3 dias em Bogotá: a experiência do Dionísio

Bogotá. Foto: João Batista de Andrade, o Jotabê

A caminho de Aruba, o Dionísio resolveu fazer um pit-stop em Bogotá, na ida e na volta, acrescentando novos ingredientes à sua viagem. Não se arrependeu: encontrou uma cidade bonita, interessante e, confirmando a maciça propaganda do órgão de turismo da Colômbia, sem nenhuma sensação de insegurança. Mas é melhor ouvir isso nas palavras dele (viagem feita em 2010):

Texto | Dionísio

Partimos de Porto Alegre rumo a Bogotá na manhã do dia 5 de março, para uma jornada de 10 horas até a capital colombiana, com conexão em Guarulhos. O ruim foi ter que pegar as malas em Guarulhos e despachá-las a Bogotá. Não permitiram mandá-las direto de Porto Alegre.

Após cerca de 2h30min fuxicando no free-shop de Guarulhos, embarcamos num Boeing 737-800 da Varig bem novo e com bom espaço para as pernas. A bordo, um almoço bem honesto (duas opções de pratos quentes, salada, sobremesa, bebidas e cafezinho) e, mais tarde, um lanchinho bem gostoso. Mas, apesar do voo longo de 6 horas de Guarulhos a Bogotá, travesseiro e manta são exclusividades da classe Comfort (mais cara e quase vazia). Em tempo: apesar das informações em contrário do pessoal de terra da Gol, é permitido, sim, o uso de notebook a bordo, exceto na decolagem e no pouso.

Quase 6 horas depois de não enxergar nada, avistamos Bogotá. A cidade é enorme!

Do ar, vimos muitas estufas da grande produção das famosas flores colombianas e notamos que Bogotá é cercada de montanhas altas e verdes.

Desembarque, imigração tranquila, bagagens e nada de free-shop! As lojas só estão disponíveis no embarque. Nos chamou a atenção que a saída da sala de desembarque ocorre diretamente na rua – sem revistas nem checagem de conteúdo das malas, apenas um simpático militar nos perguntou quanto dinheiro tínhamos e por que estávamos viajando à Colômbia. Não vimos nada daquele controle rígido que algumas pessoas relatam. Aliás, tirar os sapatos só no aeroporto de Aruba (no embarque).

Logo na saída do aeroporto está o guichê dos táxis oficiais, a preço fixo por bairro. Pagamos 18 mil pesos para ir à Zona Rosa, algo em torno de 18 reais. Atendidos por um senhor maleteiro também simpático (pediu gorjeta em reais e não em pesos, pode?), seguimos num carro limpo, confortável e bem cuidado, com um motorista falante que nos mostrava tudo ao redor e sugeria passeios. Nos contou que até pouco tempo atrás turistas como nós não podiam ir a Bogotá porque provavelmente seriam roubados ou sequestrados assim que deixassem o aeroporto. Segundo ele – e todo mundo lá – a tranquilidade de hoje tem nome: Alvaro Uribe, o presidente colombiano.

O trânsito era pesado, mas fluía bem, sempre tendo os Cerros Orientales como testemunha. Até o nosso hotel, na Zona Rosa, foram 25 minutos na hora do rush ao final da tarde de sexta-feira.

Antes de viajar, escolhemos, primeiramente, a região de hospedagem: Zona Rosa. Área de alto padrão, recheada de lojas, shoppings, bares, cafés e restaurantes, é um dos principais centros comerciais e noturnos de Bogotá. Depois, o hotel: GHL Hamilton, da rede GHL, que possui vários hotéis na Colômbia.

A Zona Rosa é muito bacana, um lugar excelente para um turista aproveitar Bogotá. Muita, muita gente mesmo nas ruas. Pessoas bonitas, bem vestidas, de todas as idades, aproveitam as opções de divertimento do bairro. Poucos pedintes, quase nenhuma abordagem e, mesmo assim, bastante cordiais.

Nosso quarto no hotel tinha vista para o Centro Comercial Atlantis – onde está, por exemplo, o Hard Rock café – e das montanhas, que estavam logo ali, bem próximas, a poucas quadras.

