São Luís

Bumba-meu-reggae

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Misture Nordeste com Amazônia, França com Portugal, bumba-meu-boi com reggae, guaraná com Jesus, e o resultado será uma cidade absolutamente singular.

Fundada por conquistadores franceses, São Luís foi logo reconquistada por portugueses, que deixaram seu legado nos casarões de fachadas de azulejo do centro. Apesar não ser tão visível, o sincretismo afro-brasileiro é tão importante quanto o da Bahia; o candomblé é chamado tambor-de-mina. O reggae caiu no gosto do maranhense, com músicas cantadas em “embromation” e dançadas de corpo colado, como no forró. Até o guaraná é original: cor-de-rosa e com forte gosto de canela, atende pelo nome de Jesus.

Continue aos Lençóis Maranhenses e você encontrará outra mistura única: dunas intermináveis, pontilhadas por lagoas cristalinas, vigiadas de perto por mangues tão vigorosos quanto os da Amazônia.

Quando ir

O clima do Maranhão se caracteriza por duas estações distintas: as chuvas caem no primeiro semestre, ao passo que a partir de julho o sol brilha todos os dias.

A temporada do bumba-meu-boi começa no fim de maio, com os ensaios — e tem seu auge em junho, quando São Luís é tomada pelos festejos. O São João em São Luís é dos bois.

Já em Alcântara a grande celebração de rua é a Festa do Divino, que acontece quarenta dias depois da Páscoa.

A melhor época para ir aos Lençóis Maranhenses vai de junho a meados de setembro, quando o tempo está firme e mais lagoas estão cheias.

No primeiro semestre chove muito (e é preciso sol alto e forte para admirar as cores das lagoas). A partir de outubro, a maioria das lagoas estará seca.

Como chegar

São Luís é servida por vôos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Teresina e Belém.

De São Luís a Barreirinhas, a “capital” dos Lençóis Maranhenses, são 260 km. Ônibus da viação Cisne Branco fazem o percurso em 5 horas. Vans fazem o mesmo trajeto em 4 horas (mas você vai apertado; há pouco lugar para bagagem).

A Santo Amaro do Maranhão, nos Lençóis, chega-se numa combinação de van + Toyota de linha. Reserve o transporte com sua pousada de Santo Amaro (a van passa para pegar você em São Luís, seja no hotel, seja no aeroporto). Para Atins, vá a Barreirinhas e prossiga de voadeira (fretada ou de passeio) ou Toyota de linha (peça para sua pousada em Atins reservar o transporte).

As lanchas para Alcântara saem do terminal hidroviário da Praia Grande, junto ao centro histórico. O ideal é passar na manhã anterior à viagem para se informar do horário (que varia de acordo com a maré) e já comprar a passagem.

Fortaleza está a 880 km de São Luís; Teresina, a 430 km (pelo asfalto); Belém, a 800 km.

Onde ficar

O maior pólo hoteleiro de São Luís fica na praia de Ponta d’Areia, bem posicionado para ir ao centro histórico e aproveitar a noite da Lagoa da Jansen. O melhor hotel da cidade, o Luzeiros, fica num ponto tranqüilo (e pertíssimo do restaurante Cabana do Sol, o preferido da elite ludovicense). Já o Stop Way está bem localizado para os barzinhos da Lagoa da Jansen. Na faixa mais econômica, a região tem o Soft Inn e o Premier, junto à avenida. Um pouco mais adiante (com poucas opções a pé) fica o Ibis da cidade.

A praia do Calhau também tem hotéis -- como o bem-localizado Tulip Inn Praiabella -- e o único com estrutura básica de resort, o Pestana São Luís. No alto da colina, o ótimo L'Authentique Cristal faz a linha hotel-boutique.

As opções de hospedagem no centro histórico são reduzidas. A pousada mais charmosa é a Portas da Amazônia (mas as noites de sexta e sábado podem ser bem barulhentas na região). O Grand São Luís é um hotel competente e está um pouco mais protegido da muvuca.

Alcântara tem apenas pousadas. A mais central é a Maison du Baron. A Bela Vista fica a 10 minutos de caminhada do centro, e tem uma pequena piscina. Já a Pousada dos Guarás fica junto à praia; boa para descansar.

