Como montar seu roteiro de viagem à Europa

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Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Monte sua viagem à Europa

Costumo dizer que toda ida à Europa é como se fosse a primeira. A menos que você volte exclusivamente a lugares que já visitou, toda nova viagem suscitará as mesmas perguntas iniciais. Por onde chegar? Quantos dias ficar em cada lugar? Que meio de transporte escolher? Use este tutorial como ponto de partida para destrinchar suas próximas viagens européias.

Primeiro passo: NÃO compre a passagem aérea

Comprar uma passagem por impulso é o erro mais comum de (falta de) planejamento numa viagem à Europa. Achar uma passagem superdescontada de ida e volta a uma cidade específica só garante a viagem de quem só queria ir para aquela cidade. Continuar a viagem a partir dali -- e sobretudo voltar para lá para pegar o vôo da volta -- pode anular a economia e, pior, causar enormes perrengues logísticos. Só compre a passagem depois de ter definido todo o itinerário (continue lendo e veja por quê).

Itinerário: menos é mais

Barcelona

Barcelona

Ao montar um roteiro pela Europa, use o método clássico recomendado para arrumar malas: selecione todos os lugares que você gostaria de visitar, e então reduza à metade. Ou a um terço. Na excitação da montagem do roteiro, nossa tendência é empilhar todos os lugares que estejam no caminho (e fazer longos desvios para chegar a outros).

No mapa, tudo parece perto. Mas números frios, como quilometragens e durações de vôos, não levam em consideração o tempo que se gasta em arrumar a mala, fechar a conta do hotel, deslocar-se ao aeroporto (e chegar com a antecedência necessária para o check-in), vencer o trânsito dos anéis viários para sair de cada cidade e entrar na próxima (em viagens de carro), encontrar o próximo hotel, fazer o check-in, subir com as malas...

Cada troca de local envolve a perda de pelo menos meio dia (e de muita energia). Acredite: quanto mais você troca de cidade, menos você aproveita o seu tempo.

Cidades grandes: fique quatro dias

Batobus, Paris

Paris

Sim, toda cidade importante da Europa tem um ônibus de dois andares que percorre todos os cartões postais em um dia só. É um pecado, porém, limitar-se a simplesmente constatar ao vivo a existência de monumentos que você já conhecia antes de sair de casa.

Quatro dias são o mínimo necessário para você entender o básico de uma grande capital. No terceiro ou quarto dia dá-se o clique: de repente todas as fichas caem e você começa a se localizar. As obrigações turísticas (os lerês) diminuem, e você começa a se sentir um pouco morador. É uma sensação que você só vai entender quando se deixar ficar pelo menos quatro dias numa grande capital.

(Se essa capital se chamar Paris ou Londres, pense em ficar sete dias -- no fim, você ainda vai achar pouco.)

Monte a viagem em módulos

Outono na Provence, Provence

Provence

Um jeito bastante simples de resolver o seu itinerário é dividindo o tempo de viagem em módulos de 5 a 7 dias. Aloque cada módulo a uma metrópole (Lisboa, Roma, Munique) ou a uma região que você queira explorar de carro ou trem (Provence, Andaluzia, Highlands, Toscana). Permaneça na cidade grande por toda a duração do módulo; nas viagens de carro ou trem, tente resolver o roteiro em no máximo duas bases.

Bate-volta: veja mais, canse menos

Pisa

Pisa

A melhor maneira de extrair o máximo das bases que você escolher é o bate-volta. Toda cidade que não justifique um pernoite e que fique a no máximo uma hora e meia de viagem de onde você esteja rende um passeio perfeito. Você não precisa fazer check-out, viaja sem malas (de trem ou de carro) e, ao chegar, aproveita desde o primeiro instante (sem perder o pique com atividades chatas como encontrar o endereço do hotel e fazer check-in). Se você não se exigir demais, ainda volta para o local em que está hospedado com energia para aproveitar a noite. Férias, lembra?

Pit stop: saiba usar

bruxelas

Bruxelas

Trajetos mais longos entre uma base e a próxima -- tanto de carro, quanto de trem -- ficam mais divertidos quando você pode fazer uma parada estratégica no caminho. Por exemplo: Bruxelas entre Paris e Amsterdã; Dresden entre Praga e Berlim; Pompéia entre Roma e a Costa Amalfitana.

Para lançar mão desse recurso, porém, é preciso ter cuidado extra com a bagagem. Estando de carro, pare em estacionamentos vigiados e em hipótese alguma deixe a bagagem à mostra. Em viagens de trem, certifique-se de que a estação do pit-stop dispõe de guarda-volumes. Pesquise na internet: "lockers", "left luggage", "consigna", "consigne" e "deposito bagagli" associado ao nome da estação.

