Primeira viagem ao Peru: Lima, Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu (roteiro para 9 noites)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Primeira viagem ao Peru: hotel Unaytambo, Cusco

Pertinho e relativamente em conta, o Peru é o destino da vez. Num só lugar, você encontra resquícios da civilização mais antiga da América do Sul e uma coleção de relíquias coloniais espanholas, enquanto se delicia com a culinária mais badalada do momento. Neste post eu destrincho um roteiro prático para uma primeira viagem ao Peru: 9 noites entre Lima, Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu.

Recomendo que você leia o post inteiro. Mas se preferir, clique para ir direto ao tópico:

Primeira viagem ao Peru

Por que 9 noites? Não dá para ser menos?

Primeira viagem ao Peru: Lima

Lima

9 noites de viagem ao Peru permitem rentabilizar ao máximo uma semana de férias -- saindo na sexta e voltando no outro domingo. Com oito dias inteiros (já que o primeiro vai ser consumido na viagem de ida), dá para visitar com bastante proveito Lima, Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu, num roteiro intenso mas sem correria.

Quer incluir outras escalas?

Caso você queira fazer o circuito completo do sul do Peru nesta viagem, acrescente 3 noites em Ica (uma tarde para Huacachina, 1 dia para tour de pisco, 1 dia para Islas Ballestras), 1 noite em Nasca (para sobrevoar as linhas de Nasca na manhã seguinte), 2 noites em Arequipa (acrescente mais 1 noite no Valle del Colca, se quiser visitar o vale) e 2 noites em Puno (para ter um dia inteiro livre para o passeio pelo Titicaca).

Para incluir apenas Nasca entre Lima e Cusco, veja aqui.

Primeira viagem ao Peru: itinerário para 9 noites

Este é o resumo do roteiro. Cada etapa (Lima, Cusco + Valle Sagrado, Machu Picchu) é detalhada em posts separados.

3 noites em Lima

Com 3 noites em Lima você resolve as questões práticas (chip, câmbio, eventualmente passagens de ônibus), tem tempo para passear pela cidade, saborear a culinária peruana e aproveitar as duas horas de fuso horário atrasado (a seu favor) para se recuperar da viagem de vinda e chegar descansado em Cusco.

3 noites em Cusco

Com 3 noites em Cusco você tem dois dias para explorar a cidade sem pressa, e mais um dia para passear fazer um bate-volta a Pisaq. E ainda ganha três noites para curtir os restaurantes e bares do centro histórico.

1 noite em Ollantaytambo

Dormindo 1 noite em Ollantaytambo, você visita a vila de Chinchero, o sítio arqueológico de Moray e as salinas de Maras no caminho desde Cuco. Na manhã seguinte, passeia pelo arqueológico de Ollantaytambo livre de turistas. E à tarde segue a Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo).

1 noite em Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo)

Você vai chegar a Aguas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo), a base mais próxima de Machu Picchu, ao entardecer. Instale-se e durma cedo, para no dia seguinte cedinho pegar um dos primeiros ônibus a Machu Picchu.

Visita a Machu Picchu e noite final em Cusco

Depois de fazer o gran finale da viagem em Machu Picchu, você volta a Cusco e capricha no jantar de despedida do Peru.

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Machu Picchu antes de Cusco não seria melhor por causa da altitude?

Primeira viagem ao Peru: Machu Picchu

De fato, Machu Picchu, a 2.400 metros do nível do mar, é bem menos elevada que Cusco, que está a 3.400 metros. Por isso, o soroche, ou mal de altitude, é menos comum em Machu Picchu do que em Cusco. Saindo direto do aeroporto de Cusco para Machu Picchu é possível não sentir os efeitos da altitude na chegada.

O problema dessa estratégia é que ela apenas adia o mal-estar para quando você vier de Machu Picchu para Cusco -- o fato de sair já de 2.400 metros não anula o impacto da altitude de 3.400 metros de Cusco.

Ir a Machu Picchu antes de Cusco também estraga a seqüência do itinerário -- é como iniciar o jantar pela sobremesa. No nosso roteiro, Machu Picchu funciona como o gran finale de uma viagem gradual ao passado. Você começa no Peru moderno (Lima), passa pelo Peru colonial (Cusco), visita resquícios de sítios arqueológicos (em Pisaq, Moray, Ollantaytambo) e termina na mais majestosa cidadela preservada (Machu Picchu).

