Arcos de la Frontera

Europa: avião, trem ou carro?

Arcos de la Frontera

Escolher entre avião, trem e carro para se deslocar pela Europa parece tão complicado quanto decidir o roteiro a ser seguido. Na verdade, as duas coisas andam (ou rodam, ou voam) juntas. A seqüência de lugares que você quer visitar acaba determinando os meios de transporte mais adequados. Note que escrevi no plural; muito provavelmente o seu roteiro pela Europa vai requerer uma combinação de dois ou três meios de transportes diferentes.

Avião: para roteiros abrangentes

Se você está pensando numa daquelas viajonas em que vai ouvir cinco ou seis idiomas pelo caminho, programe-se para fazer muitos trechos de avião. Na Península Ibérica as distâncias podem ser enormes; a Itália fica bem mais longe do que se imagina. Voar é a melhor escolha entre Lisboa ou Porto tanto a Madri quanto a Barcelona; da Andaluzia a Barcelona; de Portugal à França e de Barcelona à Itália; de quase toda a Europa à Inglaterra, ao Leste Europeu (onde as ferrovias são lentas) e à Grécia (com acesso complicado por terra ou mar). Existem duas maneiras de comprar os vôos “internos”. Eles podem ser incluídos na passagem Brasil-Europa (sai menos caro do que parece; veja todas as dicas aqui), ou comprados avulsos, em companhias aéreas “low-cost” (pesquise no Skyscanner, mas tenha atenção para não cair em pegadinhas).

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Passo a passo:

Como pesquisar passagens multidestinos e comprar a passagem certa para sua viagem

Trem: viagens curtas e práticas

Não existe modo mais civilizado (e europeu!) de viajar. Com o trem você sai e chega pelo centro das cidades, não perde tempo com controles de segurança e tem a garantia da pontualidade. Em viagens curtas, o trem é imbatível; para percursos de até 4 horas, você só não deve ir de trem se conseguir uma tarifa muito mais barata de avião. Viagens longas, porém, são maçantes. E o trem noturno é uma maneira quase infalível de chegar bastante cansado à sua próxima escala. Ande de trem entre Madri e a Andaluzia; aproveite o TGV na França (e entre Paris e Barcelona); use os trilhos para fazer seu périplo pela Itália; não pense em outro meio de transporte de Paris à Bélgica e à Holanda; explore a Alemanha e veja as paisagens mais bonitas da Suíça. Os passes de trem são práticos e flexíveis. Mas quem se der ao trabalho de fuçar pela internet, pode comprar passagens avulsas por tarifas compensadoras. Compre nos sites das companhias ferroviárias dos países de origem ou destino de cada trecho. O da Espanha é www.renfe.com; da França, www.sncf-voyages.com; da Itália, www.trenitalia.com; da Alemanha, http://www.bahn.de/international.

Carro: viagens descompromissadas

A popularização do GPS deu mais um empurrãozinho para a nossa natural preferência pelo carro. Só que o carro dificilmente se adapta à viagem-padrão do brasileiro pela Europa. Carros em cidades grandes são um estorvo; o GPS não encontra vagas para estacionar nem prevê engarrafamentos. No inverno, a capa de gelo nas estradas montanhosas é um stress que tira boa parte da graça da paisagem.

Use o carro para vagar – com calma e sem compromissos – por regiões do interior ou da costa pontilhadas de vilarejos e de desculpas para sair da estrada principal. O segredo de boas viagens de carro é delimitar a região a ser explorada, montar bases e tomar a rota das estradas lentas e realmente panorâmicas. E vá com tempo sobrando: lembre-se que na vida real a gente naturalmente leva bem mais tempo do que o indicado pelo Google Maps.

Deixe para alugar o carro naqueles dias que você separar para explorar a Toscana, a Provence e a Côte d’Azur, Portugal (até Compostela), a Andaluzia, a Estrada Romântica alemã, a Sicília, a Costa Amalfitana, o vale do Loire. Em vez de dormir um dia em cada lugar, divida a viagem em duas ou três bases, e perca-se pelos arredores.

Leia mais:


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325 comentários

O artigo é muito bom, mas vale uma ressalva. Fazer um tour pelo leste europeu de avião é loucura. Não há opções de low cost entre as capitais. A lufthansa, a Austrian e a CSA cobram preços proibitivos. A melhor opção é alugar um carro, é infinitamente mais barato e as distâncias entre as principais cidades são curtas. Quanto aos engarrafamentos, é só ter em mente que o carro serve apenas para chegar aos destinos. Uma vez lá ande de transporte público. Ademais, com um GPS ninguém se perde…

O passe é válido na linha Yamanote, que é a principal de Tóquio. Mas isso é só um benefício adicional. O bom do passe é poder pegar o trem-bala, mesmo.

