Golpe do charuto em Havana: cuidado para não cair nessa!

Mariana Amaral
por Mariana Amaral

golpe do charuto havana

Charutos são o produto mais famoso de Cuba. Quem é fumante muito provavelmente vai incluir no planejamento de viagem uma pesquisinha prévia sobre onde comprar as marcas que já conhece. Mas quem não é fumante, apenas um turista curioso (e quando muito só ouviu falar de um tal Cohiba), precisa ficar muito esperto para não cair no golpe do charuto em Havana.

Eu, turista curiosa que sou, caí.

A armação toda é tão sutil que eu só fui entender a mecânica por completo depois de conversar com dois amigos. Ambos estiveram em Cuba recentemente e ambos foram vítimas do golpe também, mesmo sendo viajantes de longa data. Os malandros agem com simpatia e levam os gringos na lábia, e embora a experiência não seja traumática, ninguém fica feliz de ser feito de bobo e de voltar para casa com mercadoria falsificada.

Como funciona o golpe do charuto em Havana

Caminhando por Havana, especialmente por Habana Vieja, você vai ser abordado algumas vezes por pessoas oferecendo charutos. Você não compraria charutos de uma pessoa qualquer na rua, certo? Certo.

Então, seguindo o passeio, eventualmente você vai parar para tirar algumas fotos, tomar uma água, um mojito. Daí algum cubano muito simpático vai se apresentar e puxar papo, perguntar de onde você é ("Brasil? Me encantan las novelas!"), dizer que está feliz que você está gostando de Cuba. Talvez num momento da conversa ele pergunte se você tem lugar para se hospedar, você vai dizer que sim e quem sabe até comente sobre a ótima casa particular ou hotel em que você está ficando. Antes de ir embora, ele vai deixar uma dica: visitar uma cooperativa de trabalhadores das fábricas de charutos em Havana, que mensalmente fazem uma venda especial de parte do que produzem por um preço muito bom. Ele diz que vale a pena checar, você agradece, ele se despede e pronto.

Daí você fica na curiosidade: "Caramba, nem tenho acesso à Internet aqui para pesquisar mais sobre essa cooperativa. Talvez seja legal, de repente é como uma feirinha."

Continuando o passeio, você vai ser de repente cumprimentado por uma pessoa muito feliz em te ver: "Oi, você não está hospedado no hotel tal? Eu vi você chegando outro dia, sou sua camareira!". Ou: "Olá, você não é o hóspede brasileiro da casa de fulana? Reconheci logo, eu sou vizinha dela!". Vocês vão conversar um pouquinho, e eventualmente os charutos serão mencionados. Talvez você até aproveite para perguntar que história é essa de cooperativa, e ela diga que se você quiser visitar ela pode ir junto, que ganharia com isso alguns vales para reforçar as compras de mantimentos do mês.

E aí vocês vão.

Desnecessário dizer que é tudo muito bem armado. A primeira pessoa a fazer a abordagem puxa assunto para colher toda a informação que a segunda pessoa possa usar para demonstrar intimidade e levar você à "cooperativa". E a cooperativa, na verdade, vai ser a casa de alguém que vai se apresentar como um funcionário de uma fábrica de charutos e continuar sustentando a lorota toda.

As caixas de charuto à venda vão ser bonitonas a ponto de nenhum leigo ser capaz de desconfiar que não correspondem a um produto legítimo. Para ajudar na venda, os charutos ora serão os "preferidos de Fidel", ora os "favoritos de Raúl", "aromatizados com rum", e daí em diante, e o falso funcionário falará das qualidades de cada tipo, dará sugestões para a escolha e ainda explicará a importância de se manter o selo de garantia do produto na caixa para controle alfandegário (que ironia).

Se você chegar até aqui, é porque comprou toda a história; comprar os charutos vai ser o próximo passo natural.

Havana é uma cidade perigosa?

Havana é uma cidade bem segura para o tamanho que tem. É raro escutar relatos de roubos a turistas, e você vai se sentir muito mais à vontade para tirar fotos e passear pelas ruas de lá do que se estivesse em Paris, Buenos Aires ou no Rio de Janeiro.