Quando ir ao Peru

Primeira viagem ao Peru: mercado de Surquillo, Lima

Mercado de Surquillo, Lima

Lima pode ser visitada o ano inteiro.

A região de Cusco e Machu Picchu, no entanto, tem uma época desaconselhável: no verão, entre dezembro e fevereiro, chove muito. Nos anos mais chuvosos, a estrada de ferro chega a ficar interditada.

Para aproveitar melhor o seu tempo e o seu investimento, programe esta viagem entre abril e setembro. Nesses meses, vá preparado para temperaturas abaixo de 10ºC à noite e de manhã cedinho; mas nos dias de sol, que são maioria no meio do ano, as máximas podem chegar perto dos 20ºC no início da tarde.

Dentro da alta temporada, os meses mais disputados em Machu Picchu são julho e agosto, por conta das férias escolares na Europa. Maio e setembro são um pouco mais tranqüilos.

Machu Picchu num feriadão. É possível?

Possível é -- mas não é recomendável. O dia da ida e o da volta são praticamente perdidos (sobretudo quando você vai ou vem direto de Machu Picchu). Complicando mais as coisas, tem o fator altitude, que sempre compromete o dia da chegada a Cusco. Se você quer mesmo usar um feriadão para viajar ao Peru, vá a Lima -- é possível até encaixar uma (supercansativa!) esticada a Nasca. Mas só vá a Cusco e Machu Picchu se você dispuser de cinco dias inteiros -- idealmente, 6 -- para explorar o essencial da região.

Como comprar a passagem aérea

Primeira viagem ao Peru: Andes

Compre uma passagem única, na modalidade "múltiplos destinos" ou "várias cidades", com três trechos:

  • Trecho 1: Brasil-Lima
  • Trecho 2: Lima-Cusco
  • Trecho 3: Cusco-Brasil

Isso pode ser feito com um agente de viagem, em agências online como o Viajanet ou diretamente nos sites da Latam e da Avianca.

A modalidade "múltiplos destinos" ou "várias cidades" rentabiliza todo o percurso e vincula os dois vôos que compõem a volta (Cusco-Lima e Lima-Brasil), garantindo a conexão ou, no caso de atraso do primeiro vôo, a assistência da cia. e reacomodação num outro vôo sem custo extra (leia mais aqui). Isso é muito importante, porque o aeroporto de Cusco fecha com freqüência, por qualquer problema meteorológico. Se o aeroporto fecha, seu vôo atrasa e sua passagem não é vinculada, você vai ter que comprar outra passagem (ou no mínimo pagar multa e diferença tarifária) para conseguir um novo vôo em Lima.

Além disso, a modalidade múltiplos destinos/várias cidades rentabiliza ao máximo a tarifa paga -- na maioria das vezes, você incluirá Cusco praticamente pelo preço de uma passagem Brasil-Lima-Brasil.

Por isso, resista a comprar passagem ponto a ponto Brasil-Lima-Brasil (sem Cusco), mesmo que esteja em promoção. Os trechos internos Lima-Cusco e Cusco-Lima podem sair bem mais caros do que você imagina, e a conexão da volta vai ser super estressante -- já que os vôos não estarão vinculados no mesmo bilhete, e se o primeiro vôo atrasar, você pode perder o segundo, tendo então que remarcar a passagem com multa e diferença tarifária (mesmo que o segundo vôo seja feito pela mesma cia. do primeiro).

Normalmente, quando há promoções a Lima, as mesmas condições valem para Cusco. Sempre pesquise na modalidade múltiplos destinos/várias cidades.

Da mesma forma, não emita passagem com milhas só até Lima. Emita com ida a Lima e volta de Cusco, e veja se consegue emitir também Lima-Cusco com milhas.

Vai passar por Ica, Nasca, Arequipa e Puno?

