Instituto Moreira Salles: a mais nova parada cultural na Avenida dos Museus

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Heloísa Dall'Antonia
por Heloísa Dall'Antonia

Instituto Moreira Salles, São Paulo

Desde 20 de setembro de 2017, com a mudança do Instituto Moreira Salles para a Paulista, dá pra afirmar que cada parada da Linha Verde do metrô na famosa avenida de São Paulo leva a uma experiência cultural diferente.

A estação Brigadeiro deixa o visitante quase na porta da Japan House. A Trianon/Masp fica a metros da entrada do Museu de Arte de São Paulo. E a Consolação fica a alguns passos da entrada da mais nova atração da avenida: o Instituto Moreira Salles.

Insituto Moreira Salles, São Paulo

Entrada (térreo) e Recepção (4º andar)

O novíssimo prédio tem sete andares com pé direito duplo, espaçosos o suficiente para acomodar o riquíssimo acervo cultural nas áreas de fotografia, música, literatura e iconografia. E a estrutura, por si só, já é um convite a conhecer o IMS. A porta de entrada, na Paulista, não intimida. Em vez de bilheteria ou guarda-volumes, tem apenas escadas rolantes que convidam os passantes a subir. A entrada está quatro andares acima -- um espaço parcialmente aberto nas laterais que proporciona uma bonita vista da Paulista.

A construção do edifício é o tema da exposição que ocupa o último andar do prédio. 'Câmera Aberta', de Michael Wesely, mostra imagens captadas através de seis máquinas (criadas por ele) durante o período em que o IMS foi erguido. As câmeras, posicionadas em diferentes pontos da vizinhança, captaram as imagens continuamente. Mas não se trata de um time lapse comum. Wesely desenvolveu uma técnica capaz de expor um mesmo negativo por anos, mostrando assim toda a passagem de tempo numa única imagem. As máquinas foram instaladas antes do início da obra e retiradas apenas na época da inauguração. Uma dessas máquinas faz parte da exposição, que permanece em cartaz até 30 de setembro de 2018.

No último andar também se encontram totens de informações sobre fotos do acervo e algumas das salas utilizadas nos cursos e oficinas oferecidos. (Fique atento à agenda – há MUITAS opções.)

Até 29 de julho de 2018 estará em cartaz 'São Paulo – Três Ensaios Visuais', uma seleção de imagens da cidade do século 19 até os dias atuais. Com os temas 'Letreiros', 'Construção/Demolição' e 'Personagens', uma narração em off contextualizava história e imagens.

As 83 fotos da série 'Os Americanos', de Robert Frank, ocupam outro dos andares. O espaço é dividido com o projeto 'Os Livros e os Filmes', desenvolvido por Frank em parceria com Gerhard Steidl. As imagens são fruto de uma viagem que o fotógrafo fez de carro pelos Estados Unidos. Por quase nove meses, ele retratou pessoas comuns, das mais diversas culturas e faixas sociais. O resultado é uma representação bastante interessante do país e de seus habitantes na década de 50.

'Os Livros e os Filmes' apresenta, além das publicações de Frank, vários banners de quase 3 metros em que foram impressas imagens de itens relativos à sua filmografia. Estão ali representadas obras como 'Pull My Daisy' (baseado em um texto de Jack Kerouac), 'Fernando' e 'Eu e Meu Irmão', entre outros. As duas exposições ligadas ao artista ficam ali até o dia 30 de dezembro de 2017.

Outro andar apresenta 'Corpo a Corpo: a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo', uma interessante mostra de sete artistas. Ali há desde retratos dos participantes de um concurso para a escolha de um novo MC de uma produtora de funk, até imagens aumentadas de detalhes do gestual de políticos do Congressos Nacional. Também compõem a exposição vídeos de transmissão ao vivo de manifestações populares feitas pela Mídia Ninja. O movimento – e eventualmente o embate, seja de ideias ou físico – é a linha condutora. Em cartaz até 30 de dezembro de 2017.

O acervo do IMS tem quase dois milhões de imagens. Algumas delas estão expostas. Há interessantes registros do século 19, assinados por Marcel Gautherot, José Medeiros e pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, da década de 1930. A coleção dos jornais dos Diários Associados, no Rio de Janeiro, recentemente adquirida pela instituição, trouxe ainda mais relevância ao seu arquivo.

  • Outros acervos

As outras coleções do IMS também apresentam números de respeito. No arquivo de música, por exemplo, estão os primórdios das gravações da música brasileira. São 21 mil fonogramas, incoroprando o imenso acervo dos pesquisadores José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi. Você pode ouvir relíquias de Chiquinha Gonzaga, Baden Powell, Ernesto Nazareth e Pixinguinha.

O acervo de iconografia abrange aquarelas, gravuras, desenhos, mapas e livros de viajantes. Entre os tesouros estão mais de 1.800 imagens de artistas que vieram ao Brasil em expedições diplomáticas ou culturais no século 19. As fotos do inglês Charles Landseer, de 1825, e do alemão Carl Friedrich Philipp, feitas entre 1817 e 1820, são particularmente relevantes. Obras de Millôr Fernandes, Glauber Rocha e J. Carlos também estão no acervo.

A coleção de literatura guarda documentos, livros, cartas e objetos pessoais de ícones da prosa e da poesia. Nomes como Otto Lara Resende, Erico Verissimo, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles e Paulo Mendes Campos.

O Instituto Moreira Salles também tem unidades em Poços de Caldas e no Rio de Janeiro. Leia sobre a visita à sede carioca aqui.

  • Restaurante e livraria

O Balaio, do chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, está aberto nos mesmos dias do IMS, no andar térreo. O cardápio propõe uma mistura de sabores e ingredientes presentes no Brasil. No andar da entrada do instituto há também uma versão café do Balaio.

É também no quarto andar que está uma unidade aberta da Livraria da Travessa. Além de alguns itens do próprio IMS, a Travessa vende livros de arte e de autores ligados às exposições em cartaz.

A visita e as exposições do Instituto Moreira Salles têm entrada gratuita. Já os cursos, eventos especiais e mesmo sessões da mostra de cinema têm seus ingressos vendidos à parte, no balcão do IMS ou pela internet.

Instituto Moreira Salles

  • Avenida Paulista, 2424 | Tel.: (11) 2842-9120 | De terça a domingo das 10h às 20h (até as 22h às quintas, exceto feriados) | Entrada gratuita (eventos especiais e cursos são pagos)

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4 comentários

Elisa Araujo
Elisa AraujoPermalinkResponder

É o espaço mais interessante de São Paulo no momento.

Luca
LucaPermalinkResponder

"The Clock" é hipinotizante. vale muito a visita.

Fatima Terezinha

Conheci no último domingo e simplesmente AMEI.
Espaço moderno, bem estruturado, organizadissimamente e lindo.
Voltarei muitas vezes mais!

Recomendo!

Tania Rivitti
Tania RivittiPermalinkResponder

A exposição The clock acaba no domingo. Se apresse. É uma experiência inesquecível

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