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Islândia | Dicas para planejar uma viagem redondinha de carro (da Mirna)

sejdisfjordur

A Mirna fez uma viagem incrível de carro durante 15 dias pela Islândia, começando por Keflavik e terminando em Reykjavík, percorrendo a Hringvegur (Estrada 1) em sentido horário. Neste post ela divide com os leitores o mais importante de uma viagem de carro à Islândia: dicas para você planejar sua aventura sobre rodas pela ilha da Björk.

Vai pela Mirna!

Texto e fotos | Mirna A.B.

Se você está planejando uma viagem à Islândia achando que é como planejar uma viagem a qualquer outro país, esqueça! Vá pondo logo na tua cabeça que não se trata de um outro país, mas sim de um outro planeta que caiu no nosso banal planeta. Isto porque a Islândia vai te surpreender tanto que você vai até esquecer que está na Terra.

Mas para chegar lá e curtir tudo o que a Islândia tem para oferecer, você tem que levar em conta desde já que vai enfrentar algumas dificuldades e adversidades com as quais não deparou até hoje (por mais viajado que seja). Refiro-me principalmente às peculiaridades de direção de veículos e ao clima total e absurdamente imprevisível – e o quanto isso pode afetar a tua viagem. Mas não desanime: com um espírito aventureiro e determinado e um bom planejamento, vai valer (muito) a pena!

A melhor (e quase única) forma de conhecer bem a encantada ilha é alugando um carro. Isto porque não há trens e muito embora o transporte rodoviário impere, o transporte público é escasso ou quase inexistente. Há obviamente transporte aéreo e marítimo, mas nenhum deles vai te ajudar a conhecer o país e seus cantinhos secretamente escondidos (e muito menos ajudar a se aproximar das atividades de aventura). Como tudo na Islândia, alugar um carro com tração nas duas rodas é CARO e alugar um 4X4, mais caro ainda, portanto ache logo um bom número de companheiros de viagem para fazer a tua lotação.

Primeiro, algo bem importante: leve uma carteira de habilitação internacional, só a brasileira não vai dar. Aluguei meu carro com a Blue Car Rental.

Escolhendo o carro certo

Tenha em mente que para dar a volta na ilha toda você vai utilizar a rodovia número 1, quase totalmente asfaltada que te levará aos principais atrativos naturais da ilha. Para circular nela, um carro 2WD (tração em 2 rodas) basta. Porém não um carrinho do tipo “mini” que algumas locadoras oferecem a preços mais módicos, pois eles podem ser tombados por rajadas de vento na estrada.

Escolha portanto algo um pouco mais robusto, do tipo Hyundai 2.0, Kia Rio ou Peugeot 308. Quanto à potência do motor, não se preocupe: 1.2 ou 1.4 será suficiente, pois a velocidade máxima permitida nunca será superior a 90 km/h.

Islândia dicas: F Road na islândia

Já se a tua “praia” forem as highlands no centro da ilha – para entrar em crateras de vulcões ou se divertir nos glaciares-, então alugue um 4X4. Para circular pelo centrão da ilha os acessos são todos por estradas tipo “F”, onde só veículos todo-terreno são permitidos — se você pegar uma “F road” com carro 2WD, por exemplo, o seguro automaticamente deixa de te cobrir e as multas são salgadíssimas. Além de, claro, o fato de que em algum ponto você vai literalmente atolar e ter de pagar e rezar muito pra um guincho vir te resgatar.

Rodovia Número 1

Voltando à estrada 1: , ela é asfaltada sim e considerada a melhor do país, mas isso não significa que ofereça pistas duplas ou acostamento e tampouco que prime por sinalização, ok? É uma pista em uma direção e outra logo ao lado na direção contrária. E a maioria das pontes (e há inúmeras que você vai ter que atravessar) têm uma pista ÚNICA, sem semáforo, o que quer dizer que você terá que reduzir a velocidade, olhar com antecedência se tem carro vindo na tua direção e daí decidir se atravessa ou espera que ele passe antes que os dois se “beijem” em cima da ponte. Deu pra sacar o drama? Mas a visibilidade costuma ser boa e há sempre uma área de espera de meia pista logo antes da ponte, então funciona – nada de pânico!

