Vai por mim: Punta del Este

Hotel Serena, Punta del Este

Punta del Este é provavelmente o destino uruguaio mais desejado pelos brasileiros. Nem sempre, porém, é bem compreendido por quem planeja viajar ou dar uma passadinha por lá. Vamos aos básicos, pois.

O que é Punta del Este? Onde fica?

Punta del Este é o mais badalado dos balneários do Uruguai. No verão, é invadido por argentinos e, ultimamente, também por brasileiros (além dos gaúchos, que já freqüentam o lugar há décadas). Fica a 120 km de Montevidéu, por estrada duplicada (e de velocidade controlada; vai-se em uma hora e meia desde o centro, ou uma hora desde o aeroporto da capital).


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O nome significa “Ponta do Leste” e descreve a situação exata do lugar: na extremidade oriental do Uruguai. A pontinha da península marca a divisão entre o Oceano Atlântico (o mar aberto) e o Rio da Prata (a baía).

Punta del Este

Quem vai a Punta del Este?

Ao contrário da lenda, não é só ricaço que vai a Punta. O público é bastante eclético. O grosso da população na temporada é composto por famílias de classe média sólida que vão veranear, em apartamentos próprios ou alugados, fazendo compras no supermercado e levando geladeirinha para a praia.

Mas a fama de ímã de ricos, famosos e metidos em geral não é descabida. Basta passar em frente aos novos edifícios da orla da Playa Brava ou se embrenhar pelas ruas do Bosque e de Beverly Hills para ver o dinheiro respeitável que está enterrado por ali. Outro indicador preciso do PIB do pedaço são as contas dos restaurantes, que conseguem ser mais altas do que em São Paulo.

Outro público importante na temporada, e que ajuda a definir a personalidade de Punta, é a moçada baladeira. Punta del Este no verão é uma festa que começa ao entardecer na praia e segue madrugada afora nos clubes.

Playa Bikini, Punta del Este

Quando é melhor ir a Punta del Este?

Punta del Este só acontece de verdade entre o Natal e o Carnaval. É quando a cidade inteira está funcionando. O top do cúmulo do auge é em janeiro, quando a cidade fica abarrotada, e os engarrafamentos em La Barra não ficam nada a dever aos de Florianópolis. Querendo curtir uma Punta del Este menos cheia, mas ainda positiva e operante, vá em fevereiro, fora da semana do Carnaval. Na Semana Santa a cidade volta a encher — mas sem agito na praia nem balada.

Hotel Fasano Las Piedras

Como é Punta del Este fora de temporada?

É vazia e levemente melancólica, como todo balneário de clima temperado na baixa estação. Praia no frio — quem curte? Fora da Península (= o Centro), a maioria dos hotéis e restaurantes estará fechada. Também não espere agito em meses temperados fora da estação — março, abril, maio, setembro, outubro, novembro, início de dezembro.

Ao visitante sobram, nesta época, um passeio pelo bairro das mansões, uma foto na escultura dos cinco dedos enterrados na praia, um pôr do sol na Casa Pueblo e a jogatina no cassino do hotel Conrad. Mas a eletricidade que faz Punta ser Punta estará desligada.

Vale pernoitar? Só se você estiver no clima. Muitos habituês gostam dessa calma da Punta del Este fora de temporada, e vão para descansar e freqüentar seus restaurantes favoritos (os do Centro, notadamente os da região do portinho, permanecem abertos o ano inteiro). Os hotéis longe da praia também conseguem burlar a sazonalidade, porque acabam funcionando perfeitamente como hotéis de campo (o exemplo mais bem acabado é o lindíssimo Fasano Las Piedras). E para quem quer ir a Punta especificamente para uma temporada de cassino, a baixa temporada oferece preços imbatíveis.

Playa Bikini, Punta del Este

Como é a praia?

Só é melhor do que a que você tem perto de casa se você morar na Argentina ou no Rio Grande do Sul. A água é fria e turva (o lado mais azulzinho é o da praia Mansa, na baía do Rio da Prata). Os pontos mais positivos são a limpeza, a organização (algumas tem quiosques bem charmosinhos) e o verão relativamente seco, com sol até tardíssimo (não é incomum ir à praia às cinco para ficar até as nove da “tarde”).

Montevidéu: roteiro completo
Roteiros prontos:

Itinerários de 2 a 7 dias pelo Uruguai: como combinar Montevidéu, Punta del Este, Colonia (e Buenos Aires)

Península + playas Mansa e Brava


Playa Mansa, Punta del Este

A Península, o coração de Punta del Este

O centro da cidade fica na “ponta” propriamente dita. Começa no porto, onde se você trocasse os letreiros dos restaurantes poderia fingir que está em algum vilarejo menos famoso da Côte d’Azur. A rua principal do comércio, a Gorlero, vai pelo interior da península, paralela às duas margens. Muitos hotéis tradicionais (e básicos) ficam por ali.

