Montevidéu: de térmica e cuia na Feria Tristán Narvaja

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Domingo é dia de ir à Tristán Narvaja

Faz muitos anos que eu ouço que Montevidéu é a melhor fonte abastecedora de antiquários e mercados de pulgas da América do Sul. A mítica feira de antigüidades da cidade, a Feria Tristán Narvaja, realizada todo domingo, se estenderia por quarteirões e mais quarteirões. Na minha cabeça, se tratava de uma megafeirona de San Telmo, Buenos Aires -- ou, para quem conhece Porto Alegre, o maior brique da Redenção do planeta.

De um certo modo, a Tristán Narvaja é muito menos do que eu pensava. Mas por outro lado, a Tristán Narvaja é muito mais do que eu podia imaginar.

Sim, a feira se estende por quarteirões e quarteirões. Mas o que não me contaram -- ou, quem sabe, o que eu não tinha entendido direito -- é que a maioria desses quarteirões é ocupada outros produtos. Plantas, frutas, legumes, filhotes (sobretudo nas primeiras quadras, próximas à avenida 18 de Julio) e todo tipo de quinquilharias (sobretudo nas ruas dos arredores).

Chica guapa no paga, pero también no lleva!

O filé das antigüidades se encontra em apenas duas quadras, entre a Uruguay e a Paysandú. É quando a rúcula e os coelhinhos vivos dão lugar às banquinhas de especialistas neste ou naquele item de coleção.

Na esquina da Cerro Largo, o filé (ou seria ojo de bife?)

Na quadra entre Cerro Largo e Paysandú, do lado esquerdo de quem desce, três ou quatro antiquários de responsa funcionam em porões abarrotados de coisinhas e coisonas -- essas sim devem abastecer as feirinhas América do Sul afora. Um pouco antes dos antiquários ficam os sebos, também um ao lado do outro.

Mas o tesouro está nos porões

Fui da desilusão ao entusiasmo praticamente sem escalas. Podia não ser a feira que eu tinha na cabeça, mas no fim das contas era bem mais original e divertida.

Cuidado com a câmera!

Só senti falta de lugares para sentar e tomar um aperitivo vendo o povo passar. O máximo que a rua oferece é um café grandão e pouco charmoso na esquina da avenida 18 de Julio.

Talvez ninguém sinta falta de um lugar para parar e tomar alguma coisa porque... bem, no Uruguai todo mundo já toma alguma coisa caminhando mesmo. E essa alguma coisa, claro, é o chimarrão (mate, em castejáno).

E foi dali, no meu mirante do café, que eu tentei fotografar as garrafas térmicas e as cuias que passavam pela calçada, enquanto me inspirava para escrever esta crônica aqui.

Figura (a)

Figura (b)

Figura (c)

Figura (d)

Figura (e)

Figura (f)

Figura (g)

Figura (h)

Figura (i)

Figura (j)

Água quente, freguês? Como no!

E se por acaso a garrafa esvaziar, não tem problema: é só encontrar o trailer mais próximo mrgreen

Leia mais:

39 comentários

Arthur
ArthurPermalinkResponder

"(...) porões abarrotados de coisinhas e coisonas — essas sim devem abastecer as feirinhas América do Sul afora (...)"

É verdade. Aliás, já notaram que essa indústria das lembranças e comprinhas parece mesmo ser uma matriz que distribui seus produtos pelos outros lugares, apenas variando o nome? No Nordeste, todos os ímas de geladeira, camisas, etc, são iguais. A mesma estampa, os mesmos bonequinhos, só muda o nome (Natal, Aracaju, João Pessoa, Maceió etc). Já vi uma camisa que eu tenho de Natal, com a mesma estampa, mas escrito "Fortaleza".
Na América Latina deve ser a mesma coisa, deve ter uma fábrica que faz desde bonequinhos de tango até lhamas esculpidas, passando por gorros peruanos. Se bobear, é tudo feito na China. Um dia comprei um Olho Místico da Turquia, aqui no Rio. Depois pensei: será que veio da Turquia ou é feito em Xerém? É a globalização...

Zé Maria
Zé MariaPermalinkResponder

Riq, se você não foi ainda, vá na feira de Navigli em Milão. Se fica doido lá.

Wander
WanderPermalinkResponder

Zé : fala mais desta feira.

