Museu do Amanhã: visite sem pressa

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Museu do Amanhã: dicas para visitar

Novo cartão-postal de uma cidade que já tem o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o morro Dois Irmãos e o calçadão de Copacabana, o Museu do Amanhã manteve uma fila constante de duas horas à porta, até começar a vender ingressos online. Veja o que você precisa saber sobre o Museu do Amanhã: dicas para visitar por fora e por dentro.

O Museu do Amanhã, do lado de fora

Museu do Amanhã: dicas para visitar

Antes de mais nada, o Museu do Amanhã funciona como um monumento. É o ponto focal da nova Praça Mauá, que passou décadas escondida atrás do viaduto da Perimetral, demolido em abril de 2014. Custou 300 milhões de reais, bancados pela Prefeitura do Rio (por meio da venda de permissões de construção) em parceria com a Fundação Roberto Marinho e patrocínio-master do Banco Santander.

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A revitalização da zona portuária carioca ainda não acabou. Falta terminar a obra do VLT -- o bonde moderno que fará a ligação entre a rodoviária, a zona portuária, a estação das barcas para Niterói, o metrô e o aeroporto Santos Dumont, e que deve estar em funcionamento já nos Jogos Olímpicos. Ainda dentro do projeto Porto Maravilha, a zona portuária vai ganhar o AquaRio, um super-aquário que também vai funcionar como ímã de visitantes para a região.

Museu do Amanhã: dicas para visitar

No entanto, o canto da praça -- na verdade, um trampolim para a baía -- ocupado pelo Museu do Amanhã está fora do canteiro de obras. A grama ainda não vingou nos canteiros laterais, mas o mais novo objeto terrestre não-identificado do arquiteto valenciano Santiago Calatrava pode ser plenamente admirado de todos os ângulos. O melhor deles? O terraço do museu vizinho, o M.A.R., faz as vezes de camarote para você fazer seu próprio cartão postal, com direito à legenda #cidadeolimpica (o primeiro letreiro com hashtag de que tenho notícia).

Museu do Amanhã: dicas para visitar

Todo dia é dia para visitar o museu por fora e ter um prévia do que será o Porto Maravilha. Se não quiser enfrentar a fila, sugerimos 5 passeios que podem ser feitos a partir dali (quando publicamos o post, o foco era o M.A.R.).

Museu do Amanhã: a fila

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As duas primeiras vezes em que tentei ir ao Museu, desisti. A previsão de permanência na fila era de duas a três horas. O calor do verão do Rio de Janeiro não é exatamente convidativo. Nas duas vezes, resolvi deixar para depois. (Fiz a minha visita agendando a entrada como imprensa.)

Mas há quem pegue fila mais curta: um amigo meu do Twitter chegou às 11h45 num domingo e conseguiu entrar às 13h.

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Pessoas portadoras de deficiência, visitantes maiores de 60 anos e grávidas têm direito a fila preferencial (e a levar um acompanhante para furar a fila junto). Crianças até 6 anos também entram pela fila prioritária (acompanhadas de até dois adultos).

O museu abre de 3ª a domingo das 12h às 19h (a partir de 23 de fevereiro, deve voltar ao seu horário original, das 10h às 17h). Para ficar menos tempo na fila, a melhor estratégia é chegar uma hora antes da abertura (leve água e barrinhas de cereal, não há ambulantes na praça, só food trucks longe da fila). 3ª feira é o dia mais cheio, porque a visitação é gratuita. O acesso de novos visitantes ao fim da fila pode ser encerrado a partir do meio da tarde, para garantir que todos os que já estejam na fila consigam entrar no museu.

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O ingresso não é caro: R$ 10 inteira, R$ 5 meia. O Museu do Amanhã e vizinho M.A.R. têm também o Bilhete Único dos Museus (R$ 16 inteira, R$ 8 meia), que dá direito a visitar os dois museus vizinhos.

O Museu do Amanhã, por dentro

Museu do Amanhã: dicas para visitar

Por dentro, o Museu do Amanhã é uma mega-instalação sobre a trajetória do planeta. À diferença de um museu de arte, o acervo aqui é de informações. A arte está na maneira em que essas informações são dispostas e oferecidas ao visitante.

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A exposição funciona meio como um game em 3D, em que você usa as próprias pernas para passar de uma fase à seguinte. Em todas as fases você é levado a interagir, explorar caminhos, descobrir segredos, responder quizzes, acumular conhecimentos e habilidades que serão úteis na próxima.

Museu do Amanhã: dicas para visitar

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Em cada sala (perdão: em cada globo, cubo, pirâmide) você se vê encapsulado por uma torrente de informações. Quase todas as superfícies funcionam como telas, sempre ligadas, enviando notificações sem parar. O que você lê ao passar por um determinado lugar às 14h será diferente do que lerá alguém que passe 10 minutos depois.

