Franceses, os piores turistas?

pioresturistas
Um dos vários McDonald's do centro histórico de Roma

A Alessandra me pediu para comentar essa notícia que bombou anteontem por aí, sobre uma pesquisa da Expedia que apontou os franceses como os piores turistas do mundo.

É mais uma daquelas manchetes que todo mundo passa adiante sem se dar ao trabalho de analisar o conteúdo.

Fora de contexto, assim do nada, o que faria alguém ser o “pior turista”?

Na minha cabeça, o pior turista é o mais mal-educado, o que fala alto, o que desrespeita os direitos dos outros, o que estraga os lugares para onde vai.

Só que essa pesquisa não foi feita comigo nem com você nem com turista nenhum. Ela foi feita com funcionários de hotéis. E os funcionários de hotéis classificaram os franceses como os piores turistas do mundo basicamente por dois motivos: porque são os que dão menos gorjeta e não falam inglês.

Dã.

O mais engraçado é que os americanos ganham nota alta no quesito “tentar falar a língua local”. Sei 🙂

Como eu não trabalho em hotel e por isso não espero gorjeta de francês, no que me concerne posso dizer que acho os franceses turistas excelentes. São discretos (ou seja, guardam  a arrogância para si, ao contrário de muitos anglos…), costumam viajar aos lugares certos e, o que é melhor, não desvirtuam os lugares que visitam.

E bom 14 Juillet pra você também.

66 comentários

Eu não gosto destas generalizações… Acho que este tipo de ranking leva ao preconceito, e grande parte da popularidade dos americanos se deve a cultura da gorjeta. Lá a norma e o habito local (que eu repito) é dar 15% da conta, e se o americano repete isto no Brasil, ele vai ser bem popular, pelo menos entre os taxistas e os graçons… Aqui no Brail, por exemplo ninguem dá gorjeta para taxista, salvo situações exepcionais, já nos EUA eu não dei para um malcriado, que ficou ainda mais mal educado….

Riq, que tal um enqete…. Melhores e piores taxis do mundo, boas e más experiencias….

    Também sigo fielmente a prática dos 15% da gorjeta. Depois que uma amiga brasileira que trabalhou por lá me disse que a tip, quando paga no cartão de crédito, nem sempre é repassada pelo estabelecimento aos empregados, passei a pagar a tip por fora, em espécie. Mas detesto essa visão mercantilista americana. Parece que ninguém lá trabalha se não tiver um “por fora” e que tudo é feito no interesse. Além disso, fazer drama dizendo que os empregados dos lugares são remunerados basicamente com a tip é absolutamente injusto. Os empregados trabalham diretamente para o dono do restaurante e só indiretamente para mim. Por que, então, que eu é quem tenho que remunerá-lo? Sem falar que, nos EUA, como o imposto é cobrado por fora (o que acho excelente, porque gera transparência tributária), em um restaurante o preço que você vê no cardápio sempre tem de ser acrescentado de aproximadamente 25% (ou seja, um quarto) a mais por conta da tip e da tax. Com isso aquele ravióli lindo com aquele vinho imperdível deixa de ter um preço aceitável e passa a ser caro.

    Nao existe em lugar nenhum o conceito de trabalhar de graca, todos trabalham porque tem o interesse de no final do mes pagar as contas… a Starbucks recentemente perdeu uma acao na justica e teve que pagar milhoes de dolares aos empregados porque as gorjetas dadas pelos clientes eram compartilhadas com os gerentes das lojas (o que e’ proibido, gorjeta e’ para o barista, o cara que esta fazendo o cafe). Acho dificil um estabelecimento comercial nos EUA nao repassar as gorjetas… A gorjeta e’ a melhor forma para que baristas, garcons, taxistas, etc. facam um bom trabalho para te atender da melhor forma possivel, se fizerem um bom trabalho aqui vai 20%, do contrario 10% da’ um bom recado que o trabalhador precisa se esforcar mais. Quer fugir da gorjeta nos EUA? Peca nos restaurantes a comida para “take out” e coma no parque ou hotel, desta forma voce nao se ve obrigado a pagar a gorjeta e economiza.

