O que fazer numa parada de cruzeiro?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Cruzeiro Veneza

Muita gente pergunta: vou pegar um cruzeiro que vai fazer escala em tal lugar, tal lugar, tal lugar, tal lugar e tal lugar. O que eu faço em cada parada?

Bem, eu divido os cruzeiros em dois tipos.

Cruzeiros em barcos pequenos

Cruzeiro Expedição Katerre

Expedição Katerre

O primeiro tipo é o meu preferido: cruzeiros em navios menores, que levam a lugares aonde só dá para chegar de barco mesmo.

Cruzeiros pelos fiordes da Escandinávia, cruzeiros pelo Alaska, a travessia de Ushuaia na Argentina a Punta Arenas no Chile passando pelo cabo Horn, os cruzeiros na Amazônia, como os do Iberostar ou mesmo os cruzeiros-boutique como a Expedição Katerre -- todos esses são cruzeiros que permitem desembarque e embarque fácil, porque são feitos em embarcações menores, e têm escalas curtas.

A cada parada é feita uma expedição de duas, três horas no máximo para explorar a terra firme ou ir a lugares aonde só se chega em embarcações ainda menores. Ou seja: esse tipo de cruzeiro não oferece nenhuma dúvida a cada escala. Você só precisa decidir se quer ou não quer descer.

Cruzeiros em mega-navios

Cruzeiros mega navios

Oasis of the Seas

O segundo tipo é o cruzeiro que 95% das pessoas têm na cabeça: aquele cruzeirão em mega-navio que tem roteiros pontilhados de destinos famosos. Você pensa: oba, vou conhecer muitos lugares importantes, vou matar muitos itens da minha lista de objetivos de viagem de uma vez só.

Desculpe o spoiler, mas não é bem assim.

A maior atração desses cruzeiros -- e tenha certeza que é uma super atração -- são os navios em si. Esses mega-navios são verdadeiras Las Vegas flutuantes: cidades completas voltadas para a diversão 24 horas.

Se no seu itinerário estiver previsto algum dia inteiro ao mar, você não vai sentir falta nenhuma de descer. Há tanta coisa para fazer a bordo, tanta comida e bebida, tantos ambientes, tantas atividades programadas, que é possível que você complete a viagem sem ter explorado tudo.

Agora: as escalas são complicadas. O desembarque de mil, duas mil, até três mil pessoas não é bolinho.

A cada escala você tem seis ou oito horas para destrinchar um destino. E é quando você pergunta: o que que eu faço? Pego uma excursão do navio? Visito por conta própria?

Conforme-se: não vai dar para ver tudo

Comece se conformando que em seis ou oito horas você não vai conseguir cobrir o que você faria numa viagem de verdade de vários dias. Oito horas em Marselha não substituem uma viagem à Provence. Uma escala em Livorno até permite que você visite Pisa ou Florença rapidinho mas não substitui aquela viagem à Toscana.

Então relaxe e tente fazer um passeio prazeroso. Se você está enfurnado num navio, não saia só para embarcar num ônibus e fazer um city-tour em que você vai 'conhecer' o lugar pela janelinha. É melhor pegar um táxi e ir para a região mais interessante da cidade -- caminhar, almoçar, experimentar a comida local (já que você vai voltar pra jantar a comida do navio).

Escala em praia

Em ilhas ou lugares de praia, em vez de fazer um city-tour de praias, pesquise qual é a melhor praia e aproveite o dia lá. Por exemplo: a escala mais perfeita dos mega-cruzeiros do Caribe é quando eles aportam numa praia particular da cia. de cruzeiro. Os passageiros descem no píer e já estão numa praia maravilhosa, com todos os serviços, o aproveitamento é 100% desde o momento do desembarque. Já quando você desce em St. Maarten, por exemplo, a tentação é a de negociar um táxi e fazer um pinga-pinga de todas as praias -- o lado francês, o lado holandês, entra nessa, agora entra nessa outra... daí bem na hora de voltar para o porto, o trânsito engarrafou total, e agora? Um passeio bem menos estressante é você pegar um táxi para praia mais perfeita da ilha, Mullet Bay, e voltar ao porto com antecedência suficiente pra não passar perrengue no trânsito.

A mesma coisa em Búzios. O que é melhor? Pegar um buggy e fazer o giro de oito praias sem aproveitar nenhuma, ou pegar um aquatáxi e ir para a Azeda ou a João Fernandinho, ou pegar um táxi para a Ferradurinha e ter um dia de praia nota 11? Eu sou mais escolher uma praia.

Dá para sair a pé? Visite por conta própria

Nos lugares em que o porto esteja bem localizado, que você possa sair a pé, evite os passeios em grupo.

