Canal St.-Martin, onde o verão de Paris acontece 1

Canal St.-Martin, onde o verão de Paris acontece

Canal St.-Martin

Nas minhas últimas três passagens por Paris (duas bem rapidinhas, em outubro e dezembro de 2011; e uma de 8 dias, em julho de 2013), me hospedei numa região que a cada volta me conquista mais: o Canal St.-Martin, no 10º arrondissement.

Canal St.-MartinCanal St.-Martin

Charmoso, informal, desencanado, o Canal St.-Martin é um oásis de despretensão em Paris. Um lugar desprovido de monumentos, museus ou prédios demasiadamente históricos, e que por isso acaba atraindo uma maioria de parisienses em busca de diversão, misturada com um tipo especial de turista: aquele que não está interessado apenas em atrações turísticas.

O ano inteiro, a região é uma pintura, graças às pontes de pedestres arqueadas, acopladas a escadarias, que permitem a passagem de barcaças e elevam os passantes à altura das copas das árvores.

Canal St.-MartinCanal St.-Martin

O tráfego de barcos — tanto de passeio, quanto de carga — passa por uma eclusa: o barco fica represado enquanto o nível da água é artificialmente ajustado. Sempre que isso acontece, junta gente para assistir. (Mas acho que a operação não é tão divertida para quem está preso no barco, não; a Lina do Conexão Paris é da mesma opinião.)

Canal St.-MartinCanal St.-Martin

No verão, a festa móvel de Paris se transfere para cá: em dias (e noites) quentes, as margens do canal ficam tomadas por uma moçada que vem tirar os sapatos e fazer piqueniques regados a cerveja ou rosé. (O gramado do Jardin Villemin, um parque que vai até o quai de Valmy, vira uma prainha.) Bares e bistrôs das redondezas vendem sandubas e comidinhas à emporter (pra viagem). A pizzaria Pink Flamingo inventou sua própria bossa: você faz o pedido no restaurante e, ao pagar, recebe um balão numerado. Quando a pizza fica pronta, o entregador localiza você na margem do canal pelo número no balão.

Jardin Villemin

Menos metido do que o Marais, mais charmoso do que a Bastille e bem menos turisticão do que o Quartier Latin, o Canal St.-Martin proporciona uma ~pausa que refresca~ na sua turistagem parisiense. Dê uma voltinha por aqui: tenho certeza de que você também vai se apaixonar.

Canal St.-Martin

Veja como chegar e onde ficar, comer, beber e comprar no Canal St.-Martin:

Como chegar ao Canal St.-Martin

A estação mais conveniente para o miolinho-filé do bairro é a Jacques Bonsergent, que faz parte da linha 5 (Bobigny-Place d’Italie). Mas dá para vir caminhando de duas estações mais poderosas: République, servida pelas linhas 3, 5, 8, 9 e 11, e Gare de l’Est, para quem vem pelas linhas 4, 5 e 7.

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É tranqüilo vir a pé do Marais: são uns 30/40 minutos pelo caminho mais reto (saia pela rue de Turenne, nas imediações da Place des Vosges, e você vai dar na République).

Onde se hospedar no Canal St.-Martin

O hotel mais cool do pedaço é o Le Citizen, de apenas 12 quartos, todos com vista para o canal. Não é barato (mas no Marais custaria o dobro).

No miolinho do bairro, em meio às lojas e bistrozinhos, considere o charmoso Garden St.-Martin ou os econômicos Soft e Kyriad Paris 10.

A meio caminho entre a estação République e o Canal, o Ibis Styles Paris République deixa você na porta tanto da vida boêmia do bairro quanto da estação mais prática da região.

Dentre os hotéis nas redondezas da Gare de l’Est, o Timhotel Gare de l’Est (vizinho ao Jardin Villemin) e o Ibis Gare de l’Est (numa ruazinha transversal do Boulevard Magenta) são os que têm localização mais simpática (dá até para esquecer que você está pertinho de uma estação de trem).

A novidade do bairro é o hostel-design Generator, que fica perto do bochicho e tem também quartos privativos.

Onde comer e beber no Canal St.-Martin

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As duas margens do canal (quai de Valmy e quai de Jemmapes) e as ruelas transversais e paralelas são cheias de cafés, bares e pequenos restaurantes. Pouquíssimos têm grandes pretensões gastronômicas, mas no geral come-se bem, a preços palatáveis. Como os lugares são pequenos, é recomendável reservar (por telefone ou email; pode ser em inglês).

Hôtel du NordHôtel du Nord

Uma das estrelas do canal — não pela comida, mas pelo ambiente — é o Hôtel du Nord (102 quai de Jemmapes, tel. 01 40 40 78 78, [email protected]), que não é hotel, apenas usa o nome do célebre filme rodado nos anos 30 no canal.

Já a unanimidade entre os foodies é o bar à vins Le Verre Volé (67 rue de Lancry, tel. 01 48 03 17 34), com menu bistronomique que muda a cada refeição.

Pink FlamingoLe Cinquante

Para receber sua pizza à beira do canal, passe no hypadíssimo Pink Flamingo (67 rue Bichat, tel. 01 42 02 31 70). Mas as pizzas não só só hype, não: as coberturas são originalíssimas, e usam ingredientes como queijo de cabra, figos frescos, homus e curries orientais.

