Cusco e Vale Sagrado: Qoricancha

Roteiro para Cusco e Vale Sagrado | Primeira viagem ao Peru

Cusco e Vale Sagrado: Qoricancha

Este post com roteiro para 4 noites entre Cusco e Vale Sagrado é o terceiro de uma série para você planejar sua primeira viagem ao Peru. Não deixe de ler também:

Roteiro para Cusco e Vale Sagrado

roteiro Cusco

Esta etapa da viagem tem 4 noites.

Passe as três primeiras noites em Cusco — no terceiro dia, você faz um bate-volta a Pisaq.

No quarto dia, você passa pela vila de Chinchero, pelo sítio arqueológico de Moray e pelas salinas de Maras no caminho de Ollantaytambo, onde você dorme a quarta noite.

Na manhã do quinto dia, você ainda passeia em Ollantaytambo, antes de seguir à tarde para Aguas Calientes, porta de entrada de Machu Picchu.

Recomendo ler o post na ordem em que está escrito. Mas se preferir, clique para ir direto ao tópico:

Cusco

Capital imperial

Cusco e Vale Sagrado: Cusco

Mesmo se não existisse Machu Picchu, Cusco ainda estaria no topo dos lugares que você precisa visitar na América do Sul.

Cusco

Na sua primeira encarnação, Cusco foi nada menos que a capital do Império Inca. Uma vertente da filologia sustenta que ‘Qosqo’, seu nome original, significa ‘umbigo do mundo’ em quêchua. De fato, Cusco se localiza no ponto de cruzamento (o umbigo!) de dois eixos imaginários que dividiam o império inca em quatro ‘suyu’ — ou regiões, cada uma compreendendo um dos pontos cardeais do mundo andino.

Cusco

Os conquistadores espanhóis sobrepujaram os incas com armas desconhecidas no Novo Mundo: cavalos, armaduras, canhões e — talvez a mais efetiva de todas — varíola. A Cusco inca foi posta abaixo — e seu ouro, derretido e enviado à Europa. Restaram apenas o traçado urbano e as fundações de alguns edifícios (o mais imporante deles, o Qoricancha, ou Templo do Sol). Por sobre a capital devastada, porém, os espanhóis construíram a mais rica das cidades coloniais da América do Sul, com igrejas cristãs no lugar dos templos e lugares sagrados dos incas.

Cusco

Hoje Cusco vive em função de novos invasores: os dois milhões de forasteiros que a cada ano visitam a cidade, patrimônio da humanidade da Unesco desde 1983. No centro histórico, a altitude de 3.400 metros e o choque de culturas são amenizados por uma infra moldada para as necessidades — e a diversão — dos turistas. Por vezes, Cusco pode parecer um grande hostel a céu aberto.

Cusco
Desacelere e aproveite. Se você não passar correndo, aposto que a escala em Cusco vai acabar tão inesquecível quanto a de Machu Picchu.

Onde ficar em Cusco

Para cumprir este roteiro, reserve três noites em Cusco. (A quarta noite será passada em Ollantaytambo.)

As notas dos hotéis foram apuradas em abril de 2020

No plano

O centro histórico é compacto e dá a falsa impressão de ser percorrido com facilidade. O que os mapas não registram, contudo, é a inclinação do terreno — e na altitude de 3.400m, qualquer subidinha acaba com o nosso fôlego. Se você quer evitar sofrer naquele último trechinho da volta ao hotel, escolha um hotel na parte plana da cidade, entre a Plaza de Armas e o Qoricancha. Na quadra de trás da Plaza de Armas — e junto a uma outra praça lindinha, a Plaza del Regocijo — o básico Casa Andina Classic Plaza (nota 8,9 no Booking) tem tarifas bastante abordáveis.

Novotel Cusco

A meio caminho entre a Plaza de Armas e o Qoricancha, o Novotel Cusco (nota 8,8 no Booking) tem um pátio interno digno de um hotel-palácio; pena que os quartos sejam sem-graça. Mais perto do Qoricancha, mais um hotel OK da categoria Classic da rede Casa Andina: o Casa Andina Classic Koricancha (nota 8,8 no Booking).

Unaytambo Cusco

A jóia dessa região, porém, é o lindinho Unaytambo (nota 9,1 no Booking), construído sobre fundações incas, com astral de pousada-boutique e ótimos preços. Você vai estar a uns 10 minutos da Plaza de Armas, mas a única subida que vai encarar na volta é um lance de escadas. Ainda no plano, mas para os lados do mercado de San Pedro, o Tierra Viva Cusco Centro (nota 9,3 no Booking) oferece a boa relação custo x conforto característica da rede.

Meia quadra de subida

Tierra Viva Cusco Plaza

Disposto a enfrentar meia quadra de subida na volta do hotel? Então recomendo um hotel com localização adorável, a estreita calle Suécia, que desemboca no Portal de Carnes da Plaza de Armas: o Tierra Viva Cusco Plaza (nota 9 no Booking).

Esplendor Cusco

Outro hotel com meia quadra de subida é o argentino Esplendor Cusco (nota 8,6 no Booking), que ainda está estalando de novo. Fica mais perto do mercado San Pedro do que da Plaza de Armas.

Uma quadra ou mais de subida

El Mercado, Cusco

Caso você se disponha a subir uma quadra inteira na volta para o hotel, considere o El Mercado (nota 9,1 no Booking), a base cusqueña da Mountain Lodges of Peru. O destaque aqui vai para o fantástico café da manhã, servido num ambiente que emula um mercado de verdade, com sucos preparados na hora e vários quitutes típicos.

Se tiver fôlego para subir duas quadras inteiras, vai poder aproveitar o preço camaradíssima (e a vista!) do elogiado bed & breakfast El Balcón (nota 9 no Booking).

