África do Sul de carro: a viagem do Fernando

Simon's Town

O Fernando esteve no início do ano na África do Sul. Além das aventuras nos safáris, ele também se aventurou no volante: encarou a mão inglesa para fazer a Rota Jardim e rodar pela Cidade do Cabo. A viagem incluiu vinícolas, história e paisagens incríveis. Vai pelo Fernando:

Eu e minha mulher Laura estivemos na África do Sul em janeiro de 2013, viajando com outro casal. Os hotéis e o aluguel do carro foram previamente reservados aqui do Brasil em sites de hotéis. Tudo deu certo e não tivemos nenhum contratempo.

Nosso roteiro foi de 13 dias, assim distribuídos: 2 dias em uma reserva para fazer safáris (conhecidos como “game drives”), 4 dias pela Rota Jardim (a Garden Route, estrada que corre ao longo da costa sul do país, ao lado do mar, desde Port Elizabeth até a Cidade do Cabo), 4 dias na Cidade do Cabo, e mais um dia parcial em Joanesburgo.

Todos os restaurantes que escolhemos foram muito bons, sem exceção, e seus preços foram muito mais baratos que os equivalentes aos de restaurantes do mesmo nível de São Paulo. Comemos muito bem e tomamos vinhos muito bons todas as noites.

Nosso roteiro:

Safári

Os hotéis ficam dentro das várias reservas, que na verdade são fazendas localizadas ao lado do Kruger Park (dentro de cada reserva existem alguns hotéis, todos com muito boa infraestrutura). O nosso se chamava Waterside Lodge, na reserva Thornybush, ao lado de outra reserva que tive recomendações, Kapama. Peguei esse hotel no site Siyabona Africa Travel e não me arrependi.

Chegamos a essa reserva após 1 hora de vôo desde Joanesburgo, logo após a chegada de São Paulo. O aeroporto, apenas uma casa perdida no meio do nada, fica em um local chamado Hoedspruit. Existem hotéis também que ficam perto de outro aeroporto, mas dentro de uma cidade maior, chamada Nelspruit.

O hotel é super legal, os chalés têm quarto completo, confortável e aconchegante, as refeições são muito boas, tudo incluído no preço, assim como os safáris – dois por dia – um logo cedo (das 5 às 8 da manhã) e outro no final do dia, das 5 às 8 da tarde. Os safáris são feitos em um jipão sem capota, com capacidade para dez pessoas com um motorista-guia e um rastreador. Achei que dois dias foram suficientes para passear pelas savanas e procurar os animais. Mais que isso me parece exagerado para um “urbanoide” paulistano.


safári na África do Sul
Além de Kruger Park

Knysna

Rota Jardim

Fomos de avião de Hoedspruit a Port Elizabeth, e retirei o carro no aeroporto. Precisei de um pouco de concentração para me habituar a dirigir do lado direito do carro, mas depois de um dia já estava bem mais à vontade.

Toda essa rota possui vários hotéis do tipo Bed and Breakfast. Nossa base de diária era da ordem de US$ 100/dia, e por esse preço encontramos B&Bs muito simpáticos, bonitos, bem localizados, com bons quartos e ótimos cafés da manhã, além da simpatia e atenção dos proprietários.

Só ficamos uma noite em Port Elizabeth (não fomos ao Addo Elephant Park) e seguimos viagem no dia seguinte, em direção a Knysna, onde passamos duas noites. No caminho, passamos rapidamente por Jeffrey´s Bay, e paramos em vários belvederes, com vistas muito bonitas.

Knysna está em uma região linda, e merece um passeio pela cidade e arredores. No centro da cidade há um píer com lojas muito simpáticas – o Waterfront, com ótimos restaurantes dentro e nas ruas próximas. Os B&Bs geralmente têm os cardápios e isso facilita muito a escolha.

Tsitsikamma National Park

Península Robberg


Passeios nas proximidades de Knysna:

Tsitsikamma National Park: lugar muito bonito, onde é possível andar por cerca de duas horas, visitando o Storms River Mouth.

– Cidade de Plettenberg Bay: localizada em uma bonita região. Vale a pena ir até a península Robberg, que possui algumas trilhas com vistas muito bonitas, com possibilidade de avistar golfinhos se der sorte, e às vezes baleias, dependendo da época.

Face Adrenalin: o salto de bungee jump é de cerca de 220 metros, feito embaixo de uma ponte da rodovia principal – a N4. Para os adeptos, deve ser fantástico.

-Passeio pela baía de Knysna: pelos dois lados – The Heads e Brenton on the Sea, onde há uma vista panorâmica maravilhosa.