    Como disse, sempre pago os 15% nos EUA e 10% em qualquer outro país. Isso, contudo, não me faz achar legal ter sempre de dar gorjeta a todo mundo por qualquer coisa: por exemplo, a um porteiro por simplesmente e sem ser solicitado abrir a porta de um táxi que já estava ali parado para o próximo que aparecesse (gentileza remunerada) ou ao próprio taxista, que já ganhou o que cobrou pela corrida (recebe duas vezes pela mesma coisa). Particularmente eu acho uma inversão de valores. Quem ganha dinheiro com empregados trabalhando corretamente é o dono do estabelecimento. Não reputo justo que ele repasse o custo de seus empregados aos seus clientes. Mas reconheço que o tema é polêmico. Se a gorjeta deixasse de ser cobrada e os estabelecimentos assumissem a remuneração de seus próprios empregados, provavelmente os preços aumentariam e a coisa daria no mesmo (se bem que aí o preço mais elevado já no próprio menu poderia influenciar a decisão dos clientes). Eu vejo com muita nitidez duas situações: a da gorjeta que se dá porque o garçom se destacou, atendeu primorosamente, deu sugestões impagáveis etc. e a da gorjeta que se dá porque ficou estabelecido que todo mundo tem de sempre receber no mínimo 15% mesmo o atendimento tendo sido apenas normal ou básico. Mas vai ver eu provavelmente estou errado.

    Se está errado, PêEsse, então somos dois… Eu concordo com tudinho o que você disse. Também dou as minhas gorjetas direitinho, de acordo com o costume de cada lugar – mas isso não quer dizer que eu concorde…

    Carla, você não tem noção de como é ótimo estar errado em sua agradável companhia.

    Então somos 3, Trabalhou direito dou os 15 ou 20% a que tem direito.
    E não tem choro!!

    Nos EUA as gorjetas variam entre 15% e 20%. E é verdade que os garçons (na maioria estudantes de high school, college ou imigrantes) recebem salário baixo, sim… faz parte do esquema (em geral, US$ 5,00 hora) e vivem das gorgetas. Eu costumo dar 20% porque sou rico.

    Esqueci de comentar uma coisa sobre as gorjetas nos restaurantes aqui dos EUA (como curiosidade, apenas): quando você paga com cartão de crédito, na notinha tem um campo (escrito “Tip”) onde você preenche o valor da gorjeta que você quer dar. Acho que isso é para evitar maracutaia do dono do restarurante com os garçons, acho. 🙄

    Ou talvez porque sobre o valor declinado no campo “tip” não incida a tax. Seja como for, depois do conselho da minha amiga que disse que não recebia a tip inteira, passei a pôr um traço no campo “tip” da nota do cartão de crédito e dar os 15% (não sou rico) em espécie.

    Na Itália uma garçonete brasileira me disse que os donos dos restaurantes de lá são sacanas e muitas vezes não repassam a gorjeta pros garçons. Eu dei a tip direto pra ela (só que foi 20%… porque sou rico) 😀

    Me sinto bem dando uma gorjeta pro trabalhador que merece porque trabalha bem. Me enchi de onda quando um garçom de um La Pasiva de Montevideo me disse: “muy amable, señor”. Não foram 20% nem sou rico, mas me senti rico!