Hotel Monasterio

Ironicamente, os três hotéis mais luxuosos e caros de Cusco estão no topo de uma das ladeiras mais íngremes do centro histórico: os dois da rede Belmond — Belmond Palacio Nazarenas (nota 9,2 no Booking), mais novo, e o clássico Belmond Hotel Monasterio (nota 9,6 no Booking) — e o peruaníssimo La Casona Inkaterra (nota 9,7 no Booking). Mas quem se hospeda por aqui não vai regular 5 soles pra voltar de táxi…

Chegado em Cusco

Chegando pelo aeroporto

O aeroporto de Cusco fica a 5 km da Plaza de Armas — ou 15 minutos de táxi. O táxi oficial do aeroporto, comprado no guichê no saguão de desembarque, custa 35 soles (10 dólares). Você também pode reservar online o trânsfer privativo com a TaxiDatum por 7 dólares ou 20 soles. Táxis não-oficiais esperam clientes do lado de fora do aeroporto; a corrida é negociada. (Quando voltei para o aeroporto, o táxi comum que o hotel chamou pelo telefone saiu 14 soles.)

Se você vai do aeroporto direto para a estação Poroy pegar o trem a Aguas Calientes, pode reservar um trânsfer privativo online com a TaxiDatum por 40 soles ou 15 dólares. Para Ollantaytambo, a TaxiDatum faz o trânsfer privativo por 120 soles ou 37 dólares. (Desculpe, não anotei os valores do táxi oficial; acredito que sejam 40% mais caros.)

Chegando pela rodoviária

A Cruz del Sur, com linhas desde Lima, Nasca, Arequipa e Puno, tem seu próprio terminal na av. Industrial, a 3 km da Plaza de Armas (10 minutos de táxi). Corridas de táxi dentro de Cusco custam 5 ou 6 soles, mas o taxista deve tentar cobrar mais. Negocie o preço antes de entrar no táxi.

Chegando de trem

A estação Wanchaq, de onde operam os trens de luxo da rota Arequipa-Puno-Cusco, está na ponta de baixo da av. El Sol, a meros 2 km da Plaza de Armas (menos de 10 minutos de táxi). Há táxis “especiais” que têm ponto num pátio dentro da estação, e vão tentar cobrar 15 soles. Na rua, dá para negociar a corrida num táxi comum por 5 ou 6 soles.

A estação Poroy, de onde operam os trens da PeruRail a Aguas Calientes, fica fora da cidade, 10 km a noroeste da Plaza de Armas (25 minutos de táxi). Um táxi entre a estação e o centro de Cusco, em qualquer direção, é negociável entre 20 e 30 soles. Na TaxiDatum dá para reservar o trânsfer privativo online por 40 soles ou 15 dólares.

O que fazer em Cusco

Providências práticas para visitar Cusco

Boleto Turístico
Cusco e Vale Sagrado: boleto turístico

Se você pretende visitar sítios arqueológicos em Cusco e no Vale Sagrado antes de subir a Machu Picchu (seguindo este roteiro, você irá a vários), deve comprar um dos boletos turísticos à venda na Cosituc, que fica a um pulo da Plaza de Armas, na primeira quadra da avenida El Sol.

Para cumprir o roteiro descrito nesta página, o bilhete a ser comprado é o boleto turístico general, que custa 130 soles e dá direito a visitar sítios de três circuitos num prazo de 10 dias a partir do primeiro uso. O boleto general só pode ser comprado na Cosituc.

Caso você esteja fazendo um roteiro mais apressado, que inclua apenas dois dias de visitas a sítios arqueológicos, pode comprar um boleto turístico parcial. O boleto turístico parcial do Circuito III, por exemplo, cobre Pisaq, Moray e Ollantaytambo (mas não cobre Sacsayhuamán). Custa 70 soles e tem validade por 2 dias consecutivos a partir do primeiro uso. Os boletos parciais também podem ser comprado na entrada de qualquer um dos sítios arqueológicos.

Boletos turísticos
  • Local de venda: Cosituc
  • Endereço: Av. El Sol, 103, Galerías Turísticas
  • Telefone: 084 22-7037
  • Horário: diariamente 8h-18h
  • Preços:
    • Boleto geral: 130 euros (validade 10 dias, cobre todos os circuitos)
    • Boletos parciais: 70 euros (validade 2 dias, apenas num circuito)
  • Site oficial

Trocar o voucher pela passagem de trem a Aguas Calientes

A Peru Rail agora permite que a maioria dos passageiros imprima suas passagens em casa. Mas os passageiros da Inca Rail (e alguns poucos clientes da Peru Rail) precisam trocar o seu voucher da internet pela passagem definitiva. Isso não dá trabalho nenhum: as duas cias. de trem têm agências na Plaza de Armas. Se você perder o horário na praça, pode ainda trocar na estação de embarque, chegando meia hora antes.

Inca Rail
  • Endereço: Portal de Panes, 105, Plaza de Armas
  • Horários:
    • 2ª a 6ª: 7h-22h
    • sab, dom e feriado: 7h-20h
  • Site oficial

Peru Rail
  • Endereço: Portal de Carnes, 214, Plaza de Armas
  • Horário: diariamente 7h-22h
  • Site oficial

Câmbio em Cusco

Os guichês de câmbio da av. El Sol — informais, em sua maioria — costumam ter cotação melhor do que as lojas da Plaza de Armas. Caso a cotação esteja muito abaixo da praticada em Lima, lembre-se que o cartão de crédito costuma oferecer a melhor conversão de sol para dólar (mas está sujeito depois à variação cambial do real). Leia mais sobre que moeda levar para o Peru.

Agências de passeios em Cusco

Nesses seus dois primeiros dias em Cusco você terá chance de fazer cotações com diversas agências para decidir seus passeios do terceiro e do quarto dias. Por onde quer que você ande no centro histórico vai encontrar agências vendendo passeios parecidos (quando não os mesmos). Os preços também se equivalem: você vai encontrar variação apenas para os graus de conforto — um mesmo passeio pode ser feito em ônibus, van ou carro privado. (Alguns passeios podem ser feitos até com van de linha; explico adiante.)

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Preciso comprar os passeios com antecedência?

Quando a gente começa a ler sobre Cusco, nomes como “Ollantaytambo”, “Pisaq”, “Chinchero”, “Maras” e “Moray” parecem passeios exóticos ao fim do mundo. Não são. Esses cinco lugares (que valem muito a pena ser visitados e estão incluídos nesse roteiro) são o feijão-com-arroz do Vale Sagrado. São passeios facílimos de contratar em Cusco, com ou sem guia.