Da Peninsula partem duas praias extensíssimas. A Playa Mansa, de águas calmas, é banhada pelo rio da Prata. A Playa Brava, de ondas, está em mar aberto. Ambas têm quiosques e paradores. O estacionamento pode ser dificil para quem chegar tarde.

O point mais badalado da Mansa é o bar do hotel Serena. O mais animado da Brava é a Parada 30.

A Mansa é voltada para o oeste, então toda é apropriada para contemplar o pôr do sol. Dá para ver da areia ou na orla próxima ao porto. Querendo serviço de bordo, além do hotel Serena indico os bares Virazón e Guappa (na temporada, reserve).

Demais regiões

Casapueblo, Punta del Este

Punta Ballena, a outra ponta


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Continuando pela Mansa em direção a Montevidéu você chega à Punta Ballena. Nenhum turista passa por Punta sem dar um pulinho na Casa Pueblo, a kasbah greco-mediterrânea construída pelo artista Carlos Villaró e que funciona como galeria, hotel e mirante para ver o pôr do sol. É o Corcovado e o Pão de Açúcar de Punta.

A região tem também um hotel chiquérrimo, o Cumbres. Vale a pena fazer uma reserva para o chá da tarde e ficar para o pôr do sol.

La Barra, o agito do verão

Ponte entre a Península e La Barra


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Clericó no Le Club, Playa de la PostaContinuando pela Brava na direção oposta a Montevidéu você chega ao rio Maldonado. Do outro lado da ponte ondulada está La Barra. No verão, este é o playground da garotada em Punta. Por aqui ficam as praias mais escondidinhas (Playa de la Posta, por exemplo) e as mais fervidonas (Montoya, Bikini) — além das baladinhas mais descoladas.

A ruazinha principal — engarrafada o verão inteiro — tem cafés, sorveterias, restaurantes (não perca o peruano Sipán).

José Ignacio, rústica e chic

La Huella, José Ignacio


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Continuando para além de La Barra, a 40 km para lá do centrinho de Punta del Este você chega a José Ignacio, que costumo definir como “a Trancoso de Punta”. Os hotéis aqui são discretos e com ares zen. A “Estrela d’Água” do pedaço é o Parador La Huella, um restaurante na entrada da praia onde os habituês batem ponto (em janeiro, nem apareça sem reservar).

La Huella, José Ignacio

No verão também funciona outro parador, mais democrático 😀

Na direção do interior você chega a Laguna Garzón e Laguna Escondida (onde costuma rolar um dos Réveillons mais disputados de Punta).

José Ignacio, a 40 km de Punta del Este

Punta del Este sem carro é possível?

Há ônibus entre a Península e La Barra, mas a vida dos sem-carro em Punta del Este é bastante complicada. O táxi é caro (e, na temporada, cobra as corridas em dobro, incluindo a volta vazio). Na temporada, reserve o seu carro o quanto antes, seja em Punta, seja em Montevidéu.

Hotel Serena, Punta del Este

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646 comentários

Não é só gaúcho que gosta de estar entre os mesmos de sempre . Aqui em SP parece que há um calendário oficial dos lugares onde há que se estar : Reveillon em Trancoso ( opção Baleia )janeiro em Aspen (opção Courchevel ), Corpus Christi em Campos do Jordão para quem tem filhos adolescentes( não há opção), julho St Tropez ( opção Capri ),setembo cidades da Europa desde que uma delas seja Paris ou Londres ,outubro em NYC e finalmente uma viagem exótica por ano , Butão pega bem . Ai que preguiça…

Tb estive em Punta fora da temporada, em maio deste ano. O lugar fica muito vazio, com um tom até bucólico. Achei perfeita para conhecer a cudade sem stress, em uma viagem mais tranquila. Sim, muita coisa estava fechada, principalmente restaurantes, e as ruas e baladas vazias. Mas acho que isso tornou minha viagem melhor. Tenho até vontade de ir pra Punta na alta, mas tenho medo de perder essa visão mais charmosa do lugar, com aquela impressão de que Punta era só minha e da minha noiva.