Já a falta de acostamento é um pouco mais grave, pois no caso de perder uma saída (coisa nada rara já que a sinalização é bem precária), você terá que manobrar ou dar ré em plena estrada. Perigoso sim (vi até carros da policia rodoviária fazendo essas barbeiragens), mas realmente não há outro jeito, a não ser que você esteja num 4X4 que te permitirá sair da estrada, entrar no terreno mais do que acidentado e dar meia-volta. Não se aventure em nenhuma hipótese a sair do asfalto se estiver guiando um 2WD, as chances de não conseguir voltar para a pista são enormes! E, quer num 2WD ou 4WD, não supere jamais o limite de velocidade do trecho em que está: ou um radar vai te flagrar ou a polícia rodoviária vai vir atrás e te aplicar uma multa altíssima no ato, sem choro nem vela.

Mas, cá entre nós: com as paisagens tão lindas e vastas que vão decorar o teu percurso de cabo a rabo, correr pra quê? Além do mais, há muitas curvas, aclives, declives e na maior parte do tempo a estrada será só tua: ninguém na frente, ninguém atrás… Você vai se sentir sozinho no mundo e com certeza vai querer curtir totalmente o fato de aquilo tudo estar ali só pra você! É portanto para apreciar sem pressa.

Islândia dicas: berufjordur

Sinalização

Quanto à escassez de sinalização: placas são bem poucas mesmo e geralmente as que existem nem se percebe, pois estão colocadas paralelamente à pista que você está percorrendo, só sendo visíveis, portanto, para quem está nos cruzamentos que desembocam na estrada em que você está.

É, no começo, por causa disso, me perdi um bom bocado dando voltas e mais voltas (afinal que país de primeiro mundo era aquele? Me parecia mais coisa de país subdesenvolvido, isso sim!) mas depois a gente entende a razão, se prepara melhor, vai se acostumando e no final do segundo dia já pega o jeito e fica esperto.

Acontece que os islandeses estão muito bem, obrigado, na ilha deles dessa maneira há séculos e, por mais que não sejam contrários às invasões de turistas estrangeiros que vêm sofrendo na última década, o lema deles parece ser: “por que é que nós temos que nos adequar a um bando de gringos que vêm ao nosso país por um punhado de dias ao ano? Ora bolas: eles é que se adequem a nós!” E estão certíssimos!

Eles são hospitaleiros, mas para isto não têm que se corromper nem abrir mão de seus costumes e de sua forma de ser e fazer. Então os forasteiros é que tratem de alugar um carro com navegador incorporado ou comprem um mapa detalhado e estudem bem o trajeto na véspera. Ou peçam dicas (também na véspera) a algum habitante local, pois na estrada só vão ver cavalos ou ovelhas (encontrar gente pela Islândia é uma tarefa quase impossível, acredite!). GPS levado de casa, nem pensar: o alfabeto tem algumas consoantes exclusivamente islandesas que os GPS normais não conseguem identificar.

Islândia dicas: Ovelhas na Islândia

Combustível

Agora que você já sabe das principais peculiaridades e macetes de como dirigir pela Islândia, é bom saber de antemão que o tanque tem de estar sempre cheio (ou quase) antes de pegar a estrada. Não se arrisque achando que o que tem no tanque será suficiente para alcançar a meta daquele dia ou chegar até o próximo posto, porque nunca se sabe onde estará o próximo posto! A tal estrada 1, que é a principal do país, tem pouquíssimos, as outras secundárias nem se fala, então o jeito é sempre completar o tanque nos povoados ou aldeias que tiverem esse estabelecimento (e nem todos têm).