Vale a pena contratar com antecedência apenas quando você faz questão de guias que façam os passeios em português (e nesse caso, o melhor é procurar as operadoras brasileiras que montam pacotes para o Peru), ou se quer usar serviços testados por brasileiros. Mas se você não fizer questão absoluta de uma agência/guia específico, não precisa esquentar a cabeça com procedimentos de reserva, confirmação e envio de depósito, não.

Primeiras 48 horas em Cusco: slow travel

Mate de coca

No primeiro dia, não se exija demais. Tome chá de coca ao chegar ao hotel (sempre tem uma térmica, xícaras e sachezinhos na recepção) e descanse um pouco antes de sair. O check-in nos hotéis de Cusco costuma ser às 11h — o check-out é às 9h — então você vai conseguir subir direto para o quarto.

Movimente-se sem pressa, evite álcool, beba bastante água e chá de coca. Se o hotel ficar numa ladeira, volte de táxi — as corridas dentro da cidade custam 5 soles (mas é preciso sempre confirmar o preço com o taxista antes de entrar no táxi).

No segundo dia o seu corpo já estará mais aclimatado, e você conseguirá cumprir o programa de passeios básicos mesmo se não tiver feito nada no dia de chegada. Vá ticando as atividades de acordo com a sua disposição.

Qoricancha

Qoricancha

Qoricancha

Cusco e Vale Sagrado: Qoricancha

Faça da sua primeira por Cusco um passeio à maior relíquia do período inca, o Qoricancha.

À primeira vista, trata-se apenas de uma igreja católica — o Convento de Santo Domingo. Perceba, porém, o muro de borda arredondada, erguido com pedras impecavelmente encaixadas, que envolve o canto da construção que dá para o jardim. Esta parede é remanescente do Templo do Sol original, e serviu como fundação para a igreja que os espanhóis construíram no lugar (e que, ao contrário do muro, veio abaixo num terremoto em 1650).

Dentro do convento, uma área escavada revela a arquitetura peculiar de paredes levemente inclinadas e aberturas alinhadas em perfeita simetria. Pense que essas paredes eram revestidas de ouro e prata! Uma pequena lâmina sobrou da época em que o templo era dourado, e pode ser vista numa das paredes do convento — que, de resto, tem um bonito claustro e uma galeria de arte católica executada por artistas cusqueños.

Caso você tenha comprado o boleto integral, pode aproveitar a viagem para descer no Museu do Sitio Qoricancha, que fica no subterrâneo do jardim externo e expõe artefatos encontrados durante as escavações.

Qoricancha
  • Endereço: Santo Domingo, s/n
  • Horários:
    • 2ª a sáb: 8h30-17h30
    • dom: fechado
  • Ingresso: 10 soles (não incluído no boleto turístico)

Museu do Sítio Qoricancha
  • Endereço: av. El Sol, s/n, subterrâneo
  • Horários:
    • 2ª a sáb: 9h-18h
    • dom: fechado
  • Ingresso: incluído no boleto turístico
  • Site oficial

Catedral de Cusco

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A outra grande atração da cidade é a Catedral de Cusco, que reina impávida na Plaza de Armas. Fora das missas (que acontecem às 6h da manhã e permitem acesso grátis ao interior), a entrada é pela porta da esquerda. Você entra e pode até achar que a igreja é um pouco acanhada para ser uma catedral — mas calma: trata-se de uma capela auxiliar, a Igreja da Sagrada Família.

A nave principal da Catedral está na seqüência da visita, e de acanhada não tem nada: não me lembro de ter estado em igreja colonial maior que esta. Como levou quase 100 anos para ser concluída, a Catedral mistura estilos: podem ser encontradas influências góticas, maneiristas e barrocas. O que você não pode perder, no entanto, são as duas peças com cor local. A mais importante é a capela dedicada ao Senhor dos Tremores (Señor de los Tremblores), um Jesus Cristo que se amorenou devido à fumaça das velas votivas e arrasta uma multidão de fiéis sempre que sai em procissão.

Já a peça mais curiosa é uma Última Ceia, exposta perto do canto direito da nave, ao fundo, em que Jesus e os apóstolos fazem uma refeição andina, com cuy (porquinho-da-índia), rocoto (pimentão recheado) e mamão-papaia. Continuando pela direita, o próximo recinto é uma nova igreja auxiliar, a Sagrada Família. Ali ficam a sala da prataria e a descida para a cripta, onde estão enterrados os bispos de Cusco.

(Fãs de igrejas devem visitar também a Compañía de Jesús, na lateral da Plaza de Armas; La Merced, na calle Mantas, 121; San Francisco, na praça entre a plaza del Regocijo e o arco de Santa Clara; Santa Clara, logo depois do arco; e San Blas, na plazoleta do bairro alto de Cusco.)

Catedral de Cusco
  • Endereço: Plaza de Armas
  • Horários: diariamente 10h-18h
  • Ingresso: 25 soles

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Mercado de San Pedro
Mercado San Pedro

O melhor passeio antropológico de Cusco é uma passadinha pelo Mercado Central de San Pedro. O caminho é lindo: você passa pelo Arco de Santa Clara e, mesmo sem sair do centro histórico, já sai do coração turístico da cidade. No Mercado, além de ver todos os milhos e tubérculos e frutas que só existem por aqui, você vai encontrar restaurantículos que servem comida caseira para um público 100% cusqueño — com setores distintos para cada especialidade (sucos, sopa de galinha, leitão…). Veja o relato da minha visita aqui.

Mercado Central de San Pedro
  • Endereço: Santa Clara esquina Cascaparo
  • Horário: diariamente 6h30-18h30
  • Ingresso: grátis

Museu de Arte Pré-Colombiana (MAP)

MAP Cusco

Quando você tiver fôlego para subir até o alto de San Blas, aproveite para visitar o elegante MAP, que é a filial cusqueña do museu Larco de Lima. O museu de Cusco segue a mesma lógica do limeño, com salas dedicadas às variadas culturas que formaram o Peru (só que aqui há também uma sala inca) e galerias temáticas por material (ouro, prata, madeira, osso).