Museu do Amanhã: dicas para visitar

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Você decide quando quer passar de uma fase à próxima. Caso queira ter alguma noção da sua trajetória pelo museu, use o cartão do ingresso para se registrar numa das mesas interativas. Você saberá o que viu, o que falta ver e o que vai deixar para uma próxima visita.

A primeira fase, Cosmos, responde à pergunta "Como chegamos aqui?" e resume a história do universo, do Big Bang ao florescimento do pensamento humano.

A segunda fase, Terra, responde à pergunta "Quem somos?" e é dividida em três módulos -- Matéria, Vida e Pensamento.

Museu do Amanhã: dicas para visitar

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A terceira fase, Antropoceno ("Era dos Humanos"), explora a pergunta: "Onde estamos?".

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A quarta fase, Amanhãs, tenta encontrar respostas para a questão "Para onde vamos?".

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Finalmente, na quinta fase, Nós, somos provocados a refletir sobre o legado que deixaremos a quem vier depois de nós.

Ao longo de todas essas fases, todo o conteúdo é integralmente apresentado em português, espanhol e inglês (algo que, no Brasil, é absolutamente espantoso).

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Os caçadores de obras de arte dentro de um museu de ciências terão três momentos de contemplação: o globo de Cosmos, onde é feita uma projeção em 360º do filme sobre a formação do universo, produzido pela O2; a escultura cinética (dois panos que dançam no ar) de Daniel Wurzel, no cubo Matéria; e o churinga, peça aborígene que simboliza a transmissão de conhecimento entre gerações, dentro da oca-casulo de Nós. (Do lado de fora, uma escultura de Frank Stella adorna o espelho d'água.)

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Depois de percorrer a exposição principal, que ocupa todo o segundo andar, não deixe de procurar, no térreo, a exposição temporária Perimetral, instalação de Vik Muniz e Andrucha Waddington que põe o visitante no meio da implosão da funesta Perimetral, derrubada em 2014. (No fim das contas, não deixa de se relacionar com a exposição do andar de cima, já que documenta o ~Big Bang~ do Porto Maravilha.)

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O térreo ainda abriga o Laboratório de Atividades do Amanhã, um espaço para experiências e workshops.

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No momento, estão em cartaz uma oficina de fabricação de cerveja de código aberto e outra de criação de luminárias, comandadas pelo coletivo dinamarquês Superflex, que questiona propriedade intelectual.

Vale a pena visitar agora?

Museu do Amanhã: dicas para visitar

Agora que o museu começou a vender ingressos com hora marcada, a visita ficou mais bacana. Sem perder tempo na fila, você entra no museu com toda a disposição necessária para absorver as informações do percurso. A fila da primeira atração ("Cosmos"), que dificilmente levará menos do que meia hora, nem vai ser sentida.

O programa só vai ficar melhor quando iniciar o programa de visitas guiadas, que está previsto mas ainda não foi implanado. Num museu com yottabytes de conteúdo como o Museu do Amanhã, uma boa visita monitorada deve fazer a maior diferença.

Se bem que, se você puder esperar até a Olímpiada, vai chegar com o civilizadíssmo bonde VLT -- em vez de descer no burburinho da estação Uruguaiana e caminhar pelo menos 10 minutos, você vai poder descer na estação Carioca e prosseguir confortavelmente de bonde.

Enquanto não há visita guiada, este excelente post da Nathália Molina e do Fernando Victorino no Como Viaja prepara você para fazer todas as suas descobertas.

Museu do Amanhã

  • Praça Mauá, Rio. Metrô mais próximo: Uruguaiana (linhas 1 e 2)
  • Abre de 3ª a domingo das 10h às 18h (a bilheteria fecha às 17h)
  • Ingressos: R$ 10 inteira, R$ 5 inteira. Grátis às 3ªs. Têm direito à meia-entrada: naturais e moradores do Rio de Janeiro; pessoas até 21 anos; pessoas com deficiência; clientes Santander
  • Bilhete Único dos Museus (Museu do Amanhã + M.A.R.): R$ 16 inteira, R$ 8 meia
  • Site oficial: aqui

Leia mais:

15 comentários

Márcia
MárciaPermalinkResponder

Trabalho muito próximo do Museu do Amanhã e recomendo, para quem poderá voltar em qualquer outra ocasião, que não enfrente filas agora. Acredito, que da mesma forma que o M.A.R , que é vizinho ao Museu do Amanha, em poucas semanas estará vazio. Aconteceu o mesmo com o M.A.R.. Inicialmente as filas eram enormes e agora, toda vez que passo na porta, observo que está super vazio. É apenas empolgação com a novidade.