Knysna Elephant Park: você fica em contato direto com os elefantes, é divertido.

– Parque Tenikwa: cuida de guepardos, leopardos e gatos selvagens.

De lá saímos para Oudtshoorn, cidade mais para o interior, onde visitamos as Cango Caves, cavernas muito bonitas, e uma fazenda de avestruzes. São passeios muito interessantes.

No dia seguinte seguimos para Stellenbosch, cidade bem próxima à Cidade do Cabo, onde existem várias vinícolas. A cidade é pequena e bonita e os restaurantes das vinícolas são muito bons.

Cabo das Agulhas

Cabo das Agulhas


No caminho passamos pelo Cabo das Agulhas, o ponto mais ao sul da África, onde os oceanos Atlântico e Índico se separam. É um pouco fora do caminho, mas vale a pena a vista do mar, super azul.

Cape Town

Cidade do Cabo

A cidade é muito bonita, assim como toda a região de entorno. Seguindo recomendações, ficamos hospedados em um hotel dentro do V&A Waterfront, algo como o Fishermen’s Warf africano. Bem mais caro que os B&Bs, mas valeu a pena ficar ao lado do bochicho.

Lá fizemos um hop-on hop-off para conhecer a cidade e arredores, com direito à subida na Table Mountain, para curtir a bela vista sobre a região. Depois, de carro, esticamos para conhecer lugares perto da cidade como Groot Constantia e Kirstenbosch National Botanical Gardens.

Dentre os passeios que fizemos e recomendamos, fomos de carro ao Cabo da Boa Esperança, passando por vários lugares no caminho, como Simon’s Town, Boulders Beach (lá estão os pingüins), e Chapman’s Peak. Todos os lugares são muito bonitos.

Outra visita que vale a pena é à Robben Island, onde funcionava a prisão política destinada aos não-brancos do regime do apartheid. É emocionante perceber aspectos sombrios da história recente da humanidade, contados por antigos detentos. Importante: Esse passeio precisa ser agendado com antecedência. Na última hora é arriscado não conseguir vaga.


Table Mountain Cidade do Cabeo
Fotos de cartão postal

Joanesburgo

Devolvemos o carro e voamos para Joanesburgo, e lá ficamos apenas meio dia, mas o suficiente para visitar o Museu do Apartheid, que é muito interessante.

Balanço final

Achamos que a África do Sul tem uma boa infraestrutura de turismo, hotéis com preços bem amigáveis e bons comida a preços convidativos. Os B&Bs são ótima opção. Os locais que visitamos são muito bonitos. O povo é simpático. O aluguel de carro e as reservas de hotéis podem ser feitos por aqui sem problemas, mas normalmente parte da diária é debitada pelos hotéis na ocasião da reserva.

As cidades da Garden Route são seguras e o trânsito é tranquilo. A gasolina tem preço semelhante à nossa e você só encontra uma praça de pedágio naquele caminho. Para estacionar carros nas zonas centrais das cidades você conta sempre com a presença de flanelinhas.

Ao desembarcar e embarcar nos aeroportos sempre aparece um flanelinha para te “ajudar”; os valores que eles pedem são inferiores aos nossos. Os aeroportos da Cidade do Cabo e principalmente de Joanesburgo são superiores aos de São Paulo.

É emocionante ver um país que há pouco tempo saiu de regime de opressão estar se erguendo não obstante as inúmeras dificuldades.

Achei que na minha viagem faltou uns dois dias para conhecer Joanesburgo.

Muito obrigada pelo relato, Fernando!

Leia mais:

38 comentários

Fui no final do Junho desse ano, ventava demais, muito frio mesmo, mas de toda forma eu curti muito a cidade.
Esqueça as praias nessa época, leve luvas e gorro.

Alguém já foi para a Cidade do Cabo no Inverno (julho)? Sei que é bem frio mas encontrei informações conflitantes sobre ir ou não.

    Olá, Marcia! Compartilhamos sua dúvida no Perguntódromo. Havendo resposta, aparecerá aqui.

    Fui para a Cidade do Cabo no final de Junho, começo de Julho. Não sou acostumada com o frio, mas sou do time que prefere passar frio do que calor. Eu achei tranquilo. Sempre andava com segunda pele e um bom casaco, e a única coisa que achei ruim do período é que escurece cedo.