MAP
  • Endereço: Plaza de las Nazarenas, 231
  • Horário: diariamente 8h-22h
  • Ingresso: 20 soles
  • Site oficial

Sacsayhuamán: vale a pena?

Cusco e vale Sagrado: Sacsayhuamán
[legenda]Sacsayhuamán[/legenda]

Cusco tem seu próprio sítio arqueológico: é Sacsayhuamán. Fica no alto de uma colina a menos de 10 minutos de táxi (10 soles) da Plaza de Armas.

Para os que crêem que Cusco foi construída em formato de puma, Sacsayhuamán seria a cabeça do animal sagrado dos incas. Intui-se que a cidadela fortificada tinha como função principal a proteção da cidade; as proporções monumentais de sua praça também fazem supor seu uso para atividades cerimoniais. ]

Infelizmente a cidadela foi largamente desconstruída pelos espanhóis, que usaram suas pedras para construir igrejas. Visitando com um guia (que pode ser contratado no local a 30 soles) você terá uma aula que ajudará na compreensão das próximas ruínas do programa.

Sem guia… o que você vai ver é um lugar desolado e meio desconjuntado, primo pobre das ruínas que você verá nos dias seguintes. (Tours organizados costumam complementar o passeio com uma passada no superbrega Cristo Blanco, um mirante com um Cristo Redentor.)

Minha opinião: vá se você já tiver se adaptado à altitude, se for contratar um guia e se tiver ânimo para voltar a pé — a vista da cidade do mirante da igreja de San Sebastián é um deslumbre, e de lá você pode descer por ruelinhas estreitas até a Plaza de Armas (pra baixo, toda divindade inca ajuda).

Sacsayhuamán
  • Horário: diariamente 7h-17h30
  • Ingresso: incluído no boleto turístico
  • Site oficial

Onde comer em Cusco

O que não falta no centro histórico são restaurantes baratos, servindo tanto comida típica quanto as cozinhas mais apreciadas pelos turistas (italiana, mexicana, pizza). Quando quiser dar um upgrade no seu almoço ou jantar, use este guia.

Cusco: restaurante Cicciolina

O restaurante de que mais gostei em Cusco foi o Cicciolina (Triunfo, 393 2º andar, tel. 084 23-9510; reserve!), no começo da ruazinha que sobe para San Blas. Jamais iria a um restaurante com esse nome (!), mas como a fonte era confiável (um ótimo guia da Lares Adventure), fui conferir. Adorei (e repeti). Tagliatelle com tinta de lula e camarão ao leite de coco divino.

A cena gastronômica mais arrumadinha de Cusco é dominada pelo grupo Cusco Restaurants, que tem ótimos restaurantes de diferentes perfis. O Pachapapa (Plaza San Blas, 120, tel. 084 24-1318), no alto de San Blas, tem um belo pátio com um forno a lenha de onde saem boas pizzas; da cozinha saem pratos típicos como o lomo saltado (filé com legumes, acompanhado de arroz).

Se der saudade de ceviche de mar (em Cusco os ceviches costumam ser de truta), vá ao Limo (Portal de Carnes, 236 2º andar, Plaza de Armas, tel. 084 24-0668); reserve uma mesa com vista para a Plaza de Armas. O Greens Organics (Santa Catalina Angosta, 135 2º andar, tel. 084 24-3379), do mesmo grupo, não chega a ser natureba, mas capricha nas saladas e nos legumes como acompanhamento.

Papachos Cusco

Chicha, Cusco

O poderoso chef Gastón Acurio marca presença em Cusco com dois restaurantes: o Chicha (plaza Regocijo, 261 2º andar, tel. 084 24-0520), com versões haute cuisine para clássicos da culinária cusqueña (reserve), e o Papacho’s (Santa Catalina Angosta, 115, tel. 084 24-5359), uma hamburgueria com bossas peruanas (abacate, banana, ají apimentado).

Café de Mamá Oli

Caso você suba de dia ao Museu de Arte Pré-Colombiana, recompense o esforço com uma das melhores tortas de banana da sua vida no Café de Mamá Oli (Plazoleta Nazarenas, 199), na pracinha.

Finalmente, os melhores chilcanos da cidade estão no Museo del Pisco (Santa Catalina Ancha, 398, esquina San Agustín, tel. 084 26-2709), aberto desde o meio-dia.

Vale Sagrado

Caça aos tesouros

Vale Sagrado: Pisaq

Valle Sagrado de los Incas é o nome-fantasia do belo Vale de Urubamba, que se estende ao longo do rio Urubamba de Pisaq, ao sul, a Ollantaytambo, ao norte, formando um quase-triângulo com Cusco.

As terras contíguas ao rio e ao pé das altíssimas montanhas que cercam o vale são extremamente férteis, e foram fundamentais na produção de alimentos que permitiam aos incas manter tantos braços ocupados na construção e na guerra. É uma região que, só pela paisagem, já justificaria a visita — a estrada entre Pisaq, Urubamba e Ollantaytambo acompanha o leito do rio, e em dias claros no meio do ano avistam-se picos nevados. Mas o que torna obrigatória a exploração do Vale são as impressionantes ruínas incas que vão preparando, num crescendo, a sua chegada a Machu Picchu.

Nesse itinerário de 9 noites, dá para destacar dois dias para percorrer, sem correria, as atrações mais visitadas do Vale. Como eu já disse anteriormente, por mais exóticos que soem seus nomes, esses lugares são o básico do básico do Vale Sagrado. Minha única contribuição é ordenar a visita de modo a aproveitar melhor o seu tempo e garantir a seqüência mais bacana.

No primeiro dos dois dias, sugiro um bate-volta de Cusco a Pisaq. (Por que não dormir em Pisaq ou Urubamba? Porque Cusco é uma graça e merece mais uma noite.) No segundo dia, minha recomendação é fazer um itinerário consagrado tanto por agências quanto por taxistas: ir de Cusco a Ollantaytambo passando por Chinchero, Salinas de Maras e Moray. Durma em Ollantaytambo e visite o sítio arqueológico local na manhã seguinte, antes de seguir a Aguas Calientes e Machu Picchu. Veja o detalhamento do itinerário na seqüência do texto.

