Como combinar BH, Inhotim, Ouro Preto e Tiradentes na mesma viagem (com mapas!)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Inhotim e Tiradentes

Oito (ou nove) noites e um carro alugado (por seis dias): é tudo que você precisa para fazer o circuito dos três destinos mais desejados de Minas -- Inhotim, Ouro Preto e Tiradentes -- e de quebra descobrir que grande cidade é Belo Horizonte.

Este roteiro leva você a esses quatro lugares nos dias da semana mais apropriados para curtir cada um deles. A ordem das escalas também foi pensada para não criar nenhuma seqüência monótona. Este itinerário reserva a noite de 6ª, o sábado e o domingo a Belo Horizonte; 2ª e 3ª a Ouro Preto; 4ª e 5ª a Inhotim; 6ª e sábado a Tiradentes; a volta, no domingo, prevê a passagem por Congonhas. (Caso você não queira usar carro, veja como dá para fazer de ônibus.)

  • Belo Horizonte

Edifício Niemeyer e Pampulha

Edifício Niemeyer | Pampulha

O fim de semana é perfeito para curtir Belo Horizonte. Os hotéis têm tarifas amigáveis, o trânsito flui melhor e você aproveita a viagem desde o primeiro instante -- quer dizer, desde o primeiro instante depois de vencer os 60 a 90 minutos que separam o aeroporto de Confins da área central da cidade. O táxi do aeroporto sai R$ 112 até as regiões de Lourdes ou Savassi; o ônibus Conexão Aeroporto custa R$ 24 por pessoa até um terminal na região central que estará a até R$ 18 de táxi do seu hotel. Para não se atrapalhar no grid enviezado de Belo Horizonte (uma cidade cheia de esquinas de três ruas) e não esquentar a cabeça com Lei Seca, é melhor usar táxi e caminhar enquanto estiver na capital, e alugar o carro só ao seguir viagem.

Confira (se possível com alguma antecedência) a programação cultural: o site SouBH tem ótimas seções de shows e teatro, com opção de pesquisar por mês.

Dá para chegar tanto na sexta à noite quanto no sábado de manhã -- o que ficar melhor para você encaixar.

Sexta à noite

Chegando na sexta ainda a tempo de sair, uma pedida certeira para um fim de noite animado é a região de botequins da rua Pium-í, que os belo-horizontinos ora dizem que fica no Sion, ora no Carmo, outras vezes ainda no Anchieta. O importante é que fica a uma corrida curtinha de qualquer hotel da Savassi. A quadra entre as ruas Passatempo e Montes Claros é enfileirada por botequins (intercalados por restaurantes que também abrem até tarde). Ali estão o Bar da Neca (esquina com Passatempo, tel. 31/2555-9132), o Café do Carmo (a outra esquina, tel. 31/3221-9156), o Almanaque (nº 675, tel. 31/3287-9044), a Cia. do Boi (nº 653, tel. 31/3287-9103), o tradicional Albano's (nº 611, tel. 31/3281-2644) e o esportivo Itatiaia Rádio Bar (nº 620, tel. 31/2551-4844). A paralela Francisco Deslandes é um pouco mais descolada, com casas como o Bistrô Deslandes (nº 10, tel. 31/3287-7891) e o Bar 222 (nº 222, tel. 31/3287-7712). Fora desse miolinho, considere o brejeiro Quermesse (importado de Curitiba; Pium-í, 1175, tel. 31/3284-9683) e o autêntico pé-sujo Bar do Antônio, mais conhecido como Pé de Cana por ter um pé de cana-de-açúcar plantado na calçada (Flórida, 15, tel. 31/3221-2099).