A passagem aérea? NÃO compre ainda!

OK, você já definiu o seu roteiro. Dividiu seus quinze dias em dois módulos de cidades grandes e um de região. Mas ainda falta mais um passo antes de emitir a sua passagem aérea: definir o(s) meio(s) de transporte dentro da Europa.

Avião, trem ou carro?

Cap-Ferrat

Saint-Jean-Cap-Ferrat

O trem é o meio de locomoção europeu por excelência. Para comparar a duração de viagens entre trem e avião, acrescente sempre três horas ao tempo de vôo -- é o mínimo de tempo extra que você leva para ir e voltar do aeroporto, fazer check-in e esperar bagagens.

Mas não use trem (nem carro) para atravessar o continente; para isso existe o avião. Evite também trens noturnos: teoricamente você ganha tempo, mas na prática o que ganha é uma noite mal dormida -- e de quebra ainda fica cansado para aproveitar o dia segiunte.

Carros e cidades grandes não combinam: o GPS ajuda, mas não elimina o stress do trânsito e da busca de estacionamento.

O carro é perfeito para deslocar-se por estradas secundárias, sem horário nem programa rígido; não por coincidência, as regiões mais apropriadas para explorar de carro são aquelas em que o trem não dá conta do recado (Toscana, Provence, Costa Amalfitana, Sicília, Andaluzia, Portugal, Rota Romântica).

Trem: passe ou ponto a ponto?

Roma Termini

Estação Termini, Roma

Passes de trem não valem mais a pena: os dias de uso são limitados e é preciso fazer reserva e pagar suplementos para usar os trens rápidos.

O melhor é fazer os trechos de trem com passagens avulsas, aproveitando tarifas descontadas. Compre diretamente no site da companhia ferroviária do país de origem de cada trecho.

Os únicos passes que continuam um ótimo investimento são os passes nacionais de países que não exigem reservas ou suplementos para uso de seus trens regulares: é o caso da Suíça (Swiss Pass) e da Alemanha (German Pass).

Low cost ou não?

Aeroporto de Barajas, Madri

Aeroporto de Barajas, Madri

Veja bem: aquelas tarifas incríveis de 5 ou 10 euros que fizeram a fama das companhias low-cost da Europa são tão difíceis de conseguir quanto as promoções que as aéreas brasileiras fazem de madrugada. Há muitos custos extras: para despachar a bagagem, para fazer check-in (mesmo pela internet!), para comprar com cartão de crédito, para marcar assento. O limite de bagagem é avarento (entre 10 e 20 kg) e cada quilo de excesso é cobrado (pelo menos 10 euros por quilo de excesso!). O mais comum é que cada trecho, sem multa de excesso de bagagem, saia em torno de 80 euros.

Antes de sair comprando low-cost a torto e a direito, descubra quanto custaria incluir esses trechos na sua passagem aérea Brasil-Europa-Brasil. Pesquise também quanto custa comprar os trechos internos avulsos nos sites das cias. aéreas convencionais. Com antecedência, costumam oferecer tarifas competitivas nas mesmas rotas.

AGORA SIM: compre a passagem aérea

Depois de definir o roteiro e os meios de transporte dentro da Europa, aí sim você está pronto para comprar a passagem aérea mais adequada.

Compre a sua passagem pelo menos até o primeiro destino que você vai efetivamente visitar, voltando do último destino do seu itinerário. Não se prenda aos vôos diretos, nem às companhias aéreas do primeiro ou do último país do seu roteiro. Qualquer aérea pode emitir uma passagem do Brasil a Veneza, com volta ao Brasil desde Praga. O que vai mudar é o aeroporto de conexão.

Definido os pontos de chegada e partida da Europa, orce quanto custa incluir os trechos aéreos internos que você vai precisar fazer entre um módulo e outro do itinerário.

Se cada trecho custar menos de 100 euros (110 dólares), será um bom negócio pela conveniência e pela segurança. (Lembre-se: é difícil conseguir low-costs por menos de 80 euros o trecho, e com as low-costs as conexões não são garantidas e o excesso de bagagem é cruel.)

Passagens multidestinos podem ser compradas com agentes de viagem ou em todos os sites (incluindo aí os das próprias cias. aéreas) que ofereçam a opção "múltiplos destinos" ou "várias cidades".

Quando é melhor fazer as reservas?

Quanto mais cedo você comprar as passagens aéreas, melhores preços deve encontrar (sobretudo se você quiser achar as barbadas das low-costs).