Se quiser fazer o circuito inteiro do sul do Peru, continue a passagem aérea na modalidade múltiplos destinos/várias cidades, mas apenas dois trechos:

  • Trecho 1: Brasil-Lima
  • Trecho 2: Cusco-Brasil

Faça os trajetos internos de ônibus (com a Cruz del Sur).

Quer ir apenas a Puno antes de Cusco?

Para incluir apenas Puno neste roteiro, compre a passagem aérea na modalidade múltiplos destinos/várias cidades, com 3 trechos:

  • Trecho 1: Brasil-Lima
  • Trecho 2: Lima-Juliaca (o aeroporto mais próximo de Puno)
  • Trecho 3: Cusco-Brasil

Faça o trajeto Puno-Cusco de ônibus (com a Cruz del Sur).

Os melhores vôos para cumprir este roteiro

Saindo de São Paulo

Se puder sair na sexta, escolha o vôo Latam com saída de São Paulo às 19h50 (chegada em Lima às 23h05). Siga a Cusco na segunda-feira no vôo Latam das 10h29 (chega ao meio-dia em Cusco). Volte a São Paulo no Latam das 8h13 de Cusco a Lima (chegada às 9h45), com conexão para o o vôo Latam que sai às 12h35 e chega em São Paulo às 19h40.

Caso só possa sair no sábado, pegue o vôo Latam das 7h40 (chegada em Lima às 10h45); os outros vôos permancem os mesmos.

Voando Avianca, saia no vôo das 5h55 (chegada em Lima às 8h50). Na segunda-feira, siga a Cusco no vôo Avianca das 11h15 (chegada em Cusco às 12h35). Volte no domingo no vôo da Avianca das 17h15, que faz conexão com o vôo Avianca que sai de Lima às 22h e chega em São Paulo às 4h35 da madrugada de segunda.

Saindo do Rio de Janeiro

Para sair na sexta, você precisa matar o serviço à tarde e pegar o vôo Latam que sai às 14h30 do Galeão para São Paulo e faz conexão com o vôo Latam São Paulo-Lima das 19h50 (chegada em Lima às 23h05). Siga a Cusco na segunda-feira no vôo Latam das 10h29 (chega ao meio-dia em Cusco). A volta também é bem chata, com saída de cusco no vôo Latam das 5h30 (que chega às 6h47 em Lima), continuando a São Paulo no vôo que sai às 9h10 (e aterrissa às 16h20), para por fim pegar o terceiro vôo ao Rio de Janeiro que sai às 20h15 (e chega ao Galeão às 21h20).

O melhor esquema com partida do Rio de Janeiro é voando Avianca, a única cia. que tem rota direta a Lima e vai também a Cusco. Saia no sábado no vôo Avianca das 5h45 (chegada em Lima às 9h15). Prossiga na segunda a Cusco no vôo Avianca das 11h15 (chegada às 12h35) e volte domingo no vôo Avianca das 17h15, que faz conexão com o vôo Avianca das 21h30, direto ao Rio, chegando às 4h45 da madrugada da segunda.

Saindo de Porto Alegre

Quem sai de Porto Alegre também deve aproveitar a rota direta da Avianca. Saia no sábado, no vôo Avianca das 6h20 (chegada em Lima às 9h20). Siga na segunda a Cusco no vôo Avianca das 10h50 (chegada às 12h15) e volte domingo no vôo Avianca das 17h15, que faz conexão com o vôo das 22h, direto a Porto Alegre, chegando às 4h35 da manhã de segunda.

Precisa vacina contra febre amarela para ir ao Peru?

Museu Larco, Lima

Museu Larco, Lima

Por enquanto, não precisa.. O Peru é um dos únicos países da América Latina que não exigem a vacina de brasileiros. Mas isso pode mudar a qualquer momento. Se você tem intenção de viajar a países latino-americanos nos próximos anos, consulte seu médico e veja se você pode ser vacinado. Se puder, meu conselho é vacinar-se -- tanto para estar protegido da doença no Brasil como para não ter problemas nas viagens. Se você não puder se vacinar por razões de saúde, seu médico pode emitir um certificado internacional de isenção da vacina.