Por falar em posto, aprenda a calibrar pneus, dar uma lavada no carro e encher o tanque sozinho antes de partir, pois eles não sabem o significado da palavra frentista. Para seu controle, você paga para a própria bomba, nem caixa cobrador tem. Use para isso um cartão de crédito, débito ou pré-pago que tenha chip e insira o teu PIN.

Todas as bombas dão o passo-a-passo para serem operadas, mas você tem que ser extremamente rápido para completá-la, senão o tempo expira e você terá que reiniciar tudo. Cuidado na hora de escolher quanto combustível quer colocar: as opções não são em litros, mas sim em coroas islandesas e não é nada fácil — nem rápido — estimar quanto você precisa em coroas. E nunca, repito, NUNCA, opte pela opção “full tank” que a princípio calcularia por você o quanto colocar, pois há uma “pegadinha”: se você não chegar ao fim da operação porque o tempo expirou, ou a bomba estiver com defeito, ou sem combustível, ou qualquer outra razão que te impeça de colocar algo no tanque, esta opção vai de qualquer jeito reduzir o limite do teu cartão em 25 mil coroas islandesas (ISK) por umas 72 horas ou mais, porque o posto te cobra este valor como uma garantia (caução) que, até ser estornada pra tua conta, pode te deixar em apuros financeiros. E isso a bomba — nem ninguém — te explica. Aconteceu duas vezes comigo e não foi lá muito agradável, só sosseguei depois de ter ligado pro quartel general da bandeira do posto e ser tranquilizada pela responsável do departamento financeiro que o procedimento era este e que o meu dinheiro seria estornado após uns dias. A melhor forma, portanto, de lidar com o abastecimento self-service é comprar de antemão cartões pré-pagos dos próprios postos com valores de 3, 5 e 10 mil coroas. E levar sempre um cartão a mais na bolsa, que pode ser utilíssimo em outro momento (vai por mim!).

Seguro do carro alugado

Quanto aos seguros do carro, é claro que você vai fazer o básico contra danos, terceiros e furto, mas faça também o tal seguro contra amassados e riscos provocados por cascalhos. Mesmo que você não pegue as F roads, é mais do que provável que você pegará outras estradas (fora da 1) que não sejam asfaltadas, ou que tenham buracos, e aí uma chuva de pedrinhas que venha do cruzamento com outros carros, ou até mesmo que o seu próprio carro levante, pode danificar a lataria (e pagar isso do próprio bolso tem um custo absurdamente alto).

Islândia dicas: Draflastadir

Todas as locadoras oferecem e recomendam também um tal seguro contra areia e cinzas (vulcânicas, em caso de circulação em área afetada por alguma erupção), mas além de caro, acho que o melhor negócio é rezar para os vulcões ficarem calminhos, porque se uma catástrofe desse tipo acontecer enquanto estiver por lá, você vai é pensar em salvar a tua pele e não vai dar tanta importância pra o que possa acontecer com o carro, certo?

Clima

Passemos a outro fator da maior relevância para a sua preparação pré-viagem: o clima, ou melhor, as variações totalmente repentinas e imprevisíveis do clima da Islândia. Pois é, não importa se é fim de primavera, alto verão ou começo de outono (não menciono o inverno pois aí a circulação pelo país é dificílima): vai chover, ventar muito, fazer frio e até nevar, independentemente da estação. Com sorte, vai fazer sol também e vai até dar pra tirar o casaco, mas uma coisa é certa — o clima é bem traiçoeiro e vai mudar várias vezes num só dia.