Vera Lucia
Vera LuciaPermalinkResponder

Curiosidade cultura - Na estrada entre Mendoza e Santiago percebi que nos postos de gasolina, junto aos banheiros ficam instaladas máquinas com água quente para reabastecer as garrafas térmicas. Achei sensacional. Um calor de 40 graus e muita secura.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Faz uns bons 20 anos que estive na TN , e pelo ritmo uruguaio , não deve ter mudado muito .Daqui uns dias vou mandar a Figura(k) prá acrescentar ao post wink
Posso mudar de assunto rapidinho?
*Alguém com dicas atualizadas de hospedagem não exorbitante em Buzios ? Estaremos de carro , durante a semana , no inicio de dezembro .

Adriana
AdrianaPermalinkResponder

é, faltava um lugarzinho pra tomar una cerveza para "people watch" - que farofada de termicas! wink

Daniel Pinheiro

Eu estive na Tristán Narvaja em meados de julho e fiquei com uma sensação agridoce demais. A efervescência das primeiras quadras da feira, com a rua transbordando cuias e suas pessoas respectivas atachadas acabou em extrema melancolia nas transversais lá de baixo, em especial as do lado esquerdo de quem desce a TN.
As pessoas vendiam te tudo, de calotas de carro a fraldas de pano usadas. Cachorros magros vadiavam pelo asfalto, famílias paupérrimas com todo tipo de sucata colocada em cima de lonas plásticas gastas, um senhor que vendia porcas e arruelas enferrujadas...

Dionísio (www.espacovital.com.br)

RIQE, não sabia exatamente onde postar, por isso vai aqui (pelo menos por enquanto...).

Vocês viram ontem o Profissão Repórter da Globo, sobre - digamos... - farofadas nas praias?

Não me impressionei nem um pouco com a farofada, mas simplesmente fiquei chocado com a terrível sujeira da Praia Grande/SP no final da tarde. Lixo, lixo mesmo, na areia, na água...

Nas minhas andanças por praias brasileiras - principalmente nordeste, SC e RS - não tinha visto nada parecido.

bernardette amaral

Eu estive em Montevideu em 1990, e quando visitei essa feira havia uns bares tipo "pe-sujos" com musica ao vivo, demos uma volta na feira e passamos o resto da manhã, bebendo , ouvindo musica e conversando. Achei muito interessante. Voltei em 2008, e procurei pelos bares e infelizmente eles nao existem mais.Tambem achei que faz muita falta um lugar desses em uma feira. Aliás notei que em Montevideu estao acabando os pequenos bares e confeitarias onde podiamos ficar sentados a tarde inteira lendo um livro ou jogando conversa fora, so encontrei grandes confeitarias, algumas de cadeias , barulhentas e sem nenhum charme.É Montevidéu querendo ser "muderna"

Letícia Castro

oi, Ricardo!
preciso de umas dicas! você pode me ajudar de novo? smile
Vou passar uns 3 dias em Manaus no final de janeiro e estou totalmente perdida! Só vi 1 post sobre Manaus aqui no seu blog. Você pode me indicar quais são os lugares legais pra comer/passear/visitar? Gostaria tb de dicas de hotéis/pousadas q sejam BBB smile
Obrigada

Letícia Castro

É pedir demais um roteirinho pra 3 dias?

Ricardo Freire

Há um post com muitas dicas ótimas da Dani G., que é manauara, na fase ViajeAqui do blog. O post foi resgatado pelo Alessandro neste endereço aqui:
http://viajenaviagem.t35.com/BRASIL/Manaus%20sem%20programa%20de%20indio%20-%20Viaje%20na%20Viagem-%20Blogs%20viajeaqui.htm

É importante ler os comentários.

Dionísio
DionísioPermalinkResponder

RIQ, acabei de ler uma pergunta num outro post sobre como voltar para o hotel depois de curtir a virada do ano num bar (post sobre Aruba e Curaçao).

Inicialmente achei engraçada a pergunta, mas em seguida me dei conta que nessas datas comemorativas o tursita pode ficar literalmente na mão. E lembrei de uma roubada que aconteceu comigo e com minha esposa no natal passado, em Punta del Este.

Na noite de 24 de dezembro, deixamos para escolher um restaurante na hora, passeando a pé pela península. Saímos a pé do hotel (um pouco distante) para aproveitar a noite, que estava bem agradável. Caminhamos, caminhamos muito e simplesmente não econtrammos um restaurante sequer com lugar para nós. Aliás, os que ainda tinham lugar estavam esperando os clientes que fizeram reservas. Tivemos que acabar a noite de natal comendo chivitos numa lanchonete beeeem mais ou menos...Achei engraçado ver que, como nós, tinha um monte de gente bem arrumadinha, chiquezinha, na lanchonete, seguramente também desavisadas.