Cusco com guia ou sem guia?

Essa é uma decisão de muito pessoal. Se você gosta de tour guiado, se você fica perdido sem quem dê explicações in loco, sem dúvida opte por um tour guiado, ou pelo menos contrate um guia no local (sempre haverá guias disponíveis nas portarias de entrada, cobrando algo entre 20 e 30 soles, menos de 10 dólares).

Caso você não curta uma torrente de explicações a cada novo muro, faça os passeios só com motorista ou em van de linha. Mas não deixe de levar a tiracolo um guia de papel (ou no celular); você vai precisar.

É importante destacar que há muito pouca certeza sobre a história e a função de cada lugar. Os incas não dominavam a escrita, e os cronistas espanhóis que acompanhavam os conquistadores não se preocuparam muito em perguntar aos vencidos os detalhes que os futuros visitantes gostariam de saber. (Na minha primeira viagem a Cusco peguei um guia que simplesmente desdenhava qualquer informação que tivesse sido escrita pelos conquistadores; ele não acreditava nem na existência dos ‘templos do sol’.)

O que se sabe ao certo é que os incas tinham domínio avançadíssimo da astronomia e da passagem das estações. A hora exata dos solstícios de verão e de inverno eram calculadas com precisão, e o ponto em que incidia o primeiro raio sol no solstício era tido como auspicioso. Na vida prática, esse conhecimento era aplicado na agricultura, que era muito desenvolvida e tinha seu rendimento potencializado por técnicas engenhosas de secagem, conservação e armazenamento.

Caso você tenha verdadeira curiosidade pelas explicações mais aceitas sobre cada uma das cidadelas incas que vai visitar, faça seu dever de casa: pesquise e leia antes de viajar. Dessa maneira você vai assimilar muito melhor o conteúdo explicado pelos guias.

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Bate-volta de Cusco a Pisaq

Pisaq

Pisaq fica a 35 km de Cusco, na direção nordeste — um caminho que se percorre em 50 minutos, por uma estrada estreita e sinuosa (como todas desta viagem).

Como fazer o bate-volta de Cusco a Pisaq

  • Tour guiado de van ou ônibus — é difícil conseguir um passeio exclusivo a Pisaq. A maioria dos passeios inclui Chinchero e Ollantaytambo no circuito (por algo em torno de 70 soles/20 dólares por pessoa) e por isso não servem para este roteiro.
  • Tour guiado privado — as agências vão cobrar entre 100 e 130 dólares pelo carro com motorista e guia.
  • Tour privado com motorista, sem guia — a Real Inka (av. Grau, 496, esquina Pavitos, tel. 084 24-6245) cobra 55 dólares pelo carro com motorista, sem guia.
  • Táxi — negociando na calle Pavitos ou na calle Puputi, você pode conseguir um táxi por algo entre 45 e 55 soles/15 dólares até Pisaq. Tratar passeios com profissionais avulsos sempre é mais arriscado do que com empresas. Para voltar você precisará negociar outro táxi em Pisaq.

Calle Puputi

  • Van de linha (colectivo) — as vans/colectivos para Pisaq saem da calle Puputi, a 1,5 km da Plaza de Armas (20 minutos a pé ou 5 minutos de táxi, por 5 soles). A passagem custa entre 4 e 5 soles por pessoa em cada direção. As vans param na parte plana da Pisaq. Para subir ao sítio arqueológico, você vai precisar negociar um táxi local (entre 20 e 30 soles/6 e 8 dólares em cada direção; a cooperativa fica na av. Amazonas, junto à ponte).

Os preços em tours de ônibus, tours de van e vans de linha são por pessoa. Os preços de tours privados e corridas de táxi são por carro. Os preços de vans de linha e táxis são por trecho (só ida ou só volta). Não está incluído o preço do boleto turístico, que dá direito a entrar nos sítios arqueológicos. Gastos com refeições e bebidas são sempre à parte.

Awana Kancha

Vale Sagrado: Awana Kancha

Caso você vá em tour privativo (com ou sem guia), inclua no itinerário uma parada no Awana Kancha, mais ou menos na metade do caminho. O lugar, criado e mantido por uma OnG, serve como uma aula sobre a produção têxtil artesanal do Peru.

Já na entrada, você vai ser apresentado aos quatro camelídeos que fornecem suas fibras para os tecidos andinos: a lhama e o guanaco (ambos do gênero lhama), a vicunha e a alpaca (do gênero vicunha). Num quiosque próximo ao cercado dos bichos é possível ver os pigmentos naturais usados para tingir os fios (e que hoje em dia praticamente não são mais usados, tendo sido substituídos por produtos sintéticos). Mais adiante, senhoras artesãs de pueblos das redondezas estão a postos demonstrando a arte do tear, trabalhando sentadas no chão, como se faz há seculos.

Finalmente, uma loja (com preços fixos!) vende a produção dessas artesãs tradicionais.

Awana Kancha
  • Endereço: carretera Cusco-Pisaq, km 23
  • Horário: diariamente 8h-17h30
  • Ingresso: grátis
  • Facebook oficial

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Pisaq inca

Pisaq

A 3.300 metros de altitude (100 a menos que Cusco, mas 300 acima do vilarejo de Pisaq), a cidadela inca de Pisaq tinha funções agrícolas e militares. Estava estrategicamente posicionada num caminho inca que ligava Cusco à selva amazônica, controlando o acesso ao Vale Sagrado.

Ao chegar, o que você vai ver primeiro são os terraços agrícolas (antigamente, irrigados) meticulosamente construídos para aproveitar melhor a fertilidade do terreno e conter a erosão das encostas. (Fora das ruínas, o sistema é usado até hoje; famílias de Pisaq e de outros vilarejos do Vale possuem terraços nas encostas onde cultivam sobretudo milho e batatas.) As construções que você verá na colina ao fundo — e aonde os passageiros dos tours mais vapt-vupt não têm tempo de chegar — formam a área cerimonial da cidadela.

