Piscinas naturais: 7 dicas para não perder a viagem

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Porto de Galinhas

De todos os passeios oferecidos nas praias do Nordeste, os que levam a piscinas naturais no meio do mar são os mais procurados. Tanto interesse assim é fácil de explicar. Nossas praias – sobretudo no Nordeste – não costumam ter água cristalina. As fotos daqueles aquários transparentes -- com peixinhos que podem ser vistos a olho nu! -- são realmente irresistíveis. Em alguns lugares, a atração é tamanha que a visitação chegou a ficar fora de controle.

Felizmente, as visitas começam a ser reguladas. Em Maragogi, no norte de Alagoas, onde a situação era mais grave, o fluxo de visitantes às Galés (as piscinas mais famosas do Nordeste) está totalmente controlado. As embarcações agora têm um limite de passageiros, e os donos de barcos foram obrigados a se revezar na operação – há passeios todos os dias, mas não de todos os barcos. A venda de alimentos nas piscinas também foi proibida. Acabei de passar pelo resort Salinas do Maragogi, e fiquei satisfeito de constatar que o hotel agora está diversificando os passeios – nos dias em que não pode ir às Galés, leva seus hóspedes à croa de São Bento e às piscinas naturais de Japaratinga e Barra Grande. Uma regulamentação desse tipo seria benéfica em toda costa a nordestina.

Existe toda uma ciência para aproveitar o seu passeio a uma piscina natural. Siga essas dicas e você não vai perder a viagem.

1. Olho na tábua

As piscinas naturais só aparecem na maré baixa. A vazante faz com que a água fique represada nos recifes, que se transformam por três ou quatro horas em aquários (ou pelo menos grandes tanques). A pegadinha está no fato de que o horário das marés não é constante. Todo dia a mudança das marés ocorre entre 30 e 45 minutos mais tarde do que no dia anterior. Se num domingo a maré mais baixa ocorrer às dez da manhã, na terça-feira vai ocorrer entre onze e onze meia. Onde você encontra essa informação? Na tábua das marés. Os hotéis dos lugares com piscinas naturais normalmente exibem a tábua das marés na recepção. Você pode buscar essa informação online, nos sites de previsão do tempo ou no próprio site da Marinha.

2. É de lua

Quanto mais seca a maré, mais cristalina fica a água das piscinas. E você sabia que o nível das marés varia conforme a lua? Nas luas cheia e nova o movimento das marés é mais radical. Já nas luas crescente e minguante a diferença entre as marés é pouca; os nordestinos chamam este fenômeno de “maré morta”. A visita às piscinas naturais fica bem menos impressionante nesta época (em alguns lugares, como Picãozinho, em João Pessoa, elas nem aparecem). Para tirar melhores fotos, faça o passeio das piscinas numa maré baixa em época de lua cheia ou nova. Veja na tábua das marés o nível mínimo do dia – se houver algum dia com nível entre 0,1 e 0,3, não deixe de marcar o seu passeio.

3. Chegue antes

Você encontra as piscinas naturais entre uma hora e meia antes e uma hora e meia depois do nível mínimo da maré baixa. Procure chegar antes de a maré atingir o nível mínimo: a água estará mais límpida. Quando a maré volta a encher (imediatamente depois de atingir o nível mínimo), a água fica mexida e entram impurezas. Para calcular direito o horário da chegada, não se esqueça de levar em conta que o traslado de barco entre a praia e piscina natural pode levar até meia hora, dependendo do lugar.

4. Passeio, sim; viagem, não

Desaconselho deslocamentos longos só para ir a piscinas naturais. Não vale a pena passar duas horas, duas horas e meia num ônibus para ir (e outras tantas para voltar) só para fazer um passeio de barco. Muitas vezes o tempo muda no caminho, e você se desloca (e paga caro) à toa. Aproveite as piscinas naturais da região onde você está. Deixe para visitar as outras piscinas naturais do estado quando você viajar especificamente para o outro lugar. (Sim, este foi um recado para quem vai a Maceió e quer perder um dia na estrada indo e voltando de Maragogi, e para quem vai a Itacaré e pretende fazer o sacrificadíssimo passeio a Taipu de Fora.)

5. Choveu? Nublou? Passe

É roubada fazer passeio a piscinas naturais na época de chuvas (abril-julho). A água não vai ficar nem remotamente parecida com a que mostram nas fotos. Mesmo na época mais seca, o passeio fica bastante prejudicado depois de eventuais chuvas torrenciais, que mexem demais a água. Dias nublados também são inúteis para esse tipo de passeio. A transparência das piscinas só é vista com sol alto (de preferência, a pino). Incidência lateral (de manhã cedíssimo, meio da tarde) também não ajuda.

6. Tamanho não é documento

As maiores piscinas sempre são as mais desejadas – e por isso mesmo, as mais cheias. Não se deixe levar somente pela fama. Se lhe oferecerem piscinas naturais menos conhecidas, porém mais próximas de onde você está, vá nessas. Você vai ter menos companheiros, e não vai correr o risco de se sentir num banho coletivo japonês. O que encanta numa piscina natural (mais até do que os peixinhos!) é o fato de surgir um lugar no meio do mar onde dá pé. E isso qualquer piscininha pode proporcionar.

7. Piscinas à beira-mar

Nem todas as piscinas naturais ficam no meio do mar. Algumas represam a própria praia na maré baixa, proporcionando banhos de mar maravilhosos. Assim são Taipu de Fora, na Península de Maraú; Camurupim, ao sul de Natal; Barra de São Miguel (e também a Praia do Francês), ao sul de Maceió; a própria Boa Viagem, no Recife. A praia da vila em Porto de Galinhas também fica sensacional na maré baixa; depois de visitar as piscinas, volte para a areia e aproveite o banho, no lado direito.

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488 comentários

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Felipe
FelipePermalink

Vou viajar entre 01/06/2016 e 08/06/2016 para Porto de Galinhas.

Já consultei a tabua das marés e nesse período teremos piscinas naturais. Mesmo com a maré baixa, não teremos piscinas naturais límpidas?

A Bóia
A BóiaPermalink

Olá, Felipe! O fator principal é o sol. Se houver sol, as piscinas ficam bonitas. Se não houver sol, não vale a viagem.

VALMIR CARLOS RICARDO
VALMIR CARLOS RICARDOPermalink

vou para porto de galinhas em novembro, o ideal para ter um passeio legal é estar abaixo de 0. oque no período vai estar em 0.5 e 0.4 e 0.7

A Bóia
A BóiaPermalink

Olá, Valmir! O ideal é entre 0,2 e 0,4, que são níveis que todas as marés atingem no seu período mais baixo. Recomendamos até 0,5, mais do que isso não. Está escrito no texto. Se você for esperar por marés negativas, só fará o passeio uma vez por ano...