Islândia dicas: Mjoifjordur

Em algum momento você também vai ter pelo menos um par de dias de passeio estragado pelos caprichos climáticos daquela ilha quase polar — e nem sempre vai dar para por em prática um plano B. Isso porque o número de turistas só aumenta de ano em ano, mas a infraestrutura não segue o mesmo ritmo. Ou seja: no período de final de junho até o início de setembro (portanto verão, com maior fluxo de visitantes seja pelas férias dos europeus e norte-americanos, seja pelo clima mais clemente e propício à visitação da ilha), a oferta de acomodação não é suficiente para a procura. Todo mundo já chega lá com o itinerário traçado de acordo com as datas e as reservas feitas com 4 meses de antecedência. Traduzindo, se você tentar modificar o seu trajeto in situ, não só vai perder (=ter que pagar) a pernoite que tinha previsto, mas também não vai achar outra acomodação alternativa, porque estará tudo lotado.

O negócio então é cruzar os dedos, fazer um pacto com Deus, promessa ou o que você preferir mas chegar, simplesmente dar um jeito de chegar na meta de cada dia. Comigo funcionou, mas além de rezar muito na noite anterior, eu também não pegava nunca a estrada sem consultar antes as previsões e alertas meteorológicos oficiais. Na pior da hipóteses, prepare-se psicologicamente para passar a noite no carro, mas preveja a compra de cobertas pesadas e estacione numa zona abrigada, porque o frio noturno é severo (em torno de 5 graus no auge do verão). Levar uma tenda de acampamento poderia até ser outra opção, mas não funciona: à noite pode desabar o maior aguaceiro e você se ensopar até os ossos.

Faça a viagem inteira com o 112, um aplicativo islandês baixado no celular (ótimo!) que pelo GPS ajuda as equipes de resgate a te localizar em caso de catástrofes. Não precisei acioná-los (ufa!) mas é bom saber que alguém virá te salvar em caso de erupções, avalanches ou deslizamento de terra…

Hospedagem

A gama de tipos de hospedagem são as mais variadas e além das guest-houses e B&Bs, não deixe de se hospedar em alguma fazenda de cavalos ou uma em que os proprietários cultivem hortaliças, frutas e verduras em estufas — assim você pode ter um contato de primeiro grau com a economia de subsistência local e receber boas-vindas bem mais calorosas do que em hotéis. Enfim, afie o seu inglês para se comunicar com os islandeses e curta cada instante do sonho que vai viver enquanto estiver por aquelas terras (e que vai perdurar o resto da tua vida!).

Obrigado pelo verdadeiro manual, Mirna!

Leia mais:

48 comentários

Oi, Bóia! Parece que vcs andaram dando uma repaginada no site, né? E percebi que meu relato sobre as 12 atrações desapareceu…enquanto o de dicas práticas aparece duplicado. Bom, é apenas um toque mas me deu pena ver que o melhor ficou de fora. Abraço!

As melhores dicas de viagem que já lí ! Parabéns!!!!
Gostei demais dos detalhes, como a bomba de gasolina. São aspectos importantíssimos de uma viagem e que economizam muita dor de cabeça se já sabemos como funcionam. Essas coisas sim, são dicas de viagem preciosas.
OBRIGADO !

    Oi, Leonardo! Fiquei enaltecida com seus elogios e agradecimentos mas nem era para tanto…afinal, acho que é meio um dever entre os membros da “tribo viajantes” alertarem uns aos outros a partir das experiências que vão colhendo ao longo das trilhas.Pena que nem todos o façam…Na verdade,quero aproveitar a oportunidade para reiterar a importância de não se escolher a opção ¨tanque cheio” nas bombas de gasolina: abri esse argumento no fórum em inglês do tripadvisor e ele rendeu mais de 120 manifestações de viajantes indignados que tiveram a mesma infeliz surpresa ao verificar o extrato do cartão posteriormente.Recebi relatos de gente que não conseguiu concluir o abastecimento pelas mais disparatadas razões (entre elas um desafortunado que encontrou o combustível congelado dentro da mangueira, imagine!).Portanto, por mais que outros minimizem ou nem achem que isso possa ser considerado um “problema”, creio que o alerta deva ser mantido.Outro ponto que gostaria de registrar foi a constatação feita recentemente pelas autoridades rodoviárias islandesas quanto a acidentes envolvendo motoristas estrangeiros no período invernal (em temporada de “caça” às auroras boreais):em forte aumento mas, contrariamente ao que poderia se pensar num primeiro momento (devido à pior condição das estradas pela severidade do clima), a real razão dá-se pela total distração dos condutores que dirigem olhando para o céu atrás das luzes da aurora para alcançá-la, esquecendo-se assim de prestar atenção na estrada…o que acaba provocando os sinistros.Isto está se tornando motivo de muita preocupação por lá, tanto é que nestes períodos eles estão aconselhando os turistas para se juntarem a grupos organizados operados por especialistas locais em vez de se aventurar atrás do fenômeno por iniciativa própria. Fica aqui a dica!