No topo fica o que se acredita ser o Templo do Sol, que também serviria como observatório astronômico. Abaixo do templo ficariam recintos em que os mortos da classe dirigente eram velados, embalsamados e preparados para a outra vida. Preste atenção na encosta da montanha do outro lado do rio. Procure buracos na pedra — achou? Eram túmulos da nobreza (a maioria já foi vandalizada; hoje não se pode nem chegar perto).

Caso você tenha ido a Pisaq de colectivo, vai precisar contratar um táxi pra subir (a cooperativa fica junto à ponte na avenida Amazonas; a corrida pode ser negociada entre 20 e 30 soles) e outro para descer (haverá táxis na porta). Andarilhos em excelente forma (e munidos de água e barras de cereal) podem encarar os 4 km do vilarejo ao parque; considere levar duas horas para subir e uma hora e meia para descer.

Pisaq
  • Horário: diariamente 6h-17h30
  • Ingresso: incluído no boleto turístico
  • Site oficial

 

Mercado de Pisaq

Mercado de Pisaq

O maior mercado do Vale Sagrado acontece todo domingo em Pisaq, coincidindo com a missa mais importante da semana. As barracas de artesanato, produtos e comida irradiam a partir da praça central pelas ruas transversais. Terça e quinta são dias de mercado secundário. Nos outros dias da semana as barracas de artesanato continuam funcionando para proveito dos turistas.

Caso você siga exatamente o roteiro que proponho, o dia de visita a Pisaq vai cair numa quarta. Se por um lado vai estar menos colorido, por outro você vai ter mais calma para passar as barracas em revista — e melhores condições para pechinchar num dia devagar para negócios. (Spoiler: a imensa maioria do que está à venda é de artesanato feito em série e não difere do que você encontra em Cusco, Ollanta ou Aguas Calientes.)

Não se chateie por não ter vindo num domingo: tem um mercado dentro do centro histórico de Cusco que é superautêntico e muito menos freqüentado por turistas do que o de Pisaq: falo do Mercado Central de San Pedro.

Mercado de Pisaq
  • Horário: diariamente 9h-17h
  • Ingresso: grátis

Este bate-volta de dia quase inteiro a Pisqa permite voltar a tempo de curtir o entardecer e aproveitar a noite de Cusco. No dia seguinte, vamos iniciar a aproximação final a Machu Picchu.

De Cusco a Ollantaytambo via Chinchero, Maras e Moray

Ollantaytambo (diga “Oi-antay-tambo”, ou simplesmente “Oianta”) é o lugar da última estação para pegar o trem de Machu Picchu. Aproveitar o deslocamento de Cusco até lá para dar um rolê pelo Vale Sagrado é o truque mais básico para fazer sua viagem render.

Os tours mais the flash espremem todas as principais atrações do Vale (Pisaq, Chinchero, Maras, Moray e Ollanta) num giro só, e ainda embarcam o passageiro no trem imediatamente ao chegar em Ollanta. Rápido demais da conta! Você acaba não subindo às ruínas de Pisaq e não tendo tempo para explorar Ollanta como se deve. Na minha opinião, é fundamental dormir em Ollantaytambo e passear pela fortaleza de manhã, antes de pegar o trem.

Outros dividem as atrações entre os dois percursos: Pisaq e Ollantaytambo na ida; Moray, Maras e Chinchero na volta. Logisticamente, faz todo o sentido. Mas eu não endosso o esquema, por dois motivos. O primeiro: eu não deixaria nada para ver depois de Machu Picchu; este roteiro de 9 noites que você vê nesta série está construído como uma seqüência em que cada nova atração é mais espetacular que a anterior. E depois, porque o terceiro (final de) dia em Cusco será provavelmente o primeiro em que você curtirá a cidade com os seus pulmões razoavelmente adaptados à altitude. Não há porque apressar a saída da cidade.

Como ir de Cusco a Ollantaytambo via Chinchero, Moras e Moray

  • Tour guiado de van ou ônibus — só faça se Ollantaytambo for a última parada, e se deixarem você levar sua mochila. Você pode encontrar a 70 ou 80 soles por pessoa (25 dólares)
  • Tour guiado privado — as agências vão cobrar entre 170 e 200 dólares pelo carro com motorista e guia.
  • Tour privado com motorista, sem guia — a Real Inka (av. Grau, 496, esquina Pavitos, tel. 084 24-6245) cobra 80 dólares pelo carro com motorista, sem guia. A TaxiDatum cobra 65 dólares pelo carro com motorista, sem guia.
  • Táxi — negociando na calle Pavitos, você pode conseguir um táxi por algo entre 120 e 150 soles (45 dólares). Tratar passeios com profissionais avulsos sempre é mais arriscado do que com empresas.

Real Inka

Da esquina da calle Pavitos com av. Grau saem microônibus (colectivos) da Real Inka o dia inteiro (sempre que lotem), que vão a Ollantaytambo via Urubamba por 12 soles (1h45 de viagem). Você pode usar esse serviço se dispensar Moray e Salineras de Maras (ou se fizer Moray e Salineras num tour de meio dia; sai entre 30 e 40 soles/13 dólares por pessoa).

Os preços em tours de ônibus, tours de van e vans de linha são por pessoa. Os preços de tours privados e corridas de táxi são por carro. Os preços de vans de linha e táxis são por trecho (só ida ou só volta). Não está incluído o preço do boleto turístico, que dá direito a entrar nos sítios arqueológicos. Gastos com refeições e bebidas são sempre à parte.

Onde deixar a mala?

Limite de bagagem
[legenda]Atenção: limite de bagagem nos trens![/legenda]

Os trens a Machu Picchu só permitem levar uma mochila ou bolsa pequena. E agora? Não se preocupe, tem um esqueminha montado para guardar bagagem, que todo mundo usa.

Se você for voltar de Aguas Calientes direto para Cusco (Poroy), deve deixar sua bagagem mais pesada no seu hotel em Cusco (todos prestam esse serviço gratuitamente).

Caso você volte de trem de Aguas Calientes só até Ollantaytambo (continuando de van a Cusco), você pode deixar a bagagem pesada no guarda-volumes da sua cia. ferroviária.