Ué 🙄 Eu sempre ouvi dizer que quem dá menos gorjeta, somos nós, brasileiros!! Tem até aquela história de que a tripulação dos cruzeiros não queria mais vir para o Brasil… Tiveram que incluir a gorjeta na tarifa dos cruzeiros… Imagina como o pessoal dos hotéis fica feliz da vida …

    Aqui estamos tão habituados aos 10% (ou em alguns casos, mais que isso) da taxa de serviço em hoteis e restaurantes que simplesmente não temos o habito.

confirma, tive varias expriencias negativas com turistas, mas tenho um grande chef amigo frances que assumiu ser brasileiro

falando em franceses e turismo, vcs viram q o conselho de paris está fazendo uma campanha pra estimular a população local a sorrir + para o turista? a ideia é, com isso, reverter a queda da receita com turismo na cidade, q teria sido considerada por uma pesquisa (tripadvisor?) como a + supervalorizada da u.e., com custo alto e gente antipática. ñ merece, ñ merece

Sei não… suspeito que isso tem a ver com educação, simplesmente. Sempre aprendi duas coisas básicas: na sua casa, seja educado com as visitas. Na casa dos outros, seja ainda mais educado, pois você é a visita.

Acho difícil imaginar que um francês seja mais educado no exterior, viajando, do que é em casa, recebendo turistas.

Portanto, acho plausível que as pessoas vejam os franceses como maus turistas.

Exatamente! Se atrapalham de graça os iguais, imagina quando se acham no direito por estarem pagando (ou não). Os outros turistas ao menos podem fugir.

Hahaha… Americano “falando a língua local” foi a piada do ano… 😆 (Só se for a língua local do Canadá, da Austrália, da Inglaterra…)

    Falam sim Carlinha 😳
    Todos tem um guia na mão para ler : bom dia, boa tarde, obrigado 😉

    Agora que eu vi, Sylvita, que o item é “tentar falar” a língua local, e não “conseguir falar”… Aí eu até concordo! 😉

    É isso mesmo, Sylvia. Um americano educado, esclarecido, SEMPRE carrega um phrase book com ele, SEMPRE! 😀

    Existem dois tipos de turistas americanos: a tchurma dos arrogantes e que estão sempre falando alto como se fossem os donos do mundo (esses são a minoria), e a tchurma dos educadinhos, boas maneiras e que fazem a lição de casa antes de viajar (esses são a maioria e odeiam e sentem vergonha dos caras da outra tchurma)

    haha Marcie , essa me lembrou um “trapinho” de moleton cinza , sem acabamento nenhum , que estava na vitrine da Osklen por 749 reais 😀 Cheguei a dar marcha ré pra ver se eu não tinha olhado errado …

    Sylvia, lindona, vou dis-concordar de vc!
    Não que eu tenha amado os moletons da Osklen, mas foi genial o que ele fez.
    Além do mais, vc sabe que o tecido é o menor custo da roupa, né?
    Beijos!

Certo, mas tirando a coisas mais sérias como destruição da natureza e do lugar que visitam, os turistas geralmente não atacam os iguais, ou seja, outros turistas. As “vítimas” são geralmente os que estão trabalhando – nos hotéis, nos restaurantes, lojas e etc…E para o pobre que atende, bom cliente sempre será quem paga mais e reclama menos, quem quer saber da opinião do consumidor é o rico dono da empresa.

    Hahaha…. quando reservam as cadeiras da praia com toalha (os alemães são useiros e vezeiros), turista atrapalha turista. Quando se movimentam em grupos de 40 e tomam conta do recinto, turistas atrapalham turistas. Quando são tão numerosos e “alto-falantes” que te dão a impressão de que você está no país deles, e não no país que está visitando, turistas também atrapalham turistas.

    RIQ, concordo plenamente.

    E não sei se os franceses são os piores, mas sei que os brasileiros também aprontam mundo afora.

    Me senti péssimo quando estive em Casapueblo, Punta del Este, em dezembro, e havia lá três ônibus de excursões de brasileiros que simplesmente tumultuaram o lugar.

    Gritos, gargalhadas, crianças correndo, adultos botando a mão nas obras, gente batendo papo sobre futebol e roupas não deixando os outros ver os quadros…realmente, uma total falta de inadequação para um espaço de arte como aquele.

    Mas também tem uma coisa, né? A Casapueblo poderia muito bem coibir esse tipo de comportamento, fixando regras rígidas antes da visita. Mas parece que está mais interessada mesmo em faturar com os tickets e as vendas de suvenires…

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