Caracas: como é chegar, sair, trocar dinheiro e pegar táxi

50 bolívares fuertes

Brasileiro costuma tirar de letra qualquer lugar com fama de inseguro — afinal, estamos acostumados com insegurança em nas nossas grandes cidades. Mas em Caracas vale a pena uma dose extra de precaução. Não precisa entrar em pânico; basta seguir os conselhos mais papai-mamãe.

–> CHEGANDO EM CARACAS

–> O aeroporto

O aeroporto de Maiquetía fica a 30 km do centro de Caracas (entre 50 minutos e 1h30 de trajeto, dependendo do trânsito). Tem dois terminais, o internacional (remodelado) e o nacional (velhinho). Apesar de relativamente distantes entre si (pense aí nuns quinze minutos de caminhada), os dois terminais são unidos por um corredor interno. Não é preciso (= não é recomendável) sair do prédio para ir a pé de um aeroporto a outro.

–> Desembarque internacional

A ala de desembarque foi recentemente reformada e funciona como você está acostumado. Passe pela imigração, retire sua bagagem.

–>Desembarque doméstico

Se você vem de Los Roques e vai pegar o vôo de volta para o Brasil no mesmo dia (os vôos da Gol partem às 19h35; da TAM, às 21h45), não saia para o saguão de desembarque. Vire à direita no corredor que há antes da saída e siga em frente, que você vai dar no aeroporto internacional sem precisar sair do prédio. (Mas atenção: se você sair desse corredor para o saguão de desembarque, vai ter que fazer o caminho por fora do prédio.)

–> Trocando dinheiro

No câmbio paralelo, que é ilegal porém de uso generalizado, 1 dólar vale 10 vezes mais que a cotação oficial. Em todo lugar que atenda o turista você vai encontrar cambistas. Basta perguntar discretamente na recepção do hotel, por exemplo.

Um jeito de correr menos riscos é trocar com um contato previamente arranjado pela pousada ou pela agência que esteja à sua espera.

Assim que você emerge no saguão de desembarque será abordado por um exército de tiozinhos de crachá. Todos vão oferecer transporte (recuse: no, gracias) e câmbio.

Caso você realmente precise trocar dinheiro, atravesse o saguão para um canto mais discreto e aguarde as abordagens. Negocie antes. Deixe separada UMA nota de 100 dólares no bolso; assim você evita mostrar quanto dinheiro tem. (E com menos de 100 dólares a cotação já não seria interessante.)

Mas o melhor mesmo é não trocar nada, combinando um traslado com o seu hotel. (Caso seja apenas o pernoite para seguir no dia seguinte a Los Roques, há dois hotéis que oferecem traslado: o Eurobuilding e o Marriott. Leia mais adiante.)

–> Pegando táxi

Como eu expliquei no parágrafo anterior, ao aparecer no saguão de desembarque, cansado da sua viagem e arrastando sua mala de rodinhas, você vai ser abordado por senhores distintos de crachá que vão oferecer transporte (e, num segundo momento, câmbio). Nunca aceite transporte dessas pessoas. Existe uma quadrilha de bandidos atuando como taxistas piratas. Pegar um desses táxis é correr o risco de ser assaltado pelo caminho.

–> Leia mais: Anna, a policial brasileira assaltada num táxi pirata em Caracas

A boa notícia é: os caras são insistentes, mas não há nada que eles possam fazer ante um “no, gracias”. Cruze o saguão. Um pouco antes da calçada exterior você encontrará, bem sinalizado, o guichê do táxi oficial.

Guichê do táxi oficial

Uma corrida até os bairros nobres de Caracas sai o equivalente a 30 dólares no câmbio que o turista consegue obter. Eu não tentei pagar com dólar (já tinha trocado dinheiro), mas não custa perguntar. Se aceitarem, maravilha, porque você se livra de fazer uma operação ilegal a descoberto num lugar perigoso.

Caso você vá para algum hotel da região do aeroporto, a corrida deve baixar para a metade (esqueci de ver a tabela oficial). Mas lembre-se de que os hotéis Eurobulding Express e Marriott Playa Grande oferecem traslado.

Mais uma vez vale desaconselhar chegar a Caracas à noite (vindo, por exemplo, do Caribe), quando você e sua bagagem ficam mais vulneráveis no trajeto aeroporto-cidade.

–> Los Roques sem pernoite em Caracas

Atualmente, a única maneira de não pernoitar em Caracas nem na ida, nem na volta, é voando Gol. (Informação de julho de 2014.)