Chinchero

Vale Sagrado: Chinchero

Este simpático vilarejo a 25 km de Cusco (50 minutos) justifica a parada com duas atrações. A primeira fica ao fim de uma curta caminhada pelo centrinho histórico: a Igreja de Nossa Senhora de Montserrat foi a que mais me emocionou em toda a viagem. Pobrezinha e singela, a igrejinha de Chinchero conquista justamente por não ostentar a suntuosidade das igrejas de Cusco; seus afrescos internos são deliciosamente naïfs (fotografia é proibida).

A segunda parada na vila é para ver uma demonstração de uso de tear inca (com uma oportunidade de comprar tecidos direto da tecelã). Caso você tenha visitado o Awana Kancha a caminho de Pisaq, pode dispensar essa escala.

Salineras de Maras

Salineras de Maras

26 km (35 min.) adiante de Chinchero, as Salinas de Maras são as relíquias históricas do Vale Sagrado que permanecem em uso. Os tanques de extração de sal remontam a dois mil anos — muitíssimo antes dos incas. Cada um dos tanques é alocado a uma família que mora na região; a manutenção é feita pela cooperativa. A água do lençol extremamente salino do subsolo é canalizada e vai enchendo os tanques pela força da gravidade; quando um tanque está cheio, o dono corta o fluxo e deixa o sal aparecer pela evaporação da água.

É permitido passear pelos tanques; se você molhar o dedo na água salgada, ao retirar vai sentir a água evaporar e o sal se formar instantaneamente.

vale-sagrado-salineras-mara

Entre a bilheteria e as salinas você vai passar por um labirinto de lojinhas que vendem artesanato e lanchinhos. Vai por mim: os chips de banana (plátano) que vendem neste lugar são os mais deliciosos que você vai comer nesta encarnação. Eu voltaria a Maras só por eles, jupurdeus.

Salinas de Maras (Salineras de Maras)
  • Endereço: Carretera a Maras, Urubamba
  • Horário: diariamente 8h-17h
  • Ingresso: 10 soles

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Moray

Moray

A 12 km (25 min) das salineras, Moray oferece uma das paisagens mais bonitas da viagem. Uma série de terraços escavados no terreno, a maior parte deles perfeitamente circulares e concêntricos, circundados por outros quase ovalados, formando uma estrutura que poderia funcionar como uma arena ou um estádio. Nada disso. Os estudiosos tendem a concordar que Moray era um laboratório agrícola onde sementes eram testadas sob condições diferentes oferecidas por cada ‘degrau’ dos terraços. Trata-se de um sítio arqueológico compacto, mas que exige fisicamente — isto é, caso você queira descer até a borda dos terraços. (Eu desci e não me arrependo.)

Moray
  • Horário: diariamente 8h-17h
  • Ingresso: incluído no boleto turístico
  • Site oficial

Ollantaytambo

Ollantaytambo

A 28 km (por estrada de terra; 1h) ou 38 km (pelo asfalto, 1h) de Moray, ou 70 km de Cusco (1h30 de carro), Ollantaytambo (Ollanta para os íntimos; diga ‘Oianta’) é uma pequena jóia pela qual a maioria dos visitantes passa apressada demais.

O script habitual dos passeios faz com que se chegue a Ollanta no fim do dia, a tempo de subir à Fortaleza (como é conhecido o parque arqueológico da cidade), mas já em condições ruins de luz (o sol incide sobre a montanha de manhã cedo). Pouca gente acaba passeando pela parte mais antiga da cidade, que segue o mesmo traçado dos tempos incas. Por isso, na minha opinião, pernoitar em Ollanta é crucial.

Onde ficar em Ollantaytambo

As notas dos hotéis foram apuradas em abril de 2020

El Albergue

Um dos hotéis mais encantadores da minha viagem, El Albergue Ollantaytambo (nota 9,2 no Booking) fica dentro da estação de trem. A entrada é pela plataforma de embarque (ali fica também o restaurante). Os quartos estão distribuídos em dois sobrados voltados para o jardim e as montanhas — e são charmosíssimos. Se você for hóspede, pode guardar sua mala quando subir a Machu Picchu e buscar na volta. Caso você não consiga se hospedar aqui, pelo menos venha jantar.

Pakaritampu

O Pakaritampu (nota 9 no Booking) é um hotel convencional, com jardins bem cuidados e localização conveniente, a 100 metros da estação. (Mas eu só ficaria se não tivesse vaga no El Alergue).

Apu Lodge

O antigo pueblo inca é pontilhado de hostels e pousadas baratinhas. No meio das ruelas históricas, a Kamma Guest House (nota 9,4 no Booking) é a escolha mais charmoa. Querendo o conforto de uma edificação recentemente construída, reserve o Apu Lodge (nota 9 no Booking), que fica na beira do quarteirão inca, na última das ruelas, junto à montanha.

Onde comer em Ollantaytambo

Ao chegar, vale a pena pegar uma mesa debruçada no rio no Orishas Café (av. Ferrocarril, 119, tel. 084 20-4178) — mais pela vista, que é agradabilíssima, do que pela comida, que é só OKzinha.

El Albergue

Para jantar, não deixe de reservar uma mesa no El Albergue (av. Ferrocarril, 1, dentro da estação; tel. 084 20-4014; pedidos à cozinha até 21h). É o restaurante mais concorrido da cidade, e com razão: a comida é de chef e as mesas, e o ambiente clássico deixa tudo mais gostoso.

O que fazer em Ollantaytambo
Ollantaytambo

Ollantaytambo está a 2.800 metros de altitude, 600 metros abaixo de Cusco. Mesmo assim, não vá gastar seu fôlego subindo e descendo a avenida del Ferrocarril entre a estação e o centrinho. Tuk-tuks fazem a viagem por 2 soles; aproveite.

Ollantaytambo

Não pense que Ollantaytambo é a sua pracinha principal. O tesouro urbano de Ollanta se esconde à direita de quem entra na cidade. Ali você vai caminhar por ruelas cujo traçado foi definido antes dos incas, e que mantêm muros multicentenários. Vai por mim: vai ser um dos momentos mais fotogênicos da sua viagem. Se tiver disposição, faça uma primeira visita ao chegar; se der tempo, passe de volta no dia seguinte, depois de visitar a Fortaleza.