Estando hospedado em Lourdes (ou na região da Praça da Liberdade), você não perderá a viagem se der uma incerta na esquina da ruas Curitiba e Tomás Gonzaga, o epicentro da noite de Lourdes. Bem ali fica o sempre lotadíssimo Tizé, com mesas na calçada (tel. 31/3337-4374). O vizinho Pato Selvagem, porém, costuma ter lugar (tel. 31/2514-1327). Querendo um bar com jeito de balada, o Na Mata Café, ali pertinho (Marília de Dirceu, 56, tel. 31/3654-1733), está aí pra isso mesmo. Se for para jantar tarde e levinho, pense nos japas Rokkon (Curitiba, 2227, tel. 31/3259-3177) e Udon (Gonçalves Dias, 1965, esquina São Paulo, tel. 31/3243-8005) ou na hamburgueria Deli Handmade (Antônio Aleixo, 591, tel. 31/3564-6370).

Sábado

Caso você não tenha dormido na sexta em BH, tente chegar ainda de manhã. Em qualquer das situações, comece o sábado com um passeio pelo carismático Mercado Central (Augusto de Lima, 744, entre Curitiba e Santa Catarina). Depois de rodar pelas bancas olhando os queijos Canastra, os doces de leite, as cachaças, os cacarecos e os bichinhos vivos à venda, tente penetrar no cercadinho do Bar da Lôra, onde se eu fosse você pedia uma porção de fígado com jiló, verdadeiro tratado (comestível) de belo-horizontice.

Do Mercado, em menos de 10 minutos de táxi você chega à Praça da Liberdade, que nos últimos anos foi transformada num circuito cultural completo, uma pequenina 'Ilha dos Museus'. O mais bacana da turma é o Memorial Minas Gerais, gerido pela Vale do Rio Doce (aberto até as 18h). Nos fins de semana, não perca a chance de fazer a visita guiada ao Palácio da Liberdade (a entrada é por um portão da lateral esquerda de quem olha para o palácio, na direção da av. Cristóvão Colombo; a última visita sai às 15h).

Mercado e Palácio

Bar da Lôra | Palácio da Liberdade

Para almoçar por ali, a filial do buffet mineirinho de Dona Lucinha está super à mão (Sergipe, 811, tel. 31/3261-5930); se não quiser nem sair da praça, aproveite a filial do Café com Letras no térreo inferior do CCBB (tel. 31/3267-9929). Caso caibam no seu tempo e você ainda tenha disposição, dá para conferir as exposições do Centro Cultural Banco do Brasil (aberto até as 21h) e da Casa Fiat de Cultura (na rua que sai da lateral direita de quem olha para o Palácio; aberta até as 18h). O Museu das Minas e do Metal perdeu um pouco do brilho inicial e está passando por reformas, agora administrado pela Gerdau (continua aberto à visitação, até as 18h).

Vale a pena voltar a Lourdes na noite de sábado com reserva para jantar num dos restaurantes do momento, como o novíssimo Alma Chef, misto de empório, espaço de cursos e restaurante, que ocupa um lindo predinho anos 60 onde funcionava uma locadora (Curitiba, 2081, tel. 31/2551-5950), o bistronômico Glouton (Bárbara Heliodora, 59, tel. 31/3292-4237) ou o Trindade (Alvarenga Peixoto, 388, tel. 31/2512-4475) -- ou ainda o superclássico francês Taste-Vin (Curitiba, 2105, tel. 31/3292-5423). Sem tanta pretensão gastronômica, pense no Atlântico, forte em peixes e frutos do mar (São Paulo, 1984) ou no L'Entrecôte, que segue a fórmula do entrecôte + fritas (Marília de Dirceu, 116).

Alma Chef

Alma Chef

Ou faça sua própria pesquisa in loco: todo esse miolinho é pontilhado por restaurantes de todos os credos culinários.

Domingo

Já daria para pegar o carro alugado nesta manhã, mas acho que você vai esquentar menos a cabeça (e gastar menos) se combinar com um taxista do ponto do seu hotel um passeio à Pampulha (com paradas na Casa do Baile e na Capela de São Francisco, dois pontos da via sacra niemeyriana), com fim da viagem no restaurante Xapuri (Mandacaru, 260, tel. 31/3496-6198), o mais nobre endereço da comida mineira na capital, que fica para aqueles lados. (Para você ter uma base: a corrida em bandeira 2 de Lourdes à Pampulha dá R$ 45.)