Obrigada pela ajuda, Riq!
Vou comprar então o Japan Rail Pass de sete dias, do comum mesmo.
O trem de Kyoto para Kansai começa em 1660 iens, com um direto por 2980. O de Narita pra Tokyo fica por volta de 1100 iens, com um Limited Express sem escalas por 3140. Pergunta: o passe é útil em Tokyo, pra alguma linha de trem? Você disse isso: “E não só isso: o passe dá direito aos trens metropolitanos da JR, como os da Linha Yamanote, a maior mão-na-roda para você se deslocar por Tóquio. (Nas linhas do metrô, no entanto, você vai precisar comprar passagem.)” a muito tempo (no viajenaviagem jurássico). Ainda vale?
Obrigadíssima!

A diferença é só de classe, mesmo, Daniela. E a segunda classe é ótima, viajei por ela. É preciso reservar lugar, sim, mas isso é facinho, tem um guichê exclusivo para os portadores de passe nas estações. (Quer dizer, ACHO que era exclusivo. Mas se não for, não tem problema — foi sempre MUITO rápido, eu trazia o destino e o horário escritos num papel, e os caras tinham sempre um inglês decente.)

Você pode pesquisar horários neste site aqui:
http://www.hyperdia.com/cgi-english/hyperWeb.cgi

Quando aparecer a segunda página, “destique” o “Limited Express”, para só aparecerem os “Shinkansen” — trens-bala.

Se não dá para entrar por Osaka e sair por Tóquio, mas dá para fazer o contrário, então faça o contrário. É melhor do que chegar de um vôo transpacífico e ainda enfrentar 4 horas de trem desde Narita até Kyoto.

A única questão em aberto é se você começa a usar seu passe já no aeroporto para ir ao centro de Tóquio (e fica com dois dias descobertos pelo passe em Kyoto, no fim), ou ativa o passe só no terceiro dia e fica com ele até o finzinho.

Se você fizer Nara e Hiroshima antes desses dois últimos dias, deixando essas 48 horas finais para Kyoto, talvez seja negócio ativar no início. O ideal seria comparar o custo do transporte entre Narita e Tóquio e entre Kyoto e Kansai, para ver qual dos dois trajetos é melhor estar coberto pelo passe.

Comprei meu passe pelo meu agente de viagem. Mas deve haver um jeito de comprar direto do distribuidor aqui no Brasil.

Já que o assunto é trem…
Riq, já estou olhando os trens no Japão. Qual a diferença do Japan Rail Pass pro Green Pass? Só a classe da cabine? Qual você usou? É necessário reservar os trens com antecedência, ou só embarcar? Já descobri o mecanismo de busca, mas são tantas opções que estou ficando tonta! E onde você comprou o passe no Brasil – na agência?
Me ajuda na lógica do Japão? Estou querendo fazer o seu roteiro básico sugerido (numa loteria de perguntas antiga): Kyoto, com idas em Nara e Hiroshima; ver o monte Fuji; Tokyo. Tenho nove noites. Eu NÃO consigo chegar no país por KIX e sair por NRT (o lógico), porque as milhas não deixam. Eu posso: sair e chegar por NRT; sair e chegar por KIX; ou chegar por NRT e sair por KIX (que é o mais racional, poupa deslocamentos internos, mas inverte a ordem da viagem). O que você acha? Palpites são super bem-vindos!

No link abaixo tem algumas colocações bem interessantes
sb onibus e trens na Europa

http://boards.bootsnall.com/2/OpenTopic?a=tpc&s=712096715&f=179090755&m=4213089917

E aqui tem links , opiniões e alternativas para todos os transportes
este é um site que uso bastante , é possivel ter uma visão geral das
alternativas para cada tipo de viagem .
O que é chato é ter que abrir um monte de janelas para chegar
a informação desejada

http://www.attitudetravel.com/travelcentre/

Ricardo e Carmem,
Obrigada pelas dicas e relatos de experiência…Abraços

Gisele, você pode ver o mapa das ferrovias espanholas nesta página aqui:
http://downloads.raileurope.com/map_europe/spain.html

Para saber se vale a pena comprar o passe, simule os trechos que você quer fazer, já com as datas certas, em http://www.renfe.com .

Então some os trechos e compare com os do passe Eurail Spain
http://www.lufthansacitycenter.com.br/site/controller.jsp?c=listPassFareByCategory&passCategory.uid=4

Quanto à dúvida carro x trem, a favor do carro há o fato de que não há trens rápidos no norte da Espanha (à exceção de uma linha costeira que se origina em Alicante e une Valencia a Barcelona). A favor do trem há o clima, normalmente chuvoso nesta época, como observou a Carmen.

Antigamente eu viajava bem mais de trem, mas com os preços altos das passagens, desisti. Hoje acho melhor pegar um avião sai mais barato e rápido. Viajar de carro é ótimo, mas o que eu acho um saco são os engarrafamentos quilométricos aqui na Alemanha. Pelo fato de não existir pedágio todos os vizinhos, para economizar, usam as Autobahnen pra descer pro sul, na época de férias então você só ver traillers na estrada. Eles estão pensando em implantar o pedágio aqui para diminuir o tráfego. Vamos ver se vai sair mesmo.

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