    A questão do frio é muito pessoal. Uma amiga sul-africana implorou para eu não ir nessa época porque era muito frio. Mas como eu só poderia ir naquela data, tive que encarar, e achei maravilhoso. Muito provavelmente, se um dia eu voltar para a África do Sul, voltarei na mesma época. Por outro lado, já fui para o norte dos Estados Unidos no inverno e faço de tudo para não voltar lá nessa época. O inverno sul-africano é muito ameno quando comparado com o dos Estados Unidos.

    Marcia, fui em agosto/setembro de 2019, que não é o auge do inverno, mas talvez ajude. Os dias não foram todos de céu aberto e pegamos um pouquinho de chuva, mas nada além do esperado para a época e também nada que atrapalhasse muito. No nosso caso, fomos no inverno porque é a melhor época para safari (nosso principal objetivo), então, se também pretende fazer safari, não tem como pegar a melhor época para as dois programas, já que o tempo na Cidade do Cabo é o contrário dos melhores parques para safari. Para melhores chances de tempo bom na Cidade do Cabo, Table Mountain visível por mais tempo e praia, tem que ir nos meses de verão mesmo. Porém, por ser uma cidade em que venta muito, com um verão diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil, já ouvi relatos de várias pessoas dizendo que pegaram muito vento e tempo nublado mesmo no verão, impossibilitando pegar praia. Pela minha experiência, a Cidade do Cabo também vale no inverno, desde que seja a única opção ou se conjugue a cidade com safari nos parques mais a leste do país.

Ola, gostaria de saber se alguem foi recentemente para a Africa do Sul e alugou carro, pediram a PID? ou a cnh brasileira por si só já é suficiente, estou indo para la em dezembro e minha carteira vence em janeiro, não quero ter que fazer uma PID que vai durar só um mês. Valeu obrigado.

Olá, estou indo em janeiro para Johannesburg, Cidade do Cabo e Sun City, alguém me indicaria um guia que fala português ? Agradeço bastante, pois será minha lua de mel e não quero ter stress, meu noivo não fala bem inglês e seria muito mais prático. Grata

Boa tarde Fernando,

Eu estou querendo fazer o mesmo roteiro em julho/14, o que vocês acham de ir no inverno?

você sabe qual foi o seu custo por pessoa para toda a viagem?

Abs.

Thiago

    Olá, Thiago! O inverno é bacana para fazer safári; para a Cidade do Cabo, o melhor é ir no verão.

Oi, Adriana
Eu fiz as reservas pelo site da Siyabona e deu tudo certo. Eu tinha recomendações do Mala Mala e do Kapama, mas o primeiro eu achei um pouco caro e o segundo não tinha vaga na data que eu queria.
Fui muito bem assistido por e-mails por essa empresa, que forneceu uma opção muito boa: o Waterside Lodge, na reserva Thornybush.
Esse hotel fica cerca de 30 minutos do aeroporto de Hoedspruit, e eu achei muito bom. (Também tive um pouco de preocupação por ser um hotel não conhecido, mas a moça da Siyabona me disse que eu estaria bem servido naquele hotel, e concordei).
O problema é que como eu cheguei lá por avião vindo de Joanesburgo , e essa aeronave tem poucos lugares, a restrição de datas devido ao voo pode ser mais importante que as datas do hotel.
Também acertei os transfers de ida e volta do aeroporto ao hotel, que estavam fora do preço.

Quanto aos valores, realmente são muito diferentes.
Para vc ter uma ideia, a cotação no Mala Mala Main Camp para 2 noites era de 3 mil dólares e no Waterside foi de pouco mais de 1.500 (tudo incluído, para um casal). Depende muito das suas exigências e do seu estilo. Para mim, achei o hotel muito bom, tanto as acomodações , o serviço, a comida e os game drives. Recomendo esse hotel. São chalés amplos, com ótima cama e banheiro excelente. Os outros também devem ser assim.

Deu tudo certo.

Se vc quiser alguma informação, sinta-se à vontade

    Super obrigada, Fernando

    Eu nao estou conseguindo fazer a reserva no Kapama para as datas que eu gostaria. Vou tentar ver com a pessoa do Siyabona se me da alguma opçao, inclusive para o Waterside Lodge, epero que tenha…
    Mais uma vez muito obrigado, ajudou muito

    Adriana

Caro Fernando
Estamos pesquisando preços para o Kapama River Lodge e as diferencas sao muito grandes… A melhor opçao e fazer direto com o site da Siyabona, foi o que vc fez?( vc menciona a agencia no relato acima…). Como nao tenho nenhuma referencia, fico meio receiosa.
Deu tudo certo?