Ricardo Freire

Márcia, em algum momento o frenesi da novidade deve passar e a fila não será mais deste tamanho nem tão permanente -- mas entendo que os dois museus são de natureza bem diferente. O edifício e o assunto do Museu do Amanhã exercem apelo de massa, enquanto o M.A.R. é mais discreto e 'difícil'. Vejo o Museu do Amanhã não como um simples museu, mas como uma atração a ser 'ticada' pelo visitante, que vai ficar abaixo apenas do Cristo e do Pão de Açúcar na lista de 'must-sees' do Rio.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Impressão minha ou o museu é espetacular? Que incrível pareceu!

Damares Lombardo

Riq, a maneira com que você descreveu o museu vai deixar muita gente com vontade de ir visita-lo logo logo. Adorei essa parte: Finalmente, na quinta fase, Nós, somos provocados a refletir sobre o legado que deixaremos a quem vier depois de nós. Já coloquei na lista do que visitar quando eu voltar ao Rio.

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Vou ao Rio no segundo semestre com gringos. Há versões em inglês das atrações? Você acha que dá para ser entendido por não falantes de português?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Jurema! Todo o conteúdo do Museu do Amanhã é apresentado em três idiomas: português, espanhol e inglês. O conteúdo é exatamente o mesmo.

(Aproveitamos para incluir a informação no texto, sua pergunta foi muito útil. Obrigada!)

Paulo Torres
Paulo TorresPermalinkResponder

Tem uma outra forma de chegar à Praça Mauá: as bicicletas "laranjinhas" do Bike Rio. Tem uma estação bem ali na praça.

Eu estava hospedado próximo ao Aeroporto Santos Dumont, e num feriado gastei quinze minutos na viagem. (Em dias úteis, o trânsito pesado da região pode ser impeditivo para quem não estiver habituado.)

Eliane
ElianePermalinkResponder

Vou ao Rio durante o Carnaval (05 a 10 fev) e estava super empolgada em visitá-lo mas...lamentavelmente, em seu site, o Museu informa que não estará funcionando nessas datas...Uma pena para as pessoas que, como eu, tem poucas oportunidades de visitar a Cidade Maravilhosa...

Fabiola
FabiolaPermalinkResponder

Eliane, fiquei tão chocada que fui confirmar no site. Realmente, o Museu fechará entre 06 a 10 de fevereiro, exatamente no feriado que o Rio recebe tantos turistas!! Absurdo e lamentável.

Sonia
SoniaPermalinkResponder

Estou babando nessas fotos e tô morrendo de vontade de conhecer, mas acho que as filas de SP chegaram no Rio de Janeiro. Melhor esperar um pouquinho.

Fabiola
FabiolaPermalinkResponder

E apenas dois dias depois do post do Riq, é publicada uma notícia "padrão Brasil" na Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/02/1736333-museu-do-amanha-apresenta-avarias-40-dias-depois-de-sua-inauguracao.shtml?cmpid=newsfolha

Nathalia Molina

Riq, ficamos muito felizes pelo teu elogio e por você recomendar a leitura do nosso post no Como Viaja! Nossa ideia foi mesmo detalhar bem, para ajudar quem visita o museu.
E concordamos com você: o Amanhã é uma atração que tem tudo para ficar ali na lista de imperdíveis no Rio, com Cristo Redentor e Pão-de-Açúcar.
Beijo, obrigada!

Renato
RenatoPermalinkResponder

O Museu do Amanhã é uma importante aquisição para a Cidade do Rio de Janeiro. Uma pena que o Prefeito tenha derrubado a Perimetral, uma das mais importantes obras da Cidade Maravilhosa, porque achava a obra feia.Feio para os turistas nos navios? Felizmente ele ainda não teve a idéia de derrubar o Viaduto das Bandeiras entre São Conrado e Barra. Será que o outro Prefeiti vai fazer essa barbaridade tambem usando o argumento que é feio?
O belissimo Museu do Amanhã, poderia tranquilamente conviver com a Perimetral.
Vida longa para essa obra inovadora...

Fabiola
FabiolaPermalinkResponder

Verdade. O acesso ao aeroporto Galeão ficou bem mais complicado, porque quando há engarrafamentos, temos menos opções para chegar lá.

Adelaide Veiga

A derrubada da Perimetral valorizou a área central e portuária do Rio. Arejou a Praça XV, expôs os seus monumentos como o chafariz do Valentin, o Paço Imperial, Arco dos Teles e outros. Abriu espaço para o pedestre tendência mundial de humanização dos espaços urbanos.

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