Perguntas de primeira viagem: PASSAGENS AÉREAS 1

Perguntas de primeira viagem: PASSAGENS AÉREAS

Ilha Grande vista da Ponte Aérea

Aqui no Viaje na Viagem aparecem muitas perguntas sobre passagens aéreas. Este post lista — e responde — as mais freqüentes (e certamente ganhará muitas adições ao longo do tempo).

Tenha sempre em mente que passagem boa é aquela que você compra para o lugar que quer visitar, numa época em que vale a pena ir para lá. Passagem baratinha para viajar na época desfavorável é uma passagem cara.

Cuidado, portanto, com compras de passagem aérea por impulso. Se você não nunca estudou o destino que está em promoção, estude antes de comprar. A melhor compra por impulso é para o destino que você já vem namorando há tempos — e que sabe as épocas certas para viajar.

1 | Com que antecedência se deve comprar a passagem?

Não é uma ciência exata. Só existe uma certeza: em cima da hora é mais caro.

Para aumentar a chance de conseguir boas tarifas em passagens nacionais, compre com 4 a 8 semanas de antecedência. Compre passagens internacionais com 2 a 4 meses de antecedência. Mas o melhor mesmo é aproveitar as promoções.

Para épocas em que todo mundo quer viajar no mesmo dia (Natal, Réveillon, Carnaval) aumente a antedência: 3 a 6 meses para qualquer destino. Mas pense que você vá encontrar pechinchas em férias escolares ou Carnaval: se você conseguir alguma tarifa que não seja exorbitante, já estará no lucro.

2 | Quando acontecem as promoções?

As promoções (feirões, megapromos) de passagens nacionais são bastante freqüentes: acontecem em fins de semana e valem para períodos fora de férias e feriadões. De vez em quando também aparecem promoções para vôos no meio do feriado, fora das datas que as pessoas querem ir e voltar.

Já as promoções de passagens internacionais costumam acontecer no início da baixa temporada (depois do carnaval ou das férias de julho), e são repicadas ao longo da baixa temporada por cias. que precisem melhorar sua ocupação.

Uma ótima oportunidade de encontrar pechinchas é no lançamento de novas rotas, que sempre têm tarifas promocionais nas primeiras semanas de operação.

3 | Existe promoção que é roubada?

Desconfie quando o preço é barato demais para destinos sul-americanos. Sempre aparecem megapromoções para Cusco na época da chuva (novembro-março), para Cartagena e San Andrés na época mais chuvosa (outubro, novembro), para Bariloche antes da neve (você só vai encontrar neve entre julho e setembro), para a Patagônia no auge do inverno (quando só Ushuaia, que tem esqui, está funcionando a toda).

Muita gente também põe os pés pelas mãos comprando passagens para lugares que não quer visitar (confiando em achar outra passagem baratinha deste lugar até o destino realmente desejado) ou partindo de uma cidade que não é a sua. Ambas situações são fonte segura de gastos imprevistos e perrengues práticos.

4 | Quero visitar Madri e Roma na mesma viagem. Compro passagem ida e volta a Madri ou a Roma?

Nenhuma das duas. Compre passagem com ida a Madri e volta de Roma. Em viagens picadas, sempre compre sua passagem saindo do Brasil até o primeiro destino que você vai efetivamente visitar, com volta do último destino que você vai efetivamente visitar.

Qualquer outra solução envolve custos e riscos. Os custos são óbvios — não existe passagem grátis, e os vôos extras vão diminuir (e possivelmente até anular) a economia que você acha que está fazendo ao comprar passagem só até o meio do caminho. E o risco está programar conexões entre vôos que não estão vinculados. Se o vôo avulso atrasa e você perde o vôo de volta ao Brasil, terá que comprar outra passagem na hora.

Orce também quanto fica incluir os vôos internos na sua passagem Brasil-Europa. Na maioria das vezes, vale a pena — e você mantém seu limite de bagagem internacional nos outros vôos.

Como fazer? Use a função “várias cidades”, “vários destinos” ou “múltiplos destinos” nos sites das cias. aéreas ou em buscadores com o Kayak.

Já comprei minha passagem errado, e agora? Se você vai precisar retornar ao destino de chegada apenas para pegar o vôo de volta ao Brasil, programe esse vôo interno para a véspera da viagem. Em casos assim, de vôos desvinculados, sempre durma na cidade de onde parte seu vôo de volta, para reduzir o stress e os riscos de perrengue.

5 | Que cia. aérea voa do Brasil a Veneza? Que cia. aérea voa do Brasil a San Francisco?

Muita gente deixa de comprar passagem aérea do Brasil até o destino que quer realmente visitar porque acha que só é possível comprar passagens em vôos diretos ou para as capitais. Não é não.