Outro programa para a manhã é ir à Feira Hippie, na Av. Afonso Pena entre Bahia e Guajajaras. Eu ainda não fui, mas a falta desse programa no primeiro texto deste post foi duramente criticada por belo-horizontinos. Pronto, tá incluído smile

À tarde você pode dar um pulinho no impressionante Museu de Artes e Ofícios, instalado numa antiga estação de trem e onde estão expostos utensílios, ferramentas e indumentária relacionados às lides que fizeram Minas ser o que é hoje (Praça Rui Barbosa, 600, Centro; aberto no domingo até as 17h). Também dá para voltar à Praça da Liberdade e completar o circuito visitando os museus que você não conseguiu cobrir na véspera. O que não dá para fazer à tarde é ir ao Mercado Central: no domingo, o funcionamento é das 7h às 13h, então se você não conseguiu ir no sábado, inclua no seu programa do domingo de manhã.

Domingo à noite, muitos restaurantes de BH fecham. Se eu fosse você, faria uma reserva no Café com Letras da Savassi (Antônio de Albuquerque, 781, tel. 31/3225-9973), onde aos domingos sempre rola um jazz bacana a partir das 19h30 (e a comida é ótima).

Onde ficar em BH

O hotel mais próximo da muvuca chic de Lourdes é o básico San Diego Suites. Numa categoria mais confortável estão o Clarion Lourdes, uma quadra adiante, e o Promenade BH Platinum, um nadinha mais distante, mas que tem o bônus de ser vizinho do Diamond Mall. Fora da área glamurosa do bairro, dois hotéis têm localização estratégica entre o miolo de Lourdes (a menos de 10 minutos a pé) e o Mercado Central: o Ibis Budget Minascentro e o Ibis Styles Minascentro.

A Savassi foi o bairro mais favorecido com a expansão da rede hoteleira para a Copa do Mundo. Os hotéis mais novos do bairro são o Promenade Toscanini, de onde dá para ir a pé a bons restaurantes (Café com Letras Savassi, 2015, Fogo de Chão), o Holiday Inn Belo Horizonte Savassi e os siameses Ibis Belo Horizonte Savassi e Ibis Budget Afonso Pena.

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  • Ouro Preto

Ouro Preto

A 95 km de Belo Horizonte, Ouro Preto é viável também como bate-volta. Mas ficar e dormir é muito mais bacana do que normalmente se imagina. Ao contrário de Tiradentes, Ouro Preto não vive só do turismo; é interessante ver uma cidade 'normal' funcionando no casario histórico.

Por ter grande população universitária, Ouro Preto tem noites animadas, e não morre no início da semana. É ideal para o início de semana -- quando Belo Horizonte tem hospedagem mais cara, Tiradentes está funcionando a meio-pau e Inhotim ou está fechado (na segunda) ou periga estar muito cheio (na terça, quando a visita é gratuita).

Segunda-feira

Pegue o carro na locadora e siga viagem a Ouro Preto. O GPS deve mandar você sair da cidade pela av. Nossa Senhora do Carmo (começa na av. do Contorno, à altura do shopping Pátio Savassi). O caminho, bem-sinalizado, leva à BR 040, que vai para o Rio de Janeiro (as placas ora indicam o Rio, ora Ouro Preto).