O melhor momento para reservar hotel é exatamente três meses antes da data de hospedagem: é quando as tarifas descontadas aparecem nos sites de reservas de hotéis. Note que os melhores descontos normalmente requerem débito imediato; leia as condições de cancelamento antes de fechar negócio.

Os trechos de trem são lançados nos sistemas das companhias ferroviárias entre 90 e 60 dias antes da data de viagem; as tarifas promocionais aparecem sempre neste momento e esgotam logo.

Dois meses antes de viajar, marque as visitas que podem ser reservadas pela internet: Galleria Uffizi em Florença, Museu do Vaticano, subida à Torre de Pisa, entrada na Alhambra...

Cartão, débito ou dinheiro?

O assunto é muito cabeludo para ser apenas um tópico. É melhor ler o post específico:

ATENÇÃO:

Desculpe, mas não podemos resolver roteiros individuais de viagem. Perguntas sobre roteiros específicos não serão aprovadas. Obrigado.

Leia mais:

2189 comentários

Ana Cláudia
Ana CláudiaPermalinkResponder

Olá VnV!!! Primeiramente, quero parabenizar o site que sempre nos dá dicas muito uteis. Estamos planejando - eu, meu esposo, meu filho (16 anos) e um casal de amigos - uma viagem para Europa em novembro, mas estou preocupada com as temperaturas. Nossa viagem será de 18/11 a 02/12 e tem o seguinte roteiro: Madri (3 dias) - Barcelona (3 dias) - Munique (3 dias) e Paris (4 dias). O clima nestas cidades nessa época é tão frio a ponto de atrapalhar a nossa viagem?

Obrigada!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ana Claudia! Se você não quer passar frio na Europa, viaje entre junho e setembro. Evite agosto, que são férias escolares. Fora desse período, vai fazer frio. Agasalhe-se.

Walkiria
WalkiriaPermalinkResponder

Olá! Fiz a minha primeira e melhor viagem da vida graças a vocês e desde então não sei planejar mais nada sem vir aqui, rs!
Gostaria de uma ajuda: Li muito sobre viajar para a Europa em agosto, muitas filas, calor extremo, etc. Mas o que mais me preocupou foi o fato de que alguns estabelecimentos simplesmente fecham. Isso é real? Se sim, existe algum período do mês melhor? Tipo, primeira ou segunda quinzena? Ou realmente não devo ir? ? A idéia é fazer Londres, Paris e Roma.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Walkiria! Esses estabelecimentos são pequenos restaurantes e pequenas lojas em cidades grandes que dão férias coletivas. Entre esses restaurantes estão os restaurantões estrelados que a gente passa longe. Turista nenhum morre de fome, fique tranqüila.

Fer
FerPermalinkResponder

Oi Walkiria,

Não posso falar de Roma, mas posso de Londres e principalmente de Paris, onde eu moro.

- Londres esvazia um pouco. Os londrinos espalham as férias de verão entre junho-julho-agosto mas com os turistas que chegam meio que se compensa e a cidade fica com ares normais.
- Paris esvazia BASTANTE. Os parisienses sempre tiram férias em algum momento das três primeiras semanas de Agosto. Isso pode ser uma desvantagem (bares vazios, padarias fechadas, restaurantes fechados ou com uma equipe substituta que não cozinha tão bem).

Ewerton
EwertonPermalinkResponder

No último mês de Janeiro, fiz meu planejamento a partir de Londres, e depois sempre de trem, Paris, Bruxelas e Amsterdam. Nas duas primeiras cidades busquei opções de hotéis sempre próximos às estações de metrô, o integrando com o trem, o que me permitiu ir ao estúdio da WB e Eurodisney. Em Bruxelas, fiquei próximo à estação e fiz um bate-volta para Bruges. Saliento que, não aluguei carro, e eventualmente, utilizei o táxi como recurso na chegada a cada cidade ou nos dias em que estávamos cansados de tanto andar de um ponto ao outro.

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Quero montar meu roteiro para a Suica e não sei por onde começar

Fernando Ribeiro

Olá.
Dicas excelentes​.
Itália, Portugal e Espanha são meus próximos destinos..
Vc tem me ajudado muito.
??

Bia
BiaPermalinkResponder

Estou planejando uma viagem para a Europa para abril de 2018 (Franca, Bélgica, Holanda e Itália). Voces acreditam que os preços de um modo geral (passagens, hospedagens etc) já podem sofrer algum aumento por conta da Copa do Mundo (ainda que ela só vá acontecer na Russia e em julho)? O evento deve afetar os preços e o movimento no restante do continente nos meses que o antecedem?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Bia! Não.