As cias. aéreas que voam do Brasil para a Europa ou a América do Norte vendem passagens a todos os destinos não-servidos por vôos diretos do Brasil. É para isso que existem as conexões.

Assim, se você quer começar sua viagem por Veneza, não precisa comprar a passagem só até Milão ou Roma. Compre até Veneza. Qualquer cia. que vá para a Europa levará você até lá, com uma conexão.

A mesma coisa com San Francisco. Não é porque nenhuma cia. tem vôo direto do Brasil a San Francisco que você precisa ir só até Miami ou Atlanta.  Todas as cias. americanas deixam você em San Francisco.

6 | Por que as passagens com conexão são mais baratas do que os vôos diretos?

Porque o conforto do vôo direto é um benefício pelo qual as cias. aéreas conseguem cobrar mais. Por isso o vôo direto São Paulo-Orlando da Latam sempre será mais caro que o vôo São Paulo-Panamá-Orlando da Copa. E por isso você verá rotineiramente as cias. européias cobrando mais caro por vôos a suas capitais de origem do que a outros países. Por exemplo: voar com a KLM para Paris com conexão em Amsterdã normalmente sai mais barato do que voar só até Amsterdã; isso costuma acontecer com todas as outras cias. do continente.

7 | Achei uma passagem baratinha a Atlanta com conexão em Miami. Posso descer em Miami e ficar por lá?

Não pode não. Ao abandonar a rota que originalmente comprou você perde as reservas e a classe tarifária dos vôos seguintes.

8 | Achei uma passagem baratinha aos Estados Unidos saindo de Manaus, mas eu moro em Goiânia. É uma boa?

A economia proporcionada por uma passagem que sai de um lugar onde você não está sempre é relativa. Lembre-se que o trecho entre a sua cidade e a cidade de onde sai e aonde chega o vôo nunca será grátis e diminuirá (em casos extremos, anulará) a economia que você acha que está fazendo. E que se o vôo interno atrasar, você pode perder a sua passagem internacional. (A mesma coisa na volta: se o vôo internacional atrasar, você pode perder sua passagem nacional avulsa.)

9 | Vale a pena combinar trecho com milhas com passagens avulsas?

O melhor uso para milhas é na emissão de passagens até o destino que você quer efetivamente visitar. Usar milhas só para abater parte do custo normalmente é um mau negócio; você continuará pondo dinheiro para voar e correrá o risco de perrengues na conexão entre o vôo com milhas e o vôo comprado, já que não serão vôos vinculados.

10 | Vale a pena voar com cias. low-cost?

Quem aproveita melhor as cias. low-cost é quem mora nos países em que elas atuam e assinam os alertas que informam quando abrem as vendas dos vôos. Quem compra no comecinho das vendas consegue aquelas tarifas ridículas que fazem a fama das low-costs. Depois das vendas engatilhadas, as tarifas ficam parecidas com as das cias. convencionais.

Leve em consideração também o limite de bagagem. As low-cost são rígidas na pesagem e cobram uma fortuna (mais de 10 euros) por quilo de excesso.

Tente viabilizar sua viagem com cias. convencionais (incluindo os trechos intra-europeus na sua passagem Brasil-Europa-Brasil). Caso seja muito mais econômico incluir low-costs, viaje leve — e não marque nenhuma conexão entre vôos não-vinculados.

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200 comentários

Como se faz para comprar uma passagem ida e volta quando a volta é um ano depois (viagem ao exterior para estudar)? Compra-se a volta na data que dá e depois remarca-se (com custo) ou há outra alternativa?

    Olá, Maria das Graças! Nesse caso o mais indicado é usar um agente de viagens (sobretudo os especializados, tipo STB — Student Travel Bureau). Para remarcar sem custo você precisará comprar uma passagem de tarifa não-promocional. Comprando uma passagem descontada, dá para jogar fora a volta e comprar outra promocional para voltar.

Vale a pena lembrar o transtorno que é alterar uma passagem aérea ou cancelá-la. Na maioria das vezes, ninguém observa os termos do contrato de venda e depois, se desistir da viagem por algum motivo, tem que desembolsar um valor a mais aumentando o prejuízo. Por isso, acho importante não comprar passagens por impulso, e sim apenas quando houver a certeza da viagem.

Boa tarde, Bóia e amigos do Viaje,

Utilizei minhas milhas do programa da American: Aadvantage para viajar para para Paris em agosto próximo. O resgate foi fácil e tranquilo.Mas, quase já não haviam vagas disponíveis: Quase 1 ano antes da viagem. No momento da reserva, os assentos de ida pela Ibéria foram selecionados sem custos. Os de retorno, pela British Airways, BA,somente pude marcá-los 3 dias depois e me foi cobrado a singela quantia de US$ 98,00 . O trecho Orly-Londres: US$ 11,00 e pelo trecho Londres-RJ: US$ 38,00 ou seja US$ 98,00 pelo casal.Gostaria de saber se já sabiam desta cobrança pela reserva de assentos pela BA.
Abraços, Nival Correa,leitor assíduo do Bóia.