Mercearia Paraopeba

Você vai sair da estrada uns 25 km depois da saída de BH: as placas vão indicar Itabirito e Ouro Preto. Aproveite para entrar em Itabirito e fazer um pit-stop na mitológica Mercearia Paraopeba, uma espécie de museu temático da vendinha tradicional do interior -- só que de verdade. Em meio a tralhas, utilidades e banalidades, a mercearia vende as mais finas iguarias mineiras -- goiabada cascão feita em tacho de cobre, queijos excepcionais da Serra da Canastra, doces de leite de todas as consistências, biscoitos de polvilho artesanais, produtos cultuados por gente como a chef Roberta Sudbrack. Roninho, o dono (e bisneto do fundador), estará atrás do balcão, oferecendo provinhas disso e daquilo. Faça um farnelzinho para comer na estrada (nosso almoço naquele dia foi goiabada com queijo; compramos faca e guardanapo lá também) e aproveite para resolver alguns presentes (tem fubá de moinho d'água, carne de porco em lata conservada em banha de porco, pimentas, alho frito em conserva, doce de leite...).

Ouro Preto está 35 km depois de Itabirito. Mas não entre na cidade: pegue o anel viário à direita seguindo as placas para Mariana. A idéia é aproveitar que as igrejas de Ouro Preto estão fechadas e visitar a Mina da Passagem, a 3 km de Mariana, onde um trolley sobre trilhos leva às catacumbas de uma antiga mina de ouro (tel. 31/3557-5000, aberta diariamente até as 17h).

Seria bacana chegar em Ouro Preto no meio da tarde, para ainda dar tempo de uma voltinha de reconhecimento de campo depois do check-in. Alguns lugares simpáticos para um lanchinho de fim de tarde que poderão aparecer no seu caminho: o Café Cultural de Ouro Preto (Praça Tiradentes, esquina Cláudio Manoel), o Empório dos Meninos (Bernardo de Vasconcelos, 140, tel. 31/3551-3722), o Ópera Café (rua Direita/Conde de Bobadela, 110), a Cafeteria Chocolates Ouro Preto (Getúlio Vargas, 66, tel. 31/3551-7330) ou o Barroco & Barraco (Gabriel Santos, 16, Rosário, tel. 31/3552-2090).

Para jantar, O Passo (São José, 56, tel. 31/3552-5089), num casarão de vários ambientes superbem-decorados, tem cardápio criativo, pizzas e música ao vivo. O Senhora do Rosário, no hotel Solar do Rosário (Getúlio Vargas, 270, tel. 31/3551-4200) ainda mantém no cardápio pratos criados pelo chef italiano Luciano Boseggia. O Bené da Flauta, ao lado da igreja de São Francisco (São Francisco de Assis, 32, tel. 31/3551-1036), oferece uma linda vista de Ouro Preto iluminada. A dupla Café Geraes + Escadabaixo Pub (rua Direita/Conde de Bobadela, 122, tel. 31/3551-5097) vale tanto para o jantar quanto para a saideira da noite.

Terça-feira

Dia de subir e descer ladeira.

As paradas imexíveis do roteiro mais essencial incluem:

  • A ma-gui-nífica Igreja de São Francisco de Assis, obra maior de Aleijadinho (Largo de Coimbra, aberta das 8h30 às 11h45 e das 13h30 às 17h);
  • A douradíssima Matriz de N. Sra. do Pilar, com seus 400 kg de ouro e o Museu de Arte Sacra anexo (Praça Monsenhor Castilho Barbosa, missa às 7h, visitas das 9h às 10h45 e das 12h às 16h45);
  • A portuguesamente azulejada Igreja do Carmo (r. Brigadeiro Musqueira, aberta das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h);
  • O bem-iluminado Museu da Inconfidência, que conta a história de Minas e dos inconfidentes (Praça Tiradentes, tel. 31/3551-1123, aberto das 10h às 18h);
  • O curioso Museu do Oratório, devotado a relicários e oratórios -- organizado por Ângela Gutierres, a mesma por trás do Museu de Artes de Ofícios de BH (anexo à Igreja do Carmo, tel. 31/3551-5369, aberto das 9h30 às 17h); e
  • O caidinho-porém-interessante Museu Casa dos Contos (São José, 12, tel. 3551-1444, aberto das 10h às 17h), que conta a história da cobrança de impostos no Brasil-colônia, e vale pela educativa sala em que estão expostas cédulas de todos os dinheiros que já tivemos em nossa história -- incluindo os inúmeros cruzeiros e cruzados das décadas de 70, 80 e 90.

