. Chegamos meia hora antes e fomos procurar o ponto de entrada dos fura-fila com hora marcada. Achamos, mostramos o recibo impresso em casa (poderíamos também ter levado apenas o comprovante no celular), o atendente viu e mandou a gente voltar 5 minutos antes do horário. Procuramos uma sombra, bebemos água, voltamos na marcada. Entrar pela faixa expressa dá um prazer sádico, porque você passa rápido feito um bólido na raia paralela à fila inerte de quem está de pé no sol há duas horas porque não comprou com antecedência (ou não tem um Roma Pass).

Visitar o Coliseu por dentro é como contemplar um esqueleto de dinossauro: você tem que imaginar a carne, mas o formato está lá. De todo modo, é de arrepiar ver do alto o labirinto dos subterrâneos, onde se movimentavam os gladiadores, criminosos, leões e outros bichos. (Existe um tour específico para visitar os subterrâneos e a arena.)

Fórum Romano: escolha a entrada certa

Roma roteiro 3 dias: Fórum Romano

O ingresso para o Coliseu inclui uma visita ao vizinho Fórum Romano, que pode ser feita no mesmo dia ou no dia seguinte. Aqui eu cometi um erro que é muito fácil evitar. Saí do Coliseu e fui procurar o acesso ao Fórum exclusivo dos fura-filas, que fica super pertinho do Coliseu. O problema é que todos os portadores de ingresso fura-fila -- tanto os da CoopCulture quanto os do RomaPass -- podem usar essa entrada, e não dá para marcar horário. Resultado: uma fila enorme de pessoas indignadas (porque compraram ingresso fura-fila!), que precisam agüentar meia hora debaixo do sol para passar pelo detector de metais.

Há duas maneiras de contornar esse inconveniente:

  • Ao sair do Coliseu, você pode subir a pé a Via dei Fori Monumentale em direção ao centro de Roma. Em pouco mais de 5 minutos você chega ao portão lateral do Fórum, onde a entrada é tranqüila (mesmo não sendo exclusiva dos fura-filas)
  • Começar a visita pelo Fórum, usando a entrada do Monte Palatino. Essa inclusive é a melhor estratégia de visita, porque evita que você precise subir ao Monte Palatino durante sua visita ao Fórum. Se você usar ingresso da CoopCulture, marque a entrada no Coliseu para duas horas depois do horário em que você pretende entrar no Fórum pelo Monte Palatino

De todas as atrações da Itália, só Pompéia exige mais fisicamente que o Fórum. Planeje a visita para o começo da manhã ou a parte final da tarde. Cada ruína tem uma plaquinha que resume a sua história, em italiano e inglês. Mas se você quer explicações mais pedaçudas, vá num tour guiado ou alugue o audiobook (e, neste caso, programe umas três horas por ali). É interessante ver como os templos e os edifícios administrativos se distribuíam de maneira desorganizada pelo espaço. A história mais incrível é saber que o lugar permaneceu abandonado por séculos, transformado numa pastagem. As escavações só foram iniciadas no século XVIII.

Coliseu, Fórum Romano e Monte Palatino

  • Piazza del Colosseo, 1 | Visitas diárias de 8h30 até uma hora antes do pôr do sol (16h30 entre novembro e meio de fevereiro, 17h do meio de fevereiro ao meio de março, 17h30 no fim de março, 19h15 entre abril e agosto, 19h em setembro, 18h30 em outubro) | Ingresso: 12 euros; grátis até 17 anos | Fure a fila com o Roma Pass, com ingresso com hora marcada ou com tour guiado

Jantar em Monti

Roma roteiro 3 dias: Urbana 47

Aproveitei a segunda noite para sentir o astral de Monti, um bairro bem mais low-profile que Trastevere, mas que tem uma cena gastronômica interessante, além de alguma boemia.