O que fazer

Infelizmente o centro histórico já está decrépito de novo, precisando de outra restauração. O lugar vale sobretudo pelos casarões transformados em centros culturais -- e pelos agitos noturnos de sexta e sábado.

O museu que acho mais interessante é a Casa da Festa (rua do Giz, 221), que joga uma luz sobre o tambor-de-mina. Um ótimo complemento é a Casa de Nhozinho (rua Portugal, 185), dedicada à obra e à influência de um grande artista popular (o Mestre Nhozinho, claro). Muito pertinho você encontra a Casa das Tulhas (rua da Estrela esquina rua Portugal), um mercado que funciona a toda pela manhã mas que continua com barracas de comida e artesanato abertas até o fim da tarde. Para ver os resquícios da vida aristocrática da São Luís antiga, visite o belo Teatro Arthur Azevedo (rua do Sol, 180) e o Museu Histórico e Artístico do Maranhão (rua do Sol, 302), que funciona num casarão bem preservado. Para encontrar tudo aberto no centro histórico, vá entre terça e domingo, à tarde. Para ver tambor-de-crioula, apareça na sexta-feira ao anoitecer. O happy hour é concorrido do meio da semana em diante; as noites de sexta e sábado são fortes (sexta é melhor que sábado).

Para curtir reggae à maranhense, vá ao Roots Bar na sexta (rua da Palma, 85, centro histórico), ao Bar do Nelson no sábado (no finzinho da Av. Litorânea -- nº 135 -- no Calhau) e no Chama Maré no domingo (escondido no canto esquerdo da Ponta d'Areia, no caminho do hotel Praiamar).

No quesito praia, saiba que a balneabilidade da orla está sendo posta em cheque pelos ludovicenses. Informe-se sobre as condições de banho ao chegar. Mas caminhar, seja na areia, seja no calçadão, é um bom programa. Algumas barracas/restaurantes bacanas no calçadão: Biana Bistrô, L'Apero, Barraca do Chef e Desfrut Praia (sucos e sanduíches naturais).

Não deixe de passar um dia em Alcântara. Para uma experiência completa, programe um pernoite: a cidade só ganha vida ao entardecer, e os monumentos iluminados ficam outra lindeza. (Aproveite para fazer o passeio de observação dos guarás, no fim da tarde -- quem volta a São Luís no mesmo dia embarca antes, lá pelas 4 da tarde.)

Aos Lençóis Maranhenses, vá sem pressa: a distância é grande e o melhor do parque (Santo Amaro e Atins) tem acesso complicado. Minha fórmula: vá a Santo Amaro do Maranhão, fique duas noites. Mude-se para Barreirinhas, fique uma ou duas noites. Siga para Atins, fique mais duas noites. Acrescentando noites em Santo Amaro e/ou Atins, fica ainda melhor.

São Luís no Viaje na Viagem

5 comentários

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Fernanda Scafi

Fui para São Luís (e Lençóis Maranhenses) uns 10 anos atrás e como alguém que gosta de história, gostei muito da cidade! http://taindopraonde.blogspot.com.br/2014/08/fundo-do-bau-sao-luis-maranhao-regiao-bate-volta.html

Adalberto Betti

Gostaria de saber se posso ficar em Barreirinhas e me locomover de automovel para demais localidades pois vou alugar um carro a partir de São Luiz. Sou de SP e pretendo ir em junho. Se puderem indicar pousada em barreirinha eu agradeço.obrigado

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Adalberto! Nâo dá para se locomover de carros para outras localidades dos Lençóis. O carro será absolutamente inútil por lá.

fernanda
fernandaPermalinkResponder

Olá,
Estou indo passar o carnaval 2015 por 7 dias, mas estou na dúvida de fico em São Luis ou em barreirinhas. Como estará fora de temporada nos lenções é melhor ficar em São Luis e fazer apenas o passeio a barreirinhas? Vamos num grupo de 4 amigos e queremos agito.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Fernanda! Barreirinhas deve estar lotada por que é feriadão, mas as lagoas ainda não estarão cheias. Só vá se você se satisfizer com os passeios de rio.

A melhor época para encontrar lagoas nos Lençóis vai de junho a setembro.