Voltei da viagem onde fui na Islândia, e a viagem de carro foi ótima, mesmo no inverno de janeiro as estradas estavam ótimas.

Vendo os comentários veja a preocupação com CNH, minha dica: tire a PID precisando ou não, pois ela é apenas uma copia da CNH e não precisa fazer praticamente nada para tirar é só pagar o DUDA.
já dirigi em todos os continentes e nunca precisei, mas é bom ter, prevenir é a melhor coisa.
Mirna, estarei indo agora em janeiro para Islândia, pois é a unica época de ver a Aurora, você acha muito complicado dirigir no inverno?
obrigado

Mirna, muito obrigada pelas dicas repassadas no post!
Acabei de fazer minha viagem agora em julho/18 e a Islândia é realmente incrível.
Queria apenas pontuar um aspecto do post com relação à carteira de habilitacão. Aluguei meu carro com a Blue Cars usando apenas minha habilitação do Brasil. Foi tudo bem tranquilo. Acredito que agora eles não estejam mais cobrando a carteira internacional, o que fica mais simples pros brasileiros que pretendem visitar o lugar.

    Oi, Bruna! Só agora vi que me escreveu e fico muito feliz que em algo ajudei a sua viagem. Quanto ao “velho” e recorrente quesito da habilitação, só esclareço que não foi a BlueCarRental que me “exigiu” a internacional, foi o site Brasil-Islândia que diz que ela é obrigatória.E,pasme!,comigo Blue Car deu por suficiente a internacional e nem quis saber da brasileira (coisa que nenhuma locadora europeia do continente aceita!).O que nem eu nem vc pudemos saber (felizmente) é que tipo de problema poderíamos ter tido se fôssemos paradas pela polícia rodoviária islandesa. Suspeito que para eles AMBAS carteiras teriam sido obrigatórias, portanto, tanto vc como eu não teríamos sido consideradas devidamente habilitadas (consequências? não tenho ideia mas multa salgada e não duvido que até apreensão do veículo). Fica a dica então para os futuros motoristas em terras islandesas.Levem as duas! Um abraço.