Escolhi um restaurante vagamente hipster, com cardápio que saía do trivialzão, o Urbana 47. Dividimos como entrada uma berinjela à parmigiana assada no forno tandoori, e na seqüência vieram um bacalhau com ervilha-torta e batatas e um linguine de farro (um parente super grano-duro do trigo) com alho e pedacinhos de peixe (não anotei qual, agora já era). Tudo muito bom. No fim, desobedeci meu próprio plano mezzo econômico, mezzo guloso de não pedir sobremesa para tomar sorvete na rua, e acabei sucumbindo à zuppa inglese, cuja versão local se revelou uma espécie de tiramisù com creme de baunilha no lugar do mascarpone -- meu paladar infantil adorou. (Via Urbana, 47, Monti, tel. 39 06-4788-4006, reservas online).

Roma: dia 3

Os lugares do dia 3 estão assinalados em verde no mapa.

Vaticano: à bênção, Michelangelo

Roteiro Roma 3 dias: Vaticano

Ainda na onda de não-marcar-nenhum-compromisso-cedo-nos-primeiros-dias-na-Europa, comprei meu ingresso para o Vaticano para as 11h30. A primeira vez que usei o fura-fila, em 2008, esta regalia era restrita a quem comprasse o ingresso de intermediários. Mas já há algum tempo o próprio Vaticano vende ingressos com hora marcada, pelo preço da bilheteria (mais 4 euros de taxa de conveniência) e só não aproveita quem não quer (ou não compra com a antecedência necessária). Não perca duas ou três horas das suas férias só para 'não engessar a viagem' ou para não pagar IOF no cartão. Sai muito mais caro ficar na fila.

Desta vez a visita me pareceu muito mais tranqüila do que há 10 anos. Em 2008, no dia em que visitei, a turba era conduzida aos gritos de "Don't stop!" por monitores da casa. Agora, todos podiam imprimir o ritmo que quisessem à passagem. Para a maioria dos visitantes (eu me incluo nela), a visita ao Vaticano é uma pequena maratona de galerias-obstáculo que é preciso vencer para chegar à Capela Sistina. Nesta visita, porém, aproveitei mais o percurso. Meu olhar foi capturado por várias esculturas profanas -- egípcias, gregas, romanas. (É curioso ver temas não-bíblicos presentes no acervo do Vaticano.)

Meu ingresso incluía o audioguia, e o investimento se pagou completamente na Capela Sistina. Vai por mim: primeiro, satisfaça seus instintos mais básicos de turista localizando 'A Criação de Adão' no teto. Trata-se de um pedacinho quase minúsculo do afresco, mas, tudo bem, é o mais famoso. Achou? Viu? Ótimo. Agora preste atenção no que realmente vale todo esse esforço de visitar o Vaticano. Me refiro ao painel do Juízo Final, que ocupa toda a parede do lado pelo qual você entrou na sala. Pintado por Michelangelo depois da conclusão da capela, o painel quebrou a simetria entre as paredes e requereu que janelas fossem tapadas. Sintonize no texto 2103 do seu audioguide e faça uma viagem com o narrador a todos os quadrantes desse afresco espetacular. (Aproveite que, por seu tamanho e por sua posição, essa é uma das poucas obras-estrela de museus que você vai poder apreciar sem um mar de cabeças à sua frente.)

No fim da visita à Capela Sistina, contudo, um momento fuén: o atalho dali para a Basílica de São Pedro, que quando vim 10 anos atrás era aberto para quem soubesse do segredo, agora é exclusivo de quem compra um tour em grupo de agência credenciada. Com meu ingresso normal, eu tinha que sair do museu e dar a volta até a Piazza San Pietro para disputar a entrada com os demais colegas. Lá fomos nós...

Museus do Vaticano

  • Entrada pela Viale Vaticano | Visitas de 2ª a sábado (e no último domingo do mês) das 9h às 16h | Ingresso, 17 euros (grátis no último domingo do mês); crianças até 6 anos não pagam | Fure a fila com ingresso com hora marcada ou com tour guiado

Basílica de São Pedro: fila porque qui-la?

Roma roteiro 3 dias: Basílica de São Pedro

A Piazza San Pietro está a menos de 10 minutos de caminhada da saída do Museu do Vaticano. Se você não quer sair de Roma sem ver o Papa, é aqui que ele dá as caras, às quartas e domingos -- quando não está viajando, claro. (Leia sobre as aparições no box mais abaixo.)

