Um turista ocidental no Ramadã

Ramadã no Cairo (foto: Claudia Wiens)
[Ramadã no Cairo (foto: Claudia Wiens)]

O Bruno está indo passar o 7 de setembro entre Dubai e o Egito. Só que, em 2009, esse nosso feriadão vai cair no meio do Ramadã, as quatro semanas sagradas do islamismo, em que os praticantes precisam se abster de comer e beber da alvorada ao pôr-do-sol.

Com o intuito de se preparar para o que está à sua espera, ele está procurando depoimentos e fontes de informação sobre como é ser um ocidental durante o Ramadã.

A Yara Cynthia já esteve na Turquia durante o Ramadã e diz que, por se tratar de um estado laico, por lá o ocidental não sofre nem um pouquinho: os restaurantes abrem durante o dia, e os turistas podem beber até álcool (desde que não na rua).

Buscando informações nos foruns do TripAdvisor, achei dois moderadores que me pareceram equilibrados, pois listaram pós e contras desapaixonadamente.

O de Dubai disse que, dentro dos hotéis, tudo continua funcionando o dia inteiro (só não servem álcool, nem mesmo no frigobar). Os shoppings também abrem; só as praças de alimentação permanecem fechadas. À noite, os bufês dos hotéis são riquíssimos. Recomenda-se que, quando precisar beber água na rua, o turista escolha um lugar fora de visão para sacar a sua garrafinha da mochila.

O do Egito não omitiu as desvantagens — lojas e lugares de interesse turístico fechando às 14h30 para dar tempo dos funcionários chegarem em casa ao anoitecer; um megaengarrafamento no Cairo nas duas horas anteriores ao pôr-do-sol; restaurantes fechados fora dos hotéis; proibição de música ao vivo e dança do ventre — mas também citou algumas vantagens: as noites ficam tranqüilas, a “vibe” é de paz. Quem tiver a sorte de ser convidado para um jantar quebra-jejum na casa de um egípcio trará lembranças preciosas.

A foto que ilustra o post foi tirada do blog da fotógrafa alemã Claudia Wiens, que mora entre Istambul e o Cairo.

Algum de vocês já esteve num destino árabe mais linha-dura durante o Ramadã? Conte a sua experiência pro Bruno, se faz favor!

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84 comentários

vou para o dubai no próximo dia 10 de julho e calha no ramadão. estou preocupada pois estou vendo que é muito complicado tomar refeiçoes durante o dia. Nos centros comerciais as áreas de alimentação estão fechadas? sei que está fazendo mto calor, tenho que levar casacos por causa do ar condicionado? o que faz um ocidental no ramadão no dubai?

Me dêm dicas ok?

Ótimo post ! O Ramadã é muito interessante e é uma tradição que poucos brasileiros conhecem . Curiosa a proibição de dança do ventre no Egito e a recomendação aos turistas de Dubai sobre a água rs .

Estou agora em Dubai e durante o Ramadã. O unico problema é a almentacao. Fora isso nao estou vendo nnhum problema, alias, so stou vendo vantagens. Como tudo fica mais vazio neste periodo, os locais ficam mais em casa e os turistas evitam o periodo, tudo ficam sem filas. Ontem estive no Ferrari World em Abu Dhabi e parecia meu parque paticular, totalmente vazio e sm filas. Maravilhoso para quem quer ir em tudo sem esperar horas em filas.
Para quem é desesperado por comida, nao se preocupe. Aqui alguns restaurantes em shoppings e parques colocam tapumes de isolamento onde dentro voce consumir de tudo, sem ter que ir ao wc para tomar agua! 🙂
Em resumo, estou aproveitando muito, e o Ramadã so esta facilitando minha vida.
Ramadã Kareem a todos!

Adorei as dicas, confesso que me deixaram um pouco apreensiva com o Ramadã, pois viajo p Dubai, Siria e Jordânia, depois de amanhã. Quando voltar conto como foi por lá.
Obrigada pelas dicas.

    Gostava de saber como foi a tua experiencia no dubai durante o ramadao, pois tenciono viajar para la este ano..
    obrigado

Estive na Turquia de 27 de agosto a 6 de setembro, no meio do período do Ramadã (este ano foi de 21 de agosto a 19 de setembro). Na Turquia tudo permanece normal para nós, ocidentais. Os restaurantes, bares e cafés abrem normalmente, e não vi restrições para bebida alcoólica em lugar algum (chegamos a tomar uma cervejinha em pleno Hipódromo, quase na hora do por-do-sol).
O que pode atrapalhar é o mau humor de alguns garçons e vendedores, principalmente no período da tarde (imaginem a fome!), mas há que se ter compreensão, não é mesmo? Um vendedor do Grand Bazar estava com dor de cabeça, oferecemos um comprimido, e ele recusou devido ao Ramadã (tadinho…).
Recomendo a área de Sultanahmet, perto das grandes mesquitas e do Hipodromo, durante o por-do-sol. O movimento das pessoas que vão até lá, estendem suas toalhas e preparam suas refeições nos jardins e parques, é algo inusitado e fascinante. Os restaurantes ficam lotados e há um clima fantástico de alegria e congraçamento no ar. Muito legal!
Cibelli
Sorocaba/SP

Ricardo, estou como o Andre Fagundes, não sei como me comunicar com vc além daqui. Acabo de ler seu livro “100 dicas” e acompanho suas intervenções na V&T, que assino há anos. Tenho 4 meses “free” e pretendo gastá-los num país árabe estudando o idioma. Tem alguma dica de onde é mais seguro, a melhor época, escolas de árabe para estrangeiros etc? Valeu!