Boma dia Fernando!
Eu e meu marido queremos ir para Africa do Sul agora em outubro de 2013, temos 20 dias disponiveis. O que você acha da época – outubro? Sobre o roteiro, pensamos em fazer algo bem parecido com o seu: 2 dias de safári, 4 dias para a Rota Jardim, 4 dias em Cidade do Cabo e 2 dias em Joanesburgo. O que você sugere para preencher mais uns 5 dias de viagem? Sobre o valor da passagem, até o momento o mais barato é 1.000,00 dolares. Será que consigo achar alguma coisa mais barata ou está na média?
Obrigada pelos ótimos relatos, ajudaram muito a programar a viagem!

    Olá, Simone. Tudo bem?

    Acho a época boa. Eu colocaria mais 01 dia em cada destino para fazer sem pressa. Não acho que a passagem irá diminuir.

    Oi, Simone
    Não sei dizer sobre a época, mas um passeio que deve ser interessante é esticar até o Blyde River Canion.
    A dica do Riccardo também é boa.
    Se você quiser, dá para curtir um pouco mais a região das vinícolas – só estive em Stellenboch, mas Paarl e Franschhoek devem ser interessantes.
    Próximo à Knysna há muitos locais bonitos e que podem ser explorados. Por exemplo, em Mossel Bay há o Dias Museum Complex, que dizem ser interessante. E na região de Oudtshoorn também existem boas rotas a serem exploradas, mas que saem do caminho principal que leva a Cape Town.
    Se você for mias para leste, existem locais não muito distantes do Kruger, que permitem que você faça o safari no seu próprio carro (alugado, é claro). Não tenho essas informações comigo no momento, posso obtê-las com um amigo que fez esse tour por conta própria cerca de cinco anos atrás.

Essa viagem dá pra fazer com criança pequena?

    Olá, Rodrigo! Viagens de carro são próprias para fazer com crianças pequenas. O ritmo será naturalmente mais lento do que numa viagem sem criança.

Ramona
Realmente suas perguntas demandam um bom tempo, mas posso te passar um pouco da minha experiência.
Você ainda consegue programar sua viagem. Porém é possível que encontre alguns problemas de reserva em cima da hora, principalmente no trajeto entre Joanesburgo e a região do Kruger, se você fizer de avião, porque a aeronave é pequena e só há 1 voo por dia. Como alternativa você pode ir de carro, mas dura algo próximo a 4 horas.
Quanto aos custos, isso é muito relativo. Minha viagem mirou em hotéis bons e simpáticos, e na faixa que eu escolhi, achei o custo / benefício positivo. O valor da minha viagem ficou cerca de 20% mais barato que o equivalente na Europa Leste, com programas semelhantes, tirando o custo da estadia na reserva próxima ao Kruger.
Os hotéis das reservas são muito caros, embora possuam serviço completo com todos os passeios e refeições (ótimas) incluídos. Como existem muitos hotéis por lá, o valor da diária por casal pode variar bastante, mas é melhor você dar uma pesquisada sobre disponibilidade, para isso você pode estar também um pouco em cima da hora.
De uma forma genérica, os custos com comida nos restaurantes, com vinho e sobremesa (o famoso “malva pudim”) são cerca de 40% dos custos de São Paulo. Não sei como estariam em relação a Salvador. Há todo tipo de comida, de uma forma geral muito boa. Mas reservar lugar é interessante e eles jantam mais cedo que nós. E todos os restaurante que fomos tinham uma boa comida, sem exceção.
Se você é chegada em vinho tinto, eles são muito bons. Não bebi os brancos
Água: não me arrisquei a tomar da torneira nem acho que vale a pena arriscar.
Atrações: Tirando os custos dos safaris, todas as atrações têm preços bem acessíveis. Não fizemos mergulhos.
Compras: acho que não existe muito para comprar, só algumas lembranças e coisas típicas.
Vacina: Tivemos que tomar vacina contra febre amarela, em um posto de saúde, e oficializa-la no aeroporto de Congonhas. Você deve se informar como é o procedimento por aí. Veja também no site da Africa do Sul
Com relação à carteira internacional de motorista, veja o que já foi comentado no meu relato e na resposta que dei.
Cambio: sem problemas, fizemos algumas trocas no aeroporto e nas cidades; e paguei muitas coisas no cartão mesmo, que é muito bem aceito (apesar do IOF).
Quanto à segurança, pelas cidades onde passei não notei problemas sérios, é verdade que Joanesburgo é um pouco mais perigosa que Cape Town, e as cidades da Rota Jardim são aparentemente seguras, andávamos muito à noite ao ir e voltar dos restaurantes.
Se você quiser saber mais detalhes, ou nomes de restaurantes que fui, estou à sua disposição.

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