Olá pessoal,
Acabamos, eu e meu marido, de voltar de uma ”road trip”pela Islândia com direito a bate e volta para a Groelândia. As dicas postadas aqui pela Mirna foram de grande ajuda, contudo gostaria de acrescentar mais algumas:
Escolhendo o carro e a Rodovia N1 : 4X4 versus 2WD. Precisar não precisa mas…
Alugamos (Lagoon car rental, carro novíssimo) um 4X4 e, apesar de não termos nos aventurado nas F roads, muitas vezes agradecemos ter gasto um pouco mais no aluguel e ter a segurança do carro não patinar no cascalho e nem derrapar em nenhuma curva. Praticamente só a N1 é asfaltada e mesmo assim tem trechos de cascalho. Também o acostamento é inexistente e se você precisar parar e sair da pista pode ser muito complicado voltar para a estrada. As estradas secundárias são ainda mais estreitas e tem, por vezes, muitas curvas na beira de precipícios sem nenhuma proteção. Meu marido, muito acostumado a dirigir em estradas difíceis (décadas de 60/70 no Norte do PR e no MT), chegou a sentir “frio na barriga” dirigindo em curvas na beira de despenhadeiros.
Diferentemente da Nova Zelândia e da Escócia onde, nas pontes de mão única, sempre havia um recuo para quem tem visibilidade total da ponte parar, o mesmo não ocorre na Islândia. Algumas pontes não tem esse recuo. Assim, muitas vezes, ao cruzar uma ponte tivemos de torcer para não dar de cara com outro carro no meio da mesma.
Viajamos no verão e nesta época as ovelhas estão soltas, pastando livremente e, por vezes, elas atravessam ou andam pela pista despreocupadamente. Muito cuidado para não atropelar nenhuma.
Não subestime as distâncias. Programar mais do que 250 km por dia pode ser extremamente cansativo por causa das condições das estradas e também porque sempre você vai querer parar para tirar fotos.
Sinalização:
Seguimos as dicas encontradas no VnV, compramos chip de dados e um mapa da Islândia no aeroporto. Com WAZE e o mapa chegamos tranquilamente em todos os lugares que planejamos.
Combustível:
Muito importante seguir a recomendação da Mirna: complete o tanque sempre que for possível. Postos de combustíveis são raros, podem não ter combustível (aconteceu uma vez) ou pode acontecer (como aconteceu conosco) de todos os cartões de crédito (3!) serem recusados. Usamos sempre a opção “full tank” nos postos de bandeira N1 (são os que têm esta opção) e o único cuidado que tivemos (baseados nas dicas da Mirna) foi abrir a tampa do tanque de combustível em primeiro lugar e assim, não tivemos nenhum problema com o bloqueio de valores no cartão de crédito.
Seguro do carro:
Diferentemente da Mirna fizemos também o seguro contra cinzas vulcânicas. Em 2013, na Sicília, um “suspiro”do Etna lançou cinzas e pedrinhas vulcânicas sobre Taormina e o carro alugado foi danificado. Por sorte, tínhamos feito o seguro também contra cinzas vulcânicas. Não sei se é bom arriscar em um lugar com tantos vulcões ativos.
Clima:
Viajamos no pico da alta temporada. O clima esteve ótimo, com Sol e temperatura por volta de 10 graus e chegando até os inacreditáveis 18 graus. Em compensação, muitos turistas principalmente nas proximidades de Reykjavik.
Hospedagem:
Se for viajar na alta temporada, reserve com antecedência de 4, 6 meses ou até mais para lugares mais específicos. Nos lugares menores há poucas opções e menos ainda com banheiro privativo e preço mais camarada (tudo é caro!). Reservamos tudo pelo Booking. Ficamos em B&B e em um pequeno hotel (Hotel Framnes em Grundarjfordur) e no Hotel Aurora Star ao lado do aeroporto em Keflavik. Em alguns o banheiro era compartilhado e em outros era privativo. Todas as acomodações estavam muito limpas e com atendimento muito atencioso. Com uma exceção, Mörk Homestay em Hvammstangi (chalé) e do Hotel Aurora Star (com elevador) o acesso ao quarto era por escadas estreitas e extremamente íngremes. Assim, se tiver mobilidade reduzida ou estiver viajando com malas pesadas verifique bem o acesso antes de efetivar a reserva.
Uma dificuldade que tivemos foi com a lavagem de roupas. Em alguns lugares nenhuma opção e em outros difíceis de encontrar. Faça como com o combustível: encontrou, aproveita e lava suas roupas.
Alimentação:
Em poucos lugares do mundo comemos tão bem, mesmos em restaurantes aparentemente turísticos. Os peixes, frutos do mar e cordeiro foram sempre muitos bons. E aproveite a agua (a gelada) das torneiras que é considerada uma das melhores do mundo, motivo de orgulho para os islandeses.
Comprinhas:
Infinitas opções de casacos de tricô, mas sempre muito caros (acima de 200 euros). Sobram as meias, as luvas (por volta de 15 euros), sais aromatizados e sabonetes artesanais (por volta de 8 euros). Em Reykjavik e Vik existem lojas tax free e ainda sobra o Duty free do aeroporto.
Passeios:
Praticamente todas as atrações turísticas são grátis. Na realidade, a natureza ao seu redor é a principal atração do país. Mesmo conhecendo a Nova Zelândia, Escócia e Noruega ficamos boquiabertos com a grandiosidade da Islândia. Pagamos só o estacionamento no Parque Nacional Pingvellir (não lembro o valor) e o uso do banheiro neste mesmo parque (200 coroas). Fizemos treking no glaciar de Vatnajökull, com a Glacier Adventure (15500 coroas) e o passeio de bote zodíaco na lagoa Jökulsárlón com a Glacier Lagoon (8500 coroas). Super recomendamos os dois.
Não tivemos tempo de fazer o passeio dentro do vulcão porque optamos por passar o fim de semana em Ilulissat, Groelândia.
Quanto aos papagaios do mar, seguimos a dica da proprietária da Skyrhúsid Guest House, em Hali, onde pernoitamos. Segundo ela o melhor lugar para avistá-los seria em Borgarfjördur. Realmente, em um penhasco a beira mar, havia centenas deles. No local, há alguns mirantes com escadas e é possível chegar bem próximos a eles. Mas é muito longe e a estrada bem precária.
Quanto a Blue Lagoon: correto, é programa super turístico como é passear de gondola em Veneza ou subir na Torre Eifel. Mas, a infraestrutura é perfeita: restaurante, lanchonete, loja de souvenirs, guarda volumes, guarda malas, chuveiros, sabonete líquido, condicionador, secadores de cabelo, limpeza total. O local é lindo e a agua não tem cheiro de enxofre tão forte como em outros lugares.
Dinheiro:
Cartão de crédito (com PIN) é aceito em todos os lugares e é essencial para abastecer o carro. Dinheiro em espécie só para pagar o táxi entre o B&B e o aeroporto. Muitas lojas em Reykjavik e arredores aceitam euros devolvendo o troco em coroas islandesas. Foi o único lugar do mundo de onde voltamos sem nenhuma moeda. A recepcionista do Hotel Aurora Star (onde dormimos nossa última noite) aceitou todas as moedas e notas que tínhamos como parte do pagamento complementando o restante do valor no cartão de crédito.