Na hora do almoço, além dos restaurantes e cafés indicados na segunda-feira, considere o impecável buffet mineiro do Chafariz (São José, 167, tel. 31/3551-2828), ou o supertradicional Casa do Ouvidor (rua Direita/Conde de Bobadela, 42, tel. 31/3551-2141).

Na hora do jantar, saiba que as terças n'O Passo são concorridíssimas por causa do rodízio de pizzas (mas o cardápio continua valendo). Para um jantar mais leve, pense no japa moderninho Hannah (Getúlio Vargas, 241, tel. 31/3551-7128).

Onde ficar em Ouro Preto

Ouro Preto

Solar do Rosário | Ouro Preto

O ideal é que a sua pousada não obrigue você a um sobe-desce ladeira desnecessário -- já basta os que a gente precisa enfrentar durante a turistagem. Tem uma ladeira que é quase inevitável em quase todo percurso: a rua Direita (Conde de Bobadela), que liga a Praça Tiradentes à zona mais comercial do centro histórico. Aqui vai um garimpo de pousadas localizadas no eixo mais interessante de Ouro Preto, e sem ladeironas desnecessárias. Note que é raro uma pousada no centro histórico ter ar-condicionado.

Com orçamento mais folgado, recomendo o Solar do Rosário: adorei a localização -- no plano, num canto sossegado do centro histórico -- e, como cacifei a suíte, pude curtir a vista para a Igreja do Rosário.

O outro hotel top da cidade é a Pousada do Mondego (sem ar), dos Roteiros de Charme, que fica entre a Igreja de São Francisco de Assis e a Praça Tiradentes (e dá de frente para a feira de artesanato). Dentre as pousadas tradicionais, o Pouso do Chico Rey oferece instalações super-históricas (sem ar) com localização bastante central. Já entre as mais novas, a Pousada dos Meninos, junto à Matriz da Conceição (sem ar), e o Solar da Ópera, na rua Direita, oferecem ótimas instalações. Procurando conforto e preços camaradas, dê uma olhadinha na Mezanino (sem ar).

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  • Inhotim

Inhotim

A mudança do dia de entrada grátis no Inhotim (era terça-feira, agora é quarta) tira um pouco da vantagem de fazer a visita no meio da semana. De todo modo, a inclusão de Inhotim é evitar neste momento evita seqüência das cidades históricas: um choque de arte contemporânea entre duas sessões barroco e o rococó aumenta a intensidade das três experiências.

Inhotim fica a 105 km de Ouro Preto. Faça de volta o caminho até o trevo da BR 040. Ali você vai virar em direção ao Rio de Janeiro e, 2 km adiante, já vai sair da estrada, seguindo a placa para Retiro do Chalé e Inhotim. São quase 40 km bem sinalizados, mas lentos. Espere gastar umas duas horas entre Ouro Preto e Inhotim.

Leve seu certificado de vacinação contra febre amarela

  • Desde janeiro de 2018, Inhotim exige de seus visitantes a comprovação de que foram vacinados contra febre amarela. A carteira de saúde basta; não é preciso o certificado internacional.

Siga direto ao instituto e aproveite o guarda-volumes para não deixar as malas no carro. O complexo abre até 16h30; você ainda terá meio dia útil para sua primeira visita. Se ao final da quinta-feira você ainda não tiver visto tudo o que gostaria, ainda terá a manhã de sexta como reserva técnica.

Inhotim

Visitar Inhotim significa caminhar bastante e digerir obras conceituais. Ao fim do dia você estará exausto, física e intelectualmente. Você vai me agradecer pela sugestão de se hospedar em Brumadinho ou na vizinhança mais imediata.