Nos demais dias e horários, os visitantes da Piazza San Pietro só querem mesmo entrar na Basílica de São Pedro, a mais importante igreja na hierarquia da religião católica. A entrada é gratuita, mas a passagem pelo detector de metais faz com que a fila seja imensa. No dia em que visitamos, chegamos no finzinho da hora do almoço (perto das 14h) e fritamos 40 minutos sob o sol. Ao sair da basílica, meia hora depois, a fila já tinha dobrado de tamanho. Precisa ter MUITA vontade de entrar na Basílica.

Eu entrei na fila porque precisava conferir todos os aspectos da visita, mas preciso confessar que não sou muito fã da basílica. A única coisa ali que me deixa boquiaberto é a sua monumentalidade -- o lugar é imenso. Ah, sim: tem também a Pietà, de Michelangelo, escondida na primeira capela à direita de quem entra.

Para não passar pelo purgatório da fila e entrar na basílica com mais boa-vontade do que eu, recomendo investir num tour guiado ao Vaticano -- esse tipo de tour permite que você use o atalho da Capela Sistina à Basílica, já no finzinho da visita ao Vaticano.

Ir a Roma e ver o Papa

Que ver Francisco ao vivo? Existem duas alternativas:

Audiências Gerais

  • Toda 4ª às 10 horas
  • É preciso solicitar um convite com 60 dias de antecedência por fax -- veja aqui
  • Dá também para arriscar ir sem convite mesmo e entrar na fila (antes das 8h!) na esperança de sobrar algum lugar
  • Agências vendem passeios à Audiência com ingresso garantido (veja aqui)

Angelus

  • Todo domingo ao meio-dia (quando o Papa aparece na janela)
  • Não há necessidade de reserva

Veja o calendário de aparições papais aqui

Pizza à moda romana

Roteiro Roma 3 dias: Osteria della Birra del Borgo

A pizza romana é bem diferente da napolitana. Tem massa mais grossa e aerada (e não precisa ser necessariamente redonda). Um dos pizzaiolos mais celebrados de Roma, Gabriele Bonci, tem uma portinha perto do Vaticano onde vende pizza em pedaço: é o Pizzarium Bonci (Via della Meloria, 43, Prati, tel. 39 06-3974-5416). As pizzas de coberturas extravagantes do cara também são servidas, com mais conforto, num outro lugar próximo ao Vaticano: a L'Osteria della Birra del Borgo, especializada em cervejas artesanais, que não fecha entre o almoço e o jantar. Às 3 e pouco da tarde o lugar estava vazio (de noite o bicho pega), mas o ar condicionado, a cerveja e as pizzas estavam ótimos. Pedimos uma pizza normalzinha de peperoncini (uma concessão ao gosto americano, com queijo e lingüiça na mesma cobertura) e outra diferentona, de ricota, flor de abóbora e bottarga. Cada porção veio com dois pedações quadrados (daria para ter dividido, a fome não era muita). Curti -- mas continuo preferindo pizza napolitana.(Via Silla, 26, Prati, tel. 39 06-8376-2316, reservas online)

Galleria Borghese, meu museu favorito

Roma roteiro 3 dias: Galleria Borghese

Marquei para as 17h a visita ao meu museu do coração: a Galleria Borghese. O lugar já é lindo por fora: uma villa de 1613, cercada pelo seu próprio parque. Dentro, exibe-se a coleção iniciada pelo cardeal Scipione Borghese, mecenas do grande escultor Gian Lorenzo Bernini e fã de Caravaggio.

O museu tem dois andares distintos: o térreo é dedicado às esculturas (a maior parte, de Bernini), com Caravaggios esparsos. O segundo andar é uma pinacoteca.

Eu volto é pelo andar das esculturas. A apresentação é fabulosa. Cada sala tem uma escultura em destaque ao centro. O entorno funciona como um cenário opulento para a peça de centro brilhar. Aqui não existe aquela sensação de depósito que as salas de esculturas dos museus costumam dar. Não. Cada sala tem uma escultura-anfitriã recebendo os visitantes. Cada um daqueles Berninis tem a dignidade do Davi de Michelangelo na Accademia de Florença. É muito chic, minha gente.