Saímos a caminhar pela Zona Rosa na primeira noite, um tanto assustados com o frio que fazia (Bogotá tem sempre um clima fresco) e logo após o jantar nos entregamos à cama, bem cansados da longa viagem dos pampas ao norte da América do Sul.

No dia seguinte, deixaríamos o hotel ao meio-dia para ir a Aruba. Acordamos cedinho e fomos caminhar até o Paque de la 93, outra região de alto padrão da Bogotá, também rica em bares, restaurantes e cafés.

No caminho, deu para notar como as ruas são limpas e bonitas e com muitas opções gastronômicas e de compras. O famoso e longínquo restaurante Andrés Carne de Res tem uma filial logo ali. Árvores, cliclovia e nada de lixo no chão. Uma beleza.

Achamos interessante que os belos morros de Bogotá são parcialmente ocupados, mas não por favelas, e sim por prédios de alto padrão. Além disso, as construções em tijolinho à vista são típicas de Bogotá, o que dá um charme à cidade.

De volta do passeio de umas duas horas, sempre a pé, já perto do nosso hotel passamos pela famosa Zona-T, a confluência de duas ruas que concentram muitos bares e restaurantes dentro da Zona Rosa. Este lugar simplesmente bomba à noite! De dia, ruas limpíssimas.

Como não podia deixar de ser, a Zona Rosa também tem algum comércio mais popular e há alguns ambulantes que vendem frutas lindas e frescas.

Partimos a Aruba e retornamos a Bogotá para mais duas noites. Como estavam ocorrendo as eleições parlamentares no país, não pudemos beber nada alcoólico, pois a lei é muito rígida e todo mundo obedece. Para terem uma ideia, os supermercados isolam o corredor das bebiias alcoólicas e os bares nem pensam em oferecer nada contra a lei.

Havia um clima de “tensão moderada” na cidade, porque os terroristas poderiam fazer alguma coisa para atrapalhar o pleito. Confesso que dias antes havia lido uma reportagem no El Tiempo analisando as possíveis ações terroristas e fiquei um tanto preocupado ao me ver em Bogotá justamente no dia das eleições. Mas tentamos não nos deixar abater ou influenciar e partimos para a rua, amparados pelo forte policiamento que, de verdade, nos deu uma sensação boa de segurança.

Um fato notável: apesar de tudo, os policiais e militares são todos muito corteses no trato com as pessoas.

O rumo do sábado de manhã foi a região da Candelária, zona histórica de Bogotá onde se concentram atrações sensacionais. O primeiro ponto de parada foi o Museo del Oro. É deslumbrante! Coisa de primeiro mundo.

Saindo dali, passamos por uma zona bem “centrão”, mais pobre e cheia de comércio popular, mas que em nenhum momento nos deu medo de caminhar, porque havia policiais por todos os lados.

Achei engraçado ver que quem precisa telefonar aluga um celular ali mesmo, na calçada, dos muitos ambulantes que oferecem o serviço chamado de “minuto”.

Seguimos a pé à Plaza Simón Bolívar, ponto de encontro de prédios históricos importantes, como o Capitólio, a Suprema Corte e a Catedral Primada. Os prédios antigos estão muito bem conservados.

Subimos a ladeira da Candelária, apreciando o casario antigo e procurando nosso objetivo-mor: o Museo Botero.

No museu, o ponto alto da visita a Bogotá: a obra de Fernando Botero. Imperdível, simplesmente! Bacana é que deixam fotografar à vontade, sem flash, e a gente tem vontade de clicar tudo! O Museu Botero foi um lugar marcante que realmente emocionou, ainda mais sob a vigilância de Monserrate, o majestoso monte colado à Candelária.

Depois de bater perna o sábado inteiro, a noite foi de descanso, após um ótimo jantar na própria Candelária, no restaurante El Corral do Centro Cultural Gabriel García Márquez.

Domingo, último dia, céu azul e rumamos a Usaquén, um bairro histórico onde fica o Mercado de Pulgas.

O Mercado de Pulgas tem lindo artesanato e pratos típicos para quem quiser conferir a culinária local. É um programa muito legal para a manhã de domingo.

O bairro de Usaquén é repleto de restaurantes transados e lota no domingo, quando bogotanos e turistas circulam pelas ruas estreitas de casinhas bem conservadas.