Outro clássico do bairro é o baratíssimo Le Cambodge (10 avenue Richerand, tel. 01 44 84 37 70), que não aceita reservas e serve comida cambojana autêntica (o prato mais pedido é o bobun, uma sopa com macarrão de arroz e rolinhos fritos). A espera é sempre tão grande que abriram uma filial no fim da rua, o Le Petit Cambodge (20 rue Alibert, tel. 01 42 45 80 88 ), aberto sem interrupção entre almoço e jantar. Entre os dois cambojanos, a cantina La Madonnina (10 rue Marie et Louise, tel. 01 32 41 25 26) prepara massas autênticas como no sul da Itália (comi um rigatoni à siciliana de chorar de bom), e o Le Carillon (18 rue Alibert) é o perfeito café de esquina onde vale a pena esperar por uma mesa na calçada.

Canal St.-Martin

No quai de Valmy, o Chez Prune (36 rue Beaurepaire) tem a calçada mais disputada. Se você passear de dia, entre segunda e sexta, procure a premiadíssima padaria Du Pain et des Idées (34 rue Yves Toudic, esquina rue de Marseille), uma das preferidas da querida Constance Escobar. Na mesma rua, o bar de tapas Les Voisins (27 rue Yves Toudic, tel. 01 42 49 36 58 ) combina com uma noite de verão. Entre os bistrôs bem franceses da área, o Les Enfants Perdus (9 rue des Récollets) é bem recomendado. Já o onipresente tailandês Mme Shawn (56 rue de Lancry, tel. 01 42 38 07 37; 34 rue Yves Toudic, tel. 01 42 08 05 07; e 3 rue des Récollets, tel. 01 42 72 36 06) faz a linha pra francês ver: os sabores são domesticados (assim como o brasileiro, o francês não curte pimenta). Não importa onde você jante, recomendo que dê uma passadinha depois no irresistível bar Le Cinquante (50 rue de Lancry, tel. 01 42 02 36 83), uma portinha que preserva a decoração original de fórmica, para um último armagnac de pé na calçada antes de dormir.

Mas não fique só com essas indicações. Faça suas próprias descobertas: passeie uma tarde pelas ruelas internas do bairro e várias portinhas vão chamar sua atenção; confie no seu taco e faça uma reserva para voltar outra noite.

Onde comprar no Canal St.-Martin

Canal St.-MartinCanal St.-MartinCanal St.-Martin

As lojinhas independentes são um dos atrativos do bairro e estão espalhadas pelas ruazinhas. Duas ruas, porém, concentram as lojas de novos estilistas que começam a ser badalados: a rue de Marseille e a Beaurepaire. O Conexão Paris tem um post muito bacana sobre compras na área.

Leia mais:

20 comentários

Ricardo Freire, só para atualizar o post…

Estou em Paris nesse momento (29/10/19), e infelizmente a pizzaria Pink Flamingo fechou as portas.

As demais dicas continuam valendo!

Olá pessoal, gostaria de deixar aqui a minha impressão sobre a região: não foi boa! Foi o único lugar onde não nos sentimos seguros na cidade, estivemos la há um ano e ainda havia acampamentos de refugiados na região e muitos pedintes, inclusive vi um deles sendo bastante agressivo com um casal ao meu lado quando estava apreciando a paisagem na margem do canal. O lugar é bonito mas realmente para mim e para a minha esposa não parece ser um bom local para se hospedar na atualidade, talvez uma visita e olhe lá. Ficamos 14 dias na cidade desta vez (não foi nossa primeira visita) e andamos muito, então tivemos um bom parâmetro para comparar com diversas outras regiões. Não é nenhuma crítica ao post, a intenção é fazer um contraponto para que as pessoas tenham uma opinião a mais para se basear segundo um ponto de vista mais atual sobre a região. Obrigado e um abraço a todos.

    Rodrigo, só para dizer que eu acabo de me hospedar de novo no Canal St.-Martin (setembro/2018) e pra mim continua exatamente como eu descrevi no texto. Sem acampamento de refugiados nem mais pedintes ou sem-teto do que qualquer outro ponto de Paris. Nem todo mundo precisa gostar das mesmas coisas, correto? Abraço!

O local é charmoso
Vc vê a. Vida do parisiense. Ótimo para relaxar

Boa noite! Lendo o texto, notei que em uma das visitas o Ricardo ficou hospedado na região do Canal Saint Martin no inverno (dezembro). Contudo, o post é bastante específico quanto ao verão. Pretendo ir em dezembro, passar o Natal em Paris e lendo as dicas pensei em me hospedar na região por 04 noites, mais especificamente no Hotel Ibis Paris Canal Saint Martin (12 Rue Louis Blanc). Seria uma boa opção ou no inverno, e mais especificamente no Natal, a cidade seria melhor aproveitada em outra localização? Aceito sugestões! Obrigada!

    Olá, Maiana! No inverno o movimento cai bastante e a região ganha um quê melancólico. Tem a sua beleza e o seu charme, mas não provoca o frisson do verão.

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