Corredor entre os aeroportos

–> SAINDO DE CARACAS

–> Táxi para o aeroporto

Reserve o táxi com o seu hotel com antecedência; na hora pode não haver táxi especial disponível. Desde Caracas, espere pagar o equivalnte entre 30 e 40 dólares (do câmbio negro) pela tabela do hotel.

Estando na Caracas central, saia do seu hotel 4 horas antes do embarque do seu vôo. Sim, eu escrevi 4 horas antes do embarque do seu vôo. Eu já perdi um vôo em Caracas saindo com uma antecedência de três horas.

–> Taxa de embarque

Desde agosto de 2011, as taxas de embarque já vêm embutidas nas passagens. Não é mais necessário pagar a taxa no guichê, em bolívares.

Taxa de embarque nacional, 38 bolívares fuertes

–> Saindo de Los Roques para seguir viagem no mesmo dia para o Brasil

Venha no vôo da manhã. Eu sei, você vai perder um dia perfeito de praia. E vai amargar uma tarde inteira no aeroporto de Caracas. Mas não é bom depender do último vôo nem vir com tempo exíguo demais entre vôos.

–> Usando Caracas como base para ir a Aruba e Curaçao

Na grande boa? Faz isso não, camaradinha. Tem vôo direto do Brasil. Dá pra ir por Bogotá. Dá pra ir pelo Panamá. Para que se arrumar todo esse perrengue?

Leia também:

Caracas: onde ficar

Passeando: um dia em Caracas

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109 comentários

Olá, pretendo conhecer Los Roques em setembro, embarco 04/09 e fico até 25/09.
Acho muito tempo para ficar em um lugar só, então e como tenho duas opções de entrada Bogota e Caracas, pensei em aproveitar para conhecer outros lugares por perto.
Sendo assim, gostaria de solicitar dicas de roteiros pelas duas regiões, com preços baixos, de ônibus ou de carro.
Outro fator importante….qual a temperatura nessa época??

Obrigada!!!

bom dia, estou doente na venezuela em Maracaibo e estou tentando ir para caracas de onibus executivo que dizem ser perigoso,como faço para ir para o brasil de forma mais rápida e segura?

    Olá, Cristiane! Dá para ir de avião também a Caracas. OU, se não quiser passar por Caracas, compre uma passagem de Maracaibo ao Brasil via Panamá pela Copa.

Boa tarde!
Gostaria de saber se comprando a passagem aérea de Caracas para Brasília é possível pagar mais barato em Bolivares?

Em novembro vou para Caracas. Está perto a data de saída. Apesar de nao ter feito a escolha correta, pergunto: comprei a passagem até Caracas. Pretendo passar uns 3 dias lá e aí viajar para Aruba. Não estou conseguindo comprar a passagem aqui do Brasil. Por nenhuma empresa, nem pela Insel air.. O que devo fazer? Quanto irei pagar aproximadamente? Se alguem puder ajudar obrigado.

    Oi Eriksen. A Venezuela não é um país normal. Devido às restrições cambiais, há cada vez menos companhias aéreas operando no país. Além disso, as passagens aéreas para países vizinhos costumam estar esgotadas por vários meses, já que é um dos poucos fatores que possibilitam a compra de dólares no câmbio oficial. Resumindo, você até pode conseguir passagem para Aruba, mas vai custar o mesmo que um Rio X Paris, por exemplo. Já que você vai estar na Venezuela, avalie fazer turismo por aí mesmo (Los Roques, Isla Margarita, etc…)

    Oi Eriksen, comece a avaliar passear dentro da Venezuela (Los Roques, Margarita) já que é complicado e caro comprar passagens internacionais na terra chavista. Você pode até conseguir, mas eu diria que uma passagem de Caracas a Aruba vai custar o mesmo que uma Rio X Paris.

    Olá, Eriksen! A Insel Air não voa a Caracas. O trecho Caracas-Aruba pode ser comprado pela Gol, que opera duas vezes por semana.

Olá!

