Viagens pelo Brasil: o que é barato?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Brasil barato: piscina natural

Piscina natural do Seixas, em João Pessoa: um passeio de 10 dólares

O barato do Brasil

Muita gente acha caro viajar pelo Brasil. Não dá pra negar que alguns preços brasileiros são surreais -- sobretudo na alta temporada. Mas existem coisas que são sempre mais baratas nas viagens pelo Brasil do que nas viagens ao exterior. Só que essas coisas passam batidas e a gente esquece de pôr na conta de comparação de custos.

Café da manhã

Tapioca, grátis no seu café da manhã

Começando pelo café da manhã. No Brasil o café está incluído em 99% das diárias e é supercompleto.

Nos Estados Unidos, se você quiser cesta de pães, frutas frescas, ovos, iogurte e bolo no mesmo café da manhã vai ter que pedir uns três pratos diferentes, e seu dia já começa com uma conta salgada.

Na França e na Itália o café de hotel sai entre 8 e 10 euros por pessoa e é bem básico -- algo como 40 a 50 reais por pessoa, por café da manhã, no câmbio-turismo de hoje.

Na Argentina o café costuma estar incluído, mas é tão fraquinho -- fruta em calda, imagina –- que todo dia de manhã dá saudade do Brasil.

Pratos para dividir

Brasil barato: moqueca

Moqueca em Meaípe: se (não) bobear, dá para três

Ainda no quesito comida, no Brasil a gente tem pratos para dividir. Há uma tradição, no Nordeste, no interior e também em cantinas italianas, de oferecer pratos generosamente porcionados, que servem duas, até três pessoas.

Perguntar se a porção dá para dois é absolutamente normal. Mesmo se não der para dividir (o que é o caso em restaurantes a partir de certo nível nas grandes cidades), o garçom não vai achar a pergunta descabida.

Agora -- no exterior, que prato você consegue dividir, fora pizza?

Fora do Brasil dá para dividir entrada, dá para dividir sobremesa... mas dividir o prato principal já vai requerer boa vontade do garçom. E provavelmente não vai saciar a sua fome, já que as porções não são pensadas para dividir.

Quando um brasileiro vai à Argentina, ao Uruguai ou ao Chile, países que têm preços semelhantes aos nossos, e acha a comida cara, é porque não consegue fazer nesses lugares o que está acostumado a fazer aqui: dividir o prato.

Quilo porque qui-lo

No Brasil não temos os excelentes menus de meio-dia que tornam o almoço barato durante viagens aos Estados Unidos, à Europa (e também a Buenos Aires e Santiago). Fora do Brasil, fazer do almoço a refeição mais importante do dia é uma boa medida econômica.

Em compensação, no Brasil temos um sistema perfeito para almoços em conta e saudáveis. O sistema de almoço por quilo, que todo mundo usa quando está trabalhando, também vale a pena nas férias. Almoce uma ou duas vezes na semana num quilo, e você vai repor o déficit de saladas e legumes causado por dias seguidos de comida escolhida no cardápio.

Os passeios

Brasil barato: jangada

Jangada em Porto de Galinhas: 10 dólares por pessoa

Pouco se fala nisso, mas a verdade é que no Brasil os passeios são muito mais baratos que no exterior. No Nordeste os passeios-padrão vendidos pelas operadoras custam 50, 60, 70 reais por pessoa. No exterior os passeios custam 80, 90, 100... dólares. Multiplique por 4.

Mesmo nos lugares do Brasil onde os passeios não são baratinhos, como Bonito, Gramado ou Foz do Iguaçu, os preços ainda assim são menos caros que no exterior.

Ingressos para museus e parques nacionais também são muito mais baratos no Brasil do que nos países ricos (mas regulam com os preços dos vizinhos sul-americanos).

Cerveja

Brasil barato: cerveja

Cerveja 600 ml: 3 dólares (a vista está incluída)

Um item de primeira necessidade pra viajantes como eu é muito mais barato no Brasil do que fora: a cerveja. No Brasil uma latinha na praia custa menos de 2 dólares. No Caribe? 5 dólares.

E essa cerveja de 600 ml que a gente toma em botequim furreco? Custa menos de 3 dólares no Brasil. No exterior, só comprando em supermercado sai por esse preço, e olhe lá.

OK: em restaurantes a coisa muda de figura. Mas no exterior também é assim. E não só com cerveja. Poucas coisas dão tanta reclamação entre brasileiros de primeira viagem quanto o preço da Coca-Cola em restaurantes argentinos...

Conta sem fazer conta

Conta nos States: 25% mais cara que no cardápio

Basta recusar o couvert, e você não vai ter surpresa com a conta de restaurante no Brasil. Virão aqueles 10% (agora, 12 ou 13% em algumas cidades), e pronto.

Já nos Estados Unidos a conta sai pelo menos 25% mais cara do que está no cardápio -- porque tem o imposto (tax) e a gorjeta (tip) de até 18%.

Em Miami a conta já vem com o imposto de 9% mais a gorjeta de 18% incluídos. Mas muitos restaurantes ainda deixam um espacinho em branco pra pôr mais gorjeta se você não perceber que já cobraram. Ou seja: bobeou, você paga gorjeta em dobro...

Agora junta aí: café da manhã não-incluído, refeições que não dá pra dividir, passeios mais salgados, bebidas mais caras, gorjetas além da conta... E o pessoal diz que a Flórida é mais barata que o Nordeste? Naonde?

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86 comentários

Felipe
FelipePermalinkResponder

Que texto espetacular, meu caro. Já compartilhei em diversos grupos de amigos e as respostas são sempre as mãis generalizadas possíveis: a passagem aérea é cara, falta estrutura, falta profissionalismo, etc, que já sabemos não ser realidade, como bem exposto em diversos comentários aqui.

Já viajei para diversos destinos no nordeste e norte do Brasil, e sou um viajante econômico, daquele que sempre almoça PF e se hospeda nos hotéis com melhore custo-benefícios da cidade (geralmente os mais baratos na lista do booking). O luxo fica por conta de um bom jantar em algumas noites, também sempre escolhendo um restaurante com melhor custo benefício. Infelizmente para muitas pessoas, viajar pelo Brasil "não dá status" e mais uma vez o nosso eterno complexo de vira-lata nos impede de ver a beleza iniqualavel do nosso país. Já conheci muitos gringos que estiveram no Brasil por 4-5 vezes.

Para terminar, olhares espantados quando contei a amigos que fui a Brasília a turismo em 2017. Disse a eles que a maioria conhecia capitais de outros países como Londres, Paris, Washington, Lisboa, mas não conhecia a capital do próprio país. Fim da conversa.

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