Por exemplo: em Veneza o porto está praticamente na cidade. Você um monotrilho e está na entrada da cidade. Em Salvador também: o porto de cruzeiros está pertinho do Mercado Modelo e do Elevador Lacerda, que leva você ao Pelourinho. No Rio de Janeiro, você pode até escolher: o porto de cruzeiros fica no Boulevard Olímpico, que tem atrações suficientes para um dia inteiro (veja aqui). Ou então pode seguir este roteiro para um auto-city-tour.

Em lugares assim, vale a pena sair explorando por conta própria. Todas as vezes que eu passo por um grupo de 25 pessoas com adesivo de cruzeiro seguindo um guia com sombrinha eu acho que o pessoal está mais preocupado em não se perder da guia do que em interagir com o lugar que está visitando.

Volte logo

Importante: não dê um lugar por visitado só porque você passou seis horas numa parada de cruzeiro. No mínimo você precisa voltar para ver como que é aquele lugar... depois que todo o pessoal dos cruzeiros vai embora.

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9 comentários

Daniel simoes
Daniel simoesPermalinkResponder

Parabéns pelo artigo.
Todavia não referiu que hoje já existem empresas que vendem Tours para os mesmos portos onde o navio atraca mas com valores muito mais baixos, que se for comprado a bordo

Fernando Tenório

Muito bom artigo. Já fiz três cruzeiros pelo Caribe em mega navios. Tem ilhas que vale mais à pena ficar curtindo o navio do que descer. Nunca peguei excursão do navio, sempre acertava com um taxista no porto para um city-tour ou para ir e voltar para algum local específico: por exemplo, a praia de Maho Beach em Saint Marteen e ver os aviões pousando sobre sua cabeça.
Ressalto que, quando não descemos nas ilhas, o navio fica praticamente só para nós pois quase todo mundo desce e aí podemos curtir as piscinas e todas as atrações sem tumulto algum pois tudo funciona normalmente à bordo quando o navio está atracado.

LAERTHI FREIRE

Excelente artigo. Já fiz seis cruzeiros, todos em navios de grande porte, sempre fiz passeios por conta própria nos portos onde os navios atracam. Mas deixo também uma sugestão: cuidado com os táxis que oferecem passeios nas saídas dos portos. Muitos conhecidos meus pagaram bem mais caro acreditando na camaradagem de determinados taxistas, precenciei até casos de passageiros que perderam a saída do navio por causa de passeios adquiridos com taxistas.

Iolanda Rosa
Iolanda RosaPermalinkResponder

Ricardo adorei esse post, muito realista. Eu e meu marido já fizemos vários cruzeiros pelo Caribe e costa brasileira e assino em baixo de tudo o que tu escreveu. Agora em agosto vamos embarcar em mais um, desta vez de Veneza até as ilhas Gregas. Mas estamos bem cientes de que será apenas um tira gosto, afinal não dá para ver quase nada nessas paradas. smile

Heloisa Jorge
Heloisa JorgePermalinkResponder

Eu concordo com sua opinião sobre os grandes cruzeiros, ainda não tive oportunidade de fazer os pequenos.

Acrescentaria porém um pequeno detalhe: encaro um cruzeiro como um trailer de sua próxima viagem. Já visitei locais que eu preciso voltar, outros que já vi tudo que tinha de interessante e alguns locais que não quero voltar de jeito nenhum. Encarando dessa forma fica bem mais interessante.

E aproveito para dizer que sempre acompanho suas dicas sobre os meus destinos para priorizar o que eu vou visitar, seja num cruzeiro ou numa viagem tradicional.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Só tome cuidado com o
alguns locais que não quero voltar de jeito nenhum

Isso pode ser um problema diretamente relacionado ao fato de você ter chegado em um cruzeiro com mais alguns milhares de pessoas desembarcando e com poucas horas pra aproveitar. Lugares como Dubrovinik, o centrinho de Genova, Alesun ficam insuportáveis quando há 2 ou 3 cruzeiros grandes ancorados, até o meio da tarde quando esvaziam as hordas.

Rita Rios
Rita RiosPermalinkResponder

Muito boa suas dicas

Andrea Souza
Andrea SouzaPermalinkResponder

Olá Boia,
Tenho um dúvida: Embarcaremos no MSC Sea View no Natal/18. No dia 25/12 atracaremos em Salvador. Gostaria de saber se haverá algum comércio aberto por lá, já q será feriado de Natal?
Obrigada
Andrea

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Andrea! Com certeza haverá stands abertos no Mercado Modelo. Provavelmente haverá lojas abertas no Pelourinho também.

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