Sempre venho aqui para decidir qualquer viagem.Essa viagem que fiz a Los Roques praticamente surgir devido ao blog do Ricardo, pois não decido nenhuma viagem sem passar aqui.Li tudo que tinha e pesquisei muito.O destino que foi difícil. Tive muitos problemas, mas valeram a pena! Recomendo muito mesmo..Só tenho a agradecer por ter conhecido esse lugar mágico.
Gostaria de deixar aqui os meus relatos, pois fiz o mais detalhado possível para ajudar as pessoas a chegarem nesse paraíso.
Espero que realmente possa ajudar
http://viajandocomsy.com.br/los-roques-venezuela/
http://viajandocomsy.com.br/los-roques-venezuela-2/

http://viajandocomsy.com.br/los-roques-venezuela-3/

Obrigada
Sy

Ola, vou para Venezuela em maio(Los Roches),mas estou um pouco apreensivo com a situacao do Pais.faco uma pernoite no Hotel Ole caribe alguem conhece ? parece que e proximo ao aeroporto Caracas. alguem sabe como esta o cambio atual ? Terei alguma dificuldade em cambiar na ilha?
Agradeco antecipadamente.
Luiz Henrique

    Olá, Luiz Henrique! Nâo há dificuldade em entrar na ilha. Peça para a sua pousada em Los Roques agendar trânsfers. Eles saberão dizer quanto está o câmbio.

Little Brother Venezuela ou Abobrinhas para um Grande Best Seller

Nenhuma viagem começa e termina nos pontos de começo e fim. Cada ponto pode ser um recomeço ou um fim e vice versa. Viajar a Venezuela, para mim, nunca esteve em meus planos, até o dia que conheci um amigo de Trinidad Y Tobago, que morava na Venezuela. De tanto ele me falar das belezas do país, fiquei com vontade de fazer um passeio rápido pela nação de Hugo Chaves. Eu não estava a fim de arriscar uma viagem tão longa para me encontrar com ele em Caracas ou em outra localidade mais distante.

Combinamos, então, que nos encontraríamos na fronteira, na localidade chamada Santa Elena de Uairen. E assim fizemos. Viajei com milhas de avião até Manaus e, de lá, até a capital de Roraima, Rio Branco, depois mais outra viagem até a fronteira. Não achei nenhuma graça naquela paisagem amazônica. Eu nasci e cresci numa cidade de porte médio e depois me mudei para Salvador, a terceira maior cidade brasileira. Estar no meio do mato, num lugarejo que não tinha nada para se vir, não me agradou em nada. Nos encontramos e nos despedimos em seguida. Nunca mais nos vimos, a não ser através da internet. Isso faz muitos anos, acho que uns dez ou mais.

Não perdemos contato e eu, em minha busca por novidade, sempre, acabei encontrando outros caminhos para matar a curiosidade. Eu acho que o globo terrestre pode ser comparado a um Grande Big Brother Mundial. Estamos interconectados com todos e, ao mesmo tempo, isolados. Minha estadia no Cumberland Hotel, em Caracas, por exemplo, também pode ser comparada a um programa desses, mas, como estou sozinho e não estou sendo visto por telespectadores de lugar algum, nomeio este momento de Little Brother Venezuela. Como estou escrevendo minhas impressões, dou o subtítulo Abobrinhas para um grande Best Seller, parodiando Renata Rimet e nossas conversas salvas do Messenger (finado) e do Facebook (futuro finado). Colecionamos bate papos para transformar em literatura de primeira classe. E quem diria, uns dez anos depois, estou de volta a terras venezuelanas.

Os planos de vir, entretanto, foram acalentados por um ano. Em 2012 resolvi novamente conhecer a Venezuela, e conheci, pela internet, um morador de Caracas. Talvez a capital fosse mais atrativa e, agora, já estava com mais vontade e coragem de conhecer países latinos, após ter viajado para La Habana (Cuba), em 2002, e Cartagena de Indias, na Colômbia, em 2013. Aproveitei o impulso e comprei passagens e reservei hotel em Caracas, por uma semana. Chegado o dia, sexta-feira, 13 de dezembro de 2013, parti rumo à outra aventura.

Do trabalho para casa correndo, terminar de arrumar a bagagem e seguir para o aeroporto de Salvador. No meio do caminho, uma chuva torrencial, quase sem ver a pista. De súbito a chuva termina, faltando cinco quilômetros para o aeroporto. Carro estacionado, check-in realizado, espera pelo voo atrasado e, finalmente, nos céus. Ou quase.

Já no aeroporto de São Paulo, após um voo turbulento… Refeição: um copo de água com gelo, uma cerveja com gelo e um pão com queijo (sugestão do Chef): R$ 18,00 (dezoito reais). Com cartão de crédito, não tem preço… Descobri que o céu era um pouco mais acima.

PS: Ainda tenho muito por escrever. A temporada é grande e as expectativas também.
Valdeck Almeida de Jesus

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