Ollantaytambo

No dia seguinte, tome café o mais cedo possível e dirija-se ao Sítio arqueológico de Ollantaytambo ou Fortaleza. O sol do início da manhã vai incidir sobre o alto da montanha, iluminando toda a área religioso-militar acima dos terraços. Suba devagarinho, que vale a pena: passe pela ‘porta’ que leva ao inacabado Templo do Sol e veja as pedras que estavam ali para que fosse completado; elas são conhecidas como “pedras cansadas”. Não deixe de olhar na direção da montanha em frente, acima do pueblo: ali você verá estruturas que eram usadas para armazenar grãos e tubérculos — os silos incas.

Programe sua viagem de trem a Aguas Calientes/Machu Picchu Pueblo para o início ou o meio da tarde (veja como comprar a passagem de trem a Aguas Calientes).

Fortaleza de Ollantaytambo
  • Horário: diariamente 8h-17h
  • Ingresso: incluído no boleto turístico
  • Site oficial

Este roteiro continua aqui.

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83 comentários

Acabei de chegar de Machu Picchu. Escrevo do hotel em Cusco. Tem que trocar sim o papel que vc imprime da compra por um voucher definitivo em Machu Picchu Pueblo (Águas Calientes). Assim que se acomodar na cidade, vá à praça principal e troque (funciona das 5:45 às 20:30). Aproveite e passe no ponto de venda do bilhete do ônibus pra ser uma fila a menos no dia seguinte. Peguei a fila às 6h, foram duas horas de fila. Não me arrependo do horário que saí do hotel. Quem chegou mais cedo esperou duas horas (ou mais) do mesmo jeito.

Oi VNV. Primeiro gostaria de dizer que amo o site e uso sempre como primeiras buscas quando decido viajar para algum lugar.
Na parte “onde ficar em Cusco” tem um erro: “o básico Casa Andina Classic Plaza (nota 8,8 no Booking) tem tarifas bastante abordáveis; seu vizinho Sonesta Posadas del Inca oferece conforto 4 estrelas num prédio que é mais interessante por fora do que por dentro.”. O hotel SONESTA PAUSADAS DEL INCA fica em Urubamba e não no centro de Cusco. Acabei não checando o endereço quando vi as dicas e reservei o hotel por ter gostado das fotos e do preço e fui parar bem longe do meu objetivo. Só para não acontecer com mais alguém.
Ps.: a viagem para o peru é simplesmente incrível.

    Cynthia, lamento pelo ocorrido. O que aconteceu foi que o Posadas del Inca de Cusco está fechado para reformas, por isso o link não funcionou. Você deve então ter pesquisado no Google e encontrado o hotel de Urubamba. Vamos retirar o hotel da lista.

Dicas muito boas. Mas fujam do tal hotel Unaytambo Bourique Hotel!!!
Café da manhã super meia-boca, água quente do chuveiro falhou em dois dias (e é frio pra caramba!), internet falhou por dois dias e os funcionários sempre com sorrisos inúteis e uma preguiça de fazer inveja a qualquer soteropolitano

Algumas sugestões sobre esse excelente roteiro. Fiz exatamente o roteiro indicado mas na ordem inversa. Deixei Lima para o final. Não me arrependo e gostei bastante. Mas acho que ambos os modos são interessantes. Sobre o roteiro especificamente: Ollantaytambo é tão imprescindível quanto Machu Picchu, vale sim passar uma noite e fazer o passeio pela manhã. Indico a guia Monica Fiorela ([email protected] / 952343083). Além de ter ser formada em história e mestrado em Ollantaytambo, ela é moradora nativa do local e tornou nossa experiência inesquecível. Contratamos o passeio de 1,5 hora mas ela acabou ficando mais de 2 horas explicando tudo. Vale a pena procurá-la – inclusive para outros passeios na região do Vale Sagrado. Me arrependi em fazer o trajeto Cusco/Ollantaytambo via tour privado pois o “guia” não passava de um bom motorista. Alias não se preocupe no Brasil em como arrumar seus passeios. É muito fácil achar um que contemple seu roteiro. Se você tiver tempo (leia-se o que está escrito no roteiro) dá para fazer tudo sem gastar a mais com tours privados.

Olá! Estou para viajar com minha mãe de 82 anos, para Lima e Cusco (4 dias para cada). Ela está ótima de saúde 🙂 , caminha todos os dias, mas só tem algumas restrições com subidas (assim como eu , por conta da minha coluna). Estou tirando Machu Pichu da visita, fora isto vocês acham que devo eliminar algum outro passeio deste roteiro maravilhoso acima, sobre Cusco? Se tiver passeios que eu tenha que pagar o taxi ou carro, não temos problema. Muito obrigada, Clarissa

    Olá, Clarissa! Vocês não vão conseguir subir no sítio arqueológico de Ollantaytambo, mas a vista também é bonita de baixo. Em Machu Picchu é possível entrar e ter uma linda vista da cidadela, sem precisar fazer todo o circuito — são 5 minutos de caminhada desde a entrada. (Não vai dar para ver a vista mais panorâmica, que requer uma subida, mas se você não quiser voltar sem dar uma entrada em Machu Picchu, pode fazer essa visita ultra-simplificada.)

Boia, é necessário tomar vacina da febre amarela para ir ao Peru?

    Olá, Marcelo! Ainda não. Mas recomendamos a todos que podem tomar, que tomem e providenciem o certificado internacional. E quem não possa tomar, que providencie o certificado de isenção. É provável que todos os países tropicais venham a pedir a vacina de brasileiros, mais cedo ou mais tarde. A vacina agora vale a vida inteira, é uma dor de cabeça a menos para toda a eternidade.

Boa noite!
Parabéns pelas dicas!
Estamos indo em outubro/2017 e seguiremos o seu roteiro.
Já comprei, no site oficial, os ingressos para Machu Picchu.
Minha dúvida é:
Os ingressos recebidos via e-mail são válidos, ou terei que procurar, em Cusco, um agente credenciado para a troca por ingressos definitivos.
Abs

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