Lembre-se que a vacina só vale depois de 10 dias; se o Peru passar a exigir a vacina amanhã e a sua viagem estiver marcada para dali a oito dias, não será aceita no dia da viagem e você precisará remarcar. Vejacomo vacinar-se e tirar o certificado internacional (ou o de isenção) .

Como comprar o ingresso para Machu Picchu

Primeira viagem ao Peru: ingresso para Machu Picchu

Desde 2011, obedecendo a determinação da Unesco, a cidadela de Machu Picchu passou a receber no máximo 2.500 visitantes por dia. Por isso é importante comprar seu ingresso com antecedência, pelo site MachuPicchu.gob.pe.

Primeira viagem ao Peru: ingresso para Machu Picchu

O site foi reformulado em janeiro de 2019 e não tem mais versão em português. A versão em inglês costuma aparecer automaticamente para estrangeiros. Se você preferir comprar em espanhol, configure o idioma na barra do alto, à esquerda.

Primeira viagem ao Peru: ingresso Machu Picchu

Para iniciar o processo, você precisa escolher uma data. O site vende ingressos para o mês corrente e para os cinco meses seguintes.

Primeira viagem ao Peru: ingresso para Machu Picchu

A partir de 1º de janeiro de 2019, os ingressos estão sendo vendidos com hora marcada. Há 9 horários disponiveis: a primeira entrada e às 6h, e a última, às 14h.

Os ingressos para estrangeiros custam 152 nuevos soles (algo como US$ 45). Há outras novidades nas regras de visitação; leia aqui.

Primeimra viagem ao Peru: ingresso Machu Picchu

Além do ingresso simples, há dois outros ingressos disponíveis (com lugares ainda mais limitados) para combinar o circuito da cidadela com o trekking por uma das duas montanhas do complexo. O ingresso Machu Picchu + Montanha Huayna Picchu custa 200 nuevos soles (US$ 60), mesmo preço do ingresso Machu Picchu + Montanha Machu Picchu.

Primeira viagem ao Peru: ingresso Machu Picchu

Definido o ingresso, você vai precisar preencher a ficha dos visitantes. No campo de documento, informe o que você vai levar no dia -- pode ser RG ("DNI", em espanhol) ou passaporte.

O pagamento tem uma pegadinha: é preciso usar um cartão de crédito internacional Visa participante do sistema Verified by Visa. Este sistema remete a uma verificação do seu banco emissor (por senha ou token) antes da compra. (Saiba mais sobre esse sistema neste post). Se você ainda não tem um cartão Verified by Visa, vale a pena fazer um -- cada vez mais sites internacionais estão usando o sistema.

Em breve será possível comprar também com MasterCard (que igualmente tem o seu sistema de segurança, o MasterCard SecureCode, igualzinho ao do Visa).

Se você estiver no Peru, pode anotar o código da reserva e terá três horas para pagar por boleto numa agência do Banco de La Nación ou em postos específicos em Cusco e Aguas Calientes. Esta alternativa não é recomendável porque é bastante arriscado deixar para comprar o ingresso ao parque só no Peru (sobretudo na alta temporada entre maio e setembro).

Uma vez comprados, imprima os ingressos e leve com você.

Vale a pena incluir a Montanha Huayna Picchu?

A Machu Picchu que está na sua cabeça pode ser visitada em sua plenitude com o ingresso simples. O passeio com calma, percorrendo toda a cidadela, requer três horas, com subidas e descidas, muitas vezes debaixo do sol. É um passeio maravilhoso, porém naturalmente exaustivo.

Quando você inclui uma subida a uma das montanhas -- seja à Huayna Picchu, seja à Montanha Machu Picchu -- você acrescenta de três a quatro horas de esforço físico à sua visita. Sinceramente, não acredito que a relação sacrifício x benefício seja boa.

De todo modo, há três casos de visitantes que devem considerar comprar o ingresso com trilha:

  • Trekkistas, andarilhos, fãs de turismo-aventura
  • Quem gostaria de ter feito a Trilha Inca mas não tem tempo ou fôlego para tanto
  • Quem vai fazer a visita em dois dias consecutivos

Leia mais sobre isso, incluindo opiniões divergentes de leitores, neste post.

