All-inclusive ou não, eis a questão

A pulseirinha que tudo pode

E não é que o conceito de “all-inclusive” — o sistema de hospedagem em resorts ou cruzeiros em que todas as refeições, bebidas, lanches (e certas atividades) já estão incluídos no preço — finalmente emplacou entre os brasileiros?

Talvez tenha emplacado até demais. Tem muita gente achando que all-inclusive é o único bom negócio que existe. Não é bem assim. A eficiência do modelo varia conforme o tipo de hóspede, os objetivos da viagem, o destino e até mesmo a localização do hotel.

No Brasil é fácil: all-inclusive é vantagem quase sempre. Isso porque, dentro do Brasil, quem escolhe se hospedar em resort tem perfil diferente de quem se hospeda em hotel de cidade. Nos resorts as pessoas querem sossegar e recuperar o seu investimento curtindo o hotel, e fazendo um ou outro passeio às redondezas; muitos já levaram susto com a conta na saída e optam pelo all-inclusive para não ir à falência por causa de caipirinha e batata frita. Já quem vai para hotéis de cidade — muitas vezes, mal-localizados — aproveita a economia para investir em passeios e mais passeios, seja em carro alugado, seja em tours organizados.

Já no exterior… creio que quase todo brasileiro acaba se enquadrando no perfil zanzador. No Caribe, acho que o all-inclusive só funciona para brasileiros em destinos especializados nisso (Punta Cana, Varadero) ou em lugares isolados (resorts ao longo da Riviera Maia ou trechos de Cancún e Aruba longe da muvuca).

É ou não é para você?

Não é difícil descobrir. Defina quem está no seu grupo, pense no tipo de viagem que você quer fazer e veja a localização do hotel all-inclusive que você está considerando. Com tudo isso na cabeça, examine os pontos a seguir. Quanto mais pontos você ticar, mais seguro vai estar da sua decisão.

All-inclusive é interessante quando:

1. Você viaja com crianças e adolescentes;

2. Você planeja bebericar sem nenhum remorso além da ressaca;

3. O resort é grande e totalmente auto-suficiente;

4. A prioridade da viagem é curtir o que o hotel tem a oferecer;

5. Há no grupo pessoas “difíceis” para comer, que acabam se dando melhor em buffets do que em restaurantes convencionais;

6. Sair para comer fora traz mais aborrecimento do que satisfação;

7. O hotel está num lugar sem vida social (restaurantes, bares, lojas) por perto;

8. Na comparação com as diárias/pacotes nada-incluído, o preço parece valer a pena mesmo com escapadas para passar o dia passeando ou jantar fora.

All-inclusive não funciona tanto assim quando:

1. O lugar não é um resortão, mas apenas um hotel, com infra-estrutura mais limitada;

2. Você não é de passar o dia inteiro bebericando e beliscando;

3. O principal objetivo da viagem é explorar tudo o que existe no lugar, saindo todos os dias para passear;

4. Você tem histórico de não gostar de comida de resort;

5. Para você, sair para comer é um dos programas mais interessantes que existem em qualquer lugar;

6. Basta sair caminhando do hotel para dar de cara com a muvuca (e a tentação) não-incluída.

Onde vale a pena cacifar all-inclusive no Caribe?

Atenção: não sou dono da verdade. Esta é apenas uma opinião. Como sempre me pedem, aqui vai.

1) Punta Cana, República Dominicana

É o lugar que o all-inclusive escolheu para morar. Há 40 resorts operando sob o sistema, todos competindo para oferecer bons negócios. Além do quê, praticamente não há vida social fora dos resorts; os vilarejos são extremamente sem-graça. Cuidado apenas com o excesso de passeios e atividades que vão propor para separar você do seu dinheiro.

2) Cuba (Varadero, Cayo Largo)

Até mesmo por falta de opção. Fora de Havana e das cidades você só vai conseguir comer dentro dos hotéis, mesmo.