É preciso chegar meia hora antes para trocar o voucher pelo ingresso na bilheteria, no subsolo. É a única parte chata da visita. Depois, tudo flui sem percalços. O número de visitantes é bem dimensionado para cada período de duas horas, os ambientes não ficam apinhados. De fato, teria até espaço para garçons ficarem rodando com bandejas de prosecco e Aperol Spritz... (fica aí a sugestão, ragazzi).

Roteiro Roma 3 dias: Piazza di Spagna

Voltamos caminhando ao Centro Histórico -- o Google Maps nos levou sem erro até a Piazza di Spagna.

Galleria Borghese

  • Via del Collegio Romano, 27 | Visitas de 3ª a domingo das 9h às 19h | Ingressos online com hora marcada a 15 euros | Grátis com (reserva por telefone 39 06-32810) | Grátis no primeiro domingo do mês (+ reserva online de 2 euros)

Jantar no Trastevere

Roteiro Roma 3 dias: Trastevere

O Trastevere mudou muito desde a minha última estada por lá, há 10 anos. Está mais jovem e mais turístico. Descobri que o restaurante onde a gente tinha almoçado por acaso naquela época (só porque estava a meia quadra do nosso apê alugado) está arqui-famoso em guias, revistas e blogs -- o Da Enzo al 29 (Via dei Vascellari, 29, Trastevere, tel. 39 06-581-2260).

Roteiro Roma 3 dias: Le Mani in Pasta

Resolvi pesquisar outros restaurantes ainda autênticos mas que, quem sabe, ainda tivessem uma freqüência maior de romanos do que de turistas. (Nada contra turistas, inclusive sou um deles; mas a cozinha costuma ser mais interessante quando o público principal ainda é local.) Achei o Le Mani in Pasta, num cantinho mais quieto do Trastevere (perto de onde eu 'morei' por uma semana há 10 anos). Fiz a reserva por telefone. Chegamos oito minutos atrasados, e por pouco não tinham dado nossa mesa a um casal de gringos sem reserva. De fato, no começo da noite (19h45) a proporção de italianos para turistas no restaurante era de 75-25%. De primi pedimos rigatone all'amatriciana e um spaghetti cacio e pepe -- esta, a massa mais típica de Roma, com queijo pecorino e pimenta do reino. Com fome de proteína, pedimos um secondo para cada um: saltimboca alla romana, para continuar no tema típico. Veredicto: o ambiente de trattoria de verdade, a interação dos garçons com os clientes italianos e a montanha de comida pedida pela mesa ao lado (que mandava baixar frutos do mar em quantidades industriais, não consigo nem imaginar a conta) valeram mais que a comida. O amatriciana do Nick não estava à altura daquele do Armando na primeira noite. O meu cacio e pepe estava correto, com o molho cremoso, mas eu tinha esperança que fosse como o Da Enzo, que é sequinho (parece que o molho cremoso, infelizmente para mim, é a norma). E o saltimboca teria dado para dividir, não era preciso pedir dois. (Via dei Genovesi, 37, Trastevere, tel. 39 06-581-6017)

Roma: onde ficar

Pela praticidade, muita gente opta por ficar perto da estação Termini, de onde há transporte fácil de/para o aeroporto Fiumicino com o trem Leonardo da Vinci Express. Os hotéis estão marcados em verde no mapa. Não gosto muito deste pedaço, mas sua principal inconveniência -- a distância da vida noturna -- pode ser resolvida com um ônibus ou táxi para voltar. O entorno da estação é um antro de hotéis e bed & breakfasts basiquinhos-econômicos. Procurando bem, você encontra uns super bem-apessoados, como o In City e o DaySleeper. Também é possível descolar hotéis mais pretensiosos, como o Smooth e o i.Q. Roma.

