Vale a pena fugir da Copa? 1

Vale a pena fugir da Copa?

Fonte Nova, Salvador

Originalmente publicado em minha coluna Turista Profissional, que sai toda 3a. no suplemento Viagem do Estadão.

Se você pesquisar hoje passagens para Europa e Estados Unidos para a época da Copa, vai achar tarifas entre US$ 1.500 e US$ 1.800 para junho e em torno de US$ 2.000 para julho. Os preços de julho estão normais para a época, que é alta temporada; os de junho, mais caros que o habitual, mas (ainda) não atingiram um patamar exorbitante.

Muita gente com quem converso fala em aproveitar este mês, que será devagar no trabalho e conturbado nas ruas, para escapar do Brasil. Se você quiser minha opinião, eu dou: eu não faria isso, não.

Você precisa ser muito desencanado com futebol e com Copa para não sentir os efeitos de estar longe do Brasil durante um Mundial. Assistir aos jogos do Brasil – e dos adversários – acaba criando perrengues logísticos e atrapalhando sua programação. Já viajei durante uma Copa (a de 98) e acabei assistindo a jogos do Brasil em bares lotados pela torcida adversária. Parece divertido, mas naquele momento tudo o que eu mais queria era ouvir a narração do Galvão Bueno (para você ter uma noção do nível de angústia).

Normalmente você já dividiria o foco entre o que está visitando e o que está acontecendo na Copa. Em 2014, com a Copa sendo jogada em casa, vai ser impossível se desligar, por mais longe que você esteja.

E vem cá: você tem certeza, mas certeza mesmo, de que não quer estar aqui quando o circo se instalar? Para o bem ou para o mal, serão 30 dias absolutamente inesquecíveis.

Se tudo der certo, vai ser um carnaval fora de época, com gringos animados nas ruas das cidades-sede, vários feriados no trabalho e uma batelada de histórias para acompanhar no noticiário e nas mídias sociais.

Caso dê tudo errado, e a Copa vire um mês de manifestações de rua travando as cidades, ainda assim terá valido a pena ficar. (Pela TV tudo é muito mais dramático, e você ficará preocupado com todos os que deixou no Brasil; um caos por aqui não deixará de atrapalhar a sua viagem.)

Eu não descartaria a hipótese de viajar… pelo Brasil, mesmo. Acredito que, para a maioria dos destinos brasileiros, a Copa vai ser parecida com o Réveillon do Milênio, que encalhou pelos preços exorbitantes. Eu não me surpreenderia se, lá por abril, começassem a aparecer passagens, hospedagem e pacotes em conta para lugares do Brasil que não sejam sedes da Copa.

Eu sempre digo que não existe lugar melhor do que o Brasil para se estar durante uma Copa do Mundo. Não vai ser diferente justo quando a Copa vem ao Brasil.

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6 comentários

Ricardo. Moramos em Salvador-Ba. Eu, mulher e dois filhos(14 e 20 anos) estamos de férias em junho. Passamos a copa de 2010 no roteiro Rio/Sampa. Uma experiência mais ou menos divertida. Agora gostaríamos de passar num roteiro cultural, gastronômico e divertido diferente como Argentina e Uruguai, juntos. Temos um orçamento limitado e gostaríamos de viajar por no máximo 15 dias. O que você recomenda? E qual o custo aproximado? Somos seus ouvintes na Band News – Axé! Roberto, Naiara, Gabriel e Luis Felipe.

Para mim, que me enquadro na categoria totalmente desencanado com futebol (na verdade não suporto época de Copa), serão 30 dias, no mínino, aproveitando o Velho Mundo!
Já fazendo roteiros!!!!

Descordo. Eu não ligo nem um pouco pra futebol e acho brilhante a idéia de sair do Brasil para deixar lugar para quem quer participar desse evento. Momento histórico ou não, tem muita gente por aqui que não respira futebol e que não precisa passar pelos transtornos que a falta de estrutura do Brasil irá causar. Acho que o governo deveria incentivar quem não gosta a viajar nessa época. Seria uma forma de solucionar o problema da mobilidade urbana.

Verdade, Ricardo. Por mais que eu não seja grande fã de futebol, já estou planejando logisticamente minha ida ao Brasil para a copa. Caos no trânsito, nas ruas, tem todos os dias, mas esse caos vai ser um caos especial. Vale a pena ficar – ou ir – pra ver e vivenciar o ânimo de uma copa do mundo em casa. Outro desses, só daqui a 50 anos…

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