Concordo com André,
As pessoas acreditam que comprando com um agente de viagens, são obrigados a participar de programas fechados ou que acabam pagando mais caro, quando na verdade conseguimos os mesmos preços ou as vezes até mais baratos, pois temos acesso as melhores tarifas de todas as companhias aéreas e suas conexões, também fazemos roteiros exatamente como o cliente precisa e quer.
Abraços

Ricardo e Bóia: só uma colocaçãozinha… já que citaram Decolar, Expedia, Submarino, etc, acho que vale a pena dizer que um bom agente de viagens pode fazer a pesquisa de ofertas e dar as dicas sobre as companhias aéreas sem cobrar a mais por isso (salvo nos casos em que as companhias aéreas não comissionam e então são cobradas taxas como RAV e DU, mas que os sites também cobram). Às vezes o agente de viagens pode conseguir vender passes internos entre países que acabam saindo uma opção melhor do que a “pesquisa multidestinos” dos sites de viagem. Ah! E também podem conseguir os “stops” (que são as paradas de um ou mais dias) na cidade de conexão – esse tipo de coisa é um pouco mais complicado de se conseguir online.

Uma dica (mas COM MUITA CAUTELA) para quem não conseguiu incluir algum trecho aéreo interno na passagem internacional, pelo menos na Europa, e quer fugir das low cost, é tentar pesquisar o trecho pretendido nas companhias tradicionais. Dependendo do trecho, especialmente se for um trecho que também é feito por low cost, os preços nas companhias tradicionais podem ser atraentes também.

Exemplo: Londres – Munique, Berlim – Paris. Dois trechos que inicialmente, na minha viajem de fevereiro de 2013 eu iria fazer com Low Cost (Easy Jet), mas por curiosidade pesquisei na Lufthansa, e consegui as passagens por preços mais em conta que as low cost, sem ter de pagar por mala despachada, e sem pagar taxas ocultas, e ainda receber o lanchinho de bordo, com vinho, espumante, etcéteras, incluído no preço. Londres – Munique saiu por £ 69,00 e Berlim – Paris saiu por € 56,00. A British também tem passagens tipo “economy saver”, que são essas com preços menores, mas são não canceláveis e não alteráveis.

Não são obviamente todos os trechos que tem essas barbadas. Trechos menos comuns avulsos custam uma fortuna. Para fevereiro de 2014, eu queria Munique – Bruxelas pela Lufthansa outra vez e me lasquei!!….. O trecho avulso custa € 680,00!!! Já tinha comprado a passagem internacional com a TAP. Tentei usar minhas milhas Victória para emitir esse trecho, já que TAP e Lufthansa são da Star Alliance, e achei absurdo: 30 mil milhas e mais € 97,00 de taxas aeroportuárias. Totalmente descabido!! A solução vai ser fazer o trecho de trem, com uma parada de um dia em Colônia.

Lição de moral da história: não tenha tanta certeza assim de quanto custam esses trechos avulsos! Verifique antes de comprar a passagem internacional e antes de fechar o roteiro. Eu já tinha lido sobre isso, e não sou tão principiante para ter cometido esse erro, mas confiei demais no “trecho avulso baratinho”!

Apenas mais dois cuidados: não emendar com os trechos da passagem internacional, já que não serão passagens vinculadas, e cuidar para não viajar com bagagem pesada. Nos trechos internos, o peso limite da Lufthansa é 1 mala de 23 kg e não 2 malas de 32 kg.

Ah, e para quem quer passagem para a Europa no preíodo do Natal/Ano Novo, sério, acho que 6 meses de antecedência é pouco. Eu não sei exatamente como funcionam as regras de antecedência para esse período, mas pelo menos esse ano, eu nao consegui passagem por menos de R$ 3.200,00 para essa época, isso já na metade de junho. Por isso tive de adiar a próxima viagem para fevereiro de 2014.

Abs,

Cris

Ótimo post! Só deixo um reforço: em cias. low-cost, não adianta tentar emendar conexões que elas não vendem mesmo que sejam vôos da mesma cia. no mesmo aeroporto!

Já vi gente cometendo esse erro: já que (exemplo) a Easyjet não voa de Roma para Mallorca, mas voa de Roma para Amsterdam e de Amsterdam para Mallorca, o passageiro compra duas passagens com um par de horas para a conexão, e aí se complica todo porque precisa retirar bagagem, fazer check-in de novo em Amsterdam etc.

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