Golpes contra turistas, por outro lado, são bem comuns. O golpe do charuto é o principal deles. Alguns aproveitadores também tiram vantagem do interesse dos estrangeiros em conversar sobre o país para descolar uns drinks de graça, outros oferecem dicas de restaurantes e acabam levando a lugares pega-turista que cobram o triplo do preço. Pode acontecer de uma corrida de bicitáxi que foi combinada por 4 CUC de repente virar 4 CUC "por passageiro". Seja firme e prepare-se para trabalhar muito o seu jogo de cintura.

Onde comprar charutos em Havana?

Você compra charutos cubanos legítimos em Havana em qualquer uma das lojas La Casa del Habano. A maioria das lojas está nos saguões de grandes hotéis, como no Hotel Nacional (Calle 21, esquina com O, tel. 7/836-3564), Meliá Cohiba (Avenida Paseo, entre 1ª e 3ª, tel. 7/833-3636) e Tryp Habana Libre (Calle L, entre Avenida 23 e Calle 25, tel. 7/834-6100), em El Vedado. Em Habana Vieja há uma La Casa del Habano no hotel Conde de Villanueva (Calle Mercaderes 202, tel. 7/862-9293) e também no antigo prédio da fábrica de charutos Partagás (Calle Industria 520, tel. 7/866-8060).

Cohiba, Montecristo e Partagás estão entre as marcas mais conhecidas, e você pode conhecer outras no site da Habanos. Existem charutos de todos os preços, mas um único charuto Cohiba legítimo pode custar entre 20 e 30 CUC.

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20 comentários

Danilo
DaniloPermalinkResponder

É mto chato esse tipo de situação, e pior, isso vai nos calejando, as vezes eu me sinto mal por ter dado "patada" em uma pessoa que talvez quisesse somente ajudar, ou somente conversar com um brasileiro, e não tirar alguma vantagem...vai saber.
Isso aconteceu mto na Índia, apesar que lá a maioria quer tirar vantagem mesmo...rs

Mariana
MarianaPermalinkResponder

nossa, pensei nisso, sou assim também.. mas é melhor ser antipático do que enganado, né

Cristiana
CristianaPermalinkResponder

Esse tipo de coisa acontece em todo lugar do mundo. Em Cuba deve ser frequente, mas aconteceu comigo (não com charutos, mas com tablet) na Lincon Road, em uma loja de italianos em Miami Beach. Estelionatários puros...

Camila Navarro

Quase caímos nesse golpe. Quer dizer, caímos na primeira parte, na da moça simpática que adorava as novelas brasileiras. Não tínhamos intenção de comprar charutos, por isso nem pensamos em ir à tal cooperativa. Seguimos por um caminho diferente do que ela tinha indicado, mas logo apareceu o cara dizendo que tinha nos visto na porta da nossa casa particular (sim, fui ingênua a ponto de contar para a moça onde estávamos hospedados). Aí na hora o Eduardo percebeu todo o golpe. Falamos que não queríamos charuto e saímos fora. O chato é que isso aconteceu no nosso primeiro dia em Havana e depois nos fechamos achando que toda aproximação era golpe. Ainda bem que fomos ao interior do país e lá tivemos a chance de acabar essa impressão.

Paula Sauer
Paula SauerPermalinkResponder

Não caímos neste golpe porque já estávamos cientes deste tipo de arbodagem, porém fizemos um tour para Viñales com a Cubatur, agência de turismo local, e neste passeio nos venderam charutos falsos em umas das paradas (dentro da fábrica de rum que visitamos, na lojinha). A explicação sobre os charutos fazia parte do tour e a compra foi recomendada pelo nosso guia. Lamentável!
Realmente os únicos lugares confiáveis são a casa del habano e as fábricas das grandes marcas. Perto do capitólio a partagas ainda tem a loja onde ficava a fábrica antigamente.

Michele de Oliveira Capiotti

Acho que caimos nesse golpe e só descobri hoje smile
Fui a Cuba em 2004, na ocasião fomos abordados por um cara e como meu amigo queria comprar charutos acabamos indo até a casa dele. Nos apresentou a familia, tomamos um café e meu amigo comprou os cohibas. Na ocasião nos falaram que trabalhavam na fábrica e que pois isso tinham direito ao produto. Nunca desconfiamos, eu então, que na verdade não conheço charuto e comprei apenas uma cigarilha cai direitinho!

ana carmem
ana carmemPermalinkResponder

Estive com meu esposo em Havana em nov/2015. Já conhecíamos o golpe (de outros relatos) e aproveitamos para nos divertir! Fomos abordados por um rapaz exatamente como relatado aqui, mas passamos informações totalmente falsas. Não demorou e o 2° rapaz veio nos abordar com as informações que havíamos dado! KKK ríamos muito e os deixamos confusos! Infelizmente esse tipo de abordagem não aconteceu somente em 1 dia. Nos 4 dias que estivemos em Havana, passamos por situações semelhantes em vários pontos da cidade.