Como comprar a passagem de trem

A não ser que você chegue a Machu Picchu pela Trilha Inca, vai precisar pegar o trem até Aguas Calientes (oficialmente, Machu Picchu Pueblo), a cidadezinha de onde partem os microônibus que levam ao santuário de Machu Picchu.

Há dois pontos de partida do trem:

  • Poroy, uma estação a 25 minutos de táxi de Cusco
  • Ollantaytambo, uma cidade do Vale Sagrado a 2h de carro ou van de Cusco

Saindo de Cusco, a viagem até Aguas Calientes leva em média 4 horas, por qualquer uma dessas rotas (táxi a Poroy + trem a Aguas Calientes, ou van a Ollantaytambo + trem a Aguas Calientes).

Se você seguir o meu roteiro, vai pegar pegar o trem em Ollantaytambo. O percurso de ida de Cusco a Ollantaytambo vai ser aproveitado para fazer paradas pelo Vale Sagrado (como você verá neste post).

Duas cias. operam na ferrovia: a PeruRail, do grupo Belmond (antigo Orient-Express) e a Inca Rail.

As duas cias. oferecem vagões com diferentes níveis de conforto. Os preços são por trecho (só ida ou só volta) e variam conforme dia e horário da viagem.

Primeira viagem ao Peru: trem PeruRail Expedition

PeruRail: trem Expedition

Na PeruRail, o vagão menos caro é o Expedition (desde US$ 70 Poroy-Aguas Calientes, desde US$ 65 Ollanta-Aguas Calientes). Na Inca Rail, a classe mais barata é a The Voyager, que tem tarifas a partir de US$ 70.

Primeira viagem ao Peru: trem Vistadome PeruRail

PeruRail: trem Vistadome

Os vagões mais panorâmicos da PeruRail (e com melhor serviço de bordo) são os VistaDome (desde US$ 95 Poroy-Aguas Calientes, desde US$ 85 Ollanta-Aguas Calientes). A classe equivalente da Inca Rail seria a The 360° , desde U$ 85 (Ollanta-Aguas Calientes).

Primeira viagem ao Peru: Inca Rail First Class

Inca Rail: vagão First Class

A Inca Rail também tem uma First Class com serviço de luxo desde US$ 216 (Ollanta-Aguas Calientes).

Se você está achando tudo muito caro, preciso informar que as duas cias. também têm classes AAAA gargalhantes: a PeruRail tem o Sacred Valley Train (desde US$ 180 Ollantaytambo-Aguas Calientes), o Hiram Bingham (desde US$ 400 Poroy-Aguas Calientes) e a Inca Rail, a The Private Machu Picchu Train (um vagão que pode ser fretado entre Ollanta e Aguas Calientes, com preço sob consulta).

Caso você queira seguir este roteiro que eu sugiro, compre da seguinte maneira:

  • ida: Ollantaytambo-Aguas Calientes num trem do início da tarde, com saída entre 13h e 14h. Você chega a Aguas Calientes a tempo de dar uma descansada à tarde (dá para aproveitar as águas termais).
  • volta: Aguas Calientes-Ollantaytambo ou Poroy, também num horário vespertino, com partida umas duas horas depois do horário em que você calcula terminar sua visita a Machu Picchu.

É melhor comprar a volta a Ollantaytambo ou Poroy?

Dá certo dos dois jeitos. Poroy está mais perto de Cusco e garante uma volta mais confortável. Mas a volta por Ollanta não tem perrengue, não: uma frota de vans estará à espera dos passageiros para transportar até Cusco, por 15 soles por pessoa. O tempo de viagem acaba sendo parecido, porque as vans levam ao centro de Cusco (Poroy está a 18 km da cidade).

Poroy desativada até 30/abril/2019: serviço alternativo de ônibus + trem

A estação de Poroy está sendo reformada, e as obras estão previstas para durar até o fim de abril. Enquanto a estação não reabre, tanto PeruRail quanto Inca Rail estão substituindo os trens Poroy-Aguas Calientes por um "serviço bimodal". Ônibus saem da área central de Cusco e levam até Ollantaytambo, onde os passageiros embarcam nos trens de Ollanta a Aguas Calientes. (Na volta é a mesma coisa, claro.)

Que moeda eu levo para o Peru?