3) Riviera Maia (fora de Cancún ou Playa del Carmen)

Cancún e Playa oferecem muitas tentações não-inclusas todas as noites. Além disso, há muitos passeios imperdíveis (ruínas maias, ecoparques temáticos, cenotes, cidades coloniais) que vão tirar você do hotel durante o dia. Eu só pegaria sistema all-inclusive se fosse para um resort fora das cidades (há inúmeros, e são muito bons para ir com criança, por causa das praias mais calmas do que as de Cancún) ou para Cozumel, se o objetivo fosse mergulhar (e não curtir a noite).

E nos outros destinos?

Aí vai depender do seu estilo de viagem. Se o preço estiver bom e você não quiser sair à noite, pode valer a pena mesmo fazendo passeios durante o dia. Especificamente em Aruba eu não aconselho o all-inclusive em Palm Beach, porque os hotéis não são tão grandes assim e há vida social na porta; quem quer o esquema all-inclusive em Aruba vai se dar melhor em Eagle Beach, onde não há muvuca nem na areia nem nas redondezas. Em Cancún propriamente dita, na minha opinião, só vale considerar all-inclusive nos resortões maiores, e para quem não tem vontade de sair todas as noites.

Um meio-termo: all inclusive + saídas à noite

Mas se você não estiver com a mão na calculadora o tempo todo, pode conciliar a comodidade do buffet 24 horas oferecido pelo all-inclusive com saídas para curtir a noite nas redondezas. Foi o que fizeram a Vanessa e o marido, que ficaram no Riu em Aruba, aproveitando o hotel durante o dia e a infra de Palm Beach à noite:

Fui no ano passado para o Riu em Aruba. Amei! Usávamos o all inclusive para tudo – para café da manhã… almoço… lanchinhos entre os passeios;.. e drinks a toda hora… Só não usávamos para jantar.

Aí, pra ficar perfeito, o jantar nós fazíamos em algum restaurantezinho fora do hotel.

Resumindo, a única coisa que não gostei do Riu é o jantar .. (um dia é italiano, outro dia é japonês, outro dia espanhol.. etc)… mas nenhum deles é bom, sou chata com comida… pra mim não tinha sabor.

O hotel é  bem localizado… à noite você sai andando pela passarela que tem na praia e une todos os hotéis… e pode ir ao invés de bar em bar… de casino em casino… é divertido ! Aí vc volta a pé … é madrugada .. e aí você chega no Riu com meeeega fome e tem um snack bar aberto 24h…

Foi demais ter ficado lá… pra quem curte infra boa… é show.

Caso você decida que all-inclusive é ideal para essa sua viagem:

1) Entre no site do resort e veja tudo o que oferece;

2) Preste especial atenção na infra de restaurantes: se o hotel só tem buffet ou se oferece restaurantes à la carte também;

3) Veja se há categorias distintas de hóspedes (sobretudo no Caribe, quem está em suíte ou apartamentos vip tem privilégios de reserva nos restaurantes à la carte);

4) Compare os preços de outros hotéis no mesmo destino. Tenha em mente que a diferença de preço não é fortuita; a faixa de preço costuma refletir o padrão das acomodações e/ou a categoria das bebidas e/ou a nobreza dos ingredientes usados nos restaurantes.

Leia mais:

Todas sobre resorts no Viaje na Viagem

Aruba

Punta Cana

Cancún

Curaçao

Barbados

St. Maarten

Cuba

San Andrés

136 comentários

Boa noite amigo.

Gosto muito do seu blog e comentários.
Acompanho você em sua redes.

Gostaria de uma grande dica: Lua de Mel.
Janeiro 2021

Estamos querendo ir para um resort all
Inclusive na América Latina. É indicado?
Pensei na Colômbia, vale a pena? Indica outros locais?

Eu e minha noiva adoramos o esquema beber sem preocupar mas curtimos dar uma saidinha tbm.

Consegue me ajudar nessa ?!

Grande abraço

    Olá, Jefferson! O melhor lugar para resort all-inclusive é Punta Cana, na República Dominicana, mas lá não há o que fazer fora do resort.

    Os de San Andrés são muito fracos.

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