Uma região de hotéis confortáveis e de preços interessantes, bem servida por metrô e ônibus, é a Via Nazionale, entre a estação Termini e o Centro Histórico -- e a uma curta caminhada da cena gastronômica e boêmia de Monti. As indicações estão assinaladas em laranja no mapa. Considere por ali hotéis e B&Bs como Rome Times, Rome Life e Rome Glam. Vale a pena também ficar no próprio bairro de Monti, que tem bistrôs e bares simpáticos entre a Via Nazionale e o Coliseu. Por ali, o charmoso Nerva, o novinho Relais Santa Maria Maggiore e o antiguinho-econômico Hotel Grifo deixam você bem localizado.

O bairro do Trastevere tem noite bastante animada, com fartura de restaurantes para todos os bolsos. O ponto baixo é não ter metrô por perto, só ônibus e bonde. Mas se você gosta de caminhar, basta atravessar para a outra margem do Tibre ('Trastevere' quer dizer 'atrás do rio Tibre'), que estará no centro histórico. Os hotéis desta área estão marcados em vermelho no mapa. O Tree Charme fica à beira-rio na praça mais movimentada do bairro, tem quartos agradabilíssimos (e um pouco barulhentos) e está em frente a uma ponte de pedestres que leva ao centro histórico. O Ripa é um hotel moderninho para quem faz o gênero design. O bairro também está cheio de bed & breakfasts bacaninhas e com preço camarada, como o Suite 51, que fica no coração do bairro, e o B&B Roma Trastevere, que fica perto da estação de trem Trastevere (de onde há transporte de ida e volta ao aeroporto Fiumicino por trem regional).

Se você quer se hospedar no centro histórico, procure na região entre Piazza Navona, Campo de' Fiori e Piazza del Poppolo, onde os preços são menos indigestos (e as ruas, menos apinhadas de turistas) do que nos arredores da Piazza di Spagna. Os hotéis estão assinalados em grená no mapa. Os melhores achados costumam ser bed & breakfasts mais sofisticadinhos, como o Primo Piano Suites, o The Club Navona e o Rome River Inn (que tem vista para o Tibre). Mas também há hotéis sem ranço antigo, como o Navona Street.

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88 comentários

ligia
ligiaPermalinkResponder

olá, faremos uma viagem em abril2018 e ficaremos 4 dias em Roma, mas queríamos conhecer Nápoles, Pompéia e também uma viagem de ida volta para Costa Amalfiana. Como ficaria mais barato e prático esse roteiro?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ligia! Em abril não vale a pena se hospedar na Costa Amalfitana, então dá para montar base em Nápoles. Vá de trem a Nápoles, tire um dia para visitar Pompéia (de trem suburbano Circumvesuviana) e outro dia pegue um tour organizado para a Costeira Amalfitana.

Priscila
PriscilaPermalinkResponder

Para não ficar na fila (imensa) da basílica, há também a opção de conhecer a necrópole, que fica abaixo da basílica, e onde supostamente estão os ossos de São Pedro.
Além da visita ser interessantissima, não é cara (17 euros), e termina na lateral da basílica, com acesso direto.

Rodrigo Oliveira

Há dica para comprar chip local no aeroporto Malpensa, em Milão?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Rodrigo! Não temos notícia de loja oficial de operadora vendendo chips próprios em Malpensa. Verifique no desembarque. Evite chips vendidos em lojas terceirizadas, sempre são mais caros.

Tati
TatiPermalinkResponder

Nossa, super obrigada pelas dicas. Pergunta: um casal, sem grandes pretensões, deve gastar em média quantos Euros para 3 noites em Roma?

Bruno
BrunoPermalinkResponder

Primeiramente, muito obrigado pelo post. Está ajudando muito na minha estadia aqui em Roma. Infelizmente estou passando para dar uma atualização ruim sobre o chip da TIM. Ali na saída do Terminal 3, os valores aumentaram, juntamente com a capacidade. Agora o plano é de 15GB por EUR35. Proporcionalmente, está até mais barato do que antes (10GB / EUR25), mas, para mim pelo menos, os 10GB eram mais do que suficientes. Abraços

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Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
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