Primeira viagem ao Peru: 100 nuevos soles

Não compre soles peruanos no Brasil

Não compre moedas fracas no Brasil em geral. Os valores parecem pequenos, mas na verdade a cotação é bastante desfavorável; a margem de lucro das casas de câmbio nessas moedas é maior do que as margem que auferem ao vender dólar ou euro. Um exemplo: no momento em que escrevo este post, tendo o dólar como parâmetro, o sol está valendo cerca de 15% a mais do que o real. Só que tem corretora vendendo sol 40% mais caro que o real! Os valores podem mudar, mas a diferença nunca compensa. Se você quer ter soles peruanos no bolso desde a chegada, troque 100 dólares na casa de câmbio do aeroporto, junto às esteiras de bagagem. Mesmo com a cotação fraquinha de casa de câmbio de aeroporto, você vai perder menos dinheiro do que comprando soles no Brasil.

Não leve reais para o Peru

Infelizmente essa cotação da regrinha de três entre dólar, sol e real não se confirma na prática, quando você leva seus reais para trocar numa casa de câmbio no Peru. Durante a minha última viagem, meus reais compravam sempre 10% menos soles do que se eu tivesse usado a mesma quantia em reais para comprar dólares no Brasil e trocar por soles no Peru. Sem falar que o real em espécie sofre do mesmo problema do cartão de crédito: pode desvalorizar durante a sua viagem. Os mercados são interligados, e uma desvalorização do real frente ao dólar no Brasil se reflete imediatamente no Peru (ou qualquer lugar do mundo).

Prefere levar dinheiro vivo? Leve dólares

Da mesma maneira que o dólar vale muito no Brasil, vale muito no Peru também. O dólar que você compra aqui mantém o seu poder de compra lá. Apenas tome o cuidado de pesquisar a cotação do dólar aqui, para comprar o dólar menos caro que encontrar. Tome cuidado também para trocar bem o seu dinheiro no Peru. Troque o mínimo possível em aeroportos, nos fins de semana e fora do horário bancário. A melhor cotação é obtida durante em dias de semana, durante o horário bancário. Evite casas de câmbio muito informais; o risco de receber uma nota falsa é bem maior nesses lugares. Por outro lado, seus dólares podem ser aceitos diretamente por vários operadores de passeios, sem precisar ser trocados em casa de câmbio.

Cartões são menos vilões do que parecem

Todo mundo conhece de cor os problemas do cartão de crédito e do cartão pré-pago: ambos sofrem a incidência de 6,38% de IOF, e o cartão de crédito ainda sujeita você à desvalorização do real entre o dia do gasto e o do vencimento da fatura. Permita-me, porém, lembrar as vantagens dos cartões -- sim, elas existem. A maior delas é garantir o câmbio mais justo do sol peruano para o dólar. Usando cartão você não precisa camelar entre casas de câmbio comparando cotações; e a cotação usada para converter os seus gastos não vai variar entre cidades, horários ou dias da semana, e vai ser bastante superior à cotação de qualquer casa de câmbio (com a incidência do IOF, a cotação do cartão acaba entre igual e ligeiramente inferior às melhores casas de câmbio). Outra vantagem é evitar o risco de receber notas falsas. Uma nota de 100 soles falsa que você receba significa mais de 100 reais.

O cartão pré-pago congela o dólar no momento da compra da moeda, mas dá um pouquinho de trabalho para carregar e controlar o saldo. Mas se você tem medo de desvalorização do real, ou tem limite baixo no cartão de crédito internacional, o pré-pago é uma ótima alternativa.

O melhor cartão de crédito atualmente é o da Caixa, porque oferece uma cotação próxima ao dólar comercial e faz a conversão para reais na data de cada compra (o valor não varia até o vencimento da fatura).

Vale a pena fazer saques em caixas automáticos?