Fui em julho e passei frio!!! A cidade vazia, me sentia até uma moradora… Mas mesmo nessas condições eu curti bastante, porque pude conhecer com tranquilidade os pontos turísticos e fazer fotos sem aquelas multidões no fundo. Alguns restaurantes ficam mesmo fechados, mas o cassino fica aberto (até perdi um dinheiro por lá) e as lojinhas da Gorlero também. Passei por todas as regiões que foram citadas no post, e até penso em voltar numa época de temporada, mas as praias não são tão irresistíveis assim e quando o sol chegar provavelmente alguma praia aqui do nordeste terá (para mim) um apelo maior. Aluguei um carro no aeroporto e a viagem foi super tranquila. Vale a pena o passeio, mesmo pra quem quer fugir desse agito das altas temporadas.

No verão não perca de ir a Portozuelo ou Solanas, passando a Casapueblo em direção a Montevideo, tem um por do sol incrivel, que é aplaudido pelos que estão na praia. E realmente, Punta é para todos, jovens e velhos ( estes em especial, que aproveitam a praia ), familias … E sempre tem alguma coisa para se fazer. Gosto mais de fevereiro do que janeiro (no verão passado, tive num final de semana de janeiro, achei que o povo estava até mal educado no transito, quando a característica de lá é a gentileza). A segurança ainda é legal por lá, existe alguns problemas de entrarem nas casas, mas violência não há relatos.

Estive em Punta em outubro e concordo que tem seu charme na primavera. Tudo bem que não posso ser considerada uma típica baiana (não gosto de confusão, lugares cheios e baladas), mas ir a bons restaurantes, passear pela orla, ver os leões marinhos, ver o por do sol do Casa Pueblo com pouca gente ao redor é um luxo! Talvez, trocaria outubro por fevereiro ou março, pelo tempo mais firme.

Na questão agito, fomos num Carnaval para Punta e não era super agitado, mas era bem legal. Não achamos nada de Samba ou grande aglomero.
Acho a estrutura da cidade excelente e muito legal a mistura de povos do Mercosul.
E José Ignacio com um Happy ou Almoço prolongado no Parador de La Huela é obrigatório, com um Clericot de entrada.
Deixo também algumas dicas no V&P:

http://viajarepensar.blogspot.com/search/label/Punta%20del%20Este

Buenas !!! 🙂

Acho importante mesmo mencionar o periodo de agito, pq fui na primeira semana de dezembro e foi uma decepcao so. Pouca gente, lojas fechadas, praia vazia. Como gosto de um fervo, fiquei bem desapontada. Mas sem desmerecer, pq o lugar realmente tem seu pontencial.

    Mas nos finais de semana ( novembro e março) a Peninsula tem bastante movimento e costuma ser dificil encontrar hospedagem por ali.

No filme uruguaio-brasileiro-argentino “Além do Caminho”, um personagem diz que não passa por Punta del Este porque “lá todos acordam à mesma hora, usam as mesmas lacoste e têm o mesmo tipo de mulher”. Morri de rir…

    Isso mesmo… eu sei q a gente não deve procurar uma cidade na outra mas eu nunca me senti tanto em Balneário Camboriú qto em Punta del Este!

    Sylvia, minha família tem um ap em BC desde q eu nasci (quase 30 anos), ou seja, antes da invasão argentina, numa época em q nem os catarinenses iam pra lá… morei lá uns 6 meses, cursando pré-vestibular… e a frase do Arthur, sobre pessoas “iguais” é o q eu vejo lá. Principalmente fora de temporada, qdo vou passar um ou outro fim de semana… Ah, e eu adoro suas dicas de BsAs… já fui 4 vezes e quero voltar sempre só pra testar aquelas q não deu tempo de conferir!

    Dizem que a “nata” de Porto Alegre passa o ano todo se encontrando e reencontrando em eventos sociais na cidade. São sempre as mesmas pessoas. Não se desgrudam.

    E que, chegado o verão, faz a mesma coisa, só que dividindo o tempo entre Punta, Atlântida (litoral gaúcho) e Jurerê (SC)…Todos continuam se encontrando…

    Seria falta de imaginação desse povo?

    Ah, esqueci de dizer uma coisinha mais sobre essa coisa sobre pessoas iguais.

    Um arquiteto que atua muito no litoral gaúcho me contou que os “bacanas” de Porto Alegre querem ter casas em Atlântida iguais às que têm na Capital. Principalmente a mesma decoração urbana…

    Moro em Balneário Camboriú há 10 anos e não entro na praia central há exatos 9 anos. Prefiro Bombinhas, o paraíso da Costa Esmeralda: lugar calmo, pacato, natureza, boa comida. Balneário Camboriú com suas torres na Av. Atlântica taparam a luz do sol.

    Mas quero muito conhecer Punta, até já comprei os pesos uruguaios.

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