PAULO CESAR NUNES DOS SANTOS

Estive em Cuba no carnaval de 2015 e fomos vítimas da mesma abordagem. Como estávamos hospedados no Habana Libre e sabíamos que os charutos autênticos só podiam ser vendidos nas lojas oficiais, não tivemos interesse nenhum pela oferta da "cooperativa". Esse foi o único episódio desagradável, que não comprometeu em nada nossa estada nessa ilha maravilhosa, com um povo extremamente simpático e solidário.

Adelaide Rossini de Jesus

Cai num conto do vigario na Turquia,pelo menos acho que foi.Nosso guia nos levou a uma fabrica de casacos e tivemos desfiles de lindas manequins que vestiam modelos maravilhosos.Ao fim da apresentacao nos levaram a um salao onde grande quantidade de vendedores nos incentivavam a comprar a mercadoria. Comprei um por 1800 euros. So depois foi que descobri do que eram feitos as tais jaquetas, pele de animais AINDA BEBES. Nunca mais consegui usar aquilo e sempre que me lembro do assunto tenho vontade de chorar.

Patricia Luck
Patricia LuckPermalinkResponder

Acho que não foi conto do vigário. Esse preço deve ser JUSTAMENTE por serem peles de filhotes

Cris
CrisPermalinkResponder

Eu e minha família já quase caímos num golpe um pouco parecido em Toledo, na Espanha. Não sei se posso dizer que foi exatamente um golpe, até porque a abordagem era mais simples, ou se era só uma tentativa de fazer turistas comprarem quinquilharias.

Foi assim: estávamos na frente da catedral da cidade, ainda decidindo entre entrar naquela hora (era meio-dia) ou deixar para depois do almoço.

No meio dessa indecisão, surgiu um senhor, muito simpático também, com folders nas mãos, perguntando se iríamos entrar na cateral naquele momento, mas sugerindo também um "passeio difrente e original" em Toledo: ver ao vivo o trabalho dos ourives do atelier onde ele trabalhava (os detalhes estavam nos folders, super simples, como que impresso em um papel ofício).

Ele insistu muito, dizendo que aquele atelier era original e que a maior parte da ourivesaria que víamos nas lojas de souvenirs não eram veradadeiros produtos de Toledo, etc e tal...

Bem, acabamos aceitando o convite porque a fila para entrar na catedral estava grande àquela hora, e então resolvemos ir no tal atelier antes de almoçar. Bem, era um tipo de galpão, e até havia pessoas trabalhando mesmo, mas como não sou especialista em metais preciosos, não dava para saber se aquilo era trabalho com ouro e prata de verdade. E sério, nem era assim um trabalho do tipo "uóóó, que habilidade que eles têm!!". Eram umas peças bem .... simplórias, na verdade. Um dos "ourives" nos mostrou uma peça um pouco maior e mais elaborada, mas já pronta, parecia uma caixa tipo porta jóias decorada com arabescos árabes/sarracenos, feita supostamente de ouro e que tais. O preço era algo tipo 3 mil euros à vista em cash, como se eu tivesse mesmo tudo aquilo naquele momento!! rsrs (e pelo tamanho, se fosse mesmo em ouro, seria muito, mais muito maos caro)!

Bem, eu quis ir embora logo, me pareceu um "pega turistão" brabo mesmo, mas meu irmão ficou assim, "com pena" de um velhinho que mostrou como trabalhava e acabou comprando um chaveirinho por 35 Euros (!!!), apenas para não dizer que fomos lá sem levar nada!

