Nova York: um pulinho na Chinatown de Flushing

Manhattan a Flushing pela linha 7

Faz muito tempo que ouço falar de Flushing, um bairro em Queens que é freqüentemente descrito como a Chinatown mais próspera de Nova York. É um lugar bastante indicado por repórteres descoladinhos e críticos gastronômicos para experimentar comida chinesa autêntica e limpinha. Eu já tinha feito até uma charada da 6a. sobre o lugar, mas nunca tinha ido. Então nesta passagem por Nova York resolvi programar um pulinho lá para preencher o quesito passeio exótico da vez. Vem comigo?

Linha 7, trem localManhattan-Flushing, trem expresso

Chegar é bico. Você desce na megaestaçãozona de Times Square e pega a linha 7. Ao chegar à plataforma, pode ser que você encontre dois trens prontos para partir. Saiba a diferença: o trem que tem o círculo verde é local e pára em todas as estações (tempo de viagem total: pouco mais 40 minutos); o trem com o losango vermelho é expresso, e passa batido por várias pelo caminho (tempo de viagem: pouco menos de 30 minutos). Na volta, porém, é possível que só haja trens locais (os expressos só partem de manhã cedo).

De Manhattan a Flushing

O público do trem é composto basicamente por imigrantes de uns 142 países diferentes. Não é por acaso que a linha 7 do metrô tem o apelido “International Express”. Cada parada deixa você numa comunidade diferente (curioso? Este post do About.com diz o que encontrar a cada estação — cortesia da DaniG).

Flushing, Queens

Você vai descer no fim da linha. Emergindo do metrô você vai dar num cruzamento que poderia estar em Taipé. (A grande colônia local é de Taiwan.) Procure a Prince St., que é a paralela de trás da Main St. Essa é a rua dos bons restaurantes de Flushing.

Prince St., Flushing

Pesquisei na New York Magazine e peguei carona num dos “critic’s picks”, o Spicy & Tasty. Escolhi esse por ser especializado na cozinha da província de Sichuan, que não é representada no Brasil e se caracteriza por pratos apimentados. (Sim, eu sou desses tipinhos.) Minha segunda opção era o Sentosa, de comida malaia. Os restaurantes não costumam fechar entre o almoço e jantar, o que veio bem a calhar, já que eu só consegui sair do hotel (lerê lerê lerê) às duas e meia da tarde.

Spice & Tasty, FlushingSentosa, Flushing

Você chega e eles já te trazem chá, que é o que os chineses bebem às refeições. A garçonete que nos atendeu não entendia nada de inglês (nem mesmo “bier”). Tínhamos que apontar o número do prato no cardápio.

O cardápio é extenso e tem várias coisas potencialmente nojentas, que eu pediria na boa se estivesse acompanhado por outro onívoro como eu (não é o caso do Nick). Então fui de wontons (raviolinhos em forma de flor), “dumplings” (raviolões em forma de gyoza, mas sem aquela grelhadinha final), um pato com pimentão e soja e um arroz frito.

Chá no Spice & TastyPato ensopado no Spíce & Tasty

O pato apareceu ensopado à passarinho (eu adorei, o Nick não se animou a provar…) e os wontons e dumplings vieram com um molho vermelho fluido e delicioso (muito alho e pimenta). Ei, não foi só a pimenta que eu apreciei: eu adorei o fato da cozinha de Sichuan não usar aquele molho gosmento bege-baba tão presente na cozinha chinesa, #prontodissetudo.

Wontons, Spice & Tasty

Djilícia. Com duas Heinekens, a conta foi a US$ 42. Não precisávamos ter pedido o arroz, e o pato acabou sobrando por falta de cooperação à mesa 😀

Spice & Tasty: a conta

Comi tanto que à saída esqueci da segunda parte do programa, que era tomar um bubble tea (chá gelado com bolinhas de sagu que você sorve por um canudinho grosso), que é, digamos assim, o refrigerante oficial de Taiwan. (Já provei em São Paulo, na padaria Itiriki, na Liberdade.) Caso você se lembre dessa parte, um dos lugares recomendados é o Sago, na esquina da Main St com a rua 39.

Se eu gostei do programa? No fim das contas, é apenas uma maneira bem complicada de sair para almoçar num restaurante chinês. Mas a sensação de sair da redoma e ir a um lugar onde você não é esperado dá um colorido especial à aventura.

Flushing, Queens

Gostei. Na próxima viagem vou experimentar Astoria, a capital gastronômica multiétnica de Queens.

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17 comentários

Pessoal, alguém já visitou a casa do Louis Armstrong em Corona? Vale a pena? As imediações são tranquilas?

Oi Bóia,
Li aqui algo que eu procurava a um tempão: como identificar se o trem do metro (sic) é local ou expresso.
Pelo contido aí acima, “o trem que tem o círculo verde é local” e “o trem com o losango vermelho é expresso”.
Então é essa a forma de identificar se é expresso ou local? Tem outra?
E sabendo se é local ou expresso, como identificar qual a estação que o trem
expresso irá parar?

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