Montevidéu: de térmica e cuia na Feria Tristán Narvaja

Domingo é dia de ir à Tristán Narvaja

Faz muitos anos que eu ouço que Montevidéu é a melhor fonte abastecedora de antiquários e mercados de pulgas da América do Sul. A mítica feira de antigüidades da cidade, a Feria Tristán Narvaja, realizada todo domingo, se estenderia por quarteirões e mais quarteirões. Na minha cabeça, se tratava de uma megafeirona de San Telmo, Buenos Aires — ou, para quem conhece Porto Alegre, o maior brique da Redenção do planeta.

De um certo modo, a Tristán Narvaja é muito menos do que eu pensava. Mas por outro lado, a Tristán Narvaja é muito mais do que eu podia imaginar.

Sim, a feira se estende por quarteirões e quarteirões. Mas o que não me contaram — ou, quem sabe, o que eu não tinha entendido direito — é que a maioria desses quarteirões é ocupada outros produtos. Plantas, frutas, legumes, filhotes (sobretudo nas primeiras quadras, próximas à avenida 18 de Julio) e todo tipo de quinquilharias (sobretudo nas ruas dos arredores).

Chica guapa no paga, pero también no lleva!

O filé das antigüidades se encontra em apenas duas quadras, entre a Uruguay e a Paysandú. É quando a rúcula e os coelhinhos vivos dão lugar às banquinhas de especialistas neste ou naquele item de coleção.

Na esquina da Cerro Largo, o filé (ou seria ojo de bife?)

Na quadra entre Cerro Largo e Paysandú, do lado esquerdo de quem desce, três ou quatro antiquários de responsa funcionam em porões abarrotados de coisinhas e coisonas — essas sim devem abastecer as feirinhas América do Sul afora. Um pouco antes dos antiquários ficam os sebos, também um ao lado do outro.

Mas o tesouro está nos porões

Fui da desilusão ao entusiasmo praticamente sem escalas. Podia não ser a feira que eu tinha na cabeça, mas no fim das contas era bem mais original e divertida.

Cuidado com a câmera!

Só senti falta de lugares para sentar e tomar um aperitivo vendo o povo passar. O máximo que a rua oferece é um café grandão e pouco charmoso na esquina da avenida 18 de Julio.

Talvez ninguém sinta falta de um lugar para parar e tomar alguma coisa porque… bem, no Uruguai todo mundo já toma alguma coisa caminhando mesmo. E essa alguma coisa, claro, é o chimarrão (mate, em castejáno).

E foi dali, no meu mirante do café, que eu tentei fotografar as garrafas térmicas e as cuias que passavam pela calçada, enquanto me inspirava para escrever esta crônica aqui.

Figura (a)

Figura (b)

Figura (c)

Figura (d)

Figura (e)

Figura (f)

Figura (g)

Figura (h)

Figura (i)

Figura (j)

Água quente, freguês? Como no!

E se por acaso a garrafa esvaziar, não tem problema: é só encontrar o trailer mais próximo :mrgreen:

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39 comentários

é um pecado muito grande não ir nessa feira?
Chego em Montevideo durante a semana vou para Colonia e Punta no fim da viagem (para andar bastante primeiro e descansar depois)
Vou acabar passando o fim de semana em Punta, então não poderei ir nem na feira de Tristan Navaja nem da do parque Rodó…
Será que estou cometendo algum crime turistico????

    Olá, Patricia! Não existem obrigações em turismo. Se você vai estar no fim de semana em Punta, aproveite Punta.

Estivemos agora na primeira quinzena de abril em Montevideo, ADOREI a Feira de Tristan Narvaja. Povo uruguaio, educados e hospitaleiros, com certeza voltaremos nessa querida terra.

Em 2011 fui 4 vezes a Montevideo e adorei. Fui p/ fazer compras e sempre passo na Feira de Tristan Narvaja. Vejo muito brasileiros, principalmente sulistas garimpando antiguidades p/ revender pela internet ou em suas lojas. Em todas as feiras livres de alimentos, de segunda a segunda, tem esse costume da população do bairro local levar coisas usadas p/ vender, tal como no Brasil temos em diversas cidades as famosas “feiras do Rolo”. Na feira de Tristan Narvaja além do comercio de objetos usados pelas pessoas mais humildes tem os pequenos antiquarios em banquinhas e tem as lojas com seus porões que abrem a semana toda. Um colega meu por exemplo prefere ir a Feira do Hipodramo (Pedras Brancas) onde os valores são mais baixos mas há de se tomar cuidado pois é um local periférico e com maior indice de assaltos. No hipodramo a feira tambem é aos domingos. Aos sábados ocorre uma boa feira só de antiguidades na Cidade Velha, muito gostosa. Questiono se vale a pena ir até lá só p/ fazer compras,mas se voce for a Montevideo o passeio pela feira é um atrativo turistico!

Como o Ricardo disse a feira é imperdível por ser tão peculiar e principalmente se você procura por antiguidades, livros e discos de vinil.Se tiver pernas e disposição você pode emendar a feira de Tristan Narvaja com a que ocorre no mesmo dia no parque Rodo'(domingo).Os pontos fortes dessa feira são artesanato e principalmente roupas(com muitas opções e bons preços).E no final você ainda pode aproveitar o parque e fazer um lanche nos carrinhos que servem panchos(cachorro quente).

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