Belém

Amazônia legal
Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Se você soubesse tudo o que Belém fez para receber sua visita, já teria ido há mais tempo. No Brasil, só Curitiba investiu tanto na revitalização de lugares que pudessem virar atrações turísticas. A Estação das Docas - a versão belenense do Puerto Madero - é só a cereja do bolo, digo, a farinha do açaí. (Sim, o açaí no Pará se come com farinha. Acompanhando peixe.)

Mesmo que Belém não tivesse restaurado o Forte do Presépio, repaginado o Museu de Arte Sacra, convertido um presídio no Pólo Joalheiro e aberto o belo jardim amazônico do Mangal das Garças, já valeria a viagem - pelo  Ver-o-Peso, pelo Theatro da Paz, pelos sorvetes da Cairu, por uma esticadinha à ilha do Marajó, pelo tucupi, pelo jambu.

Vai por mim: Belém é a cidade mais incrível que o Brasil ainda não descobriu. Quando é mesmo o próximo feriadão?

Quando ir

A boa notícia é que não existe época desaconselhável para ir a Belém.

A chuva — que cai normalmente em forma de tromba d’água à tarde — se faz presente o ano inteiro. Querendo pegar menos água, venha entre junho e novembro.

Se quiser fazer uma dobradinha de Belém com as praias do Tapajós em Alter-do-Chão, vá entre agosto e novembro.
Prefira ir ao Marajó ou a Alter-do-Chão durante a semana, para não pegar muvuca. Passe fins de semana e feriadões em Belém, quando os hotéis barateiam.

No segundo domingo de outubro comemora-se o Círio de Nazaré - que é o Natal, o Réveillon e o Carnaval de Belém, num só evento. Reserve com a maior antecedência possível.

Como chegar

Belém é menos longe do que você imagina.

Voa-se em 3 horas e meia desde São Paulo ou Rio — apenas meia hora a mais do que São Paulo-Fortaleza, e exatamente o mesmo tempo de vôo de São Paulo a Natal.

Manaus e Fortaleza estão a 2h de vôo; Brasília a 2h30 e Belo Horizonte a 3h.

Para a Ilha do Marajó, o ótimo catamarã que durante um ano ligou Belém direto a Soure teve as operações encerradas. Agora todas as embarcações vão só até o porto de Camará, onde é preciso seguir de van a Salvaterra e atravessar o rio Paracauari de rabeta a Soure. A embarcação mais rápida é o catamarã da Banav, que faz a travessia em 1h15, mas não opera todos os dias (veja os horários e compre passagens aqui). Nos dias em que não funciona o catamarã, a Banav usa navios convencionais, que levam 3 horas até Camará. O outro ponto de embarque à ilha do Marajó é o porto de Icoaraci, a 20 km do centro de Belém. Ali operam navios e ferry-boats da Henvil, com três saídas pela manhã. O percurso leva 3 horas a Camará.

Para Alter-do-Chão, o melhor é ir de avião (1h10 a Santarém + 30 km de táxi). De barco são 60 horas; a passagem pelo estreito de Breves pode causar enjôo.

Onde ficar

Entre os hotéis top, o Golden Tulip Belém é o único no Umarizal, junto a bares, restaurantes e ao shopping Boulevard. Já o Radisson, no bairro central de Nazaré, ainda está estalando de novo.

Na faixa intermediária, fique num Tulip Inn -- o Nazaré e o Batista Campos são centrais.

Para economizar, escolha entre o Soft Inn Batista Campos (central, padrão Ibis Budget) e a Pousada Portas da Amazônia, no centro histórico. (O Ibis não é bem localizado.)

No Marajó, fique no centro de Soure: Casarão da Amazônia ou Canto do Francês.

Em Alter-do-Chão, a Mirante da Ilha está na orla, a Mingote na praça, o Borari é novinho, o Belo Alter tem praia própria, a Tapajós é um bom hostel.

O que fazer

As atrações listadas na introdução cabem num fim de semana. Acrescente a elas uma visita ao Museu Emilio Goeldi, que preserva um naco da Amazônia no centro. A Basílica de Nazaré fica perto.

Há diversos passeios de barco pela Baía do Guajará -- como este, ao entardecer. No fim de semana dá para ir de barco almoçar no igarapé do Saldosa Maloca. Outra experiência amazônica inesquecível é ir almoçar no Terra do Meio, em Marituba, a meia hora de táxi.

Na cidade, a melhor da cozinha paraense está no tradicional Lá em casa (nas Docas), nos grifados Remanso do Peixe (numa casinha de vila) ou Remanso do Bosque (peça o menu degustação) ou na Peixaria Amazonas, no Umarizal. Experimente açaí com peixe no Point do Açaí.

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88 comentários

Adilson Luiz Da Costa

É obrigatória a vacina contra a febre amarela para embarcar para Belém? Estamos indo no dia19/03.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Adilson! Não há obrigatoriedade nem controle em vôos nacionais. Mas vacine-se. Você precisa dessa vacina para viver com segurança na sua cidade.

Filipe Degani
Filipe DeganiPermalinkResponder

Na segunda quinzena de Julho, já seria recomendável ir a Alter do Chão? Ou há chance de eu me dar mal?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Felipe! A ilha do Amor já terá começado a aparecer.

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