O guia de Inhotim no Viaje na Viagem traz tudo o que você precisa saber para planejar esses dois dias:

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  • Tiradentes

Tiradentes

Matriz | Virada's do Largo

Pequenina, com ladeiras gentis e dona de um número sensivelmente maior de restaurantes estrelados do que de igrejas tombadas, Tiradentes funciona como a sobremesa do nosso cardápio. A cidade é uma bela adormecida que esteve esquecida até pouco mais de 30 anos atrás, quando foi redescoberta e recolonizada por artistas e cozinheiros. A idéia é terminar nossa viagem com boa mesa e boas compras, no cenário mais charmoso do roteiro.

Sexta-feira

De Brumadinho a Tiradentes são 210 km, que você roda confortavelmente em três horas. Saia de Brumadinho em direção a Mário Campos, e continue seguindo as placas para a BR 381, a estrada duplicada que leva a São Paulo (os paulistas conhecem como Fernão Dias). A saída para São João del Rei/Tiradentes é bem sinalizada: você continua pela BR 494, via São Tiago, uma estrada de pista simples mas de bom asfalto e pouco movimento.

Não consigo imaginar melhor início de temporada tiradentina do que um almoço no Virada's do Largo, da chef Beth Beltrão (rua do Moinho, 11 -- duas quadras adiante do Chafariz --, tel. 32/3355-1111), de comida a um só tempo mineirinha, criativa e sofisticada. Ir na hora do almoço é mais interessante do que no jantar, para ver o sol batendo na plantação de couve do quintal (é praticamente uma floresta). E um dedinho de prosa com a Beth deixa tudo ainda mais gostoso.

Tiradentes

Museu de Sant'Ana | Tiradentes

Passe depois no novíssimo Museu de Sant'Ana (aberto até 19h), que funciona na antiga Cadeia Pública e hospeda uma riquíssima coleção de imagens de Sant'Ana, a mãe de Maria. É mais um museu com a marca de Ângela Gutierres, criadora do Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte e do Museu do Oratório em Ouro Preto.

Em algum momento antes das 17h, dê uma passadinha na Estação Ferroviária para garantir sua passagem para o passeio de maria-fumaça a São João del Rei no sábado. Compre passagem só de ida (R$ 40 adulto, R$ 20 criança), para o primeiro horário (normalmente às 13h; confirme na estação, porque em feriados e férias pode haver trens mais cedo).

Quem consegue chegar na sexta a Tiradentes é brindado com um espetáculo a que os turistas de fim de semana não assistem: o Concerto ao Órgão, quando o órgão português do século XVIII da Matriz de Santo Antônio volta a ser usado. É um momento único para visitar essa lindissíssima igreja, que tem fachada desenhada pelo Aleijadinho.

Nas noites de sexta e sábado, é recomendável sair para jantar já com reserva feita. O Tragaluz (rua Direita, 52, tel. 32/9968-4837) é o restaurante que guarda o DNA original dessa Tiradentes gastronômica que surgiu nas últimas décadas; o cardápio funciona como um guia de Tiradentes, em que você pode ouvir a voz de dona Zenilca por trás de todas as dicas.

A rua Direita funciona como um corredor gastronômico. Além do Tragaluz, você encontra o Pacco & Bacco, com ares de cidade grande (nº 166, tel. 32/3355-1136), o italiano Via Destra (nº 45, tel. 32/3355-1906) e o bistronômico Gourmeco (nº 10, esquina com rua do Chafariz, tel. 32/3355-1955).

Na rua de cima, o Theatro da Villa tem decoração teatral (Pe. Toledo, 157, tel. 32/3355-1275); subindo pela lateral da Matriz, o Atrás da Matriz tem cardápio eclético, do bacalhau à pizza, com ingredientes de qualidade (Santíssima Trindade, 201, tel. 32/3355-2150) e o Angatu prima pelo menu criativo (Santíssima Trindade, 81, tel. 32/3355-1391). Voltando ao plano, o Ora-pro-nóbis, ao lado do Chafariz (rua do Chafariz, 37, tel. 3355-1656), é o mineiro mais simpático para ir à noite (boa comida, preços camaradas, boa música, ambiente animado).