Bom, estávamos bem na pontinha da península e tínhamos que voltar ao nosso hotel. Como era longinho e já estávamos cansados da primeira caminhada, decidimos pegar táxi. Táxi? Não havia nenhum, nenhum táxi mesmo em Punta na noite de 24 de dezembro. Nenhum ponto tinha táxis nem um funcionário para telefonar. Nem chamando conseguimos um carro. Num hotel, o recepcionista foi muito amável e tentou ligou para dois taxistas, mas nenhum quis nos buscar! Falamos com policiais que passavam de carro e eles disseram que na noite de natal os taxistas não trabalham. Eu estava até pensando que los policías poderiam nos oferecer uma carona, mas que nada!

Bom, táxi - em número reduzido - só no ponto do Conrad. Caminhamos até lá, que não era perto - especialmente para minha esposa e sua elegante sapatilha baixa - e lá conseguimos tomar uma Mercedes Benz cuja corrida saiu caríssima...

Então, pode parecer estranho perguntar como ir embora depois de uma noite como o reveilon ou natal, mas na verdade o turista desavisado pode acabar tendo contratempos.

Por isso, aviso a quem vai a Punta no natal: reserve a ceia em um restaurante ou no hotel e programe como vai se deslocar. Vale contratar um táxi ou remis com antecedência ou alugar um carro.

Ricardo Freire

Dionísio, eu não deixei a pergunta sem resposta. O melhor é perguntar quando chegar lá. Em lugar nenhum do mundo, em qualquer circunstância, as pessoas devem sair do hotel sem saber como vão voltar. E a maneira mais segura de obter esta informação é dos locais.

Dionísio
DionísioPermalinkResponder

RIQ, eu vi que respondeste, e não disse que deixaste a pergunta sem resposta.

Apenas quis compartilhar uma má experiência de não se informar com os locais sobre a noite festiva e se dar mal por causa disso.

Na verdade, reforcei o que sugeriste.

Tiago
TiagoPermalinkResponder

Feirinha simpática viu. Em pleno domingão realmente cai bem!

Daniela
DanielaPermalinkResponder

Eu odiei a feira. Não tinha muita idéia do que ia encontrar, mas ao ver os coelhinhos e etc, já achei horrível. E depois de ver embaixo de uma das bancas uma caixa tapada com um pano escuro, cheia de passarinhos, que até o final do dia iam estar mortos de calor, a minha opinião só piorou.

A parte de antiguidades, para quem gosta, é interessante, mas o resto é uma enorme feira do paraguai, com cacarecos novos e usados. Tem os sebos e algumas bancas de livros usados que se salvam também.

lcmedeiros
lcmedeirosPermalinkResponder

É verdade, tem de tudo! Uma amiga urugaia disse que, inclusive você encontra, no final da feira, as rodas do carro que te robaram na semana passada...

Lucia
LuciaPermalinkResponder

Eu não fui nesta feira, sai no domingo de manhã para almoçar em Punta, paradinha rápida para compras no Chuy e chegar em Porto Alegre no finalzinho do Fantástico! No sábado, há uma feira de antiguidades na Ciudad Vieja, na praça da Catedral. Adorei um relógio calendário que custava 500 dolares!!!! Ah, na porta da Catedral tem um aviso para não entrar com mate!

Renato Neto
Renato NetoPermalinkResponder

Olá a todos! Vou amanhã para Montevidéu, e claro que pretendo conhecer esta feira! Gostaria de saber que horas que ela começa, já que pretendo alugar um carro e passar a tarde em Punta...
Grande abraço!

Ricardo Freire

De manhã cedo já está funcionando.

Renato Neto
Renato NetoPermalinkResponder

E a feira fica até o final da tarde? Estou pensando em agendar uma visita guiada na Bodega Bouza às 11h, almoçar por lá, e depois ir à feira... Será que vale a pena ir à feira depois?

Ricardo Freire

A feira mixa no começo da tarde.

Tatiana Silva
Tatiana SilvaPermalinkResponder

Pessoal, vou em Lua de Mel para Montevidéo no dia 18/12/2010... estou muito anciosa, gostaria de muitas dicas, pois estarei hospedada na Avenida Rivera.

Beijos.