Usaquén conta também com um charmoso shopping construído unindo antigas casas de fazendas que lá existiam. O nome é Hacienda Santa Barbara.

Final da tarde, hora de deixar o hotel e voltar ao Brasil. Antes tive que comer um hamburguer com banana frita (platano), tipo chips, que me estava deixando curioso há dias…

Embarque no aeroporto El Dorado, com procedimentos tranquilos e rápidos. A ala internacional tem várias lojinhas pequenas duty free, onde dá para se divertir enquanto não chega a hora de entrar no avião.

Dicas

1. Bogotá é um excelente destino para quem quer gastar milhas ou vai ao Caribe ou outros destinos colombianos, como Cartagena e San Andres. A cidade é linda, limpa, arborizada e oferece muitas e ótimas opções culturais, gastronômicas e comerciais. O povo é muito educado e gentil.

2. A cidade transmite sensação de segurança, pois há policiais para onde se olha. Mas é bom não dar bobeira, porque continua sendo uma metrópole sulamericana (isso fala por si só). Mas Bogotá também dá a sensação de ser uma cidade que está melhorando, um lugar em que estão fazendo alguma coisa contra a violência e o tempo perdido. Isso deve ser apreciado (taxistas contam muito bem as trasformações positivas da capital).

3. Hospede-se na Zona Rosa (os Jardins, Leblon ou Moinhos de Vento de lá), não importa quanto tempo ficará em Bogotá. Infraestrutura completa e segurança são pontos altos. Acho que vale mesmo se for para apenas passar a noite e pegar uma conexão no outro dia. O bairro está a cerca de 25 minutos do aeroporto. Ficamos no Hotel GHL Hamilton, tipo business, muito correto, suítes amplas, café da manhã regular, staff atencioso, ideal para quem quer sair a pé.

4. Jante e curta a noite na Zona Rosa, mais especificamente na Zona-T. Recomendo o restaurante Via María, de pratos deliciosos e de preço justo. O mojito foi o melhor que já provei. Outro lugar bom para comer – e que está em vários pontos da cidade – é o restaurante El Corral. Há, além disso, os bares e restaurantes do Parque de la 93 e da Zona G (de gourmet), com boa reputação e em bairros próximos à Zona Rosa.

5. Os restaurantezinhos da Candelária oferecem uma experiência mais “roots”, com pratos bem típicos. São bem simples e atraem muitos jovens turistas europeus e americanos. Não arrisquei, pois, confesso, não achei bom o aspecto dos lugares.

6. Use táxi, pois é muuuuuito barato. Pegamos vários táxis diretamente nas ruas e sempre deu tudo certo, com segurança e bons papos com os motoristas.

7. Os preços em geral são bem compatíveis com os brasileiros.

8. Pacotes de legítimo café colombiano são bons presentinhos de viagem. Os mais vendidos são os da Juan Valdez, uma espécie de MacDonald’s do café. Mas atenção: os preços são bem mais baixos nos supermercados do que nas próprias cafeterias.

9) Reserve hotel com antecedência, pois a cidade é muito grande para sair procurando um lugar para ficar. Valorize seu tempo.

10. Leve um agasalho, pois o clima é sempre fresco devido à altitude. E por falar em altitude, estive ofegante durante todos os três dias em Bogotá (amarrar os sapatos era como fazer ginástica…). Minha esposa nada sentiu.

Opinião final

Bogotá é positivamente surpreendente. O medo inicial de ir a uma cidade tão marcada pela violência e pelo terrorismo se dissipa tão logo se pise na rua e se veja que as pessoas estão ali, normais, vivendo as suas vidas e aproveitando uma cidade que tem muito a oferecer. Acho que vale para Bogotá o exemplo do Rio de Janeiro (já se discutiu no VnV a questão do medo de visitar um lugar com fama de “mau”). E o melhor é que Bogotá fornece, realmente, sensação de segurança, o que é indispensável para se curtir uma viagem.

Muito bacana, Dionísio! Obrigado!

E em tempo: a foto que ilustra o post é do nosso Jotabê. E o relato dele de Bogotá, no Descobrimento da América+, pode ser lido aqui, aqui e aqui.

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