O Largo das Forras (de onde saem, durante o dia, os passeios de charrete) e seus arredores concentram os bares e restaurantes menos pretensiosos gastronomicamente. Nas noites de sexta e sábado, é um pedaço sempre animado da cidade.

Sábado

São João del Rei

Maria-fumaça | São Francisco

Se você não tiver comprado passagem para a maria-fumaça a São João del Rei na véspera, passe depois do café na Estação Ferroviária para garantir a sua. No sábado acontecem duas ou três saídas; a última é no fim da tarde (os passseios se originam em São João del Rei). A viagem leva 45 minutos e vale principalmente pela experiência da maria-fumaça (e as vistas da Serra de São José pelo caminho). Se você só entrar numa igreja, escolha a de São Francisco de Assis, que tem uma imagem tão emocionante quanto singela de São Francisco ajoelhado diante da cruz. (O túmulo de Tancredo Neves está no cemitério nos fundos da igreja.)

Volte de táxi: os taxistas de São João cobram R$ 50 até Tiradentes, uma corrida de 15 minutos. Pegue o seu carro e passe a tarde em Bichinho, distrito de Prados que está a 10 km de Tiradentes. Bichinho é um pólo de artesanato e movelaria que se desenvolveu a partir da instalação da Oficina de Agosto, de Antônio "Toti" Bech, que emigrou do Embu, em São Paulo, na década de 90. Toti e seus artesãos criaram em Bichinho um estilo peculiar de artesanato de peças únicas, com temática ora religiosa, ora folclórica, ora sensual, e na maioria das vezes misturando todas elas. Antes de visitar qualquer loja ou ateliê em Bichinho, passe na Oficina de Agosto (uns 2 km antes do centrinho da vila): ali está a régua pela qual você deve medir o que encontrar.

Para almoçar, pare no Aldeia, na saída de Tiradentes (tel. 32/3355-1965), ou entre na fila do Tempero da Ângela, na vila (tel. 32/3353-7010), onde o buffet está montado em dois fogões a lenha.

Para jantar em Tiradentes, leia as sugestões de sexta.

Onde ficar em Tiradentes

Tiradentes cresceu bastante, e muitas pousadas se localizam nos arredores. Para curtir Tiradentes como quem curte um destino de serra -- dias de descanso, piscina, passeios na natureza, eventuais incursões ao centro histórico -- talvez ficar fora da cidade seja válido. Mas numa primeira viagem, eu não abriria mão de poder ir caminhando da pousada à rua Direita.

Duas pousadas combinam clima de montanha com a possibilidade de descer ao centrinho a pé: a Brisa da Serra e o Espaço Interior, no alto da Santíssima Trindade (mas à noite, depois do footing, você queira voltar de táxi). Sem ladeiras no caminho, ocupando um parque no finzão da rua do Chafariz, a Villa Paolucci leva jeito de casa de fazenda. A cinco minutos a pé da ponte do Largo das Forras, o Pouso Alforria tem decoração sóbria, sem concessões ao tema colonial ou ao estilo Bichinho (os preços são camaradas, e o café da manhã é excelente).

No centro dos acontecimentos, o Solar da Ponte é a pousada de charme original da cidade. O Santíssimo Resort é o hotel mais confortável, de arquitetura e decoração genéricas, construído no lugar antigamente ocupado por uma fazenda. Para ficar no centro histórico sem gastar os tubos, considere, nas das extremidades da rua Direita, a Pousada do Ó (os donos são leitores do Viaje na Viagem!) e a Pousada Três Portas. Se você planeja ficar na rua até tarde, a Pousada do Largo está encravada na muvuca do Largo das Forras.

Nos arredores mais imediatos da cidade, a Pousada Oratório é um ímã de elogios.

