Lisboa à noite: o Bairro Alto desce ao Cais do Sodré 1

Lisboa à noite: o Bairro Alto desce ao Cais do Sodré

cais-do-sodre-11h30 da madruga: o Cais do Sodré começa a receber público

A região do Cais do Sodré sempre teve papel de destaque na história de Lisboa. Em outros tempos, abrigava uma importante zona de construção de navios, assim como recebia os marujos que desembarcavam na cidade. Lojas de artigos de pesca, bares e prostíbulos faziam parte da área. O tempo passou, o escudo virou euro, 2008 foi um ano tenso e o local, que já não estava no auge, foi ficando cada vez mais degradado.

Há pouco tempo, porém, as coisas mudaram. Os bares mantiveram as fachadas, mas foram incrementando o visual; outros se reinventaram completamente; vizinhos bacanas reapareceram, como o Mercado da Ribeira, ou chegaram, como o LX Boutique Hotel, e o bairro voltou a ficar na moda. Aproveitando a boa localização (a estação de metrô fica muito perto da zona boêmia, e a oferta de ônibus e eléctricos na região é grande), o Cais do Sodré passou a ser a continuação óbvia de uma noitada em Lisboa depois que os bares do Bairro Alto fecham (por lei, precisam fechar às duas da madrugada).

Eclética, a região recebe bem todos os públicos. Com mesinhas na rua, o agito começa, de verdade, a partir das 2h (e em alguns dias, quase sem hora pra terminar).

De vermelho para rosa

Se em outros tempos o Cais do Sodré era conhecido pelas “casas de luz vermelha”, uma intervenção artística transformou a rua Nova do Carvalho, uma das principais da área, na rua Cor-de-Rosa, com o asfalto pintado em parte de sua extensão e ficando fechada ao trânsito de automóveis. O projeto tem participação da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação Cais do Sodré.

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Pensão Amor


Esse é o cenário perfeito para uma das entradas da Pensão Amor (rua do Alecrim, 19, tel. 213-143-399) que, como o próprio nome indica, já funcionou prestando outros tipos de serviço. Hoje, cada um dos quartos ganhou decoração e função especial: um é uma livraria erótica, outro vende lingeries sensuais… O lugar funciona como um divertido bar e café, onde acontecem shows e até palestras.

Curiosa também é a decoração do Sol e Pesca (rua Nova do Carvalho, 44, tel. 213-467-203), que aproveitou o ambiente de loja de produtos ligados à pescaria, com iscas, anzóis, redes e afins. O barzinho apresenta as conhecidas conservas portuguesas em diversos tipos de petiscos com atum, sardinha e anchovas, entre outros ingredientes.

A carinha de outros tempos também está presente no Bar da Velha Senhora (rua Nova do Carvalho, 40, tel. 213-468-479), que conta até com shows burlescos em alguns dias da semana.

O Povo (rua Nova do Carvalho, 32-36, tel. 213-473-403) é um restaurante recente, com a proposta de trazer à mesa petiscos, ao som de fado e outros gêneros afins de outros países, como tango ou flamenco.

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Mas se a ideia for dançar, o point é a Music Box (rua Nova do Carvalho, 24, tel. 213-473-188), uma balada e casa de shows eclética cuja entrada fica “embaixo da ponte” da rua Nova do Carvalho. Num espaço intimista, artista e público vão juntos para a pista.

Espaços históricos, há décadas na região, também se renovaram para acompanhar os demais estabelecimentos. As casas noturnas Roterdão (rua Nova do Carvalho, 28), Europa (rua Nova do Carvalho, 16-20), Jamaica (rua Nova do Carvalho, 6) e Tokyo (rua Nova do Carvalho, 12) estão entre os locais que continuam a receber um público jovem para ouvir a trilha sonora. E o nome das casas não é coincidência: lembre-se que a área era destino certo de marinheiros, daí a ligação com pontos geográficos conhecidos por eles.

Horário em discussão

Não dá para agradar todo mundo, né? O renascimento da área também trouxe aos moradores do bairro problemas óbvios de barulho excessivo e limpeza, entre outros. Por conta disso, a Câmara de Lisboa continua a debater uma medida que regulamente o horário de funcionamento dos bares de rua do Cais do Sodré, ao menos nos dias de semana.

Por enquanto dá para badalar até cansar. Programe-se apenas para tomar um caldo verde durante a noite para aguentar o dia seguinte de turistagem.

Heloísa viajou a convite do Turismo de Lisboa.


12 comentários

Durante o inverno (janeiro), a dinâmica é a mesma daqui? Só depois de 1h, 2h que fica agitada??

    Olá, Filipe! Sempre só depois da meia-noite. O movimento, no entanto, é menor do que no verão.

Estou indo para Lisboa em abril com família sendo 4 adultos e 3 adolescentes sendo uma menina de 11 anos, estou vendo apartamento para alugar pelo Booking no Cais do Sodré exatamente na esquina da Rua Alecrim com a Rua Nova Carvalho, vocês acham que vou ter problemas com o barulho desta rua? O ambiente é pesado para os menores? Não pretendemos curtir a noite.

O bar O Povo é muito bom. O ambiente é super cordial e os preços são justos. Outra dica de hotel bem próximo é o Ribeira Tejo Boutique Guesthouse, muito confortável e com um ótimo café da manhã.

Em 2011, fiquei hospedado no LX Boutique Hotel e adorei o hotel e a região! Você fica a alguns passos do Bairro Alto e tem muitas opções de restaurantes e bares por ali. Além do transporte público ótimo!

Vocês descobriram que vou a Portugal este ano né? Eu já conheço (sou descendente!) mas vai ser a primeira vez do meu marido e as dicas de vocês estão sendo de arrasar! 🙂

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