Quanto a puxar papo com locais, eu já tive algumas experiências meio negativas especialmente em viagens solo, algumas vezes com abordagens muito estranhas para saber onde eu estava hospedada. Nunca, mas nunca mesmo, por mais simpática que a pessoa seja, eu digo onde estou hospedada. No caso mais chato (que aconteceu às margens do Sena), eu acabei dizendo que estava no 9º Arrondissement quando na verdade eu estava no 5º... Falei apenas para me livar do cara ...rs

Abs,

Cris

Angela Maria de Padua

Eu cai nessa do charuto. Eh exatamente como acontece.

Adelaide Veiga

Quando estive em Cuba, junho de 2015, em todos os lugares que passávamos um cubano oferecia discretamente, charuto, charuto, charuto da cooperativa. A oferta foi tanta que dava para desconfiar. Fomos à fabrica Partagas, como ela estava fechada o porteiro nos mandou visitar a cooperativa que ficava logo atrás, no bairro China, esperávamos encontrar uma loja, com letreiros e tudo, o que nos foi mostrado era um prédio estranho com uma escadaria enorme. Dali mesmo fomos embora, e como não sou apreciadora de charutos, minha intenção era comprar somente uns presentes, fui ao Hotel Nacional e comprei os autênticos na charutaria.

Vitor
VitorPermalinkResponder

Bem, eu fui ao "golpe" sabendo do que se tratava. Eu precisava comprar uma caixa de charutos, fossem falsos ou não - afinal, todos são produzidos em Cuba, não é?

Mas o "melhor" golpe que tentaram me aplicar foi um cara em Santa Clara, Cuba, tentando me vender uma granada do "Che", sem pólvora, afirmava o vendedor, para não complicar na saída do país. Hilário, um golpista completamente sem noção do que seria alguém portando uma granada na revista no aeroporto. Mas ouvi o cara um pouco até dizer que não estava interessado, por curiosidade sobre a artimanha do sujeito.

The Crow
The CrowPermalinkResponder

...se engana jovem. A produção de tabaco em cuba é mega controlada, não sai nada de lá. O que vc comprou foi papelão picado com sobras de tabaco (na melhor das hipoteses) na pior te venderam o pano de linho usado na limpeza dos centros de envelhecimento.

Lia Campos
Lia CamposPermalinkResponder

E o golpe do charuto continua na boa e eu quase caí... smile
O diferente foi que dessa vez EU que abordei a pessoa pra pedir informações.
A ficha demorou a cair, mas finalmente caiu devido à lembrança do que já tinha lido em blogs.
Segue meu post sobre o que vi em Havana em novembro de 2016:
http://www.correndoomundo.com.br/2017/01/havana-novembro2016.html

cesar
cesarPermalinkResponder

Desculpe, mas acho que estamos invertendo as coisas...não são só certos cubanos querendo se dar bem, mas a culpa de querer ser enganado é do brasileiro, que sempre quer dar um jeitinho de burlar as leis. Compre sempre com recibo, nota fiscal..pronto, assim ninguém vai reclamar kkk

Robson
RobsonPermalinkResponder

Eu entrei numa lojinha lá do Porto em Havana para comprar um porta charutos e o vendedor me levou para trás da loja para me mostrar uns charutos que ele tinha lá, falou que era original, mas com preço bem abaixo que eu pagaria numa outra loja, será que era falsificado?

Manuel Silva
Manuel SilvaPermalinkResponder

Bem, parece-me então que também fui enganado, não em Havana mas pelo nadador salvador do hotel em Varadero, caixinha toda bonitinha, selos de garantia e 50 cucs por 25 charutos, como não faço ideia do preço e amigos me pediram para levar, achei que era uma compra razoável, só desconfiei quando cheguei ao aeroporto e no free shop o preço dos Cohiba eram quase 500 euros dez charutos. Espero ao menos que os que eu comprei seja tabaco mesmo.

João Drumond
João DrumondPermalinkResponder

Não tem nada disso. Compra quem quer e querem saber? São excelentes charutos. Realmente não existem cooperativas. Cooperativas são as residências de alguns cubanos, que comercializam caixas fechadas de charutos de todas as marcas. Podem não ser legítimos das Casas Del Habano, mas quem garante isso? Na verdade, esses charutos das chamadas "cooperativas" são perfeitos e com queima regular. São fumos da ilha e muito das vezes long filler. Portanto, vale a pena comprar e experimentar. Se bobear, aqui no Brasil, tem muita loja bacana vendendo charuto das "cooperativas" de Havana, como se fossem originais. Vai bobo!

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