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  • Congonhas

Você pode usar a última manhã em Tiradentes para visitar igrejas ou voltar a Bichinho. A tarefa mais importante do dia, porém, é voltar a Belo Horizonte. Serão 250 km até o aeroporto de Confins -- com trânsito, umas quatro horas de viagem.

Os primeiros 100 km são percorridos na BR 383, desembocando na BR 040, a estrada que leva a Belo Horizonte. 10 km adiante você pode (pode, não: deve!) entrar em Congonhas, para visitar os Apóstolos de Aleijadinho, na Basílica de Bom Senhor de Matosinhos. É um jeito de esticar as pernas e tornar menos monótono o caminho de volta. (Deixe o carro num estacionamento fechado, com toda a bagagem escondida no porta-malas.)

Congonhas

Caso seu destino seja o Rio de Janeiro, vale mais a pena devolver o carro em São João del Rei e voltar de ônibus para casa: são 5h30 de viagem pela Paraibuna.

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  • Como fazer o circuito de ônibus

Não há ligação de ônibus entre as cidades do circuito: você precisaria fazer um ziguezague via Belo Horizonte a cada mudança de cidade.

Vindo do Rio ou de São Paulo, o ziguezague fica menor se você for de ônibus direto a Ouro Preto (6h30 do Rio ou 10h40 de São Paulo, pela Util), então de Ouro Preto a BH pela Pássaro Verde (2h), daí BH-Inhotim-BH pela Saritur (1h30 cada perna), prosseguindo de Belo Horizonte para São João del-Rei com a Viação Sandra (3h45) e voltando para casa direto de São João del-Rei (5h30 ao Rio pela Paraibuna, 8h a São Paulo pelo Expresso Gardênia).

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165 comentários

Kamila
KamilaPermalinkResponder

Maurício
Conheço Tiradentes, Ouro Preto, São João e Diamantina. Em todas eu me hospedei e usei o estacionamento do hotel mesmo. Mas quem não se hospeda deixa o carro na rua mesmo, um pouco distante dos centrinhos, e se locomove à pé para turistar. Não lembro de ter visto estacionamentos privados nessas cidades.

Luciana
LucianaPermalinkResponder

Esse roteiro é factível na semana do Carnaval? Alguém saberia dizer? Obrigada

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Luciana! Não dá, porque você não conseguiria hospedagem quebrada. Há carnaval de rua em Ouro Preto e Inhotim não abre todos os dias.

Márcia Jacobina

Paramos o carro na rua mesmo, foi muito tranquilo.

Lenira Azevedo Gonçalves

Ricardo, sua dica da Mina da Passagem em Mariana foi TOP! Experiência fantástica. Jamais teria ido lá sem suas dicas. Fomos recepcionados pela guia Bárbara. Uma menina encantadora e com muita informação sobre o passado deste local. VALEU!

Daniel Donato Piasecki

Sugere esse roteiro entre 27/12 e 04/01, por conta de ser início e fim de ano?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Daniel! Tenha em mente que dias 31 de dezembro e 1º de janeiro museus estarão fechados, e as pousadas de Ouro Preto, Tiradentes e talvez até Brumadinho tenham pacotes de permanência mínima por causa do réveillon, dificultando a hospedagem picadinha.

Pérola Cunha
Pérola CunhaPermalinkResponder

Estou ansiosa para testar suas dicas. Iremos na segunda semana de dezembro , eu marido e filho d 11 anos, vc teria mais alguma dica para deixar meu pimpolho mais feliz nesta viajem?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Pérola! Quem responde é A Bóia. Esse é um ótimo roteiro para apresentar crianças a viagens mais 'sérias'. Re-estude história do Brasil para deixar as cidades históricas mais interessantes. Inhotim é lúdico e sempre agrada aos pequenos.

Amaro - Recife

Pérola,
se for passar por Mariana tem uma antiga mina que pode ser visitada. Vale muito a pena. Minhas filhas, à época com 14 e 11 anos, adoraram

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