Mirna, somente hoje achei sua resposta relendo seu relato. Tudo bem. Gosto do nome Marina. Só fiquei um pouco perdida. Está chegando a hora. Na px semana viajo para a Áustria para visitar minha filha e em 30/09, lá vamos nós. Fiz o planejamento através da Islândia Brasil. Escolhi o carro tipo Fiesta. Relendo me pareceu q talvez me seja dado um carro muito pequeno para ser seguro em meio à ventania islandesa. Adorei saber da possibilidade de comprar o cartão para combustível pois com as enormes incertezas econômicas que estamos passando, quanto menor a dependência de um câmbio futuro , melhor. Obrigada por partilhar sua viagem e, sobretudo, de forma tão prática.
Eliana

    Eliana, ola. Veja bem: o automóvel tipo Fiesta não será pequeno demais, tem robustez suficiente para pegar a rodovia 1 e as secundárias ( apenas impróprio para F roads,ok?)
    Já no que diz respeito ao cartão pré -pago de combustível, vc só vai conseguir adquiri-lo quando chegar na Islândia, portanto estará sujeita ao câmbio daquela data ( de setembro portanto no seu caso). Leia o novo post que escrevi sobre os 12 lugares imperdíveis para visitar por lá, realmente todos valem muito a pena.Espero que vc consiga conferir a maior parte deles. Super boa viagem e prepare-se para o frio, abs

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