Lisboa: suba ao Castelo de São Jorge com o eléctrico 12, desça caminhando por Alfama

Heloísa Dall'Antonia
por Heloísa Dall'Antonia

Castelo de São Jorge
Um dos mais tradicionais bairros portugueses, Alfama é daqueles locais em que o gostoso é caminhar sem destino. Perder-se entre as ruelas que parecem um labirinto, cheias de escadinhas, declives e eventualmente até uma roupas penduradas em varais improvisados, é uma experiência necessária em Lisboa.

Justamente pelo local não ser plano, uma visita funciona melhor se o turista começar lá de cima, do Castelo São Jorge, e a partir dali ir descendo despreocupadamente.

Alfama

A partir da praça da Figueira (pertinho da estação do Rossio), pegue o Eléctrico 12, de uma geração de bondes que está em funcionamento em Lisboa desde o início do século 20. Com interior original em madeira, a viagem sobre os trilhos por si só já é um passeio e tanto. Fique atento: por ser uma linha usada 95% por turistas, o ponto em que se aguarda pelo transporte é visado por batedores de carteira. O trajeto é circular.

Entrada do castelo de São Jorge

Desça no Largo Portas do Sol para ter uma das vistas mais bonitas de Lisboa, de boa parte do bairro de Alfama, com a estátua de um dos padroeiros de Lisboa, São Vicente, que segura um barco e corvos, os símbolos da cidade. Dali, vá seguindo o fluxo de turistas até a entrada do Castelo de São Jorge (Rua de Santa Cruz – Tel. 351/218-800-620 – Aberto todos os dias das 9h às 21h (de março a outubro) e das 9h às 18h (de novembro a fevereiro) – ingressos a € 8,50 - € 6,80 com o Lisboa Card), a maravilhosa fortificação construída pelos mouros no século 11.

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Onze de suas torres estão preservadas, assim como os caminhos entre eles por onde se fazia a ronda de segurança do castelo. Os lances de escadas para chegar até elas é puxadinho, mas indo devagar dá para andar por tudo, vendo do alto a beleza da arquitetura local. Como (de novo) peguei o tempo chuvoso, fiz a visita em bem mais tempo que o normal, para não correr o risco de escorregar nas pedras que servem de “asfalto” de toda a edificação. Um artista tocava uma melodia medieval em um dos pátios e por conta da acústica, era possível ouvi-lo em boa parte do passeio. O clima era tão de viagem no tempo que a caixinha foi mais do que merecida. smile

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Vista do castelo de São Jorge

Dentro da muralhas também é possível andar pelo antigo Paço Real (e ver outra das lindas vistas da cidade), conhecer o sítio arqueológico, a exposição permanente de objetos encontrados na área histórica, e a câmera escura (que com um jogo de lentes e espelhos permite observar Lisboa) são outras das atrações a se ver no local.

Dali, antes de sair Alfama abaixo, pare no mirante de Santa Luzia, para outra linda vista panorâmica da cidade. Fez selfie? Show. Agora é hora de sair andando pelo bairro. E se o preparo físico não permitir todas as paradas, saiba que o Eléctrico 28 (que sai da estação Martim Moniz, na Linha Verde do metrô) também passa pertinho de vários dos pontos de interesse citados aqui.

Ruas de Alfama

Tudo é pitoresco. Das construções absolutamente coladas umas nas outras, às pequenas portinhas de onde moradores podem sair de repente, enquanto você está tirando uma foto da fachada da casa deles. Entre escadinhas e ruelas que parecem não estar levando ao mesmo caminho da rua de cima (e não estão mesmo), ande sem pressa.

Alfama

Igreja de Santo Antonio, em Lisboa

Igreja de Santo António de Lisboa(Divulgação)

Uma das paradas interessantes é a Igreja de Santo António de Lisboa (rua Pedras Negras, 1 – tel. 351/218-869-145), onde o casamenteiro (que também é venerado na cidade) nasceu, em 1195. O local também comporta um museu com itens relacionados ao santo, como algumas de suas relíquias. Outra é a Catedral da Sé (Largo da Sé – tel. 351/218-866-752), a mais antiga catedral de Lisboa, construída em 1147, quando o primeiro rei de Portugal conquistou a cidade dos mouros. Ali estão a pia em que Santo Antônio foi batizado quando criança, relíquias de São Vicente e ruínas atribuídas aos romanos e visigodos.

Há ainda a Igreja de Santo Estêvão (Largo de Santo Estêvão, tel. 351/218-866-559), cuja construção inicial data do século 12, apesar de ter sido reconstruída depois do terremoto de 1755, e o Mosteiro de São Vicente de Fora (Largo de São Vicente – tel. 351/218-824-400), erguido a partir de 1582 quando D. Afonso Henriques mandou construir um templo em homenagem ao santo.

Mas as atrações não são apenas religiosas. O Panteão Nacional (Campo de Santa Clara, tel. 351/218-854-8210), por exemplo, apesar de estar dentro da igreja de Santa Engrácia, traz o último descanso de figuras portuguesas importantes, como vários presidentes da república, escritores como Almeida Garrett e artistas como Amália Rodrigues.

Ali pertinho é onde acontece, as terças e sábado, o mercado de pulgas da Feira da Ladra (Campo de Santa Clara, tel. 351/218-170-800), onde artigos de segunda-mão e artesanatos são vendidos.

Alfama-21b

Descendo ainda mais, a Casa dos Bicos (rua dos Bacalhoeiros, tel. 351/218-802-040), onde hoje está a Fundação Saramago, é uma construção do século 16 que foi uma das poucas a ter sobrevivido ao terremoto de 1755.

Entre as atrações e mesmo no caminho labiríntico em Alfama, várias são as opções de cafés e restaurantes. Não experimentei nenhum deles, mas meu caminho me levou a sair quase do lado da Menina Sardinha (Campo das Cebolas, 40 – tel. 351/218-871-738 ), onde acabei tomando um saboroso sorvete e comprando várias geleias diferentonas, tudo made in Portugal.

Heloísa viajou a convite do Turismo de Lisboa.

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7 comentários

Carlos
CarlosPermalinkResponder

No título e no mapa diz eléctrico 32 e no texto diz 12. Qual o correto?

Mariza Guerra
Mariza GuerraPermalinkResponder

Estou com a mesma dúvida, Carlos.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Mariza e Carlos! O título estava errado! Já corrigimos, obrigada por avisar.

Marcelo
MarceloPermalinkResponder

Parabéns pelo post !
Achei incrível sua descrição sobre Lisboa !

Silvio Carlos Cury

Fizemos o seguinte caminho para ir ao Castelo São Jorge.. Pegamos o Elétrico 28 e descemos perto do Miradouro da Graça. Acredito ser um dos mais belos miradouros de Lisboa, inclusive com uma boa vista do Castelo São Jorge. Aproveito o espaço pitoresco e o mosteiro do mesmo nome fundado em 1251.

Fabiana
FabianaPermalinkResponder

Só uma informação: o link para o site da igreja de Santo Antonio esta errado.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Fabiana! O site deve ter saído do ar. Já trocamos, obrigada por avisar.

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