Solange Braga
Solange BragaPermalinkResponder

Gostaria de informações sobre as feiras que vendes peças de antiguidades em Montevidéu e Buenos Aires. Trabalho com Garage Sale em Brasília e tive informações que pessoas vão e trazem bastante mercadorias interessante, com preços bem agradáveis. Na realidade não tenho muita grana pra investir em peças muito caras, mas normalmente se encontra no velho garimpo, coisas incríveis que poderia revender por aqui. Caso tenham algumas sugestões, ´por gentileza me avisem, estou querendo ir agora em fevereiro, só estão faltando mesmo, as dicas essenciais, pois não dá pra investir em passagens e hotéis sem ter, pelo menos, uma idéia do que poderei encontrar. Abraços e obrigada, aguardo contatos.
Solange

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Solange! A rua Tristán Narvaja em Montevidéu e o bairro de San Telmo em Buenos Aires são os epicentros dos brechós e dos antiquários. As feiras acontecem domingo, mas as lojas abrem a semana inteira. wink

Jacqueline Salgado

Sempre que vou a Montevideo reservo um domingo na Tristan Narvaja! Adoooro! Escrevo poemas, cronicas, filmo, fotografo... e compro de tudo! Cheguei a pagar sobrepeso na TAM na ultima viagem, pois trouxe nada menos que um cavalo de bronze de 37kg! Alem das duas malas lotadas de bonecas pra minha colecao! Nao fosse pela cultura local, tb ficaria deprimida com aquela gente sentada no chao vendendo ate chinelo velho, mas conversando com eles a gente ve que sao gente simples, felizes e principalmente, tem outro trabalho durante a semana!

Rafael Glehn
Rafael GlehnPermalinkResponder

Não consigo achar no mapa a localização dessa feira Tristan Narvaja

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Alô, Rafael! Procure pelo nome das ruas wink As indicações estão no texto.

Antonio
AntonioPermalinkResponder

Como o Ricardo disse a feira é imperdível por ser tão peculiar e principalmente se você procura por antiguidades, livros e discos de vinil.Se tiver pernas e disposição você pode emendar a feira de Tristan Narvaja com a que ocorre no mesmo dia no parque Rodo'(domingo).Os pontos fortes dessa feira são artesanato e principalmente roupas(com muitas opções e bons preços).E no final você ainda pode aproveitar o parque e fazer um lanche nos carrinhos que servem panchos(cachorro quente).

Ulysses
UlyssesPermalinkResponder

Em 2011 fui 4 vezes a Montevideo e adorei. Fui p/ fazer compras e sempre passo na Feira de Tristan Narvaja. Vejo muito brasileiros, principalmente sulistas garimpando antiguidades p/ revender pela internet ou em suas lojas. Em todas as feiras livres de alimentos, de segunda a segunda, tem esse costume da população do bairro local levar coisas usadas p/ vender, tal como no Brasil temos em diversas cidades as famosas "feiras do Rolo". Na feira de Tristan Narvaja além do comercio de objetos usados pelas pessoas mais humildes tem os pequenos antiquarios em banquinhas e tem as lojas com seus porões que abrem a semana toda. Um colega meu por exemplo prefere ir a Feira do Hipodramo (Pedras Brancas) onde os valores são mais baixos mas há de se tomar cuidado pois é um local periférico e com maior indice de assaltos. No hipodramo a feira tambem é aos domingos. Aos sábados ocorre uma boa feira só de antiguidades na Cidade Velha, muito gostosa. Questiono se vale a pena ir até lá só p/ fazer compras,mas se voce for a Montevideo o passeio pela feira é um atrativo turistico!

ANDO EXPERIMENTANDO » Uruguai Buena Onda

[...] Feria Tristan Narvaja: feirinha de rua em mercado de pulgas que vende todo o tipo de quinquilharias nos domingos de [...]

Luciano
LucianoPermalinkResponder

Estivemos agora na primeira quinzena de abril em Montevideo, ADOREI a Feira de Tristan Narvaja. Povo uruguaio, educados e hospitaleiros, com certeza voltaremos nessa querida terra.

Larissa
LarissaPermalinkResponder

pessoal que horas essa feira começa no domingo?? Obrigada

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Larissa! Começa cedo, lá pelas 9 já está a todo vapor.

Patricia
PatriciaPermalinkResponder

é um pecado muito grande não ir nessa feira?
Chego em Montevideo durante a semana vou para Colonia e Punta no fim da viagem (para andar bastante primeiro e descansar depois)
Vou acabar passando o fim de semana em Punta, então não poderei ir nem na feira de Tristan Navaja nem da do parque Rodó...
Será que estou cometendo algum crime turistico????

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Patricia! Não existem obrigações em turismo. Se você vai estar no fim de semana em Punta, aproveite Punta.

Montevideu, parte 2 | De volta outra vez

[...] vai de Domingo, pode aproveitar a Feira Tristán Narvaja que fica justamente seguindo em frente pela 18 de Julio – ainda que parece meio longe, [...]

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
Cancelar