    Dominique, o lugar para falar comigo é aqui mesmo :mrgreen:

    Acho que você deveria começar a pesquisa pelo lugar que te atraia mais.

    Se passasse pela minha cabeça estudar árabe, acho que eu começaria procurando pela Tunísia, por ser um lugar exótico mas light, e iria em qualquer estação fora do verão.

    Mas talvez você se sinta mais atraída pela modernidade de Dubai, ou pelo exotismo ainda mais acentuado do Marrocos.

    Você conhece alguma escola de árabe no Brasil? Pode ser um bom começo para a pesquisa.

    Deve ser muito fácil também estudar árabe em Paris…

    Poxa… é exatamente o que disse ontem ao meu marido! Se não achar nada interessante (e seguro), vou para Paris porque lá aprendo árabe! rsrsrs
    Mandei ontem uma mensagem para a barbrinhanasarabias, quem sabe ela não me ajuda? Agora, sou mais Tunísia e Marrocos do que Dubai. Mas uma amiga voltou de um congresso na Tunísia e disse que não é assim tão light não. Discorda? Mesmo para mulheres sozinhas não-muçulmanas?

    Veja bem, Dominique, eu estou aqui na condição de palpiteiro, apenas…

    O que eu ouço de falar de Túnis (nunca estive lá) é que é uma cidade razoavelmente cosmopolita, mediterrânea, e onde os táxis têm até taxímetro :mrgreen: A cidade tem um centro moderno e europeizado, uma medina autêntica e, ali pertinho, as praias de Sidi Bou Said e as ruínas de Cartago. No Marrocos, seria mais ou menos como Casablanca ter a medina de Marrakech (ou de Fez) dentro da cidade, e ainda as praias de Essaouira a vinte minutos… (Ou então como se Tânger fosse mais mediterrânea do que árabe.)

    A cidade mais cosmopolita do mundo árabe, acredito eu, seria Beirute. Eu sou louco por ir a Beirute, mas a situação ainda é meio instável por lá. Caso você queira se apaixonar pela idéia de estudar em Beirute, tente ver “Caramelo”, uma linda comédia libanesa que está em cartaz em São Paulo.

    Ao mais absoluto acaso, achei uma matéria do Telegraph de uma inglesa que foi estudar árabe em Túnis. Tem o serviço do curso também.
    http://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/middleeast/1308227/Learning-Arabic-four-weeks-in-Tunis.html

    Aqui está uma matéria recente do New York Times sobre a Tunísia.
    http://travel.nytimes.com/2008/05/25/travel/25next.html?scp=3&sq=tunisia&st=tcse

    Por menos hard que seja o assédio aos turistas e sobretudo às mulheres, você não escapará de se sentir como uma mulher ocidental num país islâmico. A autora da matéria diz que as lições de árabe ajudaram bastante: basta falar árabe para os homens tomarem tenência.

    Lembre-se também de que, não importa o lugar que você escolha para estudar, você estará numa situação bem diferente de um turista (ou de um participante de congresso). A escola naturalmente vai moldar e mediar a sua interação com o lugar e a cultura. Você vai estar protegida e guiada.

    Se você tem quatro meses para a empreitada, acho que não seria uma má idéia dividir o esforço entre Paris e o país escolhido (meio a meio, ou 1 mês em Paris, e três meses in loco). Você já chega com algum conhecimento tanto da língua quanto da cultura, e o choque será bem menor.

    Aqui vai uma lista de lugares onde dá para aprender árabe em Paris.
    http://www.imarabe.org/temp/centrelangue/autour/apprendre-d.html#paris

    Eu tentaria aprender no Institute du Monde Arabe mesmo, porque o prédio é LINDO :mrgreen:
    http://www.imarabe.org/temp/centrelangue/apprendre/formations-a.html

    Não deixe de googlar “learning arabic in Morocco” ou “arabic courses in Morocco” para ver se aparecem matérias ou opiniões. Eu não fui muito fundo, não. Do que veio nas primeiras páginas, achei interessante esse curso aqui em Fez: http://www.alif-fes.com/

    O “default” quando se procura curso de árabe no exterior é o Egito. Na primeira página do Google aparecem cursos e mais cursos no Cairo. A Barbrinha nas Arábias pode te ajudar muitíssimo.

    Sempre lembrando: todas essas são dicas de um googleiro e turista. Mantenho a primeira dica que te dei: escolha o país que mais lhe interessa e vá atrás de cursos por lá.

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