Raquel
RaquelPermalinkResponder

Olá!!
Primeiramente gostaria de agradecer imensamente todas as preciosas dicas!!
Estamos planejando uma viagem eu, meu marido e um casal de amigos. O roteiro incluirá Frankfurt, Luxemburgo, Bruxelas e Amsterdã.
Já li muitos posts falando das vantagens de usar trens pela Europa. Minha dúvida é se, financeiramente, levando em consideração que estaremos em 4 adultos, o carro não seria mais compensador. Fazendo uma simulação do aluguel de carro, fica em torno de R$1200 a R$ 1400,00 com quilometragem livre. Será que o trem ainda compensa?!
Super obrigada!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Raquel! Que bom que a gasolina, os pedágios e os estacionamentos vão ser gratuitos! E que vocês vão com tempo suficiente para enfrentar os engarrafamentos de entrada e saída das cidades grandes, encontrar vagas para estacionar e se entender com as regras locais de trânsito de cada lugar, sem voltar para o Brasil cheios de multas para pagar!

Agora, falando sério: não escolha carro ou trem pela economia. Escolha pelo tipo de viagem. Carro é para viagens por regiões delimitadas, que levem a cidades pequenas e rotas panorâmicas. Para andar em auto-estrada e enfrentar perrengue em cidade grande, mesmo se for mais econômico (duvido que será), o carro não valerá a pena.

Marcos
MarcosPermalinkResponder

Sempre uso o VnV como guia para minhas viagens e gostaria de dividir meu roteiro que fiz entre 28/09 e 18/10/17 por algumas cidades da Alemanha e da República Tcheca.
Meu foco principal era conhecer pelo menos duas cidades da rota romântica, fazer um bate-volta a partir de Munique ao monte Zugspitze, ponto mais alto da Alemanha, além das cidades de Praga e Berlin.
Meu roteiro ficou assim:
Dia 1 – Viagem Rio de Janeiro/Paris. Paris/Frankfurt.
Dia 2 – Trem de Frankfurt para Wurzburg. Duas noites em Wurzburg.
Dia 4 – Viagem de Wurzburg a Rothemburg ob der Tauber. Duas noites em Rothenburg.
Dia 6 – Viagem de trem Rothemburg para Nuremberg. Uma noite.
Dia 7 – Viagem de trem Nuremberg / Munique (4 noites). Dois bate-voltas, sendo uma a Garmisch para subir ao monte Zugspitze (segundo dia) e outro bate-volta para Salzburg (terceiro dia).
Dia 11 – Viagem de ônibus para Praga (5 noites). Um bate-volta a Cesky Krunlov.
Dia 16 – Ida de trem de Praga a Berlin. Quatro noites em Berlin.
Dia 20 – Retorno ao Brasil. Berlin / Amsterdan. Amsterdan / Rio de Janeiro.
Pontos fortes da viagem: Praga, subida ao monte Zugspitze, Rothemburg ob der Tauber, Berlin e Cesky Krunlov (nessa ordem).
Todas as passagens de trem, ônibus Munique/Praga, ingressos para museu Pergamon em Berlin e ao balé na Deutsche Oper Berlin, foram comprados pela internet. Não tive nenhum problema. O balé em Berlin valeu cada Euro e olha que eu nunca tinha ido a um espetáculo desse tipo. Minha mulher também gostou muito.
Pontos negativos: Quando cheguei a Frankfurt de avião, deveria ter ficado uma noite na cidade, em vez de ir a Wurzburg no mesmo dia. Eu não tinha comprado passagem antecipada de ônibus Flixbus ou trem para ir a Wurzburg, por não saber ao certo, quanto tempo iria demorar em fazer a imigração e pegar as malas no aeroporto. O aeroporto disponibiliza um ônibus até a Estação Central de trem, passando pela rodoviária que atende aos ônibus da Flixbus. Desci nessa rodoviária e perdi o ônibus da Flixbus por questão de segundos. Esperei por uma hora pelo próximo ônibus. Não há guichê para comprar passagens. Ou se compra antecipado ou direto com o motorista. Quando o ônibus chegou, o motorista informou que não havia lugar. Tive que pegar um táxi até a estação de trem de Frankfurt e de lá, esperar uma hora pelo próximo trem para Wurzburg.
Em Rothenburg ob der Tauber, ao chegar à estação de trem, não havia táxi para levar as pessoas para os hotéis. Ponto de táxi vazio. Todas as pessoas que chegaram de trem como eu, tinham que ir a pé para os seus respectivos hotéis. Por sorte, eram apenas 800 metros de caminhada até meu hotel. Mas com mala, não foi muito legal.
No mais, correu tudo bem. A Alemanha e a República Tcheca foram duas ótimas opções numa mesma viagem.
Espero que o roteiro ajude a outros leitores.
Marcos.

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