O problema dos saques em soles é que, além do IOF de 6,38% brasileiro, você ainda precisa pagar a tarifa de saque do seu cartão e a tarifa de uso do equipamento. Como os valores máximos de saque são baixos, essas tarifas acabam pesando demais no total. Se você for fazer retiradas, a melhor rede é a BCP, que permite retirar até 700 soles (pouco mais de 210 dólares) e cobra 13,50 soles de tarifa (4 dólares -- 2% no saque máximo). A GlobalNet é a pior: deixa retirar no máximo 400 soles (uns 120 dólares) e cobra 14,50 soles de tarifa (4 dólares -- 3,5% no saque máximo). A rede Scotiabank permite retirar até 500 soles; BBVA e Multired, 400 soles. Clientes Santander Select e Citibank, porém, fazem saques isentos de tarifa (mas com IOF de 6,38%), desde que usem as agências próprias desses bancos.

Um bom mix

Divida sua verba para a viagem ao Peru entre dólares vivos e cartão pré-pago ou cartão de crédito. Use os dólares para trocar dinheiro miúdo para o dia a dia e para pagar diretamente pelos passeios. Pague os hotéis com cartão. Dessa maneira você evita precisar trocar grandes quantias em casa de câmbio (diminuindo o risco notas falsas e o volume de dinheiro vivo a transportar).

Cusco

Boa viagem!

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583 comentários

Natalia
NataliaPermalinkResponder

Oiii adorei seu post, foi bem esclarecedor mas estou com uma dúvida na compra dos ingresso. La no site oficial, depois que escolhemos a data, a única opção de documento que aparece é o passaporte. Nao aparece o DNI que seria o RG nosso. Só pode comprar se tiver passaporte? Porque vou em julho e preciso comprar agora e meu passaporte vence em maio agora. Me ajude por favor. Obrigada. Abraço.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Natalia! O site de compra de ingressos foi reformulado recentemente e ainda tem alguns problemas. Preencha com o número da sua carteira de identidade.

Você também pode preencher com o número do passaporte atual e levar junto com você.

Rômulo
RômuloPermalinkResponder

Ótimo post e estou me baseando nele para a minha viagem.
Qual seria a média de gasto diário, sem contar os passeios?
Desde já, agradeço.

Fernanda
FernandaPermalinkResponder

Parabéns Ricardo e Bóia!
O site de vocês é mmmmmmmmmmmmmuito útil.

Fiz um roteiro me baseando em dicas de vocês e da Natalie Soares.
Queremos ir com tempo para translados tranquilos, para se acostumar com a altitude e sem correria. Temos 18 dias para essa nossa primeira viagem ao Peru. Será que o roteiro abaixo atende esses propósitos? Será que vamos ficar cansados em algum lugar? Seus pitacos são bem vindos!! (Vamos em outubro)

dia 8 ter - 1o. dia Voo para Lima
dia 9 qua - 2o. dia Lima
dia 10 qui - 3o. dia Lima
dia 11 sex - 4o. dia Ida para Nazca (onibus)
dia 12 sab - 5o. dia Nazca
dia 13 dom - 6o. dia Retorno para Lima (onibus)
dia 14 seg - 7o. dia Voo de Lima p/ Juliaca - Puno
dia 15 ter - 8o. dia Puno (dia para se acostumar com altitude)
dia 16 qua - 9o. dia Puno (lago Titicaca, passeio de barco pelas Islas Uros e Taquile)
dia 17 qui - 10o.dia Onibus para Cusco
dia 18 sex - 11o.dia Cusco
dia 19 sab - 12o.dia Cusco
dia 20 dom - 13o.dia Cusco
dia 21 seg - 14o.dia Ollantaytambo
dia 22 ter - 15o.dia Ollantaytambo: Chinchero, Sítio arqueológico de Moray e salinas Maras
dia 23 qua - 16o.dia Ollantaybambo (sítio arqueológico) e ida para Aguas Calientes
dia 24 qui - 17o.dia Visita Machu Picchu: 6h da manhã- volta para Cusco
dia 25 sex - 18o.dia Retorno Cusco-Lima-Brasil

Obrigada!!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Fernanda! Volte de Nasca para Lima à tarde, não precisa dormir uma segunda noite.

A partir de Cusco, sugerimos seguir o roteiro do Ricardo Freire.

Fernanda
FernandaPermalinkResponder

Muito obrigada!!!

Raquel Lessa
Raquel LessaPermalinkResponder

Olá, me auxilia com uma dúvida, vou agora em abril, e meu trem saíra de Olantaytambo, vi numa agência que posso comprar o transporte adiantado, do hotel para a estação, porém, está R$200,00 ida e volta. No seu post você coloca que lá há opção de vans com esse transporte, eu posso confiar em comprar lá, tenho medo de que chegue lá e eu não tenha essa opção.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Raquel! Se você não confia na informação, por que confiaria na resposta?

Milena Matiello Pacheco

Olá!
Vou para o Peru em Agosto, e estou com uma dúvida. É a primeira vez que faço este tipo de viagem, e não sei qual ingresso comprar para Machu Picchu. No site do governo, tem muitas opções. Qual o ideal para uma primeira vista? Poderiam me dar uma luz por favor? Obrigada. =)

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Milena! Compre a visita simples (Llaqta, Cidadela). As visitas com montanhas são para quem gosta de caminhar. A visita simples já é suficientemente completa quando você opta pelo circuito 1.

Ilma
IlmaPermalinkResponder

Olá, estou indo com meu filho, maior, ao Peru pela primeira vez. Adorei encontrar aqui tantas dicas maravilhosas. Porém tenho dúvidas de como aproveitar melhor meus dias. Já lí bastante, mas quanto mais leio, mais confusa fico.rsrsrs. Se alguém puder dar mais dicas. Saímos de São Paulo dia 19/02/19 ás 18:50 e chegamos em Lima às 21;54. Pretendemos ficar até o dia 21/02 e depois seguir para Cusco, porque infelizmente compramos os bilhetes antes de navegarmos aqui, e cometemos o erro de comprar Brasil/Lima, portanto pretendemos voltar para Lima dia 01/03 no final do dia para retornarmos ao Brasil dia 03/03 vôo saíndo de Lima pela manhã. Resumindo, temos 12 noites e 11 dias. Não sabemos se emitimos bilhetes de Lima/Cusco ou para outro lugar (tipo Puno) pq vamos à Cusco/Vale Sagrado/Machu Picchu. Gostariamos de conhecer Lago Titicaca. Apredemos que antes de emitir bilhetes aéreos devemos fazer o roteiro. Grata. Abertos a qualquer sugestão.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ilma! Você pode voar de Lima a Juliaca, que é a cidade mais próxima de Puno. Durma em Puno duas noites para ter um dia inteiro livre para fazer o passeio do lago Titicaca e ilhas Uros. Vá de Puno a Cusco de ônibus, compre em http://www.cruzdelsur.com.pe/ .

Ilma
IlmaPermalinkResponder

Bóia, muito grata pela presteza! Outra dúvida, se eu comprar os tickts para visitar Sitio arqueológico (Machu Picchu ou outros) e por motivo climático não conseguir fazer a visita, poderia fazer no dia seguinte ou caso não vá, teria direito ao ressarcimento?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ilma! Só se o parque fechar.

Sílvio Borges

Excelente post, muito útil, estarei indo dia 02/03 saindo de Porto Alegre, só q de moto, alguma dica em especial? Será que consigo chegar ao Machu Picchu de moto, ou preciso ir de trem?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Silvio! De trem a Aguas Calientes e de ônibus entre Aguas Calientes e Machu Picchu.

Rosangela
RosangelaPermalinkResponder

boa tarde.
Iremos p Peru no final de maio. Há algum problema em levar criança de 3 anos p Machu Pichu devido a altitude ou é melhor ficar em uma cidade próxima e só meu esposo subir a Machu Pichu? Ficaremos uns dias em Lima ou seria melhor deixa-lo ir sozinho e eu e meu filho ficarmos na capital?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Rosangela! Converse com o seu pediatra. A cidade próxima a Machu Picchu, Cusco, é mais alta que Machu Picchu (3.400 x 2.400 metros).

priscila capel morilla

Olá Boia
Consigo alguma casa de câmbio confiável aberta de domingo?Chego em Lima sábado 18 hs

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Priscila! Troque o mínimo possível no aeroporto, tipo 100 dólares. Deixe para fazer câmbio na segunda-feira. Usar cartão de crédito sairá